quarta-feira, 24 de março de 2010

A importância do brincar

A importância do brincar
Pais não devem subestimar o valor das brincadeiras, essenciais para o desenvolvimento da criança


Para as crianças, brincar é a primeira forma de se relacionar com o mundo
O princípio VII da Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada por unanimidade pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1959, já estabelece: toda criança tem direito ao lazer infantil. Brincar é essencial para o desenvolvimento do seu filho - e o valor da brincadeira não pode ser subestimado.
Brincar tem um viés que vai muito além da simples fantasia. Enquanto um adulto vê apenas uma criança empilhando bloquinhos, para o pequeno aquilo significa experimentar as possibilidades de construir e conhecer novas cores, formatos e texturas. "Para a criança, brincar é um processo permanente de descoberta. É um investimento", explica Tião Rocha, antropólogo, educador popular e folclorista, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, em Minas Gerais.
"A criança que brinca vai ser mais esperta, mais interessada e terá mais facilidade de aprender - tudo isso de forma natural", diz Ruth Elisabeth de Martin, pedagoga e educadora do Labrimp (Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos da Universidade de São Paulo).
Desenvolvimento
A literatura e as pesquisas demonstram que brincar tem três grandes objetivos para as crianças: o prazer, a expressão dos sentimentos e a aprendizagem. "Brincando, a criança passa o tempo, mostra aos pais e professores sua personalidade e descobre informações", resume Áderson Costa, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília.
Crianças menores, mesmo na companhia de outras, costumam brincar sozinhas. Para elas, o ideal são brincadeiras que estimulem os sentidos. Através deles, elas exploram e descobrem cores, texturas, sons, cheiros e gostos.
Por volta dos 3 anos elas desenvolvem outro tipo de brincadeira: o faz de conta. Imitar situações cotidianas - como brincar de casinha ou fingir que é o motorista de um ônibus - permite que as crianças se relacionem com problemas e soluções que passam do fazer imaginário para o aprender real.
A partir dos 5 anos, os pequenos estão aptos para incluir o outro nas brincadeiras. "É a fase em que elas deixam de brincar ao lado de outras crianças e passam a brincar com outras crianças", explica Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da Pontifícia Universidade de São Paulo.
Vale lembrar que o desenvolvimento infantil é individual. Algumas crianças começam a brincar com outras mais cedo, outras mais tarde - não há motivo para preocupação.
Como incentivar seu filho a brincar
Estabelecer um horário diário ou semanal para brincar com seu filho é o primeiro passo para garantir que ele faça esta atividade com frequência. Muitos pais lotam a agenda dos filhos com afazeres extracurriculares, o que extingue o momento da brincadeira. "Toda agenda de criança deve ter um espaço diário para não fazer nada - é aí que surge o espaço para brincar", orienta Áderson.
Participar da brincadeira dos filhos também dá uma vantagem aos pais: conhecê-los melhor. Como a criança se expressa brincando, os pais observadores descobriram as vulnerabilidades e os pontos fortes de seus filhos. "Brincar juntos aumenta o grau de confiança e o vínculo entre pais e filhos", diz.
Dar brinquedos de diferentes materiais e tipos também é recomendável. Por isso, nada de entupir a menina só com bonecas e chegar com um carrinho debaixo do braço a todos os aniversários do menino. As crianças precisam experimentar de tudo. "Cada brinquedo traz uma mensagem e vai despertar o interesse e a curiosidade de alguma forma", ressalta Ruth.
O importante é o brincar, e não o brinquedo. É possível improvisar brinquedos com uma fruta, uma caixa de papelão vazia ou o que quer que esteja à mão. E não se preocupe se não puder dar a seu filho aquele carrinho movido a pilhas de última geração. "Só na visão do adulto um brinquedo eletrônico é divertido. Para a criança, brinquedo que brinca sozinho é enfadonho", completa Tião.
As brincadeiras ideais para cada faixa etária
Reunimos algumas recomendações de especialistas sobre as brincadeiras mais adequadas para cada faixa etária. O desenvolvimento infantil é individual, mas as crianças passam, cada uma a seu tempo, pelas fases abaixo. Todas as atividades devem ser desenvolvidas sob supervisão de um adulto e nos ambientes adequados.
Até os 2 anos
Nesta fase, a brincadeira tem que estimular os sentidos. Correr, puxar carrinhos, escalar objetos, jogar com bolinhas de pelúcia são atividades recomendadas.
3 a 4 anos
Começam as brincadeiras de faz de conta. As crianças respondem a brincadeiras de casinha, de trânsito, de escolinha e de outras atividades cotidianas.
5 a 6 anos
Os jogos motores (de movimento) e os de representação (faz de conta) continuam e se aprimoram. Surgem os jogos coletivos, de campo ou de mesa: jogos de tabuleiro, futebol, brincadeiras de roda.
7 anos acima
A criança está apta a participar e se divertir com todos os tipos de jogos aprendidos, mas com graus de dificuldade maiores.

5 respostas sobre estresse infantil

5 respostas sobre estresse infantil
A psicóloga e psicopedagoga Alessandra Wajnsztejn explica como os pais podem lidar com o estresse infantil

Estresse infantil: ele pode vir tanto de sensações e experiências boas como de sensações ruins
Muitos adultos sonham com um retorno à infância, como se essa fase da vida fosse livre de qualquer transtorno. Mas não é bem assim. Conversamos com Alessandra Wajnsztejn, psicóloga, psicopedagoga e palestrante da 17ª Educar, feira de Educação que acontece em maio, em São Paulo, sobre o estresse infantil. Ela conta como o estresse é desencadeado em nossas crianças e o que podemos fazer para ajudá-las.
iG: O que causa o estresse infantil? Situações cotidianas podem desencadeá-lo? Ou apenas situações específicas, como uma morte na família ou bullying escolar?
Alessandra Wajnsztejn: O estresse é um conjunto de reações físicas e psicológicas que causam mudanças químicas no corpo. Isso pode vir tanto de sensações e experiências boas como de sensações ruins. Por exemplo, a morte de um familiar pode ser considerada uma das fontes de estresse mais significativas na infância, mas experiências comuns podem ser responsáveis pelo desencadeamento, como a aproximação de uma data comemorativa, como Natal ou aniversário. Ou mesmo a programação estimulante, porém desgastante, de uma viagem muito esperada.
Também podem contribuir para o surgimento do estresse a responsabilidade em excesso, a presença constante e muito intensa de brigas familiares ou a separação dos pais; a rejeição por parte de colegas no ambiente social e a atitude de disciplina confusa por parte dos pais – quando cada um diz uma coisa e, assim, confundem o referencial que a criança deve seguir. Tudo isso desencadeia ansiedade e pode gerar o estresse. Outros fatores bastante importantes, mas não muito refletidos, são a hospitalização e a doença. Durante o processo de gestação e nascimento de irmãos, a criança também passará por uma fase de adaptação, e requer um olhar de qualidade afetiva por parte dos pais.
iG: O que muda no comportamento da criança estressada? Como os pais podem perceber que ela está com o problema?
Alessandra Wajnsztejn: A ansiedade e a depressão podem ser tanto causa como consequência do estresse. Os pais devem estar atentos, por exemplo, para uma mudança comportamental como uma introversão súbita, a presença de medo excessivo com motivo aparentemente irracional, a manifestação de comportamentos agressivos, impaciência e choro excessivo, desânimo, comportamento de hipersensibilidade, insegurança e sinais de baixa autoestima. Alguns sintomas podem ser de ordem física, como dor de barriga, manifestação de tique nervoso, frequentes dores de cabeça, comportamento hiperativo secundário a alguma situação, enurese noturna (xixi na cama), bruxismo (ranger de dentes durante o sono) e muitos outros comportamentos.
iG: O que os pais podem fazer para ajudar quando a criança já está estressada?
Alessandra Wajnsztejn: Pode-se tentar evitar algumas fontes estressoras. Mas há experiências que a vida nos proporciona que não podem ser evitadas ou controladas por nós, como a morte de alguém, o surgimento de doenças e a ocorrências de acidentes. Portanto, o ideal é dar apoio, afeto, compreensão, ouvir os anseios e temores de nossos filhos e buscar avaliação e tratamento especializados quando este estresse se torna disfuncional – ou seja, quando começa atrapalhar a vida física e mental da criança.
IG: O stress infantil pode influenciar no desenvolvimento da criança? De que forma?
Alessandra Wajnsztejn: Durante o processo de desenvolvimento intelectual, emocional e afetivo, a criança se confronta com momentos em que a tensão de sua vida alcança níveis muito altos, muitas vezes ultrapassando sua capacidade ainda imatura para lidar com as situações conflitantes. A criança que se desenvolve em um ambiente onde a palavra e a atitude familiar são norteadas pelo respeito, ou pela busca de respeito mútuo, poderá sentir-se mais segura de si e, assim, mais resistente. Crianças que são protegidas, mas não sufocadas, também poderão apresentar mais resistência aos eventos da vida. O que precisamos refletir é que nós adultos, pais e educadores, podemos de alguma forma influenciar na vulnerabilidade e na resistência ao estresse, já que ele tem componentes de hereditariedade, mas também de aprendizagem pelo meio.
iG: E como prevenir o estresse infantil? O que os pais podem fazer para evitar que seus filhos sofram esta pressão?
Alessandra Wajnsztejn: A criança aprende muito com a forma com que o adulto responde às ocorrências da vida. Se o adulto responde de forma ansiosa ou angustiada, a criança tende a aprender a responder à vida da mesma forma. Não podemos evitar que nossas crianças sofram estresse, mas podemos ser otimistas no sentido de acreditar que o estresse poderá não traumatizar a criança para sempre, e que ela poderá ter resiliência para superar estas fases. Podemos ajudar evitando muitas mudanças no cotidiano de nossas crianças em curto espaço de tempo. Por exemplo, não trocar com frequência de escola ou de moradia e evitar sobrecarga nas atividades extracurriculares, numa busca frenética de uma formação acadêmica precoce que, muitas vezes, acaba gerando um desapego da criança em relação às suas experiências escolares e reverte uma situação que ela deveria estar vivenciando com prazer.

Infância problemática pode gerar dor na vida adulta

Infância problemática pode gerar dor na vida adulta
Pesquisa revela que crianças com problemas de comportamento estão mais propensas a terem dor crônica generalizada na idade adulta

Crianças com problemas de comportamento estão mais propensas a terem dor crônica
Cientistas da Universidade de Aberdeen, na Escócia, analisaram a vida de cerca de 19 mil pessoas e descobriram que más experiências no início da vida podem ocasionar mais problemas do que se imagina. Crianças muito desobedientes ou que cometem bullying escolar, por exemplo, correm maior risco de sofrerem de dor crônica no futuro.
O estudo examinou o comportamento dos participantes até os 16 anos de idade. Com a ajuda de pais e professores, os pesquisadores procuraram indícios de qualquer sinal de problema, como dificuldades em fazer amigos, desobediência, roubos, mentiras, falta às aulas, entre outros.
Ao chegarem à faixa dos 40 anos, os mesmos indivíduos responderam a dois questionários, um sobre angústias psicológicas e outro sobre dor. Com isso, foi descoberta a ligação entre as dificuldades vividas na infância e as dores crônicas generalizadas. Aqueles que haviam apresentado problemas contínuos de comportamento estavam duas vezes mais propensos a sofrerem de dor crônica generalizada do que aqueles que eram bem-comportados na infância.
A BBC britânica informou que, de acordo com Dr. Dong Pang, pesquisador líder do estudo, a única relação feita até então entre infância e dor crônica generalizada na vida adulta era pela ocorrência de graves eventos vividos nos primeiros anos de vida, como uma hospitalização após um acidente de trânsito ou a separação da mãe.
O mau comportamento infantil também pode estar associado a outros problemas na vida adulta, principalmente psicológicos, como depressão, ansiedade e abuso de substâncias. Há a possibilidade de que todos estes problemas, de acordo com os pesquisadores, estejam relacionados a uma disfunção no sistema cerebral que ajuda a regular a resposta do organismo a situações estressantes. Porém, ainda faltam pesquisas que confirmem a hipótese.
“Estes estudos oferecem excelentes oportunidades para o desenvolvimento de intervenções precoces que aliviem os sintomas da dor crônica na vida adulta”, afirmou o Dr. John McBeth, especialista em dor da Universidade de Manchester, na Inglaterra.

Medos Infantis: Como Lidar?

Medos Infantis: Como Lidar?
Especialistas ensinam como ajudar seu filho a superar os temores mais comuns da infância

Medos infantis: compreensão, respeito e apoio ajudam as crianças a superá-los

A cena é clássica: ao colocar seu filho na cama, ele declara que não pode dormir ali, porque tem um monstro no armário. O que você faz? Mostra para ele que não tem uma criatura no guarda-roupa, ri e diz que ele já está muito grandinho para acreditar nestas coisas ou imediatamente deixa a criança se acomodar no seu quarto?
A segunda e a terceira opções estão fora de cogitação. Para lidar com os medos infantis, é preciso oferecer segurança à criança e respeitar o temor que ela manifesta. "Subestimar os medos é proibido. E desmoralizar a criança só piora", explica o psicólogo Bruno Sini Scarpato, de São Paulo, especialista em atendimento infantil.
É natural e esperado que as crianças sintam medo. Ele é um alerta de que algo ameaçador pode acontecer e evita que o ser humano corra riscos desnecessários. A ausência dele, em certas idades, é até preocupante: se uma criança não desenvolve o medo instintivo de altura, por exemplo, pode engatinhar até a beira da cama ou do sofá e cair.
A psicóloga Adela Stoppel de Gueller, coordenadora do setor de Clínica e Pesquisa do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientae, explica que entre os 3 e os 5 anos elas estão na fase natural dos temores. O medo de trovão, do escuro, de monstros ou de dormir sozinho são naturais e devem passar conforme a criança cresce e amadurece emocionalmente. Mas o papel dos pais é fundamental para facilitar este processo - ou para transformá-lo em um trauma difícil de superar.
Como ajudar seu filho
Respeito e apoio são importantes, mas não suficientes. Ao lidar com os medos do seu filho, você precisa ter coerência. Não pode dizer que o Homem do Saco não existe quando a criança chora à noite, mas na manhã seguinte falar em alto e bom som que o mesmo Homem do Saco vem pegá-la se ela não comer toda a comida.
Compreensão também é essencial. Mostrar que é normal sentir medo e que todo mundo tem os seus - inclusive você. "Conversar bastante com a criança é a melhor forma de traçar uma estratégia", defende Bruno Scarpato. E fique atenta para detectar o problema: muitas vezes, as crianças têm medo de expor seus sentimentos quando sentem medo. Se estão apavoradas por dormirem sozinhas, alegam que não estão com sono ou insistem em assistir a televisão até tarde, tudo para evitar a hora de dar boa noite. "Elas passam simplesmente a evitar a situação", explica Adela.
Quando a criança é muito pequena, pode ser difícil reconhecer o que a assusta. Muitas vezes ela mesma não consegue definir, muito menos conversar sobre isso com os pais. Nesse caso, tente eliminar as possibilidades. Se ela se nega a ir para a cama, crie cenários diferentes até descobrir o problema. "Os pais podem questionar: 'e se deixarmos a luz acesa, tudo bem? E quando você dorme na casa da vovó? E se ficarmos aqui com você um pouquinho?'", sugere Patrícia Serejo, psicóloga da Super Infância, clínica de Brasília especializada em atendimento a crianças.
Desde que os pais demonstrem segurança, embarcar na fantasia também pode ser uma opção. Tem um monstro no armário? Deixar a criança correr para sua cama pode ser mais fácil, mas significa admitir que existe mesmo uma criatura no guarda-roupa. É melhor ajudar a criança a encarar o medo do que a fugir dele. Pegue seu filho pela mão, olhe o armário e diga que, por precaução, vocês vão trancá-lo - assim, se o monstro aparecer no meio da noite, vai ficar preso ali. Amenizar o medo infantil usando a própria imaginação da criança como antídoto pode ser uma boa saída. Assim como ler livros infantis com histórias de monstros que são vencidos por um herói ou os tradicionais contos de fadas, em que sempre há o lado ruim da história e o lado bom e corajoso.
Quando procurar ajuda?
Nem sempre é possível, ainda que com o apoio dos pais, tranquilizar uma criança que está sofrendo com temores excessivos. Nesse caso, é preciso procurar ajuda profissional. “Quando o medo for intenso a ponto de gerar um sofrimento grande na criança, ou quando ela estiver perdendo contato social, escolar ou lúdico por causa dos medos, procure um terapeuta”, diz Patrícia.
A linha que separa um medo natural de uma fobia permanente varia de criança para criança. O importante é observar mudanças bruscas de comportamento. Problemas físicos recorrentes, mudança de humor ou desinteresse por atividades que anteriormente eram exercidas com prazer podem indicar que o temor passou dos limites.
Quando a rotina da casa e de seus moradores precisa ser modificada, também é hora de procurar ajuda. "Se a criança precisa dormir com os pais todos os dias, passa a interferir no relacionamento do casal", exemplifica Bruno. Isso é um claro sinal de que a solução não cabe mais somente a eles.
As fases da criança e os medos mais comuns
Os temores de cada criança variam e podem estar associados a experiências particulares. Uma criança que cai da bicicleta e é levada para o hospital pode desenvolver medo de hospital, de bicicletas ou até de um objeto menor associado ao trauma - jalecos ou estetoscópios, por exemplo. Mas existem alguns medos comuns a cada faixa etária. Conheça-os abaixo.
- 0 aos 6 meses
As reações de medo são relacionadas a ruídos fortes ou perda de segurança.
- 7 aos 12 meses
A criança pode começar a estranhar pessoas. Também surge o medo de altura.
1 ano - Aparece o medo da separação, manifestado quando ela se distancia dos pais. Também pode aparecer o medo de se machucar.
2 anos - A criança teme ruídos fortes, como o de aspirador de pó, ambulância, trovão; continua o medo da separação dos pais; ela estranha crianças e situações desconhecidas, como ter de entrar numa sala escura (como um cinema ou teatro).
3 anos - Surge o medo do escuro; continua o medo separação dos pais; ela se assusta com máscaras ou rostos cobertos (palhaço, pessoas fantasiadas).
4 anos - A criança pode desenvolver medo de animais e de ruídos noturnos.
5 anos - Surgem os medos de "pessoas más" (ladrão, Homem do Saco).
6 anos - A fase é dos medos fantásticos: fantasma, bruxa, Bicho Papão. Também costumam aparecer o medo de dormir sozinho e da morte.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Jean Piaget

- O biólogo que pôs a aprendizagem no microscópio
O cientista suíço revolucionou o modo de encarar a educação de crianças ao mostrar que elas não pensam como os adultos e constroem o próprio aprendizado

Jean Piaget (1896-1980) foi o nome mais influente no campo da educação durante a segunda metade do século 20, a ponto de quase se tornar sinônimo de pedagogia. Não existe, entretanto, um método Piaget, como ele próprio gostava de frisar. Ele nunca atuou como pedagogo. Antes de mais nada, Piaget foi biólogo e dedicou a vida a submeter à observação científica rigorosa o processo de aquisição de conhecimento pelo ser humano, particularmente a criança.
Do estudo das concepções infantis de tempo, espaço, causalidade física, movimento e velocidade, Piaget criou um campo de investigação que denominou epistemologia genética - isto é, uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança. Segundo ele, o pensamento infantil passa por quatro estágios, desde o nascimento até o início da adolescência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida.
"A grande contribuição de Piaget foi estudar o raciocínio lógico-matemático, que é fundamental na escola mas não pode ser ensinado, dependendo de uma estrutura de conhecimento da criança", diz Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.
As descobertas de Piaget tiveram grande impacto na pedagogia, mas, de certa forma, demonstraram que a transmissão de conhecimentos é uma possibilidade limitada. Por um lado, não se pode fazer uma criança aprender o que ela ainda não tem condições de absorver. Por outro, mesmo tendo essas condições, não vai se interessar a não ser por conteúdos que lhe façam falta em termos cognitivos.
Isso porque, para o cientista suíço, o conhecimento se dá por descobertas que a própria criança faz - um mecanismo que outros pensadores antes dele já haviam intuído, mas que ele submeteu à comprovação na prática. Vem de Piaget a idéia de que o aprendizado é construído pelo aluno e é sua teoria que inaugura a corrente construtivista.
Educar, para Piaget, é "provocar a atividade" - isto é, estimular a procura do conhecimento. "O professor não deve pensar no que a criança é, mas no que ela pode se tornar", diz Lino de Macedo.

Assimilação e acomodação
Com Piaget, ficou claro que as crianças não raciocinam como os adultos e apenas gradualmente se inserem nas regras, valores e símbolos da maturidade psicológica. Essa inserção se dá mediante dois mecanismos: assimilação e acomodação.
O primeiro consiste em incorporar objetos do mundo exterior a esquemas mentais preexistentes. Por exemplo: a criança que tem a idéia mental de uma ave como animal voador, com penas e asas, ao observar um avestruz vai tentar assimilá-lo a um esquema que não corresponde totalmente ao conhecido. Já a acomodação se refere a modificações dos sistemas de assimilação por influência do mundo externo. Assim, depois de aprender que um avestruz não voa, a criança vai adaptar seu conceito "geral" de ave para incluir as que não voam.

Estágios de desenvolvimento
Um conceito essencial da epistemologia genética é o egocentrismo, que explica o caráter mágico e pré-lógico do raciocínio infantil. A maturação do pensamento rumo ao domínio da lógica consiste num abandono gradual do egocentrismo. Com isso se adquire a noção de responsabilidade individual, indispensável para a autonomia moral da criança.
Segundo Piaget, há quatro estágios básicos do desenvolvimento cognitivo. O primeiro é o estágio sensório-motor, que vai até os 2 anos. Nessa fase, as crianças adquirem a capacidade de administrar seus reflexos básicos para que gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior à linguagem, no qual o bebê desenvolve a percepção de si mesmo e dos objetos a sua volta.

O estágio pré-operacional vai dos 2 aos 7 anos e se caracteriza pelo surgimento da capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos. A criança continua egocêntrica e ainda não é capaz, moralmente, de se colocar no lugar de outra pessoa.
O estágio das operações concretas, dos 7 aos 11 ou 12 anos, tem como marca a aquisição da noção de reversibilidade das ações. Surge a lógica nos processos mentais e a
habilidade de discriminar os objetos por similaridades e diferenças. A criança já pode dominar conceitos de tempo e número.
Por volta dos 12 anos começa o estágio das operações formais. Essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolescente passa a ter o domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso implica, entre outras coisas, relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Paulo freire

Paulo Freire - O mentor da educação para a consciência
O mais célebre educador brasileiro, autor da pedagogia do oprimido, defendia como objetivo da escola ensinar o aluno a "ler o mundo" para poder transformá-lo

Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os conceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.
Ao propor uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as "escolas burguesas"), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. "Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade", escreveu o educador. Ele dizia que, enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los.
Biografia
Paulo Freire nasceu em 1921 em Recife, numa família de classe média. Com o agravamento da crise econômica mundial iniciada em 1929 e a morte de seu pai, quando tinha 13 anos, Freire passou a enfrentar dificuldades econômicas. Formou-se em direito, mas não seguiu carreira, encaminhando a vida profissional para o magistério. Suas idéias pedagógicas se formaram da observação da cultura dos alunos – em particular o uso da linguagem – e do papel elitista da escola. Em 1963, em Angicos (RN), chefiou um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês. No ano seguinte, o golpe militar o surpreendeu em Brasília, onde coordenava o Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart. Freire passou 70 dias na prisão antes de se exilar. Em 1968, no Chile, escreveu seu livro mais conhecido, Pedagogia do Oprimido. Também deu aulas nos Estados Unidos e na Suíça e organizou planos de alfabetização em países africanos. Com a anistia, em 1979, voltou ao Brasil, integrando-se à vida universitária. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e, entre 1989 e 1991, foi secretário municipal de Educação de São Paulo. Freire foi casado duas vezes e teve cinco filhos. Foi nomeado doutor honoris causa de 28 universidades em vários países e teve obras traduzidas em mais de 20 idiomas. Morreu em 1997, de enfarte.
Aprendizado conjunto
Freire criticava a idéia de que ensinar é transmitir saber porque para ele a missão do professor era possibilitar a criação ou a produção de conhecimentos. Mas ele não comungava da concepção de que o aluno precisa apenas de que lhe sejam facilitadas as condições para o auto-aprendizado. Freire previa para o professor um papel diretivo e informativo – portanto, ele não pode renunciar a exercer autoridade. Segundo o pensador pernambucano, o profissional de educação deve levar os alunos a conhecer conteúdos, mas não como verdade absoluta. Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. "Os homens se educam entre si mediados pelo mundo", escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Em sala de aula, os dois lados aprenderão juntos, um com o outro – e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar. "Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo", diz José Eustáquio Romão, diretor do Instituto Paulo Freire, em São Paulo.
Tempos de mobilização e conflito

Aula em Angicos, em 1963: 300 pessoas
alfabetizadas pelo método Paulo Freire em
um mês. Foto: acervo fotográfico dos arquivos
Paulo Freire do Instituto Paulo Freire
O ambiente político-cultural em que Paulo Freire elaborou suas idéias e começou a experimentá-las na prática foi o mesmo que formou outros intelectuais de primeira linha, como o economista Celso Furtado e o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997). Todos eles despertaram intelectualmente para o Brasil no período iniciado pela revolução de 1930 e terminado com o golpe militar de 1964. A primeira data marca a retirada de cena da oligarquia cafeeira e a segunda, uma reação de força às contradições criadas por conflitos de interesses entre grandes grupos da sociedade. Durante esse intervalo de três décadas ocorreu uma mobilização inédita dos chamados setores populares, com o apoio engajado da maior parte da intelectualidade brasileira. Especialmente importante nesse processo foi a ação de grupos da Igreja Católica, uma inspiração que já marcara Freire desde casa (por influência da mãe). O Plano Nacional de Alfabetização do governo João Goulart, assumido pelo educador, se inseria no projeto populista do presidente e encontrava no Nordeste – onde metade da população de 30 milhões era analfabeta – um cenário de organização social crescente, exemplificado pela atuação das Ligas Camponesas em favor da reforma agrária. No exílio e, depois, de volta ao Brasil, Freire faria uma reflexão crítica sobre o período, tentando incorporá-la a sua teoria pedagógica.
A valorização da cultura do aluno é a chave para o processo de conscientização preconizado por Paulo Freire e está no âmago de seu método de alfabetização, formulado inicialmente para o ensino de adultos. Basicamente, o método propõe a identificação e catalogação das palavras-chave do vocabulário dos alunos – as chamadas palavras geradoras. Elas devem sugerir situações de vida comuns e significativas para os integrantes da comunidade em que se atua, como por exemplo "tijolo" para os operários da construção civil.
Diante dos alunos, o professor mostrará lado a lado a palavra e a representação visual do objeto que ela designa. Os mecanismos de linguagem serão estudados depois do desdobramento em sílabas das palavras geradoras. O conjunto das palavras geradoras deve conter as diferentes possibilidades silábicas e permitir o estudo de todas as situações que possam ocorrer durante a leitura e a escrita. "Isso faz com que a pessoa incorpore as estruturas lingüísticas do idioma materno", diz Romão. Embora a técnica de silabação seja hoje vista como ultrapassada, o uso de palavras geradoras continua sendo adotado com sucesso em programas de alfabetização em diversos países do mundo.
Seres inacabados
O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a "ler o mundo", na expressão famosa do educador. "Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)", dizia Freire. A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de "cultura do silêncio" e transformar a realidade, "como sujeitos da própria história".
Três etapas rumo à conscientização
Embora o trabalho de alfabetização de adultos desenvolvido por Paulo Freire tenha passado para a história como um "método", a palavra não é a mais adequada para definir o trabalho do educador, cuja obra se caracteriza mais por uma reflexão sobre o significado da educação. "Toda a obra de Paulo Freire é uma concepção de educação embutida numa concepção de mundo", diz José Eustáquio Romão. Mesmo assim, distinguem-se na teoria do educador pernambucano três momentos claros de aprendizagem. O primeiro é aquele em que o educador se inteira daquilo que o aluno conhece, não apenas para poder avançar no ensino de conteúdos mas principalmente para trazer a cultura do educando para dentro da sala de aula. O segundo momento é o de exploração das questões relativas aos temas em discussão – o que permite que o aluno construa o caminho do senso comum para uma visão crítica da realidade. Finalmente, volta-se do abstrato para o concreto, na chamada etapa de problematização: o conteúdo em questão apresenta-se "dissecado", o que deve sugerir ações para superar impasses. Para Paulo Freire, esse procedimento serve ao objetivo final do ensino, que é a conscientização do aluno.
No conjunto do pensamento de Paulo Freire encontra-se a idéia de que tudo está em permanente transformação e interação. Por isso, não há futuro a priori, como ele gostava de repetir no fim da vida, como crítica aos intelectuais de esquerda que consideravam a emancipação das classes desfavorecidas como uma inevitabilidade histórica. Esse ponto de vista implica a concepção do ser humano como "histórico e inacabado" e conseqüentemente sempre pronto a aprender. No caso particular dos professores, isso se reflete na necessidade de formação rigorosa e permanente. Freire dizia, numa frase famosa, que "o mundo não é, o mundo está sendo".
Para pensar
Um conceito a que Paulo Freire deu a máxima importância, e que nem sempre é abordado pelos teóricos, é o de coerência. Para ele, não é possível adotar diretrizes pedagógicas de modo conseqüente sem que elas orientem a prática, até em seus aspectos mais corriqueiros. "As qualidades e virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e fazemos", escreveu o educador. "Como, na verdade, posso eu continuar falando no respeito à dignidade do educando se o ironizo, se o discrimino, se o inibo com minha arrogância?" Você, professor, tem a preocupação de agir na escola de acordo com os princípios em que acredita? E costuma analisar as próprias atitudes sob esse ponto de vista?

quarta-feira, 10 de março de 2010

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DA GAROTA DESCOLADA

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DA GAROTA DESCOLADA

FICHA TÉCNICA
Autor: Nancy Rue
ISBN: 978-85-7325-601-7
Páginas: 144
Tamanho: 14x21
Categoria: Infanto-juvenil
Código: 10707
Capa: Julio Carvalho
Encadernação: Brochura com orelhas
Preço: R$ 19,90

LANÇAMENTO
Março/ 2010


PÚBLICO-ALVO
Garotas adolescentes e pré-adolescentes, pais, educadores, líderes .


MENSAGEM PRINCIPAL

A transição da infância para a vida adulta passa pela complicada fase da adolescência. É quando o corpo da menina começa a mudar e inúmeras dúvidas surgem em sua mente.

Durante a pré-adolescência e a adolescência as meninas se sentem sozinhas e acreditam que ninguém entende seus questionamentos. Conversar com os pais é difícil e as amigas têm as mesmas perguntas sem explicação. No Manual de sobrevivência da garota descolada ela encontra as respostas de que precisa.

POR QUE LER

O Manual de sobrevivência da garota descolada trata dos assuntos que mais confundem as garotas quando o corpo começa a passar por mudanças importantes. Questões como menstruação, crescimento de seios, o papel dos hormônios e os cuidados com a alimentação estão entre os temas tratados pela autora.

O livro contem ilustrações que tornam ainda mais fácil a compreensão e é todo impresso em lilás e rosa! Uma ferramenta importante para que a garota de fé se transforme na mulher que Deus planejou.

SOBRE O AUTOR
Nancy Rue é mestre em pedagogia e também na língua inglesa, atuou como professora de inglês e teatro. Ao longo de sua carreira, escreveu mais de 100 livros para adolescentes e adultos, muitos dos quais se tornaram best-sellers. Nancy viaja pelos Estados Unidos ministrando em diversas escolas, igrejas e grupos de adolescentes e mães. Ela e o esposo, Jim, moram no Tenessee e têm uma filha.

terça-feira, 9 de março de 2010

Concurso Público: Garantia de Estabilidade

Concurso Público: Garantia de Estabilidade - Klésia Pimentel de Araújo
11/02/2010

Por: Klésia Pimentel de Araújo

É no ápice de um realismo prazeroso que o século XXI, ou do conhecimento, avança sob o signo da tecnologia da informação.

Vivemos em meio a uma crescente onda de concursos públicos, o Governo Federal já aprovou no Orçamento Geral da União a abertura de novos exames somente para este ano de 2010, 76(setenta e seis mil vagas). Há uma corrida a procura pelos cursinhos preparatórios, (o que antes acontecia com os pré-vestibulares), professores de “ponta”, mensalidade em média de R$700,00 a R$1.000,00(setecentos a hum mil reais), inviável para o cidadão que está desempregado ou recebe apenas o salário mínimo.

E não se questiona cargos, salários, nº de vagas... pela “lei” da oferta e procura (sem polemizar os para a área da educação, com salários incompatíveis para as aptidões desejáveis e sobretudo, para um país que ainda há muito o que investir nesta área)

Hoje há a busca pela estabilidade profissional, já que está cada vez mais difícil definir a profissão do futuro, um futuro cada vez mais incerto mesmo diante da “estabilidade’ da economia global.

Esse contexto nos faz refletir sobre a década de 80(oitenta), em que todos sonhavam ter(ser) a “bola da vez”, como por exemplo: funcionário público, de preferência do B.B, quantas mães não queriam que suas filhas casassem com um BANCÁRIO, nem precisava ser gerente, caixa já bastava!, profissionais com salários de luxo. Na nossa cidade eles tinham até rua, com casas exclusivas para seu apartheid social.

Diante de uma comparação esdrúxula, o caminho a ser percorrido pelo candidato desde a preparação (psicológica e de conhecimento), a hora da prova, as etapas de cada fase, divulgação do resultado e espera pela efetivação...é como uma via sacra. E como a esperança é a única que morre, a comemoração do candidato aprovado não é mais diante do resultado dos classificados em que tomado de emoção e ansiedade vê seu nome estampado em jornais e D.O, e sim no dia de sua efetivação para vacância ao cargo por ele pleiteado.

O pior da violência simbólica é o poder que tem de causar no indivíduo a sensação de impotência diante dos desafios diários, como se culpar diante de um emprego que nao consegue, um cargo que nao assume, um sonho que nao realiza...

O lado bom é dos concursos é que se vem afunilando as antigas indicações partidárias, dando vez aqueles que por caráter meritocrático fazem jus à nomeação.

FONTE: SITE INDEPENDENCIANO

FASE DO XIXI

Fase do xixi na cama tem idade certa para acabar
Se o problema persiste após os sete anos, é preciso identificar as causas

Ops! A criança fez xixi na cama de novo. Para quem tem filhos pequenos, trocar os lençóis molhados, colocar o colchão no sol e ficar atento aos passos do pequeno são atitudes que fazem parte da rotina durante o período de adaptação entre o adeus as fraudas e o uso do banheiro.
O problema é que muitas crianças quando já estão grandinhas sofrem com a enurese noturna, mais popularmente conhecida como "xixi na cama". Às vezes, o problema é tão marcante, que a criança chega aos 10 ou 11 anos com o problema. "A criança não sabe dizer o que sente, por isso, seu corpo fala por ela. No caso das crianças que permanecem com o problema após os cinco anos, é preciso investigar se as causas são emocionais ou físicas", explica a psicóloga Marina Vasconcellos.

A vasopressina, também conhecida como argipressina ou hormônio antidiurético é responsável pelo controle da vontade de urinar. Em algumas crianças, os níveis deste hormônio, que deveriam aumentar, diminuem, e ela não consegue segurar o xixi. "Isso também pode estar associado a outros problemas físicos e emocionais, por isso, é importante averiguar as verdadeiras causas do problema", explica o pediatra do Hospital Albert Einstein, Jorge Huberman. A dona de casa Maria José, 42 anos, lembra bem dos tempos em que sua filha, Clara, hoje com 26 anos, fazia xixi na cama, acordava, virava o colchão e voltava a dormir. "Ela já tinha uns 10 anos e continuava com o problema. Um dia procuramos ajuda psicológica e descobrimos que ela tinha medo da coleguinha que faleceu e, por isso, não conseguia parar", diz Maria.
Xixi na cama tem idade certa . É normal que a criança faça xixi na cama até os cinco anos de idade, afinal, ela ainda não tem a capacidade de controlar a urina durante à noite. Porém, quando a situação continua a acontecer após esta idade, a melhor coisa a fazer é identificar as causas do problema. "Podem ser diversos fatores.
Primeiro, é preciso investigar se há alguma causa física, como incontinência urinária, problemas na bexiga ou outros, e então, partir para as possíveis motivações psicológicas", continua Marina. De acordo com o pediatra Jorge Huberman, a idade do "xixi na cama" pode variar entre 5 e7 anos, dependendo da frequência com que a criança urina na cama. "Às vezes, a criança tem entre 6 e 7 anos e um dia ou outro solta um pouco de urina no colchão. Isso não significa que ela tenha o problema, ela apenas passou por um processo que é natural em qualquer ser humano", continua o pediatra. Pode ser sinal de que alguma coisa no organismo vai mal
Segundo o pediatra Jorge Huberman, deve-se levar em consideração os seguintes fatores:
- Hereditariedade: o fator hereditário é um dado importante, pois crianças com um dos pais enuréticos (que tiveram esse problema na infância) têm 40% de chance de serem enuréticas. "Se ambos forem enuréticos, as chances aumentam para 77%. A torneirinha aberta de noite também está relacionada a fatores emocionais ligados ao estresse, tais como mudança de lar, separação dos pais, nascimento de irmão, entre outros", explica o pediatra.

- Perda involuntária de urina durante o dia. "Os pais devem ficar atentos e perceber se o filho solta a urina involuntariamente e se sente dor ou se há sangramento na hora de urinar durante o dia. Isso pode ser um indicativo de que a criança tem ou terá enurese noturna ou alguma disfunção no organismo que desencadeia o xixi na cama", explica Jorge. "A criança não faz isso por maldade ou birra. É um problema que pode estar associado a um quadro clínico mais grave, como uma infecção urinária", continua o pediatra.

-Disfunções na bexiga. "Quando a bexiga não suporta a quantidade de líquido ingerida, a tendência é fazer xixi fora de hora?, explica o médico. ?Um dos tratamentos sugeridos para enurese noturna é exatamente o uso de um hormônio chamado oxibutinina, que relaxa a bexiga aumentando seu tamanho", continua.
-Problemas neurológicos. "Nestes casos mais sérios, só uma visita ao médico poderá dimensionar o problema", alerta.
É preciso investigar se as causas são emocionais ou físicas. E se for o lado emocional? Marina Vasconcellos explica que o fato da criança fazer xixi na cama pode sinalizar algumas situações pelas quais ela está passando. "Ela pode estar se sentindo amedrontada, triste ou até rejeitada. É bom conversar para saber", explica a psicóloga.

Algumas das razões emocionais para o problema, segundo ela, são:
-Pressão na escola ou pela rotina estressante para a idade. Os adultos muitas vezes não percebem que a rotina imposta por eles às crianças é estressante e vai muito além do que os pequenos podem suportar, com isso, as crianças reagem de diversas formas e uma delas é fazer xixi na cama.
-Medo de algo. Nesta fase, é mais do que normal as crianças ficarem impressionadas com histórias ou ações dos coleguinhas. Tudo ganha uma dimensão maior do que realmente tem. Por isso, é bom conversar na escola e ver o que é está acontecendo. Um acompanhamento com o terapeuta pode ajudar.
-Tristeza pela separação dos pais. É a causa mais comum. Os pais, muitas vezes, deixam transparecer os problemas conjugais e a criança se sente culpada ou dividida, daí o xixi para chamar a atenção ou como forma de extravasar a angustia.
- Chegada do irmãozinho. Neste caso, é natural que a criança regrida para chamar a atenção dos pais, mas o quadro não pode demorar a passar, senão deixa de ser natural para ser um problema.
Sem constrangimentos. O certo é evitar que o problema se transfira para a vida social da criança. Deixar o pequeno exposto às gozações de adultos e crianças é um erro. "Caso ela queira ir dormir na casa de algum coleguinha, explique aos pais dele para evitar constrangimentos", sugere Marina.
Bexiga sob controle. Marina Vasconcellos explica que é possível tomar alguns cuidados para evitar ou ao menos amenizar o problema:
- Não tomar líquidos pelo menos duas horas antes de dormir
- Evitar chocolate e café à noite, pois, eles estimulam a contração da bexiga, segundo o pediatra Jorge Huberman.
-Elogiar quando a criança consegue ficar uma noite sem fazer xixi. "Os estímulos ajudam a reforçar na criança o desejo de parar e, embora não seja algo premeditado, ela consegue se condicionar a segurar a urina", diz Marina. "Repreender a criança como se ela fizesse de propósito só faz com que ela se sinta ainda mais culpada, agravando a situação", continua.
-Ludoterapia: a modalidade de terapia é bem recomendada e tem mostrado grandes efeitos. "A criança brinca com o terapeuta e durante a brincadeira, que é planejada e analisada pelo profissional, conta seus traumas e receios. Os desenhos também podem revelar as causas do problema", explica a psicóloga.
-Uso de medicamentos que interferem no funcionamento da bexiga e do aparelho urinário, caso seja necessário. "Existem tratamentos à base de hormônios que ajudam a regular a bexiga, como é o caso do oxibutinina e do desmopressina, que alteram o tamanho da bexiga", finaliza o pediatra.

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES

De: KLEUMA PIMENTEL Data: 08/03/2010
Mensagem: PARABÉNS MULHERES!
Ser mulher é viver mil vezes em apenas uma vida;
É acreditar quando ninguém mais acredita;
É chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza;
É ser forte e frágil ao mesmo tempo;
É distribuir emoções que nem sempre são captadas;
É desbravar caminhos difíceis e fincar a bandeira da conquista;
É lutar sem armas e ser chamada de guerreira. Ser mulher é ser especial.
Parabéns em especial as mulheres da família Pimentel e Almeida.
FONTE: SITE INDEPENDENCIANO

O Diploma e Conhecimento

O Diploma e o Conhecimento

Conhecimento e diploma não são sinônimos, sequer têm correlação positiva, mas para os brasileiros o diploma vem sempre em primeiro lugar, o conhecimento pode vir depois. Pode-se afirmar sem medo de errar que este é um dos principais traços de nossa cultura que condenam a educação nacional ao fracasso, tão bem retratados e mostrados pelos diversos sistemas de avaliação e testes internacionais de desempenho. Nós amamos, profundamente, os diplomas. Não temos o mesmo sentimento para o conhecimento, para o saber. Não são poucos os que confundem diplomas com conhecimento. E pior, valorizam mais os diplomas e títulos. Há um verdadeiro abismo, no Brasil, entre se ter um diploma e ter tido as chances reais de desenvolver habilidades, competências e perícias para o exercício de uma vida produtiva e próspera.

O amor ao diploma e a rejeição ao conhecimento estão na base do entendimento e do comportamento do brasileiro. O mérito é valorizado somente em seus aspectos formais, a questão é possuir um diploma ou não. Para avançar, é preciso reiterar o esforço, os métodos, a disciplina necessária para aprender.

O Brasileiro acha que é possível aprender sem estudar. Isso está em nossas raízes, em nosso comportamento frente ao conhecimento e aos diplomados. Idolatramos o diploma, detestamos o conhecimento e fugimos do esforço e da responsabilidade por resultados educacionais. Essa mentalidade é de todos, pobres, remediados ou ricos. Por incrível que possa parecer, os pais de estudantes da rede pública de ensino fundamental aprovam o ensino ministrado aos seus filhos e, ainda, tascam um oito como nota para a qualidade das escolas públicas, segundo pesquisa do INEP, de 2005.

Em outros termos, os pobres, em particular, percebem a importância da educação, mas não tem condições de avaliar o que os seus filhos estão aprendendo, pois eles mesmos não têm escolaridade para tanto. Não há pressão social suficiente por mais qualidade na educação. Essa pressão é, ainda, embrionária em todos os setores da sociedade. Na pesquisa do INEP, os pais deixam absolutamente claro que o maior critério para a escolha da escola em relação á residência.

Definitivamente, devemos superar a ideia de diplomar sem educar. Lutar contra esse comportamento e valorizar quem sabe e o saber, pois, do contrário, o sistema educacional pode desmoronar como um castelo feito de cartas.

Carlos Henrique Araújo – Sociólogo e consultor para políticas de Educação Revista Fale! Março de 2009 - Nº 58.
MATÉRIA PUBLICADA NO INFORMATIVO ANGU CULTURAL - ONG HISTÓRIA VIVA - FEVEREIRO DE 2010

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