terça-feira, 14 de setembro de 2010

Era uma vez uma boa história

Em entrevista, a contadora de histórias Alessandra Giordano fala sobre os segredos e o poder das narrativas: “A história é a coisa mais barata do mundo e é amor puro e verbalizado”

Contar histórias fortalece o vínculo entre pais e filhos e é uma forma eficaz de transmitir ensinamentos
Fadas, bruxas e monstros encantam crianças, adolescentes e até mesmo adultos. E a contadora de histórias Alessandra Giordano vem despertando a atenção de ouvintes há mais de 20 anos. Ela acredita que histórias podem colaborar para um ambiente familiar mais harmonioso e que, juntos, pais e filhos podem trabalhar a criatividade.
Para a autora do livro “Contar Histórias, Um Recurso Arteterapêutico de Transformação e Cura” (Artes Médicas), a história tem o poder de fortalecer e ajudar a criança a querer ser melhor. “E não custa nada, é a coisa mais barata do mundo e é amor, amor puro, amor verbalizado”, define.
Alessandra ainda afirma que, no momento de contar e ouvir um conto, os pais se fortalecem no filho – que, por sua vez, encontra força nos pais. “Nunca nos esquecemos das histórias que nossos pais nos contaram ou ainda contam. E os pais jamais se esquecem do olhar atento de um filho”, diz. “E só assim – olhando no olho, falando, abraçando e contando histórias sobre coisas boas – é que a gente se fortalece”
Um ambiente intimista, personagens e histórias adequadas desenvolvem um elo de afeto e respeito. Para a contadora de histórias, isso “é de uma grandeza que a gente não tem noção do sentido que faz na vida de uma pessoa”.
Veja abaixo a conversa que o iG Delas teve com a contadora de histórias Alessandra Giordano
iG: No seu livro Contar Histórias, a senhora esclarece que a origem dos contos orais está nas cantigas de ninar. Qual a importância de se contar histórias para bebês?
Alessandra Giordano: As informações que temos sobre a origem dos contos de tradição oral explicam que, na realidade, eles são as primeiras histórias que povoaram a mente do ser humano, ou seja, eles vêm das cantigas de ninar. Isso mostra a importância de se contar histórias para bebês., pois além do contato físico entre o contador e o ouvinte, a história contada cria um elo de afeto, fundamental para o desenvolvimento da criança.
iG: Quais são as características de um conto oral e o que ele tem de diferente de uma história escrita?
Alessandra: Os contos de tradição oral são os que não têm autores. Nasceram de crenças em comunidades tradicionalmente orais e existem desde antes da palavra escrita. Normalmente tratam do passado, não têm idade ou país de origem. São documentos históricos de uma comunidade, retratando o percurso de evolução de um povo, e colaboram também com as transformações necessárias nas relações humanas. Já os atuais têm autores que considero verdadeiros artistas da palavra.
iG: Com uma carreira como contadora de histórias, como a senhora define sua experiência?
Alessandra: Estou estudando a importância de se contar histórias na atualidade, a necessidade que o homem moderno tem de ouvir contos. Sou a quarta geração de contadora de histórias da minha família, vivo de narrar boas histórias. No meu consultório, utilizo esse recurso para auxiliar no desenvolvimento da criatividade. Já tive ouvintes em asilos e praças. Participei de um projeto que levava contos de fadas para meninos de rua. Para que eles pudessem ter acesso ao sonho, à fantasia, acreditarem que são capazes de construir a própria felicidade. É uma caminhada de muita satisfação. O conto adequado, na hora certa, despertando o interesse no ouvinte, é muito eficaz. Tenho percebido isso atuando no consultório. A melhor forma de ilustrar conhecimentos para as crianças também é contando histórias. É através de metáforas que elas compreendem melhor questões do dia a dia.
iG: Que função têm os contadores de histórias atualmente?
Alessandra: O mundo atual está muito frenético, o computador te coloca em contato com qualquer outro canto do mundo em segundos e isso rouba a quietude das pessoas, deixando tudo acelerado. Hoje a função do contador de histórias é a de resgatar a paz interna. A roda de contação de histórias serve para resgatar valores, respeito e solidariedade. Ainda ajuda na construção da própria comunidade. A necessidade de histórias hoje é mais que urgente, é preciso entender o por quê de se contar histórias, sua importância na sociedade como troca mútua de conhecimentos.
iG: Os pais podem assumir essa função para seus filhos?
Alessandra: Temos que pensar em um princípio básico. O ser humano precisa , antes de mais nada, cuidar de si mesmo. Um pai ou uma mãe que tem sua criança interna bem cuidada vai realizar uma troca com seus filhos. Ultimamente estamos escravos do relógio. Precisamos nos permitir tirar uma tarde para sentar e ler um conto. Pais e mães são sempre nossos heróis, tudo que eles ensinam são de primeira grandeza. É atribuída a Einstein uma frase sobre isso: “Se quiser que seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles. Se quiser que seus filhos sejam mais brilhantes, leia ainda mais contos de fadas.”
iG: Onde, para quem, por que e qual história contar são alguns pontos esclarecidos no seu livro. Como as pessoas podem contar uma boa história?
Alessandra: Contar histórias é uma arte e, como toda arte, possui segredos e técnicas. Estudando o poder da linguagem, a gente sabe que existem técnicas que podem ser facilitadoras para uma boa narrativa. É preciso convidar o ouvinte para ouvir uma história. É preciso instigar a imaginação das crianças, tentando despertar o interesse dela pela trama da história. O narrador precisa conhecer o público que vai ouvir aquela história para oferecer uma mensagem que faça sentido para o ouvinte. Não é fácil, pois para ouvir uma boa história é preciso concentração e o narrador precisa ter propriedade do que está falando, conhecer as informações que estão nas entrelinhas do conto. A história deve fazer parte do narrador até o momento em que ele não conta mais a história, mas canta. A mensagem flui de uma forma cantada, harmonizada, tocando o coração da sua audiência. É nesse momento que percebemos a sabedoria do contador, ao definir qual a mensagem que ele deseja transmitir para um público específico, naquele momento da narração.
Júnior Milério | 12/09/2010 09:42

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população

Entre os que têm mais de 15 anos, 14,1 milhões não sabem ler e escrever. Região Nordeste tem a taxa mais alta
O Brasil ainda tem 14,1 milhões de analfabetos entre a população com mais de 15 anos, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta quarta-feira, dia 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este total de pessoas representa 9,7% da população, 0,3 ponto percentual a menos que a taxa de 2008, que foi de 10% (14,247 milhões de pessoas). Desde 2004, quando o levantamento começou a ser realizado, a queda foi de 1,8 ponto percentual.
Considerada uma meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que deveria ter sido atingida até 2010, a erradicação do analfabetismo está ainda mais distante quando se observa os dados do Nordeste. Na região, embora a redução da taxa entre 2004 e 2009 tenha sido de 3,7 pontos percentuais, o índice é de 18,7%, maior que o percentual brasileiro há 18 anos, quando o IBGE calculou o dado em 17,2%. Nas regiões Sul e Sudeste, onde a taxa é mais baixa, 5,5% e 5,7% das pessoas com mais de 15 anos ainda não sabem ler ou escrever.

Foto: Arte/iG
Diferenças na taxa de analfabetismo entre Estados são grandes
A maior dificuldade para reduzir o número de analfabetos está em atacar o problema na população com mais de 25 anos: 92,6% deles estão nesta faixa etária, o que faz com que a taxa do grupo seja de 12%. Se a faixa de idade for ainda mais restrita, a taxa de analfabetismo atinge 21% das pessoas com mais de 50 anos.

Veja os destaques da Pnad:
• Em 2009, brasileiro ficou mais velho e vulnerável
• Há mais casados do que solteiros no Brasil
• População mais velha continua crescendo no Brasil
• Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população
• Escolaridade da população adulta aumentou
• 3 milhões de crianças e adolescentes fora da escola
• Mulheres estudam mais que homens, segundo IBGE
• Crise fez desemprego crescer 18,5% em 2009
• 483 mil empregos com carteira assinada em 2009
• Mulheres chefes de família cresce em 19 Estados
• Vagas cresce mais para trabalhadores domésticos
• Condições de habitação e a posse de bens duráveis
• 42,2% dos desempregados são jovens
• Trabalho infantil está em queda
• Uso de internet e celular sobe entre os mais velhos
• Estudo mostra situação jurídica das empresas
Escolarização
Os anos de estudo, outro dado apresentado pelo Pnad, ajudam a explicar esta diferença nas proporções. A população de 10 anos ou mais atingiu, em 2009, 7,2 anos de estudo em média, um crescimento de 0,6 ano em relação a 2004. No entanto, na observação apenas do grupo que tem entre 20 e 24 anos, a média sobe para 9,6 anos, e desce entre os que têm entre 50 e 59 (6,5 anos) e mais de 60 anos (4,2 anos).
No total, em 2009, 36,2 milhões (22,2%) de pessoas com mais de 10 anos estavam sem instrução ou tinham frequentado a escola por menos de quatro anos, contra 38,7 milhões (25,9%) em 2004. Este dado desencadeia outro, o do analfabetismo funcional, representado pela proporção de pessoas de 15 anos ou mais com menos de quatro anos de estudo. Apesar de o índice ainda ser de 20,3%, representa uma redução de 0,7 ponto percentual em relação a 2008 e 4,1 pontos percentuais sobre 2004. No período, todas as regiões tiveram queda na taxa, principalmente o Nordeste, onde a retração foi de 6,6 pontos e chegou a 30,8%.

Tatiana Klix, iG São Paulo | 08/09/2010 10:00

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Educar sem bater é possível!!!

Especialistas diferenciam autoridade de autoritarismo e explicam os princípios para ter – e manter – a autoridade com seu filho.
Tariana Hackradt, especial para o iG São Paulo | 18/08/2010 09:03

Autoridade: imposição de limites é parte do processo de educar
Impor limites não é tarefa fácil para pai algum. Muitos têm medo de perder o amor dos filhos por serem severos demais. Porém, a autoridade parental é indispensável para educar, criar consciência e, consequentemente, começar a construir o caráter das crianças. O importante é não confundir “criar regras” com “impor vontades”. E é possível fazer isso tudo sem bater.
Adela Stoppel de Gueller, psicóloga e coordenadora do setor de Clínica e Pesquisa do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientae, chama atenção para o fato de que os pais são, inicialmente, a referência mais importante de autoridade de uma criança – e não devem se esquecer disso nem quando são enfrentados pelos filhos. “À medida em que as crianças crescem e vão ganhando autonomia, elas questionam a autoridade parental e as leis da sociedade. Nesse momento, é importante que os pais mostrem aos filhos que a autoridade que eles detêm não é arbitrária, que não é um capricho”, recomenda.
A psicóloga explica que discutir as decisões tomadas pode desgastar a autoridade dos pais. “É importante que os pais, quando devem dizer não, não tenham que ficar se justificando. Não é a explicação do ‘não’ que coloca as crianças para pensar, é o ‘não’ puro e simples que faz com que elas reflitam pela lei e pelos limites”, defende Adela. A educadora Cris Poli reforça o argumento da psicóloga e afirma que, desde pequenos, temos que aprender que vivemos em uma sociedade que tem limites. “Pais não podem temer deixar os filhos frustrados porque vão negar algum pedido deles. Ensinar, colocando regras, é educar”, fala a apresentadora do programa “Supernanny” (SBT).
Autoridade x autoritarismo

A linha entre autoridade e autoritarismo parece tênue. Porém, os dois conceitos são bastante distintos. Enquanto autoridade significa impor regras necessárias para um bom convívio, autoritarismo é sinônimo de imposição, uso excessivo de poder. Mara Pusch, psicóloga da Unifesp, diz que autoridade parental não deixa criança alguma retraída ou traumatizada. “Os pais precisam entender que autoridade é mostrar que você tem o poder de decisão sobre o seu filho. O problema é que, quando dessa decisão não é bem exposta às crianças, vira autoritarismo. O filho precisa enxergar que tem autonomia para escolher o que quer, mas que o seu desejo pode ser ou não realizado”.
Leia mais sobre educação dos filhos
• Como lidar com crises de raiva das crianças
• Bater em crianças: crime ou educação?
• Opinião: uma lei para punir ou um programa para educar os pais?
Uma criança se sente acuada quando sofre uma vigilância constante, quando há controle em demasia sobre as suas ações. Adela destaca que, ao notarmos crianças retraídas ou sufocadas, é preciso pensar que ela está sentido o peso da autoridade como excessivo e que pode não ter forças para suportá-lo. “O retraimento é como um refúgio para os filhos que se sentem assim. É importante que os pais repensem seu lugar e escutem a criança. Às vezes, em alguns desses casos, é a criança quem cria uma imagem de um pai extremamente autoritário e isso não corresponde à realidade. Nessas horas, pode ser importante consultar um especialista”, afirma a psicóloga.
O fim da palmada
Um projeto de lei do governo federal que prevê punição para quem aplicar castigos corporais em crianças e adolescentes está tramitando no Congresso Nacional. Sua aprovação, que é bastante provável, marcaria o fim da era das palmadas e dos beliscões, tão conhecidos pelos adultos de hoje. A discussão, que gera muita polêmica, é tratada por Cris Poli com naturalidade. A educadora defende, desde sempre, que para educar não é preciso bater. “Métodos de disciplina é que ensinam o que é certo e errado. Palmadas e puxões de orelha são usados apenas pelos pais que não conseguem se impor e perdem a paciência com os filhos”, fala. “Eu sequer vejo necessidade de uma lei para proibir isso. O que precisamos é de uma campanha de conscientização disciplinar”, acrescenta a educadora.
Mara defende o castigo como uma boa forma de punição para os filhos que descumprem as regras da casa. Para a psicóloga, o castigo tem que ser algo que tanto a criança quanto o adulto consigam cumprir. Não pode ser uma atitude drástica. “Não adianta o pai ameaçar e não dar conta do recado. Se a criança só fica tranquila com o videogame, e o pai tira isso completamente dela, não vai funcionar. Não defendo castigos assustadores, pois isso gera medo”.
Adela complementa o argumento da psicóloga dizendo que os pais devem refletir sobre os castigos que impõem e admitir quando foram severos demais na hora de aplicá-los. “Admitir um erro não implica em perder autoridade, ao contrário, é algo que pode fortalecer os pais porque a criança vê ali um ser racional, que reflete sobre suas ações”, diz.

Recuperando a autoridade
Nunca é tarde demais para recuperar a autoridade com o seu filho. Pelo menos é o que dizem as três especialistas. Para Adela, antes de tentar resgatar o controle da situação em casa, os pais têm que olhar para si mesmos e recuperar a confiança em si. “Se conseguirem isso, os filhos vão perceber e passar a confiar na palavra deles”, explica.
Para os casos mais graves, quando as crianças já não respondem às regras e fazem birra por qualquer coisa, Mara sugere terapia familiar. “Pode ser bom para o pai entender por que perdeu a autoridade e visualizar a dinâmica da casa. Normalmente, quem está dentro da situação não consegue enxergar direito. É importante também perceber como a criança age em outros ambientes, se é sem limites fora de casa”, recomenda.
Cris Poli afirma que o mais importante é que os pais se convençam de que a autoridade está com eles e que educar é uma responsabilidade, não uma escolha. “A minha experiência indica que o primeiro passo é assumir o papel de educador dentro de casa e se posicionar com firmeza. A partir daí, o pai ou a mãe tem que rever sua postura e tentar mudar o que está errado”, finaliza.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Desigualdade entre escolas públicas cresce em 14 Estados

Estudo mostra que diferenças na qualidade do ensino de instituições públicas não estão sendo reduzidas

Embora os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) indiquem que a qualidade do ensino nas escolas públicas brasileiras tem melhorado, o bom desempenho de um estado ou município na avaliação não garante que todas as crianças daquela região tenham acesso à aprendizagem de qualidade. É o que aponta um estudo do Movimento Todos pela Educação feito a partir dos dados do Ideb de 2009.
“Embora as notas estejam crescendo, as desigualdades entre as escolas não estão sendo reduzidas”, aponta o conselheiro do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos. Dentro de uma mesma rede, há uma grande variação de resultados entre as escolas.
Entre 2005 e 2009, a disparidade entre os índices das escolas cresceu em 14 das 27 redes estaduais, segundo o estudo. Nas redes municipais também existe essa variação. Nas capitais, chega a 51% a diferença entre as notas máximas e mínimas das escolas municipais, como ocorre em Vitória, no Espírito Santo. No Rio de Janeiro e em Palmas a variação também é superior a 40%.
O Ideb foi criado em 2005 para avaliar a qualidade do ensino. Cada escola, rede municipal e estadual recebe uma nota calculada a partir dos dados sobre aprovação escolar e médias de desempenho nas avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). A média nacional em 2009 foi de 4,6 pontos, em uma escala de 0 a 10. A meta é que o país atinja a nota 6 até 2022.
Na avaliação do conselheiro, o resultado indica que o secretário de Educação deve olhar o resultado do Ideb do seu estado ou município com “uma lupa” para evitar que as crianças de uma mesma rede tenham “perspectivas de desenvolvimento educacional diferentes”.
A análise revela ainda que quanto menor a nota do Ideb de uma rede (municipal ou estadual) maior é a variação das notas entre as escolas. Nas redes com melhor desempenho, mais alunos têm acesso à educação de qualidade. Entre as regiões, o Sul e o Sudeste apresentam maior qualidade e mais equidade, enquanto o Nordeste, que tem os piores resultados, é o local em que há mais disparidade entre as notas das escolas.

Agência Brasil | 10/08/2010 11:13

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Enem abre inscrições nesta segunda. Saiba como se preparar

Professores dão dicas de como o estudante tem de se preparar para a prova, que será realizada em novembro


O Ministério da Educação abre as inscrições para a prova de 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta segunda-feira. Podem se inscrever alunos da última série ou candidatos que já concluíram o ensino médio.
As inscrições vão até 9 de julho e devem ser feitas exclusivamente pela internet. A prova será aplicada em 6 e 7 de novembro e terá 180 questões de múltipla escolha de ciências da natureza, ciências humanas, matemática, linguagens, códigos e suas tecnologias, além de uma redação.
Prepare-se:
A prova, que antes tinha o objetivo de avaliar a qualidade do estudo nesta fase, passou a ser, desde o último ano, classificatória para universidades de todo o País. No início de 2010, 23 universidades federais, 26 institutos federais e duas estaduais ofereceram mais de 47,9 mil vagas utilizando apenas a nota do exame. No meio do ano, com a mesma nota da prova do ano passado, os candidatos puderam concorrer ainda a mais 16 mil vagas em 15 universidades federais, duas estaduais, 17 institutos federais e um centro federal de educação tecnológica (Cefet). O exame também é pré-requisito para o estudante conseguir uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) em instituições particulares e a certificação para o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de oferecer pontos extras em vestibulares como o da Fuvest e Unicamp.
Leia a seguir um guia de estudos para o Enem.
Conheça a prova
O primeiro passo é conhecer o formato do exame. Desde 2009, a prova passou a ter 180 questões mais a redação. “O ideal é pegar a prova do ano passado e praticar, respondê-la inteira”, recomenda o professor Edilson Aparecido Chaves, coordenador do curso preparatório para o exame do cursinho Uninter. (Clique para ver as questões e os gabaritos: prova 1, prova 2, gabarito 1 azul, gabarito 2 azul). Fazendo uma análise geral da prova do último ano, pode-se apontar as seguintes características:
Contexto - Elaborado para testar as habilidades de construção do conhecimento, o Enem - até o ano passado - não costumava exigir que o candidato soubesse fórmulas ou datas de cor. As questões eram baseadas na lógica e os mesmos assuntos permeavam mais de uma disciplina para testar a capacidade de intertextualização do aluno.
O formato continua este, mas a prova do ano passado passou a exigir cada vez mais o conhecimento dos conteúdos para a solução de questões. “Apesar de ser uma prova de raciocínio, no ano passado algumas questões exigiram que o candidato soubesse os conceitos de transformação de unidades”, exemplifica o professor de Física do Cursinho do XI, Márcio Haga.
O diretor editorial do Sistema COC de Ensino, Miguel Castro, ressalta que o conteúdo do dia-a-dia continua tento grande peso na hora de fazer a prova. “Apesar de não exigir que o aluno saiba a data de nascimento e de morte de um autor nem que memorize fórmulas, passou a exigir que ele conheça o conceito”.
Referências - O exame utiliza textos para servir de referência para as questões. Mesmo as perguntas da área de exatas seguem esta característica. “O candidato tem de ler com muita paciência, prestar atenção na pontuação do texto para não se confundir e acabar errando uma questão por desatenção”, recomenda Vivian D’Angelo Carrera, professora de Linguagens e Técnicas de Redação do Cursinho do XI. Além da leitura dos enunciados, o estudante deve se concentrar na interpretação de gráficos e inforgráficos. “Os gráficos sintetizam referências que muitas vezes não estão no enunciado da questão. O candidato tem de levar todas as informações em consideração”, recomenda Miguel Castro.
Como estudar
Conhecendo bem a prova, o candidato deve se concentrar no conteúdo exigido. Para o professor do cursinho Uninter, uma boa pesquisa na matriz de referência curricular servirá para o candidato como base para conduzir seus estudos. “Essa é uma boa orientação para quem vai estudar sozinho. Consultando a matriz, o estudante consegue ter uma noção do caminho a seguir.”
Miguel Castro alerta para a necessidade de o aluno estar consciente do que acontece no mundo. “Vai se destacar quem lê jornal, revistas, vai ao cinema, informa-se pela internet, quem efetivamente consegue fazer uma leitura da realidade à sua volta.” A visão clara do mundo servirá ao vestibulando até mesmo para desenvolver a redação. Segundo a professora Vivian D’Angelo Carrera, os temas das redações do Enem costumam girar em torno de problemáticas sociais, as quais o estudante consegue acompanhar pelo noticiário. Outro ponto bastante importante na execução da prova é com relação ao tempo que o estudante leva para responder às questões. Para a redação, o aluno deve reservar cerca de 50 minutos. "Não tem necessidade de usar mais tempo que isso. Para agilizar, o ideal é ir fazendo um roteiro com as ideias que forem surgindo com a leitura da proposta, ir marcando o que se destaca como tema e já partir para o texto", recomenda Vivian. Cada questão não deve tomar mais do que 3 minutos.
Márcio Haga sugere que o aluno não perca muito tempo em questões que não domina. “Se está tendo dificuldade para responder, pule para a próxima. Mas, quando voltar, o estudante não deve retomar do ponto em que parou, tem de começar a ler desde o início, para não correr o risco de se confundir.”
Vivian sugere ainda que o candidato faça a leitura das questões sublinhando, riscando palavras-chaves, fazendo anotações para entender melhor o enunciado”. Haga recomenda também que o aluno faça uma pausa a cada 10 questões respondidas. “O aluno pode sair da sala, ir ao banheiro, lavar o rosto. Já foi comprovado que o desempenho melhora se você dá uma pausa de tempos em tempos durante uma prova.” Veja também dicas de exercício físico para o dia e a véspera da prova
O que estudar
Analisando a linha adotada pelo Ministério da Educação (MEC) para formular as provas do Enem nos últimos anos, os professores consultados conseguiram formular uma lista para seguir de guia para seus estudos. Veja as dicas:
Exatas - Para o professor de Física do Cursinho do XI, as fórmulas que os candidatos devem dominar são aquelas relacionadas ao dia-a-dia. “É bem possível que caiam questões ligadas à energia. Questões de energias alternativas, termologia, calorimetria, tudo isso esteve no noticiário neste ano”, aposta Márcio Haga.
Os candidatos também devem encontrar questões de:
- Transformações de unidades - Porcentagem – Probabilidade - Estatísticas - Volumes de figuras - Regra de 3
Biológicas – Haga, baseado nas provas anteriores, acredita que o meio ambiente continuará na berlinda na prova deste ano. O vazamento de petróleo no mar do Golfo do México deve estar entre os tópicos do exame em 2010.
Além disso, questões que envolvam doenças, como elas são transmitidas e como evitá-las também são características do exame. A epidemia de dengue registrada neste ano deve estar entre elas, segundo o professor de Física.
Humanas – Questões da área de Humanas costumam girar em torno de direitos humanos, do menor, do idoso, além de todas as questões sociais que permeiam os noticiários. Levando em conta os fatos ocorridos e previstos para este ano, os professores destacam:
- 20 anos de libertação de Nelson Mandela e questões sociais na África do Sul - Terremotos e suas conseqüências - Eleições
Carolina Rocha, iG São Paulo | 20/06/2010 08:05 - Atualizada às 10:30

Enem abre inscrições nesta segunda. Saiba como se preparar

Professores dão dicas de como o estudante tem de se preparar para a prova, que será realizada em novembro


O Ministério da Educação abre as inscrições para a prova de 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta segunda-feira. Podem se inscrever alunos da última série ou candidatos que já concluíram o ensino médio.
As inscrições vão até 9 de julho e devem ser feitas exclusivamente pela internet. A prova será aplicada em 6 e 7 de novembro e terá 180 questões de múltipla escolha de ciências da natureza, ciências humanas, matemática, linguagens, códigos e suas tecnologias, além de uma redação.
Prepare-se:
A prova, que antes tinha o objetivo de avaliar a qualidade do estudo nesta fase, passou a ser, desde o último ano, classificatória para universidades de todo o País. No início de 2010, 23 universidades federais, 26 institutos federais e duas estaduais ofereceram mais de 47,9 mil vagas utilizando apenas a nota do exame. No meio do ano, com a mesma nota da prova do ano passado, os candidatos puderam concorrer ainda a mais 16 mil vagas em 15 universidades federais, duas estaduais, 17 institutos federais e um centro federal de educação tecnológica (Cefet). O exame também é pré-requisito para o estudante conseguir uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) em instituições particulares e a certificação para o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de oferecer pontos extras em vestibulares como o da Fuvest e Unicamp.
Leia a seguir um guia de estudos para o Enem.
Conheça a prova
O primeiro passo é conhecer o formato do exame. Desde 2009, a prova passou a ter 180 questões mais a redação. “O ideal é pegar a prova do ano passado e praticar, respondê-la inteira”, recomenda o professor Edilson Aparecido Chaves, coordenador do curso preparatório para o exame do cursinho Uninter. (Clique para ver as questões e os gabaritos: prova 1, prova 2, gabarito 1 azul, gabarito 2 azul). Fazendo uma análise geral da prova do último ano, pode-se apontar as seguintes características:
Contexto - Elaborado para testar as habilidades de construção do conhecimento, o Enem - até o ano passado - não costumava exigir que o candidato soubesse fórmulas ou datas de cor. As questões eram baseadas na lógica e os mesmos assuntos permeavam mais de uma disciplina para testar a capacidade de intertextualização do aluno.
O formato continua este, mas a prova do ano passado passou a exigir cada vez mais o conhecimento dos conteúdos para a solução de questões. “Apesar de ser uma prova de raciocínio, no ano passado algumas questões exigiram que o candidato soubesse os conceitos de transformação de unidades”, exemplifica o professor de Física do Cursinho do XI, Márcio Haga.
O diretor editorial do Sistema COC de Ensino, Miguel Castro, ressalta que o conteúdo do dia-a-dia continua tento grande peso na hora de fazer a prova. “Apesar de não exigir que o aluno saiba a data de nascimento e de morte de um autor nem que memorize fórmulas, passou a exigir que ele conheça o conceito”.
Referências - O exame utiliza textos para servir de referência para as questões. Mesmo as perguntas da área de exatas seguem esta característica. “O candidato tem de ler com muita paciência, prestar atenção na pontuação do texto para não se confundir e acabar errando uma questão por desatenção”, recomenda Vivian D’Angelo Carrera, professora de Linguagens e Técnicas de Redação do Cursinho do XI. Além da leitura dos enunciados, o estudante deve se concentrar na interpretação de gráficos e inforgráficos. “Os gráficos sintetizam referências que muitas vezes não estão no enunciado da questão. O candidato tem de levar todas as informações em consideração”, recomenda Miguel Castro.
Como estudar
Conhecendo bem a prova, o candidato deve se concentrar no conteúdo exigido. Para o professor do cursinho Uninter, uma boa pesquisa na matriz de referência curricular servirá para o candidato como base para conduzir seus estudos. “Essa é uma boa orientação para quem vai estudar sozinho. Consultando a matriz, o estudante consegue ter uma noção do caminho a seguir.”
Miguel Castro alerta para a necessidade de o aluno estar consciente do que acontece no mundo. “Vai se destacar quem lê jornal, revistas, vai ao cinema, informa-se pela internet, quem efetivamente consegue fazer uma leitura da realidade à sua volta.” A visão clara do mundo servirá ao vestibulando até mesmo para desenvolver a redação. Segundo a professora Vivian D’Angelo Carrera, os temas das redações do Enem costumam girar em torno de problemáticas sociais, as quais o estudante consegue acompanhar pelo noticiário. Outro ponto bastante importante na execução da prova é com relação ao tempo que o estudante leva para responder às questões. Para a redação, o aluno deve reservar cerca de 50 minutos. "Não tem necessidade de usar mais tempo que isso. Para agilizar, o ideal é ir fazendo um roteiro com as ideias que forem surgindo com a leitura da proposta, ir marcando o que se destaca como tema e já partir para o texto", recomenda Vivian. Cada questão não deve tomar mais do que 3 minutos.
Márcio Haga sugere que o aluno não perca muito tempo em questões que não domina. “Se está tendo dificuldade para responder, pule para a próxima. Mas, quando voltar, o estudante não deve retomar do ponto em que parou, tem de começar a ler desde o início, para não correr o risco de se confundir.”
Vivian sugere ainda que o candidato faça a leitura das questões sublinhando, riscando palavras-chaves, fazendo anotações para entender melhor o enunciado”. Haga recomenda também que o aluno faça uma pausa a cada 10 questões respondidas. “O aluno pode sair da sala, ir ao banheiro, lavar o rosto. Já foi comprovado que o desempenho melhora se você dá uma pausa de tempos em tempos durante uma prova.” Veja também dicas de exercício físico para o dia e a véspera da prova
O que estudar
Analisando a linha adotada pelo Ministério da Educação (MEC) para formular as provas do Enem nos últimos anos, os professores consultados conseguiram formular uma lista para seguir de guia para seus estudos. Veja as dicas:
Exatas - Para o professor de Física do Cursinho do XI, as fórmulas que os candidatos devem dominar são aquelas relacionadas ao dia-a-dia. “É bem possível que caiam questões ligadas à energia. Questões de energias alternativas, termologia, calorimetria, tudo isso esteve no noticiário neste ano”, aposta Márcio Haga.
Os candidatos também devem encontrar questões de:
- Transformações de unidades - Porcentagem – Probabilidade - Estatísticas - Volumes de figuras - Regra de 3
Biológicas – Haga, baseado nas provas anteriores, acredita que o meio ambiente continuará na berlinda na prova deste ano. O vazamento de petróleo no mar do Golfo do México deve estar entre os tópicos do exame em 2010.
Além disso, questões que envolvam doenças, como elas são transmitidas e como evitá-las também são características do exame. A epidemia de dengue registrada neste ano deve estar entre elas, segundo o professor de Física.
Humanas – Questões da área de Humanas costumam girar em torno de direitos humanos, do menor, do idoso, além de todas as questões sociais que permeiam os noticiários. Levando em conta os fatos ocorridos e previstos para este ano, os professores destacam:
- 20 anos de libertação de Nelson Mandela e questões sociais na África do Sul - Terremotos e suas conseqüências - Eleições
Carolina Rocha, iG São Paulo | 20/06/2010 08:05 - Atualizada às 10:30

Redações de vestibular ficam cada vez mais exigentes

Especialistas dão dicas para o vestibulando se dar bem em dissertação, carta ou narração.


Os vestibulandos podem até contar com a sorte em provas de múltipla escolha, mas na hora de fazer a redação não há amuleto que ajude. A produção de textos é a arma que as universidades usam em seus vestibulares para distinguir quem realmente sabe dos que contam com uma ajudinha do “cara-ou-coroa”.
Para ajudar o vestibulando na hora de se preparar, consultamos especialistas que deram dicas sobre os principais formatos pedidos nas provas. Veja as dicas:
Dissertação - é o formato utilizado há mais tempo pelos vestibulares de todo o País. É o adotado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona os candidatos para Universidade de São Paulo (um dos maiores em número de inscritos do Brasil).
A dissertação prioriza a ponto de vista do candidato, que tem que defender uma tese, discorrendo sobre o tema proposto com argumentos que vão culminar com uma conclusão. Por ser o modelo mais utilizado pelos vestibulares, é comum professores e alunos desenvolverem fórmulas para facilitar a elaboração do texto. A receita normalmente é a seguinte:
- um parágrafo para explicar a tese;
- um ou dois parágrafos para o desenvolvimento;
- um parágrafo para a conclusão.
- textos sempre em 3º pessoa
- nunca se dirigir ao leitor usando “você”
“Essa ‘receita’, entretanto, pode desandar”, diz o professor de Língua Portuguesa do Curso Anglo de Vestibulares. “Há muitas possibilidades dentro da dissertação. Se o estudante der uma olhada nas redações que a Fuvest divulgou como modelo do que é esperado pela banca, vai ver que não existe fórmula. Tem redação em 1º pessoa, textos com mais e menos de quatro parágrafos. O que prevaleceu foi a marca autoral, a maturidade na defesa dos argumentos”.
Por isso, além da preocupação com o formato, o candidato deve se empenhar em ter argumentos bem fundamentados para construir um texto interessante. “Se o candidato não souber argumentar bem, usar citações de autoridades no assunto, não apresentar causa e consequência, a dissertação fica vazia e superficial”, explica a professora de Língua Portuguesa do Cursinho da Poli, Caroline de Souza Andrade. Segundo ela, “só com bastante embasamento no assunto o vestibulando vai conseguir dar profundidade à redação”.
Dissertação argumentativa – modelo utilizado no maior vestibular do Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), segue o mesmo princípio estrutural das dissertações, mas com uma diferença importante: nela, o candidato deve convencer o leitor sobre uma posição em relação ao tema.
“O pior erro é ficar em cima do muro num tipo de redação como essa”, explica Caroline. “As provas do Enem pedem que você tenha certeza do que está argumentando e que convença o leitor de sua opinião.”
Carta - o modelo não é um dos mais adotados, mas sempre há a possibilidade de estar entre as propostas da Unicamp em uma de suas três redações obrigatórias – até o ano passado os candidatos podiam escolher entre três formatos para fazer uma única redação, e um deles era a carta.
Para desenvolver uma carta corretamente, o vestibulando precisa, antes de tudo, identificar quem é o remetente. “É muito importante traçar um perfil mental da pessoa para quem ele vai escrever o texto. Se for para uma criança, por exemplo, vai ser um tamanho de texto e uma linguagem; se for para um adulto, o texto é outro”, lembra Caroline.
Carta argumentativa - segue o mesmo diferencial da dissertação argumentativa. O autor deve se posicionar e convencer o leitor com seus argumentos.
Diferentemente das dissertações, as cartas não necessitam de título e, em seu lugar, deve-se fazer um cabeçalho, com data e local onde ela está sendo escrita. O autor não pode se esquecer também da despedida. “Pode ser apenas com as iniciais, com o nome completo ou até um pseudônimo”, diz Caroline.
A professora ressalta que esta informação, assim como quem é o destinatário da carta, estarão determinados no enunciado da redação. “Por isso é muito importante ler os textos de referência e o enunciado com muita atenção”, ressalta.
Narração - modelo clássico de texto, mas pouco exigido nos vestibulares, a narração é um grande desafio aos escritores menos criativos. “O aluno tem de exercitar bastante seu potencial imaginativo para criar uma história e normalmente os vestibulandos têm preguiça disso. A narração é boa para quem gosta de criar, de viajar num texto”, diz Caroline.
Segundo ela, para fazer uma boa narrativa, o candidato precisará determinar alguns pontos antes de começar a escrever:
- Quem será o narrador da história – normalmente vem determinado no enunciado se a história é em 1ª ou 3ª pessoa, por isso, é preciso atentar para esse detalhe.
- Quais serão as personagens – é preciso saber exatamente quem vai participar e por quê.
- Em que espaço ela acontece – a história precisa ter um lugar determinado, para que sirva de referência para os argumentos.
- Em que lugar no tempo ela se passa – não é necessário ter uma data, mas a narrativa tem como principal característica a passagem de um tempo entre uma ação e outra e o momento em que ela se passa é bastante importante para o desenrolar da trama. “Quando Manoel Antônio de Almeida usa a frase ‘Era o tempo do Rei’ em Memórias do Sargento de Milícias, ele não dá uma data, mas dá para saber que se trata da época da monarquia, que a história não se passa nos dias de hoje”, exemplifica a professora.
- Ação – é preciso saber, antes de escrever o texto, qual é a ação que vai mover a história.
- Enredo ou trama – o autor precisa determinar claramente como vai ‘amarrar’ a ação das personagens para que o desfecho tenha sentido.
Com esses elementos definidos, o aluno poderá desenvolver o texto com mais segurança e tranquilidade.
Gêneros variados – sair dos moldes escolares e buscar gêneros que tenham relevância social. Esta é tendência que os vestibulares estão adotando recentemente. “A Universidade Federal do Paraná já faz isso há alguns anos e agora a Unicamp está adotando essa política”, ressalta Lopes, professor do curso Anglo.
“Estamos procurando um aluno que consiga se colocar numa posição diferente da dele, que saiba se comunicar de forma menos escolar. O vestibular da Unicamp vai levar em conta a habilidade de escrita inserida na vida real, o que é visto na sociedade e escapar dos modelos que permitem um treinamento específico”, explica Renato Pedrosa, coordenador executivo do vestibular da Unicamp.
Por isso, no próximo vestibular, a universidade passará a adotar três redações obrigatórias, em vez de uma. “Com uma redação só nem sempre é possível avaliar a capacidade de comunicação do candidato. Às vezes ele tem a sorte de ter mais intimidade com o assunto e vai bem na redação, mas com três textos ele vai ter de mostrar se realmente sabe se expressar”, acredita o coordenador.
Em um simulado realizado em maio para que os candidatos conhecessem a prova, mostrou que as expectativas não são nada ortodoxas: os candidatos tiveram de fazer uma carta, uma entrevista e um editorial jornalístico. “Este não é um formato fixo, temos flexibilidade para aplicarmos várias propostas”.
Para se preparar para o que pode vir pela frente, o professor do curso Anglo deixa uma dica: o vestibulando deve virar um leitor crítico. “Não basta simplesmente ler, tem de pensar sobre a forma do texto, identificar a que gênero ele pertence, se ele cumpriu com a função dele”, recomenda Lopes.
“Se o texto for uma reportagem, o aluno tem de pensar se o autor conseguiu retratar todos os fatos, se a manchete era informativa, se todos os aspectos foram consultados. Se ele considerou que o editorial não condiz, mande uma carta argumentativa para o jornal, por exemplo. É um exercício para conhecer e exercitar os tipos de texto”, sugere.
Dicas gerais
Independentemente do gênero proposto, os especialistas destacam pontos que todo vestibulando deve ficar atento:
Prática – quanto mais você escreve, mais fácil fica perceber suas dificuldades. Reescreva redações, desconstrua textos jornalísticos, experimente.
Ler – não apenas para avaliar o formato do texto, mas para criar um banco de informações que serão úteis na hora de argumentar.
Atenção ao enunciado – é nele que o vestibulando vai encontrar toda informação essencial para desenvolver a redação. Se algo passar despercebido, toda redação pode ser desconsiderada.
Tema e o formato – argumentação fraca, erros de ortografia, gramática, sintaxe. Tudo isso é passível de desconto de pontos em uma redação, mas apenas duas falhas são capazes de anular a nota da redação: fuga do tema e a não obediência ao formato pedido. Por isso, muita atenção e cuidado.
Carolina Rocha, iG São Paulo | 23/06/2010 11:41

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