terça-feira, 14 de setembro de 2010

Era uma vez uma boa história

Em entrevista, a contadora de histórias Alessandra Giordano fala sobre os segredos e o poder das narrativas: “A história é a coisa mais barata do mundo e é amor puro e verbalizado”

Contar histórias fortalece o vínculo entre pais e filhos e é uma forma eficaz de transmitir ensinamentos
Fadas, bruxas e monstros encantam crianças, adolescentes e até mesmo adultos. E a contadora de histórias Alessandra Giordano vem despertando a atenção de ouvintes há mais de 20 anos. Ela acredita que histórias podem colaborar para um ambiente familiar mais harmonioso e que, juntos, pais e filhos podem trabalhar a criatividade.
Para a autora do livro “Contar Histórias, Um Recurso Arteterapêutico de Transformação e Cura” (Artes Médicas), a história tem o poder de fortalecer e ajudar a criança a querer ser melhor. “E não custa nada, é a coisa mais barata do mundo e é amor, amor puro, amor verbalizado”, define.
Alessandra ainda afirma que, no momento de contar e ouvir um conto, os pais se fortalecem no filho – que, por sua vez, encontra força nos pais. “Nunca nos esquecemos das histórias que nossos pais nos contaram ou ainda contam. E os pais jamais se esquecem do olhar atento de um filho”, diz. “E só assim – olhando no olho, falando, abraçando e contando histórias sobre coisas boas – é que a gente se fortalece”
Um ambiente intimista, personagens e histórias adequadas desenvolvem um elo de afeto e respeito. Para a contadora de histórias, isso “é de uma grandeza que a gente não tem noção do sentido que faz na vida de uma pessoa”.
Veja abaixo a conversa que o iG Delas teve com a contadora de histórias Alessandra Giordano
iG: No seu livro Contar Histórias, a senhora esclarece que a origem dos contos orais está nas cantigas de ninar. Qual a importância de se contar histórias para bebês?
Alessandra Giordano: As informações que temos sobre a origem dos contos de tradição oral explicam que, na realidade, eles são as primeiras histórias que povoaram a mente do ser humano, ou seja, eles vêm das cantigas de ninar. Isso mostra a importância de se contar histórias para bebês., pois além do contato físico entre o contador e o ouvinte, a história contada cria um elo de afeto, fundamental para o desenvolvimento da criança.
iG: Quais são as características de um conto oral e o que ele tem de diferente de uma história escrita?
Alessandra: Os contos de tradição oral são os que não têm autores. Nasceram de crenças em comunidades tradicionalmente orais e existem desde antes da palavra escrita. Normalmente tratam do passado, não têm idade ou país de origem. São documentos históricos de uma comunidade, retratando o percurso de evolução de um povo, e colaboram também com as transformações necessárias nas relações humanas. Já os atuais têm autores que considero verdadeiros artistas da palavra.
iG: Com uma carreira como contadora de histórias, como a senhora define sua experiência?
Alessandra: Estou estudando a importância de se contar histórias na atualidade, a necessidade que o homem moderno tem de ouvir contos. Sou a quarta geração de contadora de histórias da minha família, vivo de narrar boas histórias. No meu consultório, utilizo esse recurso para auxiliar no desenvolvimento da criatividade. Já tive ouvintes em asilos e praças. Participei de um projeto que levava contos de fadas para meninos de rua. Para que eles pudessem ter acesso ao sonho, à fantasia, acreditarem que são capazes de construir a própria felicidade. É uma caminhada de muita satisfação. O conto adequado, na hora certa, despertando o interesse no ouvinte, é muito eficaz. Tenho percebido isso atuando no consultório. A melhor forma de ilustrar conhecimentos para as crianças também é contando histórias. É através de metáforas que elas compreendem melhor questões do dia a dia.
iG: Que função têm os contadores de histórias atualmente?
Alessandra: O mundo atual está muito frenético, o computador te coloca em contato com qualquer outro canto do mundo em segundos e isso rouba a quietude das pessoas, deixando tudo acelerado. Hoje a função do contador de histórias é a de resgatar a paz interna. A roda de contação de histórias serve para resgatar valores, respeito e solidariedade. Ainda ajuda na construção da própria comunidade. A necessidade de histórias hoje é mais que urgente, é preciso entender o por quê de se contar histórias, sua importância na sociedade como troca mútua de conhecimentos.
iG: Os pais podem assumir essa função para seus filhos?
Alessandra: Temos que pensar em um princípio básico. O ser humano precisa , antes de mais nada, cuidar de si mesmo. Um pai ou uma mãe que tem sua criança interna bem cuidada vai realizar uma troca com seus filhos. Ultimamente estamos escravos do relógio. Precisamos nos permitir tirar uma tarde para sentar e ler um conto. Pais e mães são sempre nossos heróis, tudo que eles ensinam são de primeira grandeza. É atribuída a Einstein uma frase sobre isso: “Se quiser que seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles. Se quiser que seus filhos sejam mais brilhantes, leia ainda mais contos de fadas.”
iG: Onde, para quem, por que e qual história contar são alguns pontos esclarecidos no seu livro. Como as pessoas podem contar uma boa história?
Alessandra: Contar histórias é uma arte e, como toda arte, possui segredos e técnicas. Estudando o poder da linguagem, a gente sabe que existem técnicas que podem ser facilitadoras para uma boa narrativa. É preciso convidar o ouvinte para ouvir uma história. É preciso instigar a imaginação das crianças, tentando despertar o interesse dela pela trama da história. O narrador precisa conhecer o público que vai ouvir aquela história para oferecer uma mensagem que faça sentido para o ouvinte. Não é fácil, pois para ouvir uma boa história é preciso concentração e o narrador precisa ter propriedade do que está falando, conhecer as informações que estão nas entrelinhas do conto. A história deve fazer parte do narrador até o momento em que ele não conta mais a história, mas canta. A mensagem flui de uma forma cantada, harmonizada, tocando o coração da sua audiência. É nesse momento que percebemos a sabedoria do contador, ao definir qual a mensagem que ele deseja transmitir para um público específico, naquele momento da narração.
Júnior Milério | 12/09/2010 09:42

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população

Entre os que têm mais de 15 anos, 14,1 milhões não sabem ler e escrever. Região Nordeste tem a taxa mais alta
O Brasil ainda tem 14,1 milhões de analfabetos entre a população com mais de 15 anos, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta quarta-feira, dia 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este total de pessoas representa 9,7% da população, 0,3 ponto percentual a menos que a taxa de 2008, que foi de 10% (14,247 milhões de pessoas). Desde 2004, quando o levantamento começou a ser realizado, a queda foi de 1,8 ponto percentual.
Considerada uma meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que deveria ter sido atingida até 2010, a erradicação do analfabetismo está ainda mais distante quando se observa os dados do Nordeste. Na região, embora a redução da taxa entre 2004 e 2009 tenha sido de 3,7 pontos percentuais, o índice é de 18,7%, maior que o percentual brasileiro há 18 anos, quando o IBGE calculou o dado em 17,2%. Nas regiões Sul e Sudeste, onde a taxa é mais baixa, 5,5% e 5,7% das pessoas com mais de 15 anos ainda não sabem ler ou escrever.

Foto: Arte/iG
Diferenças na taxa de analfabetismo entre Estados são grandes
A maior dificuldade para reduzir o número de analfabetos está em atacar o problema na população com mais de 25 anos: 92,6% deles estão nesta faixa etária, o que faz com que a taxa do grupo seja de 12%. Se a faixa de idade for ainda mais restrita, a taxa de analfabetismo atinge 21% das pessoas com mais de 50 anos.

Veja os destaques da Pnad:
• Em 2009, brasileiro ficou mais velho e vulnerável
• Há mais casados do que solteiros no Brasil
• População mais velha continua crescendo no Brasil
• Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população
• Escolaridade da população adulta aumentou
• 3 milhões de crianças e adolescentes fora da escola
• Mulheres estudam mais que homens, segundo IBGE
• Crise fez desemprego crescer 18,5% em 2009
• 483 mil empregos com carteira assinada em 2009
• Mulheres chefes de família cresce em 19 Estados
• Vagas cresce mais para trabalhadores domésticos
• Condições de habitação e a posse de bens duráveis
• 42,2% dos desempregados são jovens
• Trabalho infantil está em queda
• Uso de internet e celular sobe entre os mais velhos
• Estudo mostra situação jurídica das empresas
Escolarização
Os anos de estudo, outro dado apresentado pelo Pnad, ajudam a explicar esta diferença nas proporções. A população de 10 anos ou mais atingiu, em 2009, 7,2 anos de estudo em média, um crescimento de 0,6 ano em relação a 2004. No entanto, na observação apenas do grupo que tem entre 20 e 24 anos, a média sobe para 9,6 anos, e desce entre os que têm entre 50 e 59 (6,5 anos) e mais de 60 anos (4,2 anos).
No total, em 2009, 36,2 milhões (22,2%) de pessoas com mais de 10 anos estavam sem instrução ou tinham frequentado a escola por menos de quatro anos, contra 38,7 milhões (25,9%) em 2004. Este dado desencadeia outro, o do analfabetismo funcional, representado pela proporção de pessoas de 15 anos ou mais com menos de quatro anos de estudo. Apesar de o índice ainda ser de 20,3%, representa uma redução de 0,7 ponto percentual em relação a 2008 e 4,1 pontos percentuais sobre 2004. No período, todas as regiões tiveram queda na taxa, principalmente o Nordeste, onde a retração foi de 6,6 pontos e chegou a 30,8%.

Tatiana Klix, iG São Paulo | 08/09/2010 10:00

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Educar sem bater é possível!!!

Especialistas diferenciam autoridade de autoritarismo e explicam os princípios para ter – e manter – a autoridade com seu filho.
Tariana Hackradt, especial para o iG São Paulo | 18/08/2010 09:03

Autoridade: imposição de limites é parte do processo de educar
Impor limites não é tarefa fácil para pai algum. Muitos têm medo de perder o amor dos filhos por serem severos demais. Porém, a autoridade parental é indispensável para educar, criar consciência e, consequentemente, começar a construir o caráter das crianças. O importante é não confundir “criar regras” com “impor vontades”. E é possível fazer isso tudo sem bater.
Adela Stoppel de Gueller, psicóloga e coordenadora do setor de Clínica e Pesquisa do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientae, chama atenção para o fato de que os pais são, inicialmente, a referência mais importante de autoridade de uma criança – e não devem se esquecer disso nem quando são enfrentados pelos filhos. “À medida em que as crianças crescem e vão ganhando autonomia, elas questionam a autoridade parental e as leis da sociedade. Nesse momento, é importante que os pais mostrem aos filhos que a autoridade que eles detêm não é arbitrária, que não é um capricho”, recomenda.
A psicóloga explica que discutir as decisões tomadas pode desgastar a autoridade dos pais. “É importante que os pais, quando devem dizer não, não tenham que ficar se justificando. Não é a explicação do ‘não’ que coloca as crianças para pensar, é o ‘não’ puro e simples que faz com que elas reflitam pela lei e pelos limites”, defende Adela. A educadora Cris Poli reforça o argumento da psicóloga e afirma que, desde pequenos, temos que aprender que vivemos em uma sociedade que tem limites. “Pais não podem temer deixar os filhos frustrados porque vão negar algum pedido deles. Ensinar, colocando regras, é educar”, fala a apresentadora do programa “Supernanny” (SBT).
Autoridade x autoritarismo

A linha entre autoridade e autoritarismo parece tênue. Porém, os dois conceitos são bastante distintos. Enquanto autoridade significa impor regras necessárias para um bom convívio, autoritarismo é sinônimo de imposição, uso excessivo de poder. Mara Pusch, psicóloga da Unifesp, diz que autoridade parental não deixa criança alguma retraída ou traumatizada. “Os pais precisam entender que autoridade é mostrar que você tem o poder de decisão sobre o seu filho. O problema é que, quando dessa decisão não é bem exposta às crianças, vira autoritarismo. O filho precisa enxergar que tem autonomia para escolher o que quer, mas que o seu desejo pode ser ou não realizado”.
Leia mais sobre educação dos filhos
• Como lidar com crises de raiva das crianças
• Bater em crianças: crime ou educação?
• Opinião: uma lei para punir ou um programa para educar os pais?
Uma criança se sente acuada quando sofre uma vigilância constante, quando há controle em demasia sobre as suas ações. Adela destaca que, ao notarmos crianças retraídas ou sufocadas, é preciso pensar que ela está sentido o peso da autoridade como excessivo e que pode não ter forças para suportá-lo. “O retraimento é como um refúgio para os filhos que se sentem assim. É importante que os pais repensem seu lugar e escutem a criança. Às vezes, em alguns desses casos, é a criança quem cria uma imagem de um pai extremamente autoritário e isso não corresponde à realidade. Nessas horas, pode ser importante consultar um especialista”, afirma a psicóloga.
O fim da palmada
Um projeto de lei do governo federal que prevê punição para quem aplicar castigos corporais em crianças e adolescentes está tramitando no Congresso Nacional. Sua aprovação, que é bastante provável, marcaria o fim da era das palmadas e dos beliscões, tão conhecidos pelos adultos de hoje. A discussão, que gera muita polêmica, é tratada por Cris Poli com naturalidade. A educadora defende, desde sempre, que para educar não é preciso bater. “Métodos de disciplina é que ensinam o que é certo e errado. Palmadas e puxões de orelha são usados apenas pelos pais que não conseguem se impor e perdem a paciência com os filhos”, fala. “Eu sequer vejo necessidade de uma lei para proibir isso. O que precisamos é de uma campanha de conscientização disciplinar”, acrescenta a educadora.
Mara defende o castigo como uma boa forma de punição para os filhos que descumprem as regras da casa. Para a psicóloga, o castigo tem que ser algo que tanto a criança quanto o adulto consigam cumprir. Não pode ser uma atitude drástica. “Não adianta o pai ameaçar e não dar conta do recado. Se a criança só fica tranquila com o videogame, e o pai tira isso completamente dela, não vai funcionar. Não defendo castigos assustadores, pois isso gera medo”.
Adela complementa o argumento da psicóloga dizendo que os pais devem refletir sobre os castigos que impõem e admitir quando foram severos demais na hora de aplicá-los. “Admitir um erro não implica em perder autoridade, ao contrário, é algo que pode fortalecer os pais porque a criança vê ali um ser racional, que reflete sobre suas ações”, diz.

Recuperando a autoridade
Nunca é tarde demais para recuperar a autoridade com o seu filho. Pelo menos é o que dizem as três especialistas. Para Adela, antes de tentar resgatar o controle da situação em casa, os pais têm que olhar para si mesmos e recuperar a confiança em si. “Se conseguirem isso, os filhos vão perceber e passar a confiar na palavra deles”, explica.
Para os casos mais graves, quando as crianças já não respondem às regras e fazem birra por qualquer coisa, Mara sugere terapia familiar. “Pode ser bom para o pai entender por que perdeu a autoridade e visualizar a dinâmica da casa. Normalmente, quem está dentro da situação não consegue enxergar direito. É importante também perceber como a criança age em outros ambientes, se é sem limites fora de casa”, recomenda.
Cris Poli afirma que o mais importante é que os pais se convençam de que a autoridade está com eles e que educar é uma responsabilidade, não uma escolha. “A minha experiência indica que o primeiro passo é assumir o papel de educador dentro de casa e se posicionar com firmeza. A partir daí, o pai ou a mãe tem que rever sua postura e tentar mudar o que está errado”, finaliza.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Desigualdade entre escolas públicas cresce em 14 Estados

Estudo mostra que diferenças na qualidade do ensino de instituições públicas não estão sendo reduzidas

Embora os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) indiquem que a qualidade do ensino nas escolas públicas brasileiras tem melhorado, o bom desempenho de um estado ou município na avaliação não garante que todas as crianças daquela região tenham acesso à aprendizagem de qualidade. É o que aponta um estudo do Movimento Todos pela Educação feito a partir dos dados do Ideb de 2009.
“Embora as notas estejam crescendo, as desigualdades entre as escolas não estão sendo reduzidas”, aponta o conselheiro do Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos. Dentro de uma mesma rede, há uma grande variação de resultados entre as escolas.
Entre 2005 e 2009, a disparidade entre os índices das escolas cresceu em 14 das 27 redes estaduais, segundo o estudo. Nas redes municipais também existe essa variação. Nas capitais, chega a 51% a diferença entre as notas máximas e mínimas das escolas municipais, como ocorre em Vitória, no Espírito Santo. No Rio de Janeiro e em Palmas a variação também é superior a 40%.
O Ideb foi criado em 2005 para avaliar a qualidade do ensino. Cada escola, rede municipal e estadual recebe uma nota calculada a partir dos dados sobre aprovação escolar e médias de desempenho nas avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). A média nacional em 2009 foi de 4,6 pontos, em uma escala de 0 a 10. A meta é que o país atinja a nota 6 até 2022.
Na avaliação do conselheiro, o resultado indica que o secretário de Educação deve olhar o resultado do Ideb do seu estado ou município com “uma lupa” para evitar que as crianças de uma mesma rede tenham “perspectivas de desenvolvimento educacional diferentes”.
A análise revela ainda que quanto menor a nota do Ideb de uma rede (municipal ou estadual) maior é a variação das notas entre as escolas. Nas redes com melhor desempenho, mais alunos têm acesso à educação de qualidade. Entre as regiões, o Sul e o Sudeste apresentam maior qualidade e mais equidade, enquanto o Nordeste, que tem os piores resultados, é o local em que há mais disparidade entre as notas das escolas.

Agência Brasil | 10/08/2010 11:13

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Enem abre inscrições nesta segunda. Saiba como se preparar

Professores dão dicas de como o estudante tem de se preparar para a prova, que será realizada em novembro


O Ministério da Educação abre as inscrições para a prova de 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta segunda-feira. Podem se inscrever alunos da última série ou candidatos que já concluíram o ensino médio.
As inscrições vão até 9 de julho e devem ser feitas exclusivamente pela internet. A prova será aplicada em 6 e 7 de novembro e terá 180 questões de múltipla escolha de ciências da natureza, ciências humanas, matemática, linguagens, códigos e suas tecnologias, além de uma redação.
Prepare-se:
A prova, que antes tinha o objetivo de avaliar a qualidade do estudo nesta fase, passou a ser, desde o último ano, classificatória para universidades de todo o País. No início de 2010, 23 universidades federais, 26 institutos federais e duas estaduais ofereceram mais de 47,9 mil vagas utilizando apenas a nota do exame. No meio do ano, com a mesma nota da prova do ano passado, os candidatos puderam concorrer ainda a mais 16 mil vagas em 15 universidades federais, duas estaduais, 17 institutos federais e um centro federal de educação tecnológica (Cefet). O exame também é pré-requisito para o estudante conseguir uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) em instituições particulares e a certificação para o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de oferecer pontos extras em vestibulares como o da Fuvest e Unicamp.
Leia a seguir um guia de estudos para o Enem.
Conheça a prova
O primeiro passo é conhecer o formato do exame. Desde 2009, a prova passou a ter 180 questões mais a redação. “O ideal é pegar a prova do ano passado e praticar, respondê-la inteira”, recomenda o professor Edilson Aparecido Chaves, coordenador do curso preparatório para o exame do cursinho Uninter. (Clique para ver as questões e os gabaritos: prova 1, prova 2, gabarito 1 azul, gabarito 2 azul). Fazendo uma análise geral da prova do último ano, pode-se apontar as seguintes características:
Contexto - Elaborado para testar as habilidades de construção do conhecimento, o Enem - até o ano passado - não costumava exigir que o candidato soubesse fórmulas ou datas de cor. As questões eram baseadas na lógica e os mesmos assuntos permeavam mais de uma disciplina para testar a capacidade de intertextualização do aluno.
O formato continua este, mas a prova do ano passado passou a exigir cada vez mais o conhecimento dos conteúdos para a solução de questões. “Apesar de ser uma prova de raciocínio, no ano passado algumas questões exigiram que o candidato soubesse os conceitos de transformação de unidades”, exemplifica o professor de Física do Cursinho do XI, Márcio Haga.
O diretor editorial do Sistema COC de Ensino, Miguel Castro, ressalta que o conteúdo do dia-a-dia continua tento grande peso na hora de fazer a prova. “Apesar de não exigir que o aluno saiba a data de nascimento e de morte de um autor nem que memorize fórmulas, passou a exigir que ele conheça o conceito”.
Referências - O exame utiliza textos para servir de referência para as questões. Mesmo as perguntas da área de exatas seguem esta característica. “O candidato tem de ler com muita paciência, prestar atenção na pontuação do texto para não se confundir e acabar errando uma questão por desatenção”, recomenda Vivian D’Angelo Carrera, professora de Linguagens e Técnicas de Redação do Cursinho do XI. Além da leitura dos enunciados, o estudante deve se concentrar na interpretação de gráficos e inforgráficos. “Os gráficos sintetizam referências que muitas vezes não estão no enunciado da questão. O candidato tem de levar todas as informações em consideração”, recomenda Miguel Castro.
Como estudar
Conhecendo bem a prova, o candidato deve se concentrar no conteúdo exigido. Para o professor do cursinho Uninter, uma boa pesquisa na matriz de referência curricular servirá para o candidato como base para conduzir seus estudos. “Essa é uma boa orientação para quem vai estudar sozinho. Consultando a matriz, o estudante consegue ter uma noção do caminho a seguir.”
Miguel Castro alerta para a necessidade de o aluno estar consciente do que acontece no mundo. “Vai se destacar quem lê jornal, revistas, vai ao cinema, informa-se pela internet, quem efetivamente consegue fazer uma leitura da realidade à sua volta.” A visão clara do mundo servirá ao vestibulando até mesmo para desenvolver a redação. Segundo a professora Vivian D’Angelo Carrera, os temas das redações do Enem costumam girar em torno de problemáticas sociais, as quais o estudante consegue acompanhar pelo noticiário. Outro ponto bastante importante na execução da prova é com relação ao tempo que o estudante leva para responder às questões. Para a redação, o aluno deve reservar cerca de 50 minutos. "Não tem necessidade de usar mais tempo que isso. Para agilizar, o ideal é ir fazendo um roteiro com as ideias que forem surgindo com a leitura da proposta, ir marcando o que se destaca como tema e já partir para o texto", recomenda Vivian. Cada questão não deve tomar mais do que 3 minutos.
Márcio Haga sugere que o aluno não perca muito tempo em questões que não domina. “Se está tendo dificuldade para responder, pule para a próxima. Mas, quando voltar, o estudante não deve retomar do ponto em que parou, tem de começar a ler desde o início, para não correr o risco de se confundir.”
Vivian sugere ainda que o candidato faça a leitura das questões sublinhando, riscando palavras-chaves, fazendo anotações para entender melhor o enunciado”. Haga recomenda também que o aluno faça uma pausa a cada 10 questões respondidas. “O aluno pode sair da sala, ir ao banheiro, lavar o rosto. Já foi comprovado que o desempenho melhora se você dá uma pausa de tempos em tempos durante uma prova.” Veja também dicas de exercício físico para o dia e a véspera da prova
O que estudar
Analisando a linha adotada pelo Ministério da Educação (MEC) para formular as provas do Enem nos últimos anos, os professores consultados conseguiram formular uma lista para seguir de guia para seus estudos. Veja as dicas:
Exatas - Para o professor de Física do Cursinho do XI, as fórmulas que os candidatos devem dominar são aquelas relacionadas ao dia-a-dia. “É bem possível que caiam questões ligadas à energia. Questões de energias alternativas, termologia, calorimetria, tudo isso esteve no noticiário neste ano”, aposta Márcio Haga.
Os candidatos também devem encontrar questões de:
- Transformações de unidades - Porcentagem – Probabilidade - Estatísticas - Volumes de figuras - Regra de 3
Biológicas – Haga, baseado nas provas anteriores, acredita que o meio ambiente continuará na berlinda na prova deste ano. O vazamento de petróleo no mar do Golfo do México deve estar entre os tópicos do exame em 2010.
Além disso, questões que envolvam doenças, como elas são transmitidas e como evitá-las também são características do exame. A epidemia de dengue registrada neste ano deve estar entre elas, segundo o professor de Física.
Humanas – Questões da área de Humanas costumam girar em torno de direitos humanos, do menor, do idoso, além de todas as questões sociais que permeiam os noticiários. Levando em conta os fatos ocorridos e previstos para este ano, os professores destacam:
- 20 anos de libertação de Nelson Mandela e questões sociais na África do Sul - Terremotos e suas conseqüências - Eleições
Carolina Rocha, iG São Paulo | 20/06/2010 08:05 - Atualizada às 10:30

Enem abre inscrições nesta segunda. Saiba como se preparar

Professores dão dicas de como o estudante tem de se preparar para a prova, que será realizada em novembro


O Ministério da Educação abre as inscrições para a prova de 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta segunda-feira. Podem se inscrever alunos da última série ou candidatos que já concluíram o ensino médio.
As inscrições vão até 9 de julho e devem ser feitas exclusivamente pela internet. A prova será aplicada em 6 e 7 de novembro e terá 180 questões de múltipla escolha de ciências da natureza, ciências humanas, matemática, linguagens, códigos e suas tecnologias, além de uma redação.
Prepare-se:
A prova, que antes tinha o objetivo de avaliar a qualidade do estudo nesta fase, passou a ser, desde o último ano, classificatória para universidades de todo o País. No início de 2010, 23 universidades federais, 26 institutos federais e duas estaduais ofereceram mais de 47,9 mil vagas utilizando apenas a nota do exame. No meio do ano, com a mesma nota da prova do ano passado, os candidatos puderam concorrer ainda a mais 16 mil vagas em 15 universidades federais, duas estaduais, 17 institutos federais e um centro federal de educação tecnológica (Cefet). O exame também é pré-requisito para o estudante conseguir uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) em instituições particulares e a certificação para o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de oferecer pontos extras em vestibulares como o da Fuvest e Unicamp.
Leia a seguir um guia de estudos para o Enem.
Conheça a prova
O primeiro passo é conhecer o formato do exame. Desde 2009, a prova passou a ter 180 questões mais a redação. “O ideal é pegar a prova do ano passado e praticar, respondê-la inteira”, recomenda o professor Edilson Aparecido Chaves, coordenador do curso preparatório para o exame do cursinho Uninter. (Clique para ver as questões e os gabaritos: prova 1, prova 2, gabarito 1 azul, gabarito 2 azul). Fazendo uma análise geral da prova do último ano, pode-se apontar as seguintes características:
Contexto - Elaborado para testar as habilidades de construção do conhecimento, o Enem - até o ano passado - não costumava exigir que o candidato soubesse fórmulas ou datas de cor. As questões eram baseadas na lógica e os mesmos assuntos permeavam mais de uma disciplina para testar a capacidade de intertextualização do aluno.
O formato continua este, mas a prova do ano passado passou a exigir cada vez mais o conhecimento dos conteúdos para a solução de questões. “Apesar de ser uma prova de raciocínio, no ano passado algumas questões exigiram que o candidato soubesse os conceitos de transformação de unidades”, exemplifica o professor de Física do Cursinho do XI, Márcio Haga.
O diretor editorial do Sistema COC de Ensino, Miguel Castro, ressalta que o conteúdo do dia-a-dia continua tento grande peso na hora de fazer a prova. “Apesar de não exigir que o aluno saiba a data de nascimento e de morte de um autor nem que memorize fórmulas, passou a exigir que ele conheça o conceito”.
Referências - O exame utiliza textos para servir de referência para as questões. Mesmo as perguntas da área de exatas seguem esta característica. “O candidato tem de ler com muita paciência, prestar atenção na pontuação do texto para não se confundir e acabar errando uma questão por desatenção”, recomenda Vivian D’Angelo Carrera, professora de Linguagens e Técnicas de Redação do Cursinho do XI. Além da leitura dos enunciados, o estudante deve se concentrar na interpretação de gráficos e inforgráficos. “Os gráficos sintetizam referências que muitas vezes não estão no enunciado da questão. O candidato tem de levar todas as informações em consideração”, recomenda Miguel Castro.
Como estudar
Conhecendo bem a prova, o candidato deve se concentrar no conteúdo exigido. Para o professor do cursinho Uninter, uma boa pesquisa na matriz de referência curricular servirá para o candidato como base para conduzir seus estudos. “Essa é uma boa orientação para quem vai estudar sozinho. Consultando a matriz, o estudante consegue ter uma noção do caminho a seguir.”
Miguel Castro alerta para a necessidade de o aluno estar consciente do que acontece no mundo. “Vai se destacar quem lê jornal, revistas, vai ao cinema, informa-se pela internet, quem efetivamente consegue fazer uma leitura da realidade à sua volta.” A visão clara do mundo servirá ao vestibulando até mesmo para desenvolver a redação. Segundo a professora Vivian D’Angelo Carrera, os temas das redações do Enem costumam girar em torno de problemáticas sociais, as quais o estudante consegue acompanhar pelo noticiário. Outro ponto bastante importante na execução da prova é com relação ao tempo que o estudante leva para responder às questões. Para a redação, o aluno deve reservar cerca de 50 minutos. "Não tem necessidade de usar mais tempo que isso. Para agilizar, o ideal é ir fazendo um roteiro com as ideias que forem surgindo com a leitura da proposta, ir marcando o que se destaca como tema e já partir para o texto", recomenda Vivian. Cada questão não deve tomar mais do que 3 minutos.
Márcio Haga sugere que o aluno não perca muito tempo em questões que não domina. “Se está tendo dificuldade para responder, pule para a próxima. Mas, quando voltar, o estudante não deve retomar do ponto em que parou, tem de começar a ler desde o início, para não correr o risco de se confundir.”
Vivian sugere ainda que o candidato faça a leitura das questões sublinhando, riscando palavras-chaves, fazendo anotações para entender melhor o enunciado”. Haga recomenda também que o aluno faça uma pausa a cada 10 questões respondidas. “O aluno pode sair da sala, ir ao banheiro, lavar o rosto. Já foi comprovado que o desempenho melhora se você dá uma pausa de tempos em tempos durante uma prova.” Veja também dicas de exercício físico para o dia e a véspera da prova
O que estudar
Analisando a linha adotada pelo Ministério da Educação (MEC) para formular as provas do Enem nos últimos anos, os professores consultados conseguiram formular uma lista para seguir de guia para seus estudos. Veja as dicas:
Exatas - Para o professor de Física do Cursinho do XI, as fórmulas que os candidatos devem dominar são aquelas relacionadas ao dia-a-dia. “É bem possível que caiam questões ligadas à energia. Questões de energias alternativas, termologia, calorimetria, tudo isso esteve no noticiário neste ano”, aposta Márcio Haga.
Os candidatos também devem encontrar questões de:
- Transformações de unidades - Porcentagem – Probabilidade - Estatísticas - Volumes de figuras - Regra de 3
Biológicas – Haga, baseado nas provas anteriores, acredita que o meio ambiente continuará na berlinda na prova deste ano. O vazamento de petróleo no mar do Golfo do México deve estar entre os tópicos do exame em 2010.
Além disso, questões que envolvam doenças, como elas são transmitidas e como evitá-las também são características do exame. A epidemia de dengue registrada neste ano deve estar entre elas, segundo o professor de Física.
Humanas – Questões da área de Humanas costumam girar em torno de direitos humanos, do menor, do idoso, além de todas as questões sociais que permeiam os noticiários. Levando em conta os fatos ocorridos e previstos para este ano, os professores destacam:
- 20 anos de libertação de Nelson Mandela e questões sociais na África do Sul - Terremotos e suas conseqüências - Eleições
Carolina Rocha, iG São Paulo | 20/06/2010 08:05 - Atualizada às 10:30

Redações de vestibular ficam cada vez mais exigentes

Especialistas dão dicas para o vestibulando se dar bem em dissertação, carta ou narração.


Os vestibulandos podem até contar com a sorte em provas de múltipla escolha, mas na hora de fazer a redação não há amuleto que ajude. A produção de textos é a arma que as universidades usam em seus vestibulares para distinguir quem realmente sabe dos que contam com uma ajudinha do “cara-ou-coroa”.
Para ajudar o vestibulando na hora de se preparar, consultamos especialistas que deram dicas sobre os principais formatos pedidos nas provas. Veja as dicas:
Dissertação - é o formato utilizado há mais tempo pelos vestibulares de todo o País. É o adotado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona os candidatos para Universidade de São Paulo (um dos maiores em número de inscritos do Brasil).
A dissertação prioriza a ponto de vista do candidato, que tem que defender uma tese, discorrendo sobre o tema proposto com argumentos que vão culminar com uma conclusão. Por ser o modelo mais utilizado pelos vestibulares, é comum professores e alunos desenvolverem fórmulas para facilitar a elaboração do texto. A receita normalmente é a seguinte:
- um parágrafo para explicar a tese;
- um ou dois parágrafos para o desenvolvimento;
- um parágrafo para a conclusão.
- textos sempre em 3º pessoa
- nunca se dirigir ao leitor usando “você”
“Essa ‘receita’, entretanto, pode desandar”, diz o professor de Língua Portuguesa do Curso Anglo de Vestibulares. “Há muitas possibilidades dentro da dissertação. Se o estudante der uma olhada nas redações que a Fuvest divulgou como modelo do que é esperado pela banca, vai ver que não existe fórmula. Tem redação em 1º pessoa, textos com mais e menos de quatro parágrafos. O que prevaleceu foi a marca autoral, a maturidade na defesa dos argumentos”.
Por isso, além da preocupação com o formato, o candidato deve se empenhar em ter argumentos bem fundamentados para construir um texto interessante. “Se o candidato não souber argumentar bem, usar citações de autoridades no assunto, não apresentar causa e consequência, a dissertação fica vazia e superficial”, explica a professora de Língua Portuguesa do Cursinho da Poli, Caroline de Souza Andrade. Segundo ela, “só com bastante embasamento no assunto o vestibulando vai conseguir dar profundidade à redação”.
Dissertação argumentativa – modelo utilizado no maior vestibular do Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), segue o mesmo princípio estrutural das dissertações, mas com uma diferença importante: nela, o candidato deve convencer o leitor sobre uma posição em relação ao tema.
“O pior erro é ficar em cima do muro num tipo de redação como essa”, explica Caroline. “As provas do Enem pedem que você tenha certeza do que está argumentando e que convença o leitor de sua opinião.”
Carta - o modelo não é um dos mais adotados, mas sempre há a possibilidade de estar entre as propostas da Unicamp em uma de suas três redações obrigatórias – até o ano passado os candidatos podiam escolher entre três formatos para fazer uma única redação, e um deles era a carta.
Para desenvolver uma carta corretamente, o vestibulando precisa, antes de tudo, identificar quem é o remetente. “É muito importante traçar um perfil mental da pessoa para quem ele vai escrever o texto. Se for para uma criança, por exemplo, vai ser um tamanho de texto e uma linguagem; se for para um adulto, o texto é outro”, lembra Caroline.
Carta argumentativa - segue o mesmo diferencial da dissertação argumentativa. O autor deve se posicionar e convencer o leitor com seus argumentos.
Diferentemente das dissertações, as cartas não necessitam de título e, em seu lugar, deve-se fazer um cabeçalho, com data e local onde ela está sendo escrita. O autor não pode se esquecer também da despedida. “Pode ser apenas com as iniciais, com o nome completo ou até um pseudônimo”, diz Caroline.
A professora ressalta que esta informação, assim como quem é o destinatário da carta, estarão determinados no enunciado da redação. “Por isso é muito importante ler os textos de referência e o enunciado com muita atenção”, ressalta.
Narração - modelo clássico de texto, mas pouco exigido nos vestibulares, a narração é um grande desafio aos escritores menos criativos. “O aluno tem de exercitar bastante seu potencial imaginativo para criar uma história e normalmente os vestibulandos têm preguiça disso. A narração é boa para quem gosta de criar, de viajar num texto”, diz Caroline.
Segundo ela, para fazer uma boa narrativa, o candidato precisará determinar alguns pontos antes de começar a escrever:
- Quem será o narrador da história – normalmente vem determinado no enunciado se a história é em 1ª ou 3ª pessoa, por isso, é preciso atentar para esse detalhe.
- Quais serão as personagens – é preciso saber exatamente quem vai participar e por quê.
- Em que espaço ela acontece – a história precisa ter um lugar determinado, para que sirva de referência para os argumentos.
- Em que lugar no tempo ela se passa – não é necessário ter uma data, mas a narrativa tem como principal característica a passagem de um tempo entre uma ação e outra e o momento em que ela se passa é bastante importante para o desenrolar da trama. “Quando Manoel Antônio de Almeida usa a frase ‘Era o tempo do Rei’ em Memórias do Sargento de Milícias, ele não dá uma data, mas dá para saber que se trata da época da monarquia, que a história não se passa nos dias de hoje”, exemplifica a professora.
- Ação – é preciso saber, antes de escrever o texto, qual é a ação que vai mover a história.
- Enredo ou trama – o autor precisa determinar claramente como vai ‘amarrar’ a ação das personagens para que o desfecho tenha sentido.
Com esses elementos definidos, o aluno poderá desenvolver o texto com mais segurança e tranquilidade.
Gêneros variados – sair dos moldes escolares e buscar gêneros que tenham relevância social. Esta é tendência que os vestibulares estão adotando recentemente. “A Universidade Federal do Paraná já faz isso há alguns anos e agora a Unicamp está adotando essa política”, ressalta Lopes, professor do curso Anglo.
“Estamos procurando um aluno que consiga se colocar numa posição diferente da dele, que saiba se comunicar de forma menos escolar. O vestibular da Unicamp vai levar em conta a habilidade de escrita inserida na vida real, o que é visto na sociedade e escapar dos modelos que permitem um treinamento específico”, explica Renato Pedrosa, coordenador executivo do vestibular da Unicamp.
Por isso, no próximo vestibular, a universidade passará a adotar três redações obrigatórias, em vez de uma. “Com uma redação só nem sempre é possível avaliar a capacidade de comunicação do candidato. Às vezes ele tem a sorte de ter mais intimidade com o assunto e vai bem na redação, mas com três textos ele vai ter de mostrar se realmente sabe se expressar”, acredita o coordenador.
Em um simulado realizado em maio para que os candidatos conhecessem a prova, mostrou que as expectativas não são nada ortodoxas: os candidatos tiveram de fazer uma carta, uma entrevista e um editorial jornalístico. “Este não é um formato fixo, temos flexibilidade para aplicarmos várias propostas”.
Para se preparar para o que pode vir pela frente, o professor do curso Anglo deixa uma dica: o vestibulando deve virar um leitor crítico. “Não basta simplesmente ler, tem de pensar sobre a forma do texto, identificar a que gênero ele pertence, se ele cumpriu com a função dele”, recomenda Lopes.
“Se o texto for uma reportagem, o aluno tem de pensar se o autor conseguiu retratar todos os fatos, se a manchete era informativa, se todos os aspectos foram consultados. Se ele considerou que o editorial não condiz, mande uma carta argumentativa para o jornal, por exemplo. É um exercício para conhecer e exercitar os tipos de texto”, sugere.
Dicas gerais
Independentemente do gênero proposto, os especialistas destacam pontos que todo vestibulando deve ficar atento:
Prática – quanto mais você escreve, mais fácil fica perceber suas dificuldades. Reescreva redações, desconstrua textos jornalísticos, experimente.
Ler – não apenas para avaliar o formato do texto, mas para criar um banco de informações que serão úteis na hora de argumentar.
Atenção ao enunciado – é nele que o vestibulando vai encontrar toda informação essencial para desenvolver a redação. Se algo passar despercebido, toda redação pode ser desconsiderada.
Tema e o formato – argumentação fraca, erros de ortografia, gramática, sintaxe. Tudo isso é passível de desconto de pontos em uma redação, mas apenas duas falhas são capazes de anular a nota da redação: fuga do tema e a não obediência ao formato pedido. Por isso, muita atenção e cuidado.
Carolina Rocha, iG São Paulo | 23/06/2010 11:41

terça-feira, 22 de junho de 2010

Menino autista quebra silêncio e se comunica por mensagens de computador

Usando técnica conhecida como comunicação facilitada, britânico de 13 anos, passou a se


O britânico Jamie Ponsonby não consegue falar e durante anos permaneceu preso em seu próprio mundo.
Sua família, porém, o ensinou a usar um teclado de computador e hoje em dia o garoto de 13 anos, que sofre de autismo, consegue não apenas se expressar como também escrever poemas.
Sua mãe, Serena, disse que isso permitiu que Jamie se comunicasse com a família e que, assim, ela pudesse entendê-lo melhor.
"Nós não tínhamos ideia de que havia uma pessoa lá dentro que sabia tudo", afirmou ela.
Emoções e senso de humor
"Por meio da digitação nós descobrimos que ele sabe todo tipo de coisa. Ele está totalmente ciente de tudo, seu senso de humor está totalmente ali. Ele tem uma poesia linda, seus sentimentos e emoções são todos perfeitamente normais e acima da média para sua idade."
O diretor de pesquisas da entidade beneficente Research Autism, Richard Mills, disse que casos como o de Jamie são relativamente raros.
Ele disse que a técnica usada pelos pais de Jamie para ajudá-lo a se comunicar - conhecida como comunicação facilitada - apesar de polêmica, tem mostrado bons resultados.
Ela foi introduzida pela primeira vez na Austrália nos anos 70 e consiste em alguém apoiar a mão, o pulso ou o braço de um a pessoa com deficiência comunicativa enquanto esta usa um teclado ou outro aparelho para formar palavras e frases.
"Nós sabemos que pessoas com autismo muitas vezes precisam de muito tempo de processamento. Eles precisam que as coisas sejam visuais, então palavras digitadas em um teclado tendem a funcionar melhor (do que outras formas de comunicação como o uso da fala, por exemplo)".
Paciência
Serena disse que apesar de Jamie digitar com lentidão - ele levou duas semanas para digitar seu poema sobre autismo - ele está, aos poucos, ficando mais rápido e independente.
Ela percebeu que havia um problema com seu filho quando ele tinha 18 meses de idade.
"Ele foi diagnosticado com dois anos e meio, mas desde os 18 meses eu sabia que algo não estava certo. Ele costumava adorar música mas começava a gritar quando eu o levava para aulas de música", disse ela.
Durante alguns anos após seu diagnóstico, Jamie perdeu mais e mais habilidades , incluindo a fala. Ele tinha uma habilidade limitada para se comunicar por meio de sinais, portanto a comunicação se tornou difícil.
"Nós começamos a estimulá-lo a digitar aos nove anos de idade, após eu ler um livro sobre alguém que achava mais fácil digitar, apesar de ela saber falar", contou Serena.
"Pensei que talvez pudesse ser um caminho diferente. Começamos a estimulá-lo a digitar as palavras que ele sabia usar com sinais e fizemos progressos bem, bem lentos. Nós muitas vezes pensamos em desistir."
"Depois de alguns anos ele começou a ler placas e vimos que ele conseguia ler. Começamos a fazer perguntas e ele digitava todo tipo de coisa que nem sabíamos que ele conhecia", disse a mãe.
"Como uma família, isso nos permitiu a saber que existe alguém ali que sabe tudo que está acontecendo. Ele adora viajar e se você sabe que ele está ganhando algo com isso, sua paciência aumenta."
"Você não fala com ele como com alguém que não entende - sua autoestima e confiança estão infinitamente melhores."
Apesar do sucesso descrito pela família, a técnica da comunicação facilitada é criticada por cientistas que questionam o grau de interferência dos responsáveis no momento de comunicação pelo teclado.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O que estraga nossas crianças?

Seis especialistas opinam sobre os maiores problemas dos pais na educação dos filhos atualmente
Infância idealizada: pais erram ao tentar a todo custo poupar os filhos de frustrações
John Robbins é um autor norte-americano responsável por alguns best sellers - como "The New Good Life" e "Diet for a New America", ainda não publicados aqui - e colunista do Huffington Post. Ativista anticonsumo, ele publicou recentemente um artigo que toca em um ponto crucial da sociedade contemporânea: o que está estragando nossas crianças? Fomos ouvir vários especialistas, de diferentes áreas, para descobrir.
1. Excesso de consumo
Para o próprio John Robbins, de acordo com artigo publicado no Huffington Post, o problema passa longe do que alguns erroneamente classificam como "excesso de amor". Ele aponta a cultura de consumo como verdadeira responsável pelo problema. "O que estraga as crianças é o fato de que as ensinamos a preencher seu vazio a partir de fora, comprando coisas e fazendo atividades, em vez de aprender como se preencher por dentro, fazendo boas escolhas e desenvolvendo a criatividade", escreve.
2. Ausência forçada do pai
Segundo Mirian Goldenberg, antropóloga e autora de "Toda mulher é meio Leila Diniz" (Ed. BestBolso), a ausência da figura paterna é o maior problema para a geração atual de crianças. E essa ausência, muitas vezes, é causada pela própria mãe, ainda que ela seja casada com o pai. "Muitas mulheres vivem a maternidade como um poder que não querem compartilhar e percebem os homens como meros coadjuvantes — ou até mesmo figurantes — em um palco em que a principal estrela é a mãe", diz Mirian. "No entanto, não existe absolutamente nada na 'natureza' masculina que impeça um pai de cuidar, alimentar, acariciar, acalentar e proteger seu bebê, assim como não há uma 'natureza' feminina que dê à mãe a autoridade de se afirmar como a única capaz de cuidar do recém-nascido".
3. Competição entre os pais
A pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da Pontifícia Universidade de São Paulo, vê vários fatores que podem estragar as crianças, mas ressalta um deles: a mudança na estrutura familiar. Muitos pais que trabalham fora se eximem de suas responsabilidades como educadores e não têm nenhum controle sobre os filhos. "As crianças se aproveitam e os pais competem entre si, para ofertar coisas aos filhos", comenta.
4. Tentativas de compensação
A ausência dos pais por conta de trabalho não é necessariamente um problema em si. O erro, alerta o pediatra antroposófico e neonatologista Sergio Spalter, é tentar suprir essa ausência com concessões que visam evitar 100% a frustração da criança. A criança aprende, assim, que para conseguir qualquer coisa basta chorar. "O problema é que, na vida futura, muitas vezes não haverão concessões, e uma pequena frustração poderá significar um grande problema para aquele jovem, que passará a desistir dos desafios", diz Spalter.
5. Excesso de fast food
A nutricionista Daniela Murakami, da Nutrir e Brincar - Assessoria e Consultoria em Nutrição Infantil, destaca um lugar onde facilmente se pode estragar uma criança: a mesa. Pais que optam pela comida fácil, rápida e pouco nutritiva das redes de fast-food ou de congelados para agradar seus filhos (e ter menos trabalho) podem estar plantando uma semente perigosa. "Esses 'mimos' são um risco para a saúde das crianças, pois elas passam a ingerir alimentos muito calóricos, com alto teor de gordura, sódio e açúcar refinado e não aceitam alimentos importantes, como frutas, verduras e legumes", explica. "Sentar-se com maior frequência à mesa e ter suas refeições com os filhos, pedir a ajuda da criança para preparar algum alimento, fazer um piquenique saudável no parque são formas 'inteligentes' de mimar as crianças, sem, contudo, estragá-las", completa ela.
6. Insegurança dos pais
Cada geração tenta reparar os erros da geração anterior - e, assim, a geração atual de pais, criada ouvindo muito "não", tem uma dificuldade em impor limites aos filhos. Perdidos na idealização de uma infância plenamente feliz, eles querem conselhos e orientações de médicos e da escola para tomar qualquer atitude com a criança. "Que lugar sobrou para os pais? Eles são meros executores dos conselhos e recomendações da escola e do médico? Isso fala de uma falta de confiança na própria experiência, no saber adquirido justamente quando eles eram crianças", explica Adela Stoppel, professora do curso de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae. Para Adela, ser pai implica assumir certos riscos, se responsabilizar pelas decisões sobre a educação de filhos, colocar em prática convicções pessoais, ideais e crenças. "Nossos filhos esperam que nós lhes digamos o que achamos e o que não achamos bom com base em nossa própria experiência", conclui.
Clarissa Passos, iG São Paulo | 18/06/2010 08:43

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Existe filho favorito?

Segundo psicóloga norte americana, existe. Mas os pais não precisam sentir culpa por causa disso

Não tem problema ter um filho favorito, desde que ele não seja sempre o mesmo
A maioria das mães que tem vários filhos já ouviu a perguntinha: “qual é o seu filho favorito?” Algumas desconversam, outras respondem escandalizadas que “não têm um filho favorito, que amam todos do mesmo jeito”. Segundo a psicóloga norteamericana Ellen Libby, que recentemente lançou o livro “The Favorite Child” (A Criança Favorita), e fez diversas pesquisas sobre o assunto, é exatamente esse tipo de reação que dificulta e confunde a compreensão do tema. “Ter um filho favorito não é uma violação de um código moral. Um pai não é igual a uma mãe, assim um filho não é igual ao outro”, disse Libby em entrevista ao Delas.
A especialista explica que muitos pais têm medo de admitir a preferência por um dos filhos, que pode surgir por afinidade, semelhança com algum parente querido ou até ordem de nascimento, pois confundem favoritismo com amor. De acordo com a psicóloga, as pessoas têm receio de conhecer seus próprios gostos. “Elas preferem acreditar que há uma objetividade nos sentimentos, o que não é verdade”.
Sílvia Miani, de 39 anos, mãe de três filhos, consegue perceber bem a diferença entre amor e preferência. “A afinidade com cada um muda bastante, depende do momento. Em algumas épocas, prefiro estar mais com um, em outras, com o outro. Ainda assim, não amo menos, amo diferente”, afirma. Ellen Libby explica que essa é a chave: quando a preferência é rotativa, como no caso de Sílvia, o favoritismo faz bem para os filhos porque preserva a identidade de cada um – e todos, de alguma forma, terão certeza do amor dos pais.
Libby diz que o grande silêncio que costuma ocorrer em torno do assunto tem a ver com culpa que os pais sentem em preferir este ou aquele filho. Segundo a psicóloga, a primeira coisa que se deve fazer é admitir que existe filho favorito. “Todo mundo tem preferências, e a maioria delas são curtas e temporárias, você pode preferir um filho por um dia, uma semana ou até por meses”, explica a psicóloga. Isso não significa que não ama os demais. A segunda coisa, e mais importante, é existir uma conversa franca entre os pais. “Quando são menos defensivos, eles conseguem conhecer quais são seus próprios omportamentos e gostos e, consequentemente, lidar melhor com eles”, completa.
O outro lado da moeda
Apesar de apontar muitas vantagens que filhos favoritos tendem a desenvolver, como otimismo e sociabilidade, Ellen Libby bate na tecla dos impactos negativos que a preferência pode criar quando é direcionada a apenas uma criança por tempo indeterminado. “Filhos que são eternos favoritos tendem a ser mais facilmente manipulados, têm mais dificuldade em criar uma identidade e podem achar que estão acima de qualquer lei”, diz Libby.
Além disso, há impactos para o resto da família. A psicóloga Ida Bechelli, que é do Setor de Saúde Mental do Departamento de Pediatria da Unifesp, explica sobre o que pode acontecer com os outros filhos ao perceberem que nunca são os favoritos. “Ou a criança se intimida ou passa a tentar imitar o outro, ou seja, ela acaba deixando de ser ela mesma”.
Camila de Lira, iG São Paulo | 17/06/2010 10:34

terça-feira, 8 de junho de 2010

CNE vai votar fim da repetência durante alfabetização

Conselheiro que elaborou novas diretrizes para o ensino fundamental apresenta nesta terça proposta final aos colegas para votação
O Conselho Nacional de Educação (CNE) pode votar na tarde desta terça-feira uma das mais aguardadas propostas para a educação básica: as novas diretrizes para o ensino fundamental. O documento contém orientações importantes para gestores estaduais e municipais e diretores de escolas de todo o País porque esclarecem como os projetos pedagógicos e os sistemas de ensino têm de se adequar ao ensino fundamental de nove anos.
Sancionada em 6 de fevereiro de 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei nº 11.274 – que tornou obrigatória a ampliação do ensino fundamental – ainda gera dúvidas entre dirigentes no que diz respeito à adaptação dos sistemas e ao que se espera de cada série. As orientações do CNE pretendem mostrar que ampliar essa etapa da educação básica não significa apenas oferecer mais um ano de atividades aos alunos.
A mais importante recomendação, segundo o presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, César Callegari, diz respeito à repetência escolar. Callegari, encarregado de elaborar o documento, garante que o prejuízo causado por uma reprovação aos seis anos de idade, no primeiro ano de alfabetização, como tem ocorrido, pode ser irreversível. “Há uma estatítisca estarrecedora de que 80 mil crianças com seis anos de idade foram reprovadas em 2009. É uma atrocidade que pode marcar a vida escolar da criança para sempre”, afirma.
O artigo 26 das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental afirma que, nos três primeiros anos do ensino fundamental, deve ser “assegurado” a todas as crianças “o princípio da continuidade da aprendizagem” nesse período. Isso significa que as escolas municipais e estaduais responsáveis pelo ensino fundamental não devem reprovar os alunos do 1º e do 2º anos dessa etapa. Mesmo que o sistema seja seriado, as escolas devem encarar essa fase como um "bloco pedagógico".
“É importante deixar bastante claro que os estudantes precisam ter o direito de aprendizagem assegurado. Não queremos que eles sejam aprovados automaticamente, sem que tenham aprendido. Mas as diretrizes apontam que os diretores e os professores terão de criar projetos para que os alunos em dificuldade recuperem o conteúdo ao longo do ano”, explica Callegari.
Para o conselheiro, a decisão de reprovar uma criança deve ser ponderada em todo o ensino fundamental, na verdade. Ele explica que a repetência pode trazer prejuízos emocionais, que prejudicam a aprendizagem em qualquer etapa. “Temos de cuidar para que os estudantes não sejam vítimas de um fracasso que não é deles. Todos têm de tomar providências para eles aprendam, a escola, a família e a sociedade”, diz.
Conteúdos
O documento determina também que a carga horária mínima para o ensino fundamental seja de 800 horas, distribuídas em 200 dias letivos. Recomenda que, progressivamente, todas as escolas ofereçam essa etapa em tempo integral (pelo menos, sete horas diárias de aulas). Os currículos têm de ser formados por uma base nacional comum e uma parte diversificada, em que entrariam temas e assuntos relacionados à realidade local das escolas.
Entre os conteúdos que devem constar no currículo, pelo menos um chama a atenção: ensino religioso. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, conteúdos religiosos têm de ser oferecidos obrigatoriamente pelas escolas. “Não podemos fugir ao que está na lei. Infelizmente, isso ainda não foi mudado”, lamenta Callegari. Nas diretrizes, os conselheiros colocaram a oferta como obrigatória, mas a freqüência do aluno a essas aulas é facultativa.
Está definido também que, a partir do 6º ano do ensino fundamental, as escolas têm de oferecer pelo menos uma língua estrangeira aos alunos. Não há determinação sobre qual seria essa língua. As escolas podem escolher de acordo com a própria realidade.
O documento ressalta que só podem ser matriculados no 1º ano do ensino fundamental crianças com 6 anos completos ou a completar até 31 de março do ano da matrícula. Crianças mais novas devem ser redirecionadas para a educação infantil.
Callegari afirma que os sistemas de ensino ainda enfrentam dificuldades para conceber a ampliação do ensino fundamental. “Muitos não entenderam que essa nova configuração exige mais do que meras adaptações. É preciso elaborar novos projetos político-pedagógicos, que estabeleçam objetivos claros de aprendizagem em cada série”, opina.
Depois de aprovadas e homologadas pelo Ministério da Educação, as diretrizes ganharão complementos. O MEC colocará em consulta pública propostas específicas sobre o que deve ser aprendido pelos alunos em cada série e área do conhecimento. Até o final do ano, eles esperam ter todas as orientações concluídas.
Vale lembrar que o CNE realizou três audiências públicas nacionais, além de reuniões com secretários de educação, para chegar à elaboração final do documento. Callegari espera que as propostas sejam um consenso entre todos.
Priscilla Borges, iG Brasília | 08/06/2010 12:25

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ter livros em casa aumenta o grau de educação

Pesquisadores descobriram que ter livros em casa pode ser mais benéfico aos filhos do que o grau de educação dos pais

Ter livros em casa tem mais influência sobre as crianças do que o grau de educação dos pais.
Por muito tempo se acreditou que o grau de estudos dos pais era um fator importante e determinante para a formação acadêmica dos filhos, mas, segundo uma pesquisa da Universidade de Nevada, a questão foi posta em dúvida. Segundo os pesquisadores, ter livros em casa é crucial para o aumento do grau de escolaridade dos filhos – e é mais importante do que o nível educacional dos pais.
Durante 20 anos, os pesquisadores analisaram hábitos de pais e crianças, assim como seus currículos, e chegaram à conclusão que as crianças que tiveram livros em casa avançaram pelo menos 3 anos no grau de escolaridade em comparação ao dos pais. De acordo com a psicopedagoga Maria Cristina Natel, a existência de livros é altamente benéfica para as crianças. “Nesta atmosfera, a criança tem uma imersão no ambiente da cultura e das letras, e isso faz com que ela se habitue ao universo da leitura, até mesmo antes de entrar na escola”, explica.
A pedagoga Célia Abicalil, coordenadora do Grupo de Pesquisa do Letramento Literário da Faculdade de Educação da UFMG, diz que a leitura forma o sujeito para a sociedade, porque faz com que ele tenha uma visão mais ampla de tudo que o cerca. “Uma criança que lê se torna um adulto mais inteiro no seu modo de olhar para o mundo”, diz.
Abicalil completa que o primeiro passo para incentivar a leitura é proporcionar o acesso aos livros, mas também aponta a importância de criar o hábito nos filhos. “Isso é fundamental para que eles se acostumem com o trabalho da leitura”, diz. Natel explica que os pais têm um papel importante nesta formação. “Não basta ter o livro em casa, o adulto precisa mediar o objeto de conhecimento”, diz.
Veja algumas dicas das especialistas que podem ser benéficos para estimular seu filho a ler
- Ler para a criança e contar histórias para ela é o primeiro passo. Tal hábito, segundo as pedagogas, pode começar desde a gravidez
- Ler em casa. O hábito de leitura dos pais influencia os pequenos a procurarem também os livros
- Criar um ambiente para a criança ler: um local com prateleiras baixas e com espaço para ela sentar
- Levar a criança em bibliotecas e livrarias
- Quando mais velhas, apresentar livros de assuntos que despertem o interesse e conversar com elas sobre os enredos dos livros
• Camila de Lira, iG São Paulo | 01/06/2010 10:57

terça-feira, 1 de junho de 2010

IDENTIFICADA FRASE MAIS USADA PELOS PAIS

'Maybe later' é expressão mais usada por pais e mães britânicos que trabalham fora
Clarissa Passos, iG São Paulo | 27/05/2010 15:33

Especialistas recomendam encontrar tempo na agenda para estar com seus filhos: convivência faz com que a criança se sinta importante
Uma pesquisa feita com 3 mil pais e mães que trabalham fora revelou que "maybe later" (em tradução literal, 'talvez mais tarde', algo como o 'vamos ver' usado por aqui) é a expressão mais usada por eles para responder aos apelos das crianças por mais atenção. Encomendada por uma empresa de seguros britânica, a pesquisa levantou outros dados interessantes: 70% dos pais e mães admitem que passam a maioria de seu tempo livre cozinhando e limpando, em vez de brincar com seus filhos; pelo menos 4 vezes por semana, pais se conectam para checar seus emails assim que chegam em casa e 50% dos pais perdem o jantar em família ao menos duas vezes por semana, porque estão trabalhando até mais tarde.
Mas o fato mais curioso apontado pela pesquisa é que 92% destes pais dizem considerar seus filhos a grande prioridade de suas vidas - mas, mesmo assim, 62% deles admitem usar a expressão "maybe later" com frequência. 6 a cada 10 crianças gostariam que seus pais trabalhassem menos, e 9 a cada 10 pais declaram trabalhar para dar a seus filhos uma vida confortável. Como equilibrar esta equação?
Se a prioridade é seu filho, preste atenção: será que seu discurso está alinhado com suas ações? "É preciso cavar tempo com a família", diz o consultor empresarial Stephen Kanitz, autor de "Família Acima de Tudo" (editora Thomas Nelson), que também tem versão em blog. O tempo já é naturalmente curto nas famílias modernas, então crie compromissos com seus filhos e os reserve na agenda como reservaria para uma reunião de trabalho.
Stephen recomenda também "transformar quantidade em qualidade". Como não dá para se dedicar sete dias por semana exclusivamente a seu filho, dedique-se o quanto puder - mas com presença e atenção verdadeiras. Saia com ele uma vez por semana, conte uma história nas noites em que chega mais cedo, leve-o ao supermercado aos sábados para fazer compras com você.
Problema generalizado
Cris Poli, educadora há mais de 40 anos, vê a crônica falta de atenção dos pais com suas crianças como um problema mundial. "As crianças se sentem deixadas de lado e consideradas pouco importantes. Usar expressões como 'quem sabe mais tarde' ou 'talvez depois' é o mesmo que dizer a ela 'não quero fazer isso, pois tenho coisas mais importantes para fazer do que brincar com você, ou ajudá-lo na lição de casa'", define.
Não que os pais não considerem seus filhos importantes, mas talvez eles estejam perdendo um ponto crucial: para a criança, sentir-se importante passa necessariamente pela presença do pai e da mãe. "Pela minha experiência, esse cenário é igualzinho aqui no Brasil. A grande carência das crianças é a da presença dos pais - não somente física, mas na forma de interação", diz ela.
Para Cris, os grandes problemas da educação dos filhos são a dificuldade dos pais em assumir sua autoridade, exercendo a função de educadores, e a hesitação em estabelecer limites para as crianças. Independentemente do tempo de presença reduzido, cabe ao pai e à mãe usar este tempo de forma proveitosa, conhecendo seu filho através da convivência e ensinando-o a conviver com outros, por meio do estabelecimento de regras e limites. "É preciso demonstrar com atitudes que você ama seu filho e se preocupa com ele", finaliza.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Aprenda a fazer comidas coloridas e saudáveis para os seus filhos

Nutricionista garante que pratos coloridos estimulam as crianças com dificuldade de comer. Cardápio pode ser bem variado e ir de farofa de espinafre a panqueca colorida.
Tássia Thum CruzNo último domingo (23), o Fantástico mostrou uma reportagem com as crianças que transformam o momento da refeição em uma verdadeira batalha. Choram, esperneiam e não querem comer frutas, legumes e verduras. Para o alívio das mães, a nutricionista Adriana Martins de Lima dá algumas receitinhas que podem ajudar a transformar o almoço ou o jantar em um momento divertido e, claro, saudável.
A nutricionista explica que as crianças que têm dificuldade de comer precisam ser estimuladas. O primeiro passo é tentar fazer um prato colorido e atrativo, fugindo dos legumes crus e refogados que costumam ter uma aparência sem graça.
“Algumas mães optam em esconder os legumes ou as frutas em algum outro alimento. No entanto, não acho bacana enganar a criança. É preciso conscientizar da importância da alimentação saudável”, afirma Adriana Martins de Lima.
Então, coloque a mão na massa, e aprenda a fazer comidas saborosas e nutritivas para os seus filhos. Veja que o cardápio pode ser bem criativo e variar de farofa de espinafre a panquecas coloridas.

Panqueca Colorida
Ingredientes
1 ovo inteiro
1 copo de leite
1 copo de farinha de trigo
1 pitada de sal
6 ramos grandes de salsicha picada
1 colher de molho de tomates industrializado pronto
2 colheres de sopa cheia de cenoura ralada
E margarina quantidade suficiente para untar a frigideira
Recheio
400 gramas de carne moída
1 cebola pequena
1 dente de alho
Tempero a gosto
Modo de preparo
Bata no liquidificador o leite, a farinha de trigo e o sal. A massa está pronta e frite-as em uma frigideira previamente untada com margarina.
O recheio é bem simples. Refogue a carne moída e adicione o molho de tomates, a cenoura ralada e as salsichas picadas. Depois coloque o recheio e enrole as panquecas.
Coxa de Frango Crocante
Ingredientes
1kg de coxa de frango sem pele
3 claras
200 gramas de flocos de milho sem açúcar
1 colher de sopa de salsinha picada
1 colher de sopa de amido de milho
Modo de preparo
Em um recipiente acomode as claras. Moa os flocos de milho e misture com os outros ingredientes. Passe as coxas na clara, e em seguida, na mistura de flocos. Acomode as coxas previamente empanadas em uma assadeira e leve ao forno por 40 minutos.

Bolinhas de Espinafre
Ingredientes
100 gramas de ricota
1 colher de sopa de queijo ralado
200 gramas de aveia
4 colheres de espinafre cozido e picado
1 ovo
2 colheres de sopa de leite em pó
sal em quantidade suficiente
Modo de preparo
Coloque todos os ingredientes em um recipiente. Misture –os bem até obter uma pasta homogênea. Tempere com o sal. Faça bolinhas e cozinhe durante 3 minutos em bastante água com sal. Escorra a água e sirva as bolinhas com molho de tomates.}

Bolinho de Legumes com Arroz Assado
Ingredientes
½ xícara de caldo de frango
4 colheres de alho poró fatiado fino
2 colheres de sopa de cenoura ralada
2 colheres de sopa de abobrinha ralada
2 colheres de sopa de brócolis picado
100 gramas de cogumelos frescos picados
3 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de amido de milho
4 colheres de leite desnatado
2 xícaras de arroz cozido no ponto
sal a gosto
4 claras batidas levemente
1 colher de sopa rasa de queijo ralado
2 colheres de sopa de salsinha picada
noz moscada a gosto
azeite para untar as forminhas
farinha de rosca para polvilhar
Modo de preparo
Aqueça o caldo de frango em uma frigideira, junte o alho-poró e refogue por 3 minutos em fogo médio. Acrescente aos poucos os outros legumes, junte o azeite e o sal e deixe cozinhar por 5 minutos. Adicione o amido de milho dissolvido no leite até obter um molho consistente. Desligue o fogo. Após esfriar, junte o arroz cozido, as claras, o queijo ralado e a salsinha. Tempere com sal e noz moscada. Unte cerca de 8 a 10 forminhas de empadinha com o azeite e polvilhe com a farinha de rosca. Coloque a massa nas forminhas e leve para cozinhar no banho-maria em forno moderado por cerca de 30 minutos. Desenformar quando estiver morno.

Farofa de Espinafre
Ingredientes
½ xícara de chá de farinha de mandioca torrada
½ xícara de chá de farelo de trigo
2 xícaras de espinafre cru picado
4 colheres de sopa de azeite
3 dentes de alho picados
½ cebola média picada
sal quantidade suficiente
Modo de Preparo
Doure o alho no azeite, após junte a cebola e o espinafre e adicione o sal. Após reduzir o volume do espinafre, junte a farinha e o farelo aos poucos, misturando bem os ingredientes. Adicione sal, caso necessário.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Lula sanciona lei que determina instalação de bibliotecas em escolas

Lula sanciona lei que determina instalação de bibliotecas em escolas
Cada unidade deve ter pelo menos um título por aluno matriculado.
'Diário Oficial' também tem determinação sobre salas de aula em presídio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que determina a instalação de bibliotecas em todas as instituições de ensino do país, incluindo públicas e privadas. De acordo com o texto, publicado no "Diário Oficial" da União nesta terça-feira (25), cada biblioteca deve ter, no mínimo, um título para cada aluno matriculado.
A organização, a manutenção e o funcionamento desses novos espaços devem ser definidos pelas instituições.
saiba mais
• Mais de 20% dos municípios não tinham bibliotecas públicas em 2009
• Mais cidades têm bibliotecas, mas cai total de municípios com livrarias
• Rio anuncia mais 4 bibliotecas high-tech
• Com cara de livraria, biblioteca é inaugurada onde funcionava o Carandiru
Ainda segundo a publicação oficial, as bibliotecas escolares devem contar com "coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura". O prazo máximo para a instalação dessas bibliotecas é de dez anos.
Também no "Diário Oficial", há uma lei que autoriza a instalação de salas de aulas em presídios. Nesses locais, devem ser realizados cursos do ensino básico e profissionalizante. Essa determinação entra em vigor a partir da data da publicação.

Mais de 20% dos municípios não tinham bibliotecas públicas em 2009
Censo sobre as bibliotecas públicas municipais foi feito pela FGV.
Ministério diz que em algumas cidades já houve implementação.

O Ministério da Cultura divulgou nesta sexta-feira (30) um censo sobre as bibliotecas públicas municipais em todo o Brasil. O estudo foi realizado no ano de 2009 e constatou que 21% dos municípios não têm o serviço.
O Ministério da Cultura esclarece que em alguns casos pode ter havido a implantação após a realização do censo. A pesquisa foi realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido do ministério. O levantamento aconteceu entre setembro e novembro do ano passado. Foram 4905 municípios visitados e outros 660 monitorados por telefone.
• Governo anuncia mais 4 bibliotecas high-tech no estado
Segundo os dados do estudo, existem 4.763 bibliotecas públicas em 4.413 municípios e 1.152 cidades estavam sem este serviço no ano passado. O censo aponta que em 13% dos municípios brasileiros haviam espaços em implementação ou em processo de reabertura. Em 8% das cidades, no entanto, as bibliotecas estavam fechadas ou nunca existiram e não havia previsão de abertura.
De acordo com o levantamento, o estado do Tocantins é o que tem a maior proporção de bibliotecas por habitantes. São 100 bibliotecas públicas no estado que tem população estimada em cerca de 1,29 milhão. Na sequência aparecem os estados de Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
A pior proporção acontece no Amazonas, onde há apenas 24 bibliotecas públicas em um estado com mais de 3,3 milhões de habitantes. Também tem uma proporção baixa o Distrito Federal e os estados de Rio de Janeiro e Acre.
Em relação aos municípios, a cidade de Barueri (SP), é a que tem mais bibliotecas em proporção a população. São 11 espaços na cidade de 270 mil habitantes. Na segunda colocação aparece Curitiba, que tem 55 bibliotecas públicas e uma população de cerca de 1,8 milhão.

Pode parecer incrível, mas alguns gestores se recusam a receber uma biblioteca pública. Então é preciso fazer um trabalho de conscientização"
Fabiano Piúba
O diretor de livro, leitura e literatura do Ministério, Fabiano Piúba, destaca que a responsabilidade pela implementação de bibliotecas não é apenas da União, mas também dos municípios. Ele destaca que é necessário criar uma lei municipal e disponibilizar recursos para a manutenção para que a cidade receba uma biblioteca. Piúba afirma que o ministério já recebeu respostas negativas de pelo menos cinco prefeitos em relação a criação destes espaços. "Pode parecer incrível, mas alguns gestores se recusam a receber uma biblioteca pública. Então é preciso fazer um trabalho de conscientização". Piúba não revelou que prefeitos se recusaram a receber o espaço.
O censo mostra que as bibliotecas públicas emprestam, em média, 296 livros por mês. Quase a metade das bibliotecas existentes (45%) tem computador com acesso a internet, mas somente 29% oferecem este serviço para a população. O levantamento mostra que 65% dos usuários utilizam as bibliotecas públicas para pesquisas escolares.
Segundo a pesquisa, somente 12% das bibliotecas existentes estão abertas aos sábados e somente 1% está à disposição também no domingo. Somente 24% delas ficam abertas no período noturno no meio da semana. A pesquisa mostrou ainda que 84% dos dirigentes destas bibliotecas são mulheres e 57% dos dirigentes têm ensino superior.
O censo afirma que 91% das bibliotecas não possuem condições de acessibilidade para pessoas com deficiência visual e 94% não tem serviços para permitir o acesso de pessoas com demais necessidades especiais.
O levantamento mostra ainda que 83% do acervo das bibliotecas é proveniente de doações. Em 13% das bibliotecas o acervo é inferior a 2 mil volumes e em 35% das bibliotecas o acervo está entre 2 e 5 mil volumes. Em 25% das bibliotecas os usuários podem ter acesso a mais de 10 mil volumes.
O Ministério da Cultura lançou nesta sexta-feira um edital para dar apoio às bibliotecas públicas municipais. Segundo a pasta, serão investidos R$ 30,6 milhões em 300 bibliotecas para a modernização de equipamentos, construção de espaços e adequação dos locais a portadores de deficiência.

Governo anuncia mais 4 bibliotecas high-tech no estado
Niterói, Alemão, Rocinha e Centro do Rio receberão projeto.
'Onde tem cultura em geral o índice de violência abaixa', diz ministro.
Na inauguração da primeira biblioteca-parque do Brasil, nesta quinta-feira (29), no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, a secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, anunciou os próximos quatro locais que receberão o novo modelo hig-tech de centro de leitura: Niterói, na Região Metropolitana, em maio; favela Fazendinha, no Complexo do Alemão, ainda em 2010; favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, também este ano; e ainda a reabertura da Biblioteca Pública do Estado, no Centro, prevista para estrear no início de 2011.
A biblioteca de Manguinhos ocupa um terreno de 2,3 mil m², possui 25 mil livros no acervo e ainda filmoteca com 800 filmes, sala de leitura para deficientes visuais, acervo de música digital, cineteatro e acesso gratuito à internet.
O projeto faz parte das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e foi inspirado na experiência de Medellín, na Colômbia, que investe em equipamentos culturais para promover a inclusão social. Para a construção da biblioteca-parque, o governo federal investiu R$ 7,4 milhões, enquanto o governo do estado entrou com a verba de R$ 1,2 milhão.
‘Onde tem cultura em geral o índice de violência abaixa’

Participaram do evento o governador do Rio, Sérgio Cabral, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, além de outras autoridades e também personalidades, como o cineasta Cacá Diegues e o ilustrador Maurício de Souza, que doou cem mil publicações para o local.
“Cultura não combina com violência. Cultura qualifica relações humanas. Onde tem cultura em geral o índice de violência abaixa. A estratégia de Nova York mostrou isso, assim como em Medellín e em vários locais do mundo”, afirmou o ministro da Cultura. Segundo ele, toda obra do PAC terá uma biblioteca “ou um equipamento semelhante”.
Cabral ressaltou a integração da biblioteca com o conjunto habitacional e o parque. Para o governador, todas as outras comunidades carentes do Rio precisam se espelhar no modelo de Manguinhos. “Junto com a pacificação, é uma mudança de rumo na história da vida do pobre do Rio de Janeiro”, afirmou.
A Academia Brasileira de Letras (ABL) é a madrinha do local e concedeu apoio por meio de doações de livros, além de consultoria para a aquisição de novos títulos e programação de seminários.
Maioria dos funcionários é da comunidade

De acordo com Adriana Rattes, a expectativa é que a biblioteca, que ela define como um complexo cultural, receba cerca de 1.500 visitantes por dia, para atividades de leitura, além de oficinas e cursos.
A dona de casa Isabel Cristina da Silva, que mora em um dos apartamentos do PAC de Manguinhos, disse que pretende frequentar o local com os três filhos e os seis netos. “Isso é uma bênção. Saímos da lama para o paraíso”, disse ela.
Segundo a secretária, são cerca de 30 funcionários, sendo que a maioria é moradora da comunidade de Manguinhos ou do entorno. A voluntária Marina Francisco Lopes, de 47 anos, contou que desde os 12 trabalha com crianças e agora ele está como atendente na sala de leitura infantil. “Para mim está sendo um conhecimento. A gente aprende com eles”, revelou.
A biblioteca-parque da Manguinhos abre de terça a domingo, das 9h às 21h. Os visitantes podem levar os livros para casa e ainda contam com três aparelhos Kindle, um leitor eletrônico com capacidade para armazenar até cem livros.

Com cara de livraria, biblioteca é inaugurada onde funcionava o Carandiru
Veja fotos em 360º das áreas interna e externa.
Custo foi de 12,5 milhões; acervo tem 30 mil itens.
No local onde funcionava a Casa de Detenção do Carandiru, na Zona Norte de São Paulo, será inaugurada nesta segunda-feira (8) a Biblioteca de São Paulo. A abertura ao público será na terça.
Com pufes coloridos e poltronas confortáveis, o novo espaço cultural, que ocupa um pavilhão de 4.257 m2, foge do estereótipo da biblioteca pública com ar austero e lembra mais uma livraria moderna de grande rede.
A inauguração marca a etapa final da mudança do lugar que chegou a ser o maior presídio da América Latina, com cerca de 8.000 presos e foco de constantes rebeliões e fugas. A transformação começou em 2002, quando os primeiros pavilhões com as celas foram implodidos e deram origem, anos depois, ao Parque da Juventude. Dos sete pavilhões originais, somente dois foram mantidos e, depois de reformados, passaram a abrigar uma escola técnica.
"É com muita alegria que vamos ocupar esse lugar de tão triste memória”, afirma o secretário estadual de Cultura, João Sayad.
A biblioteca foi pensada com o objetivo de incentivar a leitura e será um centro de treinamento para todas as bibliotecas municipais que existem no estado de São Paulo.
"O frequentador vai encontrar os livros expostos pela capa, sem pretensão didática ou de erudição. Vão estar ali os livros mais procurados e os lançamentos recentes. O local pretende ser uma biblioteca que chama o público para ler. Vai ter Playboy, Claudia, Capricho e Caras", enumera Sayad.
O prédio da biblioteca foi erguido inicialmente com a proposta de abrigar eventos e exposições, mas ficou fechado por alguns anos, sem nunca ter sido usado. Por causa das dimensões e do fácil acesso -fica em frente à estação do metrô Carandiru- foi escolhido para a biblioteca.
Da construção original, que, com suas paredes de vidro, privilegia a integração com o verde do parque, pouco precisou ser mudado. "As intervenções incluíram colocação de revestimento e isolamento acústico, mas a estrutura não foi mexida", afirma a idealizadora e gestora do projeto, Adriana Ferrari, assessora de gabinete da secretaria.
O investimento de implantação foi de R$ 12,5 milhões (R$ 10 milhões do estado e R$ 2,5 milhões do Ministério da Cultura). O custeio será de R$ 4 milhões. Uma verba adicional de R$ 1 milhão deve ser destinada todo ano para a atualização do acervo.
Com cerca de 30 mil itens, que incluem livros, DVDs, CDs, revistas, quadrinhos e jornais, a biblioteca dispõe de equipamentos de última geração, como um terminal de auto-atendimento, que permite ao usuário cadastrado liberar o empréstimo sozinho. Também há a preocupação com acessibilidade: o local tem de elevador e impressora em braile a software que faz a leitura em voz alta. O acesso à internet será de graça e computadores estão espalhados por todos os lados.
"A ideia é usar esses recursos concorrentes do livro, como a internet, a música e o DVD, para atrair o interesse pela leitura", diz Adriana. De "Dom Casmurro" ao "Diário de Bridget Jones", o acervo promete agradar a todos os gostos e ter um pouco de tudo.
A biblioteca é dividida por faixa etária. Cabanas coloridas, com cadeiras e pufes, são o centro da atenção do pavimento térreo, destinado às crianças e aos adolescentes. Dependurados dos tetos, aviõezinhos de papel em tamanho gigante compõem a decoração.
Nesse andar também há um auditório para palestras e eventos e uma área externa coberta, com café e espaço para apresentações artísticas.
O primeiro andar é destinado ao público adulto. Com mesas de leitura, computadores e poltronas, o ambiente é aconchegante. O acervo com livros e DVDs de conteúdo adulto ficarão numa área restrita, com acesso permitido para maiores de 18 anos.
A expectativa é receber cerca de 700 pessoas diariamente. "Estamos muito animados e acreditamos que a biblioteca será muito bem recebida pela população", diz a diretora da biblioteca, Magda Maciel Montenegro. Ela é integrante da Poiesis, organização social que administra também o Museu da Língua Portuguesa e a Casa das Rosas.
O local ficará aberto de terça a sexta das 9h as 21h, e, nos finais de semana e feriados, até as 19h. "Se houver demanda, também podemos pensar em abrir às segundas", diz Magda.
Serviço
Biblioteca de São Paulo
Endereço: Parque da Juventude. Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630, Prédio 3
- Fica ao lado da estação de metrô Carandiru (Linha Azul)
- Há estacionamento pago para carros
Horários de funcionamento: Terça a sexta, das 9h às 21h. Sábado, domingo e feriado, das 9h às 19h
Entrada: gratuita

Mais cidades têm bibliotecas, mas cai total de municípios com livrarias
De 1999 para 2009, cresceu em 22% total de cidades com bibliotecas.
IBGE divulgou nesta quinta-feira (13) pesquisa com perfil dos municípios.
• Veja os principais números do IBGE sobre os municípios brasileiros
• Das 5.565 cidades brasileiras, apenas 397 têm delegacias da mulher
• Cresce o número de cidades com órgão exclusivo para Educação
• Metrô está presente em 15 cidades com mais de 50 mil habitantes
O total de municípios brasileiros com bibliotecas públicas aumentou 22% entre 1999 e 2009, enquanto que o percentual de cidades com pelo menos uma livraria diminuiu 21%, aponta a nova edição da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), divulgada nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados mostram que, em 1999, 76,3% dos municípios contavam com bibliotecas públicas, percentual que passou para 93,2% em 2009 - alta de 22,1%. No ano passado, conforme os dados, 5.187 cidades do país tinham bibliotecas.
Por outro lado, a parcela de cidades com livrarias caiu aproximadamente na mesma proporção, 21,1%. Em 1999, 35,5% das cidades do país tinham livrarias. No ano passado, o total dos municípios com livrarias foi de 1.557, 28% do total.
Considerando outros equipamentos culturais, como provedores de internet, lojas de discos, centros culturais, museus, cinemas e teatros, houve alta no percentual de cidades com os serviços - confira tabela abaixo.
EQUIPAMENTO Percentual de cidades em 1999 Percentual de cidades em 2009 VARIAÇÃO
TV aberta 98,3% - - 3,2%
Bibliotecas públicas 76,3% 93,2% 22,1%
Estádios ou ginásios esportivos 65,0% 86,7% 33,4%
Videolocadoras 63,9% 69,6% 8,9%
Clubes - 61,4% - 12,8%
Provedores de internet 16,4% 55,6% 239,0%
Rádio comunitária - 52,6% 8,2%
Lojas de discos, CDs, fitas e DVDs 34,4% 44,9% 30,5%
Unidades de ensino superior - 38,3% 95,4%
Estações de rádio FM 33,9% 35,0% 3,2%
Centro Cultural - 29,6% 19,4%
Livrarias 35,5% 28,0% - 21,1%
Museus 15,5% 23,3% 50,3%
Estações de rádio AM 20,2% 21,3% 5,4%
Teatros ou salas de espetáculo 13,7% 21,1% 54,0%
Geradoras de TV 9,1% 10,9% 19,8%
Cinemas 7,2% 9,1% 26,4%
Shopping Centers 6,2% 6,3% 1,6%
Fonte: IBGE
De acordo com o IBGE, os dados sobre as bibliotecas devem ser usados pelo poder público para elaboração de políticas. "As bibliotecas públicas são equipamento de suma importância no país e têm a sua abrangência alargada nos últimos dez anos, o que, conforme vem sendo assinalado nas análises da pesquisa, exige do poder público uma atenção estratégica específica para este equipamento, uma vez que, além de sua função tradicional de acesso público à leitura, permite potencialmente a incorporação de outras formas de acesso audiovisual, multimídia ou à rede global de computadores", destaca a pesquisa.
Em relação ao menor percentual de cidades com livrarias, o instituto afirma que não se trata de redução da produção editoral no país. "A existência de livrarias nos municípios diminuiu nos últimos dez anos, embora também possa ser argumentado que isto não significa uma redução da produção editorial no país, pois outros meios de distribuição (internet, bancas de jornal e supermercados) ampliaram a venda de livros neste período."
Videolocadoras

A pesquisa também destaca o aumento de 8,9% de cidades com videolocadoras entre 1999 e 2009. Embora o total de cidades com o equipamento esteja maior em 2009 do que em 1999, houve um salto de cidades com locadoras em 2005 e 2006 - percentual chegou a 82% das cidades -, mas o número se reduziu a partir de então e atingiu 70% dos municípios no ano passado, mostram os dados do IBGE.
"Merece também atenção a amplitude alcançada pelas videolocadoras ao longo da década e a sua retração mais recente, podendo ser a isto atribuído a convivência com outras formas de acesso aos vídeos e filmes (televisão por assinatura e internet)", diz a pesquisa.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Você sabe se seu filho é disléxico?

Dislexia pode dificultar o aprendizado do seu filho na escola, mas não quer dizer que ele não esteja interessado nos estudos
Dislexia é caracterizada por uma disfunção: crianças ficam com dificuldades para ler e escrever
Se uma das maiores dificuldades do seu filho no início da vida escolar é alfabetizar-se, talvez o problema dele não seja somente falta de atenção. De acordo com a psicopedagoga Silvia Amaral, membro da Diretoria da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp) e coordenadora da Elipse Clínica Multidisciplinar, se processar as informações é difícil para ele, tanto na leitura quanto na escrita, é possível que ele seja disléxico.
A dislexia é um distúrbio que abrange uma disfunção específica da leitura, mas também pode afetar a linguagem como um todo, com manifestações também na escrita. “O cérebro deles funciona de forma diferente, então na leitura eles podem pular linhas e na escrita eles podem apresentar textos com troca de letras, por exemplo”, explica Amaral. Mas, segundo ela, estes são só alguns dos possíveis sintomas: “Nenhum caso é idêntico a outro, cada disléxico apresentará diferentes combinações de sintomas”.
O que causa e como reconhecer: Segundo Márcia Maria Barreira, psicóloga e coordenadora da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), este problema é genético e, portanto, se a dislexia já existe no histórico familiar, a atenção aos sintomas deve ser redobrada. “Mas a base é de ordem neurológica”, afirma Amaral. De acordo com ela, o funcionamento do cérebro do disléxico ocorre por trajetos diferentes – e maiores – até chegar ao centro da linguagem, por isso a compreensão acaba prejudicada.
No entanto, existem muitos detalhes que devem ser analisados para diagnosticar uma criança com dislexia. “As crianças menores, por exemplo, começam a ter dificuldades para memorizar canções que aprendem na escola e, em livrinhos infantis, se interessam mesmo pelas figuras, e não pelo que está escrito”, afirma Barreira. A partir do momento que elas iniciam o processo de alfabetização, a especialista lembra que são necessários dois anos de estudo para diagnosticar o problema. “Antes disso, dependendo dos sintomas, a criança pode estar somente num quadro de risco”, explica.
E os sintomas podem ser vários: dificuldades para começar a falar, na coordenação motora e até mesmo dificuldades para ter uma boa memória de curto prazo. Mas, segundo Amaral, é preciso excluir alguns fatores para que a dislexia seja mesmo diagnosticada. “É preciso aplicar testes para ver se a criança possui uma inteligência adequada, por exemplo. Ela pode ter um rebaixamento mental e aí é outro problema”, explica. Além disso, problemas emocionais severos, como a psicose, podem apresentar sintomas parecidos. Se estes fatores forem descartados, então a dislexia pode ser o real motivo.
Como tratar: A partir do momento em que é diagnosticada a dislexia, primeiramente é preciso que haja um ambiente favorável para que a criança possa aprender a superar os sintomas. E se tiver um diagnóstico precoce, melhor ainda, para que problemas emocionais e sociais não se desenvolvam. “Os disléxicos podem ter um prejuízo emocional e acabar se achando crianças burras ou se tornando pessoas de baixa autoestima”, informa Barreira.
No entanto, não existe medicamento e o tratamento dependerá da idade da criança e das maiores dificuldades dela. Segundo Barreira, crianças menores normalmente são atendidas por fonoaudiólogos, por ajudarem mais no desenvolvimento com palavras e sons, e crianças maiores são atendidas por psicopedagogos, que trabalham mais na questão da compreensão e interpretação de texto. “Mas não é que eles precisarão de tratamento para o resto da vida”, completa.
“O clínico irá tratar a criança de acordo com os sintomas que ela possui”, afirma Amaral. Se ela possui uma dificuldade maior em se organizar, então serão trabalhadas estratégias de organização, por exemplo. “Ela será ensinada a lidar melhor com a leitura e a escrita e será conscientizada das facilidades que ela possui, para que compense as dificuldades”, explica. De acordo com Barreira, na medida em que vão sendo tratadas, as crianças passam a perceber os erros que cometem e passam a se corrigir.
Sem o tratamento e sem apoio familiar, o disléxico poderá ter um prejuízo no cotidiano em geral. “Vemos muitos adolescentes e adultos que acabam indo para as drogas e para o álcool. Começam a ter um desinteresse muito grande pela escola e podem até chegar a quadros de depressão, mesmo se forem crianças”, afirma Barreira. Segundo Amaral, até mesmo os pais tendem a ter um certo desânimo quando a dislexia do filho é diagnosticada. Mas não é bem assim que o problema deve ser encarado.
O disléxico e a família:“Normalmente os pais, quando descobrem que o filho é disléxico, logo falam que ele não vai poder escolher uma profissão, que não vai conseguir alcançar nada; e não é verdade”, afirma Amaral. Segundo ela, se quando adulta a criança tiver força de vontade e determinação, ela saberá contornar os problemas e poderá viver bem e ser o que ela desejar na vida. “Além disso, eu sempre gosto de dizer aos pais que muitas vezes os disléxicos possuem o lado direito do cérebro mais desenvolvido, então são pessoas que se dão muito bem na área mais visual e possuem bastante criatividade”, conta.
Veja abaixo algumas dicas de Amaral para que, desde pequena, a criança já possa começar a conviver melhor com a dislexia:
- Quanto mais estímulos ela tiver, melhor: proporcionar atividades e jogos diferentes em todos os momentos do dia desenvolve a atenção da criança;
- Sempre que estiver com ele por perto, converse e troque ideias: acrescente informações à vida dele;
- Leve-o ao teatro, ao cinema, ao museu, a lugares novos que podem estimular a inteligência e a atenção dele;
- Ter uma vida saudável com a prática de esportes também colabora para que ele esteja mais atento e, ainda, desenvolverá a noção corporal, como a coordenação motora.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Deixe seu filho se sujar

Deixe seu filho se sujar
Entrar em contato com ambientes não assépticos favorece não só a saúde da criança, mas também seu desenvolvimento psicológico

Crianças devem mexer na lama, brincar com tintas e andar descalças
Se você é daquelas mães que têm arrepios ao ver uma criança toda lambuzada de chocolate ou que corre atrás do seu filho com um par de chinelos mal ele tira o sapato, pense melhor. Permitir que a criança se suje não só faz bem a ela, como é essencial para seu desenvolvimento.
"Os pais não podem criar os filhos dentro de uma redoma de vidro", diz o pediatra e neonatologista Jorge Huberman. Ele explica que cada indivíduo precisa desenvolver sua imunidade. A criança nasce apenas com a imunidade recebida da mãe durante a gestação, e começa a desenvolver seu próprio sistema a partir dos seis meses.
Por isso, é importante que os pequenos entrem em contato com o que muitos pais consideram como "sujeira": mexer na grama, rolar na terra e colocar alguns objetos na boca, desde que sempre sob supervisão de um adulto, são atitudes recomendáveis. Assim, eles podem criar anticorpos e construir um sistema de defesa natural do corpo, o que se torna impossível se as crianças são sempre mantidas em ambientes assépticos.
Depois da exploração de um ambiente menos higienizado - como um parque ou um quintal - basta dar banho na criança. Mas atenção: o excesso de banhos também é contraindicado pelo pediatra. "No verão, claro que a criança vai entrar mais vezes no chuveiro, até para se refrescar. Mas basta um banho com sabonete - os outros podem ser apenas com água", recomenda.
Estímulos
Ter contato com sujeira não só é importante para a saúde infantil, mas também para o desenvolvimento psicológico. Segundo a psicóloga antroposófica Sandra Stirbulov, todas as crianças precisam estimular os sentidos do tato, do movimento, do equilíbrio e da vitalidade para garantir um crescimento saudável. "O que não passa pelo sentido físico pode não ser decodificado mais tarde, atrapalhando o desenvolvimento da criança rumo à capacidade de abstração", diz ela.
E essa estimulação passa, naturalmente, pelo contato mais amplo possível com texturas, cores e cheiros - sempre submetido ao bom senso dos pais. Uma criança que está aprendendo a comer precisa entender que a comida é dada na colher, mas necessita igualmente tocar na comida para senti-la. Não tem mal algum deixá-la brincar com um pouco do alimento do prato.
"Os pais devem estar sempre atentos a proporcionar às crianças diferentes percepções sensoriais", defende Sandra, o que é impossível se você não deixa seu filho caminhar descalço na terra ou pintar desenhos com tinta a dedo.
Crianças que são privadas desta experimentação por pais excessivamente zelosos, que morrem de medo da criança apanhar uma pneumonia porque andou pela casa descalça ou não permitem que ela role na grama porque vai se sujar de terra, podem criar problemas para os filhos mais tarde. "Elas ficam indispostas a experimentar novas comidas, por exemplo. Antes mesmo de colocarem na boca, rejeitam um alimento novo", explica Sandra.
A dificuldade também pode se estender para a aprendizagem. "A criança que não entrou em contato com lama, terra, argila e outras materiais pode deixar de desenvolver, por exemplo, a motricidade fina - e ter problemas para segurar o lápis e escrever quando chega a fase da alfabetização", completa Cássia Franco, psicóloga especializada em terapia de casal e família.
Dicas para deixar seu filho se sujar
- Deixe a criança brincar com tinta e pegar um pouco da comida quando ela ainda está aprendendo a comer
- Promova uma sessão de pintura ou escultura em casa, em família. Se suje junto com seus filhos: pintem um painel coletivo ou mexam com argila
- Permita que seu filho mexa na grama, na areia e caminhe descalço sobre superfícies de texturas e temperaturas diferentes
- Dê a ele brinquedos de materiais diferentes, com diferentes texturas. Evite que a criança tenha só brinquedos de plástico, que tem sempre a mesma textura
- Apresente a seu filho sons diferentes, colocando-o em contato com brinquedos que façam barulho - não os eletrônicos, mas a partir da intervenção da criança
- Estimule seu filho a experimentar cheiros diversos: ofereça uma florzinha ou explore com ele os temperos da cozinha

mãe

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Educação financeira

Educação financeira: a febre dos álbuns de figurinhas
Essa é uma ótima oportunidade para ensinar o seu filho a lidar com dinheiro


O intervalo nos colégios se tornou a hora oficial da troca de figurinhas. O álbum de figurinhas da Copa do Mundo é a nova febre das crianças a partir de 5 anos (e de muitos adultos também). Quantas figurinhas seu filho já comprou? Além de comemorar a Copa, essa é a uma boa oportunidade para ensiná-lo a lidar com o dinheiro - mas sem neuras, afinal, é preciso admitir que fazer um álbum de figurinhas é uma delícia mesmo.
O importante é conversar com a criança. Primeiro, combine a frequência para a compra de novos pacotes. Depois, que o dinheiro usado vai ser o dela, da "semanada"' ou da mesada. Ela precisa entender que se gastar tudo com os pacotes, não vai sobrar dinheiro para comprar outras. “Mas você deve saber que é bem provável que isso aconteça, afinal, quando se tem 7 ou 8 anos, poucos investimentos são tão interessantes quanto um pacote de figurinhas”, diz Cássia D'Aquino, especialista em educação financeira e colunista da CRESCER.
Se isso acontecer, a especialista alerta para você se manter firme (resista o quanto puder) e não dar mais dinheiro a ele. Também não é legal ligar para a editora que publica o álbum e pedir todas as figurinhas. “Além de perder toda a graça da brincadeira, a criança perde a chance de aprender a lidar com a frustração”, diz. A melhor saída é incentivar a troca de figurinhas - quem sabe seu filho não consiga trocar com algum amigo seu também?
Creme dental infantil não é eficiente contra cáries
Novo estudo da Unicamp mostra que o creme dental para crianças, com baixa concentração de flúor, não previne cáries nem a fluorose. Veja o que você deve fazer


Pode ser de tutti-fruti, de cereja ou de uva. As opções de pastas de dentes para crianças são muitas e a grande vantagem do creme dental infantil, segundo especialistas, é a baixa concentração de flúor. Até os 3 anos, a criança não sabe cuspir ou bochechar e acaba engolindo mais flúor do que o recomendado. Em excesso, essa substância causa fluorose, problema que afeta o esmalte e produz manchas nos dentes. Em casos mais graves, os dentes ficam porosos e amarronzados.
Mas um novo estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) coloca em xeque a eficácia do creme dental para crianças. Ele revela que a baixa concentração de flúor não é tão eficiente contra as cáries. Pior: também podem não evitar a fluorose. Segundo Altair Cury, professor da Universidade de Odontologia de Piracicaba e um dos orientadores do estudo, a fluorose não é causada pela concentração do flúor no creme dental, mas pela ingestão de uma grande quantidade do produto. Para diminuir o risco de fluorose e evitar cáries, diz o estudo, as crianças deveria usar o creme dental convencional em pouca quantidade – semelhante a um grão de arroz. Seria essa a medida mais segura, mesmo? Para a odontopediatra Carmem Silvia, da clínica Amai (SP), não. Ela afirma que existem outras formas de evitar cáries e, por isso, crianças menores de 3 anos devem permanecer usando pastas sem flúor. Embora ele seja o principal vilão para o surgimento da fluorose, não é o único produto que traz flúor em sua composição. A água e alguns alimentos também podem conter a substância. “Por isso, se os pais puderem evitar o produto, melhor”, completa Carmem. Na dúvida, converse com o odontopediatra do seu filho e veja o que é melhor para a criança.
Prevenção de cáries
Para prevenir o aparecimento de cáries nos dentes de seu filho, comece com os cuidados logo após o nascimento. Nos recém-nascidos, o ideal é passar uma gaze ou fralda umedecida com água filtrada por toda a boca, limpando gengiva, bochechas e língua para remover os resíduos do leite. A partir do 6º mês, quando costumam aparecer os primeiros dentes, você pode começar a usar uma dedeira. A escovação começa a partir do primeiro ano com uma escova macia. Evite a mamadeira noturna e controle a alimentação do seu filho. Balas, doces, iogurtes e refrigerantes são inimigos da boa higiene bucal. Incentive a limpeza após cada refeição.

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