Professores dão dicas de como o estudante tem de se preparar para a prova, que será realizada em novembro
O Ministério da Educação abre as inscrições para a prova de 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta segunda-feira. Podem se inscrever alunos da última série ou candidatos que já concluíram o ensino médio.
As inscrições vão até 9 de julho e devem ser feitas exclusivamente pela internet. A prova será aplicada em 6 e 7 de novembro e terá 180 questões de múltipla escolha de ciências da natureza, ciências humanas, matemática, linguagens, códigos e suas tecnologias, além de uma redação.
Prepare-se:
A prova, que antes tinha o objetivo de avaliar a qualidade do estudo nesta fase, passou a ser, desde o último ano, classificatória para universidades de todo o País. No início de 2010, 23 universidades federais, 26 institutos federais e duas estaduais ofereceram mais de 47,9 mil vagas utilizando apenas a nota do exame. No meio do ano, com a mesma nota da prova do ano passado, os candidatos puderam concorrer ainda a mais 16 mil vagas em 15 universidades federais, duas estaduais, 17 institutos federais e um centro federal de educação tecnológica (Cefet). O exame também é pré-requisito para o estudante conseguir uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) em instituições particulares e a certificação para o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de oferecer pontos extras em vestibulares como o da Fuvest e Unicamp.
Leia a seguir um guia de estudos para o Enem.
Conheça a prova
O primeiro passo é conhecer o formato do exame. Desde 2009, a prova passou a ter 180 questões mais a redação. “O ideal é pegar a prova do ano passado e praticar, respondê-la inteira”, recomenda o professor Edilson Aparecido Chaves, coordenador do curso preparatório para o exame do cursinho Uninter. (Clique para ver as questões e os gabaritos: prova 1, prova 2, gabarito 1 azul, gabarito 2 azul). Fazendo uma análise geral da prova do último ano, pode-se apontar as seguintes características:
Contexto - Elaborado para testar as habilidades de construção do conhecimento, o Enem - até o ano passado - não costumava exigir que o candidato soubesse fórmulas ou datas de cor. As questões eram baseadas na lógica e os mesmos assuntos permeavam mais de uma disciplina para testar a capacidade de intertextualização do aluno.
O formato continua este, mas a prova do ano passado passou a exigir cada vez mais o conhecimento dos conteúdos para a solução de questões. “Apesar de ser uma prova de raciocínio, no ano passado algumas questões exigiram que o candidato soubesse os conceitos de transformação de unidades”, exemplifica o professor de Física do Cursinho do XI, Márcio Haga.
O diretor editorial do Sistema COC de Ensino, Miguel Castro, ressalta que o conteúdo do dia-a-dia continua tento grande peso na hora de fazer a prova. “Apesar de não exigir que o aluno saiba a data de nascimento e de morte de um autor nem que memorize fórmulas, passou a exigir que ele conheça o conceito”.
Referências - O exame utiliza textos para servir de referência para as questões. Mesmo as perguntas da área de exatas seguem esta característica. “O candidato tem de ler com muita paciência, prestar atenção na pontuação do texto para não se confundir e acabar errando uma questão por desatenção”, recomenda Vivian D’Angelo Carrera, professora de Linguagens e Técnicas de Redação do Cursinho do XI. Além da leitura dos enunciados, o estudante deve se concentrar na interpretação de gráficos e inforgráficos. “Os gráficos sintetizam referências que muitas vezes não estão no enunciado da questão. O candidato tem de levar todas as informações em consideração”, recomenda Miguel Castro.
Como estudar
Conhecendo bem a prova, o candidato deve se concentrar no conteúdo exigido. Para o professor do cursinho Uninter, uma boa pesquisa na matriz de referência curricular servirá para o candidato como base para conduzir seus estudos. “Essa é uma boa orientação para quem vai estudar sozinho. Consultando a matriz, o estudante consegue ter uma noção do caminho a seguir.”
Miguel Castro alerta para a necessidade de o aluno estar consciente do que acontece no mundo. “Vai se destacar quem lê jornal, revistas, vai ao cinema, informa-se pela internet, quem efetivamente consegue fazer uma leitura da realidade à sua volta.” A visão clara do mundo servirá ao vestibulando até mesmo para desenvolver a redação. Segundo a professora Vivian D’Angelo Carrera, os temas das redações do Enem costumam girar em torno de problemáticas sociais, as quais o estudante consegue acompanhar pelo noticiário. Outro ponto bastante importante na execução da prova é com relação ao tempo que o estudante leva para responder às questões. Para a redação, o aluno deve reservar cerca de 50 minutos. "Não tem necessidade de usar mais tempo que isso. Para agilizar, o ideal é ir fazendo um roteiro com as ideias que forem surgindo com a leitura da proposta, ir marcando o que se destaca como tema e já partir para o texto", recomenda Vivian. Cada questão não deve tomar mais do que 3 minutos.
Márcio Haga sugere que o aluno não perca muito tempo em questões que não domina. “Se está tendo dificuldade para responder, pule para a próxima. Mas, quando voltar, o estudante não deve retomar do ponto em que parou, tem de começar a ler desde o início, para não correr o risco de se confundir.”
Vivian sugere ainda que o candidato faça a leitura das questões sublinhando, riscando palavras-chaves, fazendo anotações para entender melhor o enunciado”. Haga recomenda também que o aluno faça uma pausa a cada 10 questões respondidas. “O aluno pode sair da sala, ir ao banheiro, lavar o rosto. Já foi comprovado que o desempenho melhora se você dá uma pausa de tempos em tempos durante uma prova.” Veja também dicas de exercício físico para o dia e a véspera da prova
O que estudar
Analisando a linha adotada pelo Ministério da Educação (MEC) para formular as provas do Enem nos últimos anos, os professores consultados conseguiram formular uma lista para seguir de guia para seus estudos. Veja as dicas:
Exatas - Para o professor de Física do Cursinho do XI, as fórmulas que os candidatos devem dominar são aquelas relacionadas ao dia-a-dia. “É bem possível que caiam questões ligadas à energia. Questões de energias alternativas, termologia, calorimetria, tudo isso esteve no noticiário neste ano”, aposta Márcio Haga.
Os candidatos também devem encontrar questões de:
- Transformações de unidades - Porcentagem – Probabilidade - Estatísticas - Volumes de figuras - Regra de 3
Biológicas – Haga, baseado nas provas anteriores, acredita que o meio ambiente continuará na berlinda na prova deste ano. O vazamento de petróleo no mar do Golfo do México deve estar entre os tópicos do exame em 2010.
Além disso, questões que envolvam doenças, como elas são transmitidas e como evitá-las também são características do exame. A epidemia de dengue registrada neste ano deve estar entre elas, segundo o professor de Física.
Humanas – Questões da área de Humanas costumam girar em torno de direitos humanos, do menor, do idoso, além de todas as questões sociais que permeiam os noticiários. Levando em conta os fatos ocorridos e previstos para este ano, os professores destacam:
- 20 anos de libertação de Nelson Mandela e questões sociais na África do Sul - Terremotos e suas conseqüências - Eleições
Carolina Rocha, iG São Paulo | 20/06/2010 08:05 - Atualizada às 10:30
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Enem abre inscrições nesta segunda. Saiba como se preparar
Professores dão dicas de como o estudante tem de se preparar para a prova, que será realizada em novembro
O Ministério da Educação abre as inscrições para a prova de 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta segunda-feira. Podem se inscrever alunos da última série ou candidatos que já concluíram o ensino médio.
As inscrições vão até 9 de julho e devem ser feitas exclusivamente pela internet. A prova será aplicada em 6 e 7 de novembro e terá 180 questões de múltipla escolha de ciências da natureza, ciências humanas, matemática, linguagens, códigos e suas tecnologias, além de uma redação.
Prepare-se:
A prova, que antes tinha o objetivo de avaliar a qualidade do estudo nesta fase, passou a ser, desde o último ano, classificatória para universidades de todo o País. No início de 2010, 23 universidades federais, 26 institutos federais e duas estaduais ofereceram mais de 47,9 mil vagas utilizando apenas a nota do exame. No meio do ano, com a mesma nota da prova do ano passado, os candidatos puderam concorrer ainda a mais 16 mil vagas em 15 universidades federais, duas estaduais, 17 institutos federais e um centro federal de educação tecnológica (Cefet). O exame também é pré-requisito para o estudante conseguir uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) em instituições particulares e a certificação para o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de oferecer pontos extras em vestibulares como o da Fuvest e Unicamp.
Leia a seguir um guia de estudos para o Enem.
Conheça a prova
O primeiro passo é conhecer o formato do exame. Desde 2009, a prova passou a ter 180 questões mais a redação. “O ideal é pegar a prova do ano passado e praticar, respondê-la inteira”, recomenda o professor Edilson Aparecido Chaves, coordenador do curso preparatório para o exame do cursinho Uninter. (Clique para ver as questões e os gabaritos: prova 1, prova 2, gabarito 1 azul, gabarito 2 azul). Fazendo uma análise geral da prova do último ano, pode-se apontar as seguintes características:
Contexto - Elaborado para testar as habilidades de construção do conhecimento, o Enem - até o ano passado - não costumava exigir que o candidato soubesse fórmulas ou datas de cor. As questões eram baseadas na lógica e os mesmos assuntos permeavam mais de uma disciplina para testar a capacidade de intertextualização do aluno.
O formato continua este, mas a prova do ano passado passou a exigir cada vez mais o conhecimento dos conteúdos para a solução de questões. “Apesar de ser uma prova de raciocínio, no ano passado algumas questões exigiram que o candidato soubesse os conceitos de transformação de unidades”, exemplifica o professor de Física do Cursinho do XI, Márcio Haga.
O diretor editorial do Sistema COC de Ensino, Miguel Castro, ressalta que o conteúdo do dia-a-dia continua tento grande peso na hora de fazer a prova. “Apesar de não exigir que o aluno saiba a data de nascimento e de morte de um autor nem que memorize fórmulas, passou a exigir que ele conheça o conceito”.
Referências - O exame utiliza textos para servir de referência para as questões. Mesmo as perguntas da área de exatas seguem esta característica. “O candidato tem de ler com muita paciência, prestar atenção na pontuação do texto para não se confundir e acabar errando uma questão por desatenção”, recomenda Vivian D’Angelo Carrera, professora de Linguagens e Técnicas de Redação do Cursinho do XI. Além da leitura dos enunciados, o estudante deve se concentrar na interpretação de gráficos e inforgráficos. “Os gráficos sintetizam referências que muitas vezes não estão no enunciado da questão. O candidato tem de levar todas as informações em consideração”, recomenda Miguel Castro.
Como estudar
Conhecendo bem a prova, o candidato deve se concentrar no conteúdo exigido. Para o professor do cursinho Uninter, uma boa pesquisa na matriz de referência curricular servirá para o candidato como base para conduzir seus estudos. “Essa é uma boa orientação para quem vai estudar sozinho. Consultando a matriz, o estudante consegue ter uma noção do caminho a seguir.”
Miguel Castro alerta para a necessidade de o aluno estar consciente do que acontece no mundo. “Vai se destacar quem lê jornal, revistas, vai ao cinema, informa-se pela internet, quem efetivamente consegue fazer uma leitura da realidade à sua volta.” A visão clara do mundo servirá ao vestibulando até mesmo para desenvolver a redação. Segundo a professora Vivian D’Angelo Carrera, os temas das redações do Enem costumam girar em torno de problemáticas sociais, as quais o estudante consegue acompanhar pelo noticiário. Outro ponto bastante importante na execução da prova é com relação ao tempo que o estudante leva para responder às questões. Para a redação, o aluno deve reservar cerca de 50 minutos. "Não tem necessidade de usar mais tempo que isso. Para agilizar, o ideal é ir fazendo um roteiro com as ideias que forem surgindo com a leitura da proposta, ir marcando o que se destaca como tema e já partir para o texto", recomenda Vivian. Cada questão não deve tomar mais do que 3 minutos.
Márcio Haga sugere que o aluno não perca muito tempo em questões que não domina. “Se está tendo dificuldade para responder, pule para a próxima. Mas, quando voltar, o estudante não deve retomar do ponto em que parou, tem de começar a ler desde o início, para não correr o risco de se confundir.”
Vivian sugere ainda que o candidato faça a leitura das questões sublinhando, riscando palavras-chaves, fazendo anotações para entender melhor o enunciado”. Haga recomenda também que o aluno faça uma pausa a cada 10 questões respondidas. “O aluno pode sair da sala, ir ao banheiro, lavar o rosto. Já foi comprovado que o desempenho melhora se você dá uma pausa de tempos em tempos durante uma prova.” Veja também dicas de exercício físico para o dia e a véspera da prova
O que estudar
Analisando a linha adotada pelo Ministério da Educação (MEC) para formular as provas do Enem nos últimos anos, os professores consultados conseguiram formular uma lista para seguir de guia para seus estudos. Veja as dicas:
Exatas - Para o professor de Física do Cursinho do XI, as fórmulas que os candidatos devem dominar são aquelas relacionadas ao dia-a-dia. “É bem possível que caiam questões ligadas à energia. Questões de energias alternativas, termologia, calorimetria, tudo isso esteve no noticiário neste ano”, aposta Márcio Haga.
Os candidatos também devem encontrar questões de:
- Transformações de unidades - Porcentagem – Probabilidade - Estatísticas - Volumes de figuras - Regra de 3
Biológicas – Haga, baseado nas provas anteriores, acredita que o meio ambiente continuará na berlinda na prova deste ano. O vazamento de petróleo no mar do Golfo do México deve estar entre os tópicos do exame em 2010.
Além disso, questões que envolvam doenças, como elas são transmitidas e como evitá-las também são características do exame. A epidemia de dengue registrada neste ano deve estar entre elas, segundo o professor de Física.
Humanas – Questões da área de Humanas costumam girar em torno de direitos humanos, do menor, do idoso, além de todas as questões sociais que permeiam os noticiários. Levando em conta os fatos ocorridos e previstos para este ano, os professores destacam:
- 20 anos de libertação de Nelson Mandela e questões sociais na África do Sul - Terremotos e suas conseqüências - Eleições
Carolina Rocha, iG São Paulo | 20/06/2010 08:05 - Atualizada às 10:30
O Ministério da Educação abre as inscrições para a prova de 2010 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta segunda-feira. Podem se inscrever alunos da última série ou candidatos que já concluíram o ensino médio.
As inscrições vão até 9 de julho e devem ser feitas exclusivamente pela internet. A prova será aplicada em 6 e 7 de novembro e terá 180 questões de múltipla escolha de ciências da natureza, ciências humanas, matemática, linguagens, códigos e suas tecnologias, além de uma redação.
Prepare-se:
A prova, que antes tinha o objetivo de avaliar a qualidade do estudo nesta fase, passou a ser, desde o último ano, classificatória para universidades de todo o País. No início de 2010, 23 universidades federais, 26 institutos federais e duas estaduais ofereceram mais de 47,9 mil vagas utilizando apenas a nota do exame. No meio do ano, com a mesma nota da prova do ano passado, os candidatos puderam concorrer ainda a mais 16 mil vagas em 15 universidades federais, duas estaduais, 17 institutos federais e um centro federal de educação tecnológica (Cefet). O exame também é pré-requisito para o estudante conseguir uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) em instituições particulares e a certificação para o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA), além de oferecer pontos extras em vestibulares como o da Fuvest e Unicamp.
Leia a seguir um guia de estudos para o Enem.
Conheça a prova
O primeiro passo é conhecer o formato do exame. Desde 2009, a prova passou a ter 180 questões mais a redação. “O ideal é pegar a prova do ano passado e praticar, respondê-la inteira”, recomenda o professor Edilson Aparecido Chaves, coordenador do curso preparatório para o exame do cursinho Uninter. (Clique para ver as questões e os gabaritos: prova 1, prova 2, gabarito 1 azul, gabarito 2 azul). Fazendo uma análise geral da prova do último ano, pode-se apontar as seguintes características:
Contexto - Elaborado para testar as habilidades de construção do conhecimento, o Enem - até o ano passado - não costumava exigir que o candidato soubesse fórmulas ou datas de cor. As questões eram baseadas na lógica e os mesmos assuntos permeavam mais de uma disciplina para testar a capacidade de intertextualização do aluno.
O formato continua este, mas a prova do ano passado passou a exigir cada vez mais o conhecimento dos conteúdos para a solução de questões. “Apesar de ser uma prova de raciocínio, no ano passado algumas questões exigiram que o candidato soubesse os conceitos de transformação de unidades”, exemplifica o professor de Física do Cursinho do XI, Márcio Haga.
O diretor editorial do Sistema COC de Ensino, Miguel Castro, ressalta que o conteúdo do dia-a-dia continua tento grande peso na hora de fazer a prova. “Apesar de não exigir que o aluno saiba a data de nascimento e de morte de um autor nem que memorize fórmulas, passou a exigir que ele conheça o conceito”.
Referências - O exame utiliza textos para servir de referência para as questões. Mesmo as perguntas da área de exatas seguem esta característica. “O candidato tem de ler com muita paciência, prestar atenção na pontuação do texto para não se confundir e acabar errando uma questão por desatenção”, recomenda Vivian D’Angelo Carrera, professora de Linguagens e Técnicas de Redação do Cursinho do XI. Além da leitura dos enunciados, o estudante deve se concentrar na interpretação de gráficos e inforgráficos. “Os gráficos sintetizam referências que muitas vezes não estão no enunciado da questão. O candidato tem de levar todas as informações em consideração”, recomenda Miguel Castro.
Como estudar
Conhecendo bem a prova, o candidato deve se concentrar no conteúdo exigido. Para o professor do cursinho Uninter, uma boa pesquisa na matriz de referência curricular servirá para o candidato como base para conduzir seus estudos. “Essa é uma boa orientação para quem vai estudar sozinho. Consultando a matriz, o estudante consegue ter uma noção do caminho a seguir.”
Miguel Castro alerta para a necessidade de o aluno estar consciente do que acontece no mundo. “Vai se destacar quem lê jornal, revistas, vai ao cinema, informa-se pela internet, quem efetivamente consegue fazer uma leitura da realidade à sua volta.” A visão clara do mundo servirá ao vestibulando até mesmo para desenvolver a redação. Segundo a professora Vivian D’Angelo Carrera, os temas das redações do Enem costumam girar em torno de problemáticas sociais, as quais o estudante consegue acompanhar pelo noticiário. Outro ponto bastante importante na execução da prova é com relação ao tempo que o estudante leva para responder às questões. Para a redação, o aluno deve reservar cerca de 50 minutos. "Não tem necessidade de usar mais tempo que isso. Para agilizar, o ideal é ir fazendo um roteiro com as ideias que forem surgindo com a leitura da proposta, ir marcando o que se destaca como tema e já partir para o texto", recomenda Vivian. Cada questão não deve tomar mais do que 3 minutos.
Márcio Haga sugere que o aluno não perca muito tempo em questões que não domina. “Se está tendo dificuldade para responder, pule para a próxima. Mas, quando voltar, o estudante não deve retomar do ponto em que parou, tem de começar a ler desde o início, para não correr o risco de se confundir.”
Vivian sugere ainda que o candidato faça a leitura das questões sublinhando, riscando palavras-chaves, fazendo anotações para entender melhor o enunciado”. Haga recomenda também que o aluno faça uma pausa a cada 10 questões respondidas. “O aluno pode sair da sala, ir ao banheiro, lavar o rosto. Já foi comprovado que o desempenho melhora se você dá uma pausa de tempos em tempos durante uma prova.” Veja também dicas de exercício físico para o dia e a véspera da prova
O que estudar
Analisando a linha adotada pelo Ministério da Educação (MEC) para formular as provas do Enem nos últimos anos, os professores consultados conseguiram formular uma lista para seguir de guia para seus estudos. Veja as dicas:
Exatas - Para o professor de Física do Cursinho do XI, as fórmulas que os candidatos devem dominar são aquelas relacionadas ao dia-a-dia. “É bem possível que caiam questões ligadas à energia. Questões de energias alternativas, termologia, calorimetria, tudo isso esteve no noticiário neste ano”, aposta Márcio Haga.
Os candidatos também devem encontrar questões de:
- Transformações de unidades - Porcentagem – Probabilidade - Estatísticas - Volumes de figuras - Regra de 3
Biológicas – Haga, baseado nas provas anteriores, acredita que o meio ambiente continuará na berlinda na prova deste ano. O vazamento de petróleo no mar do Golfo do México deve estar entre os tópicos do exame em 2010.
Além disso, questões que envolvam doenças, como elas são transmitidas e como evitá-las também são características do exame. A epidemia de dengue registrada neste ano deve estar entre elas, segundo o professor de Física.
Humanas – Questões da área de Humanas costumam girar em torno de direitos humanos, do menor, do idoso, além de todas as questões sociais que permeiam os noticiários. Levando em conta os fatos ocorridos e previstos para este ano, os professores destacam:
- 20 anos de libertação de Nelson Mandela e questões sociais na África do Sul - Terremotos e suas conseqüências - Eleições
Carolina Rocha, iG São Paulo | 20/06/2010 08:05 - Atualizada às 10:30
Redações de vestibular ficam cada vez mais exigentes
Especialistas dão dicas para o vestibulando se dar bem em dissertação, carta ou narração.
Os vestibulandos podem até contar com a sorte em provas de múltipla escolha, mas na hora de fazer a redação não há amuleto que ajude. A produção de textos é a arma que as universidades usam em seus vestibulares para distinguir quem realmente sabe dos que contam com uma ajudinha do “cara-ou-coroa”.
Para ajudar o vestibulando na hora de se preparar, consultamos especialistas que deram dicas sobre os principais formatos pedidos nas provas. Veja as dicas:
Dissertação - é o formato utilizado há mais tempo pelos vestibulares de todo o País. É o adotado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona os candidatos para Universidade de São Paulo (um dos maiores em número de inscritos do Brasil).
A dissertação prioriza a ponto de vista do candidato, que tem que defender uma tese, discorrendo sobre o tema proposto com argumentos que vão culminar com uma conclusão. Por ser o modelo mais utilizado pelos vestibulares, é comum professores e alunos desenvolverem fórmulas para facilitar a elaboração do texto. A receita normalmente é a seguinte:
- um parágrafo para explicar a tese;
- um ou dois parágrafos para o desenvolvimento;
- um parágrafo para a conclusão.
- textos sempre em 3º pessoa
- nunca se dirigir ao leitor usando “você”
“Essa ‘receita’, entretanto, pode desandar”, diz o professor de Língua Portuguesa do Curso Anglo de Vestibulares. “Há muitas possibilidades dentro da dissertação. Se o estudante der uma olhada nas redações que a Fuvest divulgou como modelo do que é esperado pela banca, vai ver que não existe fórmula. Tem redação em 1º pessoa, textos com mais e menos de quatro parágrafos. O que prevaleceu foi a marca autoral, a maturidade na defesa dos argumentos”.
Por isso, além da preocupação com o formato, o candidato deve se empenhar em ter argumentos bem fundamentados para construir um texto interessante. “Se o candidato não souber argumentar bem, usar citações de autoridades no assunto, não apresentar causa e consequência, a dissertação fica vazia e superficial”, explica a professora de Língua Portuguesa do Cursinho da Poli, Caroline de Souza Andrade. Segundo ela, “só com bastante embasamento no assunto o vestibulando vai conseguir dar profundidade à redação”.
Dissertação argumentativa – modelo utilizado no maior vestibular do Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), segue o mesmo princípio estrutural das dissertações, mas com uma diferença importante: nela, o candidato deve convencer o leitor sobre uma posição em relação ao tema.
“O pior erro é ficar em cima do muro num tipo de redação como essa”, explica Caroline. “As provas do Enem pedem que você tenha certeza do que está argumentando e que convença o leitor de sua opinião.”
Carta - o modelo não é um dos mais adotados, mas sempre há a possibilidade de estar entre as propostas da Unicamp em uma de suas três redações obrigatórias – até o ano passado os candidatos podiam escolher entre três formatos para fazer uma única redação, e um deles era a carta.
Para desenvolver uma carta corretamente, o vestibulando precisa, antes de tudo, identificar quem é o remetente. “É muito importante traçar um perfil mental da pessoa para quem ele vai escrever o texto. Se for para uma criança, por exemplo, vai ser um tamanho de texto e uma linguagem; se for para um adulto, o texto é outro”, lembra Caroline.
Carta argumentativa - segue o mesmo diferencial da dissertação argumentativa. O autor deve se posicionar e convencer o leitor com seus argumentos.
Diferentemente das dissertações, as cartas não necessitam de título e, em seu lugar, deve-se fazer um cabeçalho, com data e local onde ela está sendo escrita. O autor não pode se esquecer também da despedida. “Pode ser apenas com as iniciais, com o nome completo ou até um pseudônimo”, diz Caroline.
A professora ressalta que esta informação, assim como quem é o destinatário da carta, estarão determinados no enunciado da redação. “Por isso é muito importante ler os textos de referência e o enunciado com muita atenção”, ressalta.
Narração - modelo clássico de texto, mas pouco exigido nos vestibulares, a narração é um grande desafio aos escritores menos criativos. “O aluno tem de exercitar bastante seu potencial imaginativo para criar uma história e normalmente os vestibulandos têm preguiça disso. A narração é boa para quem gosta de criar, de viajar num texto”, diz Caroline.
Segundo ela, para fazer uma boa narrativa, o candidato precisará determinar alguns pontos antes de começar a escrever:
- Quem será o narrador da história – normalmente vem determinado no enunciado se a história é em 1ª ou 3ª pessoa, por isso, é preciso atentar para esse detalhe.
- Quais serão as personagens – é preciso saber exatamente quem vai participar e por quê.
- Em que espaço ela acontece – a história precisa ter um lugar determinado, para que sirva de referência para os argumentos.
- Em que lugar no tempo ela se passa – não é necessário ter uma data, mas a narrativa tem como principal característica a passagem de um tempo entre uma ação e outra e o momento em que ela se passa é bastante importante para o desenrolar da trama. “Quando Manoel Antônio de Almeida usa a frase ‘Era o tempo do Rei’ em Memórias do Sargento de Milícias, ele não dá uma data, mas dá para saber que se trata da época da monarquia, que a história não se passa nos dias de hoje”, exemplifica a professora.
- Ação – é preciso saber, antes de escrever o texto, qual é a ação que vai mover a história.
- Enredo ou trama – o autor precisa determinar claramente como vai ‘amarrar’ a ação das personagens para que o desfecho tenha sentido.
Com esses elementos definidos, o aluno poderá desenvolver o texto com mais segurança e tranquilidade.
Gêneros variados – sair dos moldes escolares e buscar gêneros que tenham relevância social. Esta é tendência que os vestibulares estão adotando recentemente. “A Universidade Federal do Paraná já faz isso há alguns anos e agora a Unicamp está adotando essa política”, ressalta Lopes, professor do curso Anglo.
“Estamos procurando um aluno que consiga se colocar numa posição diferente da dele, que saiba se comunicar de forma menos escolar. O vestibular da Unicamp vai levar em conta a habilidade de escrita inserida na vida real, o que é visto na sociedade e escapar dos modelos que permitem um treinamento específico”, explica Renato Pedrosa, coordenador executivo do vestibular da Unicamp.
Por isso, no próximo vestibular, a universidade passará a adotar três redações obrigatórias, em vez de uma. “Com uma redação só nem sempre é possível avaliar a capacidade de comunicação do candidato. Às vezes ele tem a sorte de ter mais intimidade com o assunto e vai bem na redação, mas com três textos ele vai ter de mostrar se realmente sabe se expressar”, acredita o coordenador.
Em um simulado realizado em maio para que os candidatos conhecessem a prova, mostrou que as expectativas não são nada ortodoxas: os candidatos tiveram de fazer uma carta, uma entrevista e um editorial jornalístico. “Este não é um formato fixo, temos flexibilidade para aplicarmos várias propostas”.
Para se preparar para o que pode vir pela frente, o professor do curso Anglo deixa uma dica: o vestibulando deve virar um leitor crítico. “Não basta simplesmente ler, tem de pensar sobre a forma do texto, identificar a que gênero ele pertence, se ele cumpriu com a função dele”, recomenda Lopes.
“Se o texto for uma reportagem, o aluno tem de pensar se o autor conseguiu retratar todos os fatos, se a manchete era informativa, se todos os aspectos foram consultados. Se ele considerou que o editorial não condiz, mande uma carta argumentativa para o jornal, por exemplo. É um exercício para conhecer e exercitar os tipos de texto”, sugere.
Dicas gerais
Independentemente do gênero proposto, os especialistas destacam pontos que todo vestibulando deve ficar atento:
Prática – quanto mais você escreve, mais fácil fica perceber suas dificuldades. Reescreva redações, desconstrua textos jornalísticos, experimente.
Ler – não apenas para avaliar o formato do texto, mas para criar um banco de informações que serão úteis na hora de argumentar.
Atenção ao enunciado – é nele que o vestibulando vai encontrar toda informação essencial para desenvolver a redação. Se algo passar despercebido, toda redação pode ser desconsiderada.
Tema e o formato – argumentação fraca, erros de ortografia, gramática, sintaxe. Tudo isso é passível de desconto de pontos em uma redação, mas apenas duas falhas são capazes de anular a nota da redação: fuga do tema e a não obediência ao formato pedido. Por isso, muita atenção e cuidado.
Carolina Rocha, iG São Paulo | 23/06/2010 11:41
Os vestibulandos podem até contar com a sorte em provas de múltipla escolha, mas na hora de fazer a redação não há amuleto que ajude. A produção de textos é a arma que as universidades usam em seus vestibulares para distinguir quem realmente sabe dos que contam com uma ajudinha do “cara-ou-coroa”.
Para ajudar o vestibulando na hora de se preparar, consultamos especialistas que deram dicas sobre os principais formatos pedidos nas provas. Veja as dicas:
Dissertação - é o formato utilizado há mais tempo pelos vestibulares de todo o País. É o adotado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que seleciona os candidatos para Universidade de São Paulo (um dos maiores em número de inscritos do Brasil).
A dissertação prioriza a ponto de vista do candidato, que tem que defender uma tese, discorrendo sobre o tema proposto com argumentos que vão culminar com uma conclusão. Por ser o modelo mais utilizado pelos vestibulares, é comum professores e alunos desenvolverem fórmulas para facilitar a elaboração do texto. A receita normalmente é a seguinte:
- um parágrafo para explicar a tese;
- um ou dois parágrafos para o desenvolvimento;
- um parágrafo para a conclusão.
- textos sempre em 3º pessoa
- nunca se dirigir ao leitor usando “você”
“Essa ‘receita’, entretanto, pode desandar”, diz o professor de Língua Portuguesa do Curso Anglo de Vestibulares. “Há muitas possibilidades dentro da dissertação. Se o estudante der uma olhada nas redações que a Fuvest divulgou como modelo do que é esperado pela banca, vai ver que não existe fórmula. Tem redação em 1º pessoa, textos com mais e menos de quatro parágrafos. O que prevaleceu foi a marca autoral, a maturidade na defesa dos argumentos”.
Por isso, além da preocupação com o formato, o candidato deve se empenhar em ter argumentos bem fundamentados para construir um texto interessante. “Se o candidato não souber argumentar bem, usar citações de autoridades no assunto, não apresentar causa e consequência, a dissertação fica vazia e superficial”, explica a professora de Língua Portuguesa do Cursinho da Poli, Caroline de Souza Andrade. Segundo ela, “só com bastante embasamento no assunto o vestibulando vai conseguir dar profundidade à redação”.
Dissertação argumentativa – modelo utilizado no maior vestibular do Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), segue o mesmo princípio estrutural das dissertações, mas com uma diferença importante: nela, o candidato deve convencer o leitor sobre uma posição em relação ao tema.
“O pior erro é ficar em cima do muro num tipo de redação como essa”, explica Caroline. “As provas do Enem pedem que você tenha certeza do que está argumentando e que convença o leitor de sua opinião.”
Carta - o modelo não é um dos mais adotados, mas sempre há a possibilidade de estar entre as propostas da Unicamp em uma de suas três redações obrigatórias – até o ano passado os candidatos podiam escolher entre três formatos para fazer uma única redação, e um deles era a carta.
Para desenvolver uma carta corretamente, o vestibulando precisa, antes de tudo, identificar quem é o remetente. “É muito importante traçar um perfil mental da pessoa para quem ele vai escrever o texto. Se for para uma criança, por exemplo, vai ser um tamanho de texto e uma linguagem; se for para um adulto, o texto é outro”, lembra Caroline.
Carta argumentativa - segue o mesmo diferencial da dissertação argumentativa. O autor deve se posicionar e convencer o leitor com seus argumentos.
Diferentemente das dissertações, as cartas não necessitam de título e, em seu lugar, deve-se fazer um cabeçalho, com data e local onde ela está sendo escrita. O autor não pode se esquecer também da despedida. “Pode ser apenas com as iniciais, com o nome completo ou até um pseudônimo”, diz Caroline.
A professora ressalta que esta informação, assim como quem é o destinatário da carta, estarão determinados no enunciado da redação. “Por isso é muito importante ler os textos de referência e o enunciado com muita atenção”, ressalta.
Narração - modelo clássico de texto, mas pouco exigido nos vestibulares, a narração é um grande desafio aos escritores menos criativos. “O aluno tem de exercitar bastante seu potencial imaginativo para criar uma história e normalmente os vestibulandos têm preguiça disso. A narração é boa para quem gosta de criar, de viajar num texto”, diz Caroline.
Segundo ela, para fazer uma boa narrativa, o candidato precisará determinar alguns pontos antes de começar a escrever:
- Quem será o narrador da história – normalmente vem determinado no enunciado se a história é em 1ª ou 3ª pessoa, por isso, é preciso atentar para esse detalhe.
- Quais serão as personagens – é preciso saber exatamente quem vai participar e por quê.
- Em que espaço ela acontece – a história precisa ter um lugar determinado, para que sirva de referência para os argumentos.
- Em que lugar no tempo ela se passa – não é necessário ter uma data, mas a narrativa tem como principal característica a passagem de um tempo entre uma ação e outra e o momento em que ela se passa é bastante importante para o desenrolar da trama. “Quando Manoel Antônio de Almeida usa a frase ‘Era o tempo do Rei’ em Memórias do Sargento de Milícias, ele não dá uma data, mas dá para saber que se trata da época da monarquia, que a história não se passa nos dias de hoje”, exemplifica a professora.
- Ação – é preciso saber, antes de escrever o texto, qual é a ação que vai mover a história.
- Enredo ou trama – o autor precisa determinar claramente como vai ‘amarrar’ a ação das personagens para que o desfecho tenha sentido.
Com esses elementos definidos, o aluno poderá desenvolver o texto com mais segurança e tranquilidade.
Gêneros variados – sair dos moldes escolares e buscar gêneros que tenham relevância social. Esta é tendência que os vestibulares estão adotando recentemente. “A Universidade Federal do Paraná já faz isso há alguns anos e agora a Unicamp está adotando essa política”, ressalta Lopes, professor do curso Anglo.
“Estamos procurando um aluno que consiga se colocar numa posição diferente da dele, que saiba se comunicar de forma menos escolar. O vestibular da Unicamp vai levar em conta a habilidade de escrita inserida na vida real, o que é visto na sociedade e escapar dos modelos que permitem um treinamento específico”, explica Renato Pedrosa, coordenador executivo do vestibular da Unicamp.
Por isso, no próximo vestibular, a universidade passará a adotar três redações obrigatórias, em vez de uma. “Com uma redação só nem sempre é possível avaliar a capacidade de comunicação do candidato. Às vezes ele tem a sorte de ter mais intimidade com o assunto e vai bem na redação, mas com três textos ele vai ter de mostrar se realmente sabe se expressar”, acredita o coordenador.
Em um simulado realizado em maio para que os candidatos conhecessem a prova, mostrou que as expectativas não são nada ortodoxas: os candidatos tiveram de fazer uma carta, uma entrevista e um editorial jornalístico. “Este não é um formato fixo, temos flexibilidade para aplicarmos várias propostas”.
Para se preparar para o que pode vir pela frente, o professor do curso Anglo deixa uma dica: o vestibulando deve virar um leitor crítico. “Não basta simplesmente ler, tem de pensar sobre a forma do texto, identificar a que gênero ele pertence, se ele cumpriu com a função dele”, recomenda Lopes.
“Se o texto for uma reportagem, o aluno tem de pensar se o autor conseguiu retratar todos os fatos, se a manchete era informativa, se todos os aspectos foram consultados. Se ele considerou que o editorial não condiz, mande uma carta argumentativa para o jornal, por exemplo. É um exercício para conhecer e exercitar os tipos de texto”, sugere.
Dicas gerais
Independentemente do gênero proposto, os especialistas destacam pontos que todo vestibulando deve ficar atento:
Prática – quanto mais você escreve, mais fácil fica perceber suas dificuldades. Reescreva redações, desconstrua textos jornalísticos, experimente.
Ler – não apenas para avaliar o formato do texto, mas para criar um banco de informações que serão úteis na hora de argumentar.
Atenção ao enunciado – é nele que o vestibulando vai encontrar toda informação essencial para desenvolver a redação. Se algo passar despercebido, toda redação pode ser desconsiderada.
Tema e o formato – argumentação fraca, erros de ortografia, gramática, sintaxe. Tudo isso é passível de desconto de pontos em uma redação, mas apenas duas falhas são capazes de anular a nota da redação: fuga do tema e a não obediência ao formato pedido. Por isso, muita atenção e cuidado.
Carolina Rocha, iG São Paulo | 23/06/2010 11:41
terça-feira, 22 de junho de 2010
Menino autista quebra silêncio e se comunica por mensagens de computador
Usando técnica conhecida como comunicação facilitada, britânico de 13 anos, passou a se
O britânico Jamie Ponsonby não consegue falar e durante anos permaneceu preso em seu próprio mundo.
Sua família, porém, o ensinou a usar um teclado de computador e hoje em dia o garoto de 13 anos, que sofre de autismo, consegue não apenas se expressar como também escrever poemas.
Sua mãe, Serena, disse que isso permitiu que Jamie se comunicasse com a família e que, assim, ela pudesse entendê-lo melhor.
"Nós não tínhamos ideia de que havia uma pessoa lá dentro que sabia tudo", afirmou ela.
Emoções e senso de humor
"Por meio da digitação nós descobrimos que ele sabe todo tipo de coisa. Ele está totalmente ciente de tudo, seu senso de humor está totalmente ali. Ele tem uma poesia linda, seus sentimentos e emoções são todos perfeitamente normais e acima da média para sua idade."
O diretor de pesquisas da entidade beneficente Research Autism, Richard Mills, disse que casos como o de Jamie são relativamente raros.
Ele disse que a técnica usada pelos pais de Jamie para ajudá-lo a se comunicar - conhecida como comunicação facilitada - apesar de polêmica, tem mostrado bons resultados.
Ela foi introduzida pela primeira vez na Austrália nos anos 70 e consiste em alguém apoiar a mão, o pulso ou o braço de um a pessoa com deficiência comunicativa enquanto esta usa um teclado ou outro aparelho para formar palavras e frases.
"Nós sabemos que pessoas com autismo muitas vezes precisam de muito tempo de processamento. Eles precisam que as coisas sejam visuais, então palavras digitadas em um teclado tendem a funcionar melhor (do que outras formas de comunicação como o uso da fala, por exemplo)".
Paciência
Serena disse que apesar de Jamie digitar com lentidão - ele levou duas semanas para digitar seu poema sobre autismo - ele está, aos poucos, ficando mais rápido e independente.
Ela percebeu que havia um problema com seu filho quando ele tinha 18 meses de idade.
"Ele foi diagnosticado com dois anos e meio, mas desde os 18 meses eu sabia que algo não estava certo. Ele costumava adorar música mas começava a gritar quando eu o levava para aulas de música", disse ela.
Durante alguns anos após seu diagnóstico, Jamie perdeu mais e mais habilidades , incluindo a fala. Ele tinha uma habilidade limitada para se comunicar por meio de sinais, portanto a comunicação se tornou difícil.
"Nós começamos a estimulá-lo a digitar aos nove anos de idade, após eu ler um livro sobre alguém que achava mais fácil digitar, apesar de ela saber falar", contou Serena.
"Pensei que talvez pudesse ser um caminho diferente. Começamos a estimulá-lo a digitar as palavras que ele sabia usar com sinais e fizemos progressos bem, bem lentos. Nós muitas vezes pensamos em desistir."
"Depois de alguns anos ele começou a ler placas e vimos que ele conseguia ler. Começamos a fazer perguntas e ele digitava todo tipo de coisa que nem sabíamos que ele conhecia", disse a mãe.
"Como uma família, isso nos permitiu a saber que existe alguém ali que sabe tudo que está acontecendo. Ele adora viajar e se você sabe que ele está ganhando algo com isso, sua paciência aumenta."
"Você não fala com ele como com alguém que não entende - sua autoestima e confiança estão infinitamente melhores."
Apesar do sucesso descrito pela família, a técnica da comunicação facilitada é criticada por cientistas que questionam o grau de interferência dos responsáveis no momento de comunicação pelo teclado.
O britânico Jamie Ponsonby não consegue falar e durante anos permaneceu preso em seu próprio mundo.
Sua família, porém, o ensinou a usar um teclado de computador e hoje em dia o garoto de 13 anos, que sofre de autismo, consegue não apenas se expressar como também escrever poemas.
Sua mãe, Serena, disse que isso permitiu que Jamie se comunicasse com a família e que, assim, ela pudesse entendê-lo melhor.
"Nós não tínhamos ideia de que havia uma pessoa lá dentro que sabia tudo", afirmou ela.
Emoções e senso de humor
"Por meio da digitação nós descobrimos que ele sabe todo tipo de coisa. Ele está totalmente ciente de tudo, seu senso de humor está totalmente ali. Ele tem uma poesia linda, seus sentimentos e emoções são todos perfeitamente normais e acima da média para sua idade."
O diretor de pesquisas da entidade beneficente Research Autism, Richard Mills, disse que casos como o de Jamie são relativamente raros.
Ele disse que a técnica usada pelos pais de Jamie para ajudá-lo a se comunicar - conhecida como comunicação facilitada - apesar de polêmica, tem mostrado bons resultados.
Ela foi introduzida pela primeira vez na Austrália nos anos 70 e consiste em alguém apoiar a mão, o pulso ou o braço de um a pessoa com deficiência comunicativa enquanto esta usa um teclado ou outro aparelho para formar palavras e frases.
"Nós sabemos que pessoas com autismo muitas vezes precisam de muito tempo de processamento. Eles precisam que as coisas sejam visuais, então palavras digitadas em um teclado tendem a funcionar melhor (do que outras formas de comunicação como o uso da fala, por exemplo)".
Paciência
Serena disse que apesar de Jamie digitar com lentidão - ele levou duas semanas para digitar seu poema sobre autismo - ele está, aos poucos, ficando mais rápido e independente.
Ela percebeu que havia um problema com seu filho quando ele tinha 18 meses de idade.
"Ele foi diagnosticado com dois anos e meio, mas desde os 18 meses eu sabia que algo não estava certo. Ele costumava adorar música mas começava a gritar quando eu o levava para aulas de música", disse ela.
Durante alguns anos após seu diagnóstico, Jamie perdeu mais e mais habilidades , incluindo a fala. Ele tinha uma habilidade limitada para se comunicar por meio de sinais, portanto a comunicação se tornou difícil.
"Nós começamos a estimulá-lo a digitar aos nove anos de idade, após eu ler um livro sobre alguém que achava mais fácil digitar, apesar de ela saber falar", contou Serena.
"Pensei que talvez pudesse ser um caminho diferente. Começamos a estimulá-lo a digitar as palavras que ele sabia usar com sinais e fizemos progressos bem, bem lentos. Nós muitas vezes pensamos em desistir."
"Depois de alguns anos ele começou a ler placas e vimos que ele conseguia ler. Começamos a fazer perguntas e ele digitava todo tipo de coisa que nem sabíamos que ele conhecia", disse a mãe.
"Como uma família, isso nos permitiu a saber que existe alguém ali que sabe tudo que está acontecendo. Ele adora viajar e se você sabe que ele está ganhando algo com isso, sua paciência aumenta."
"Você não fala com ele como com alguém que não entende - sua autoestima e confiança estão infinitamente melhores."
Apesar do sucesso descrito pela família, a técnica da comunicação facilitada é criticada por cientistas que questionam o grau de interferência dos responsáveis no momento de comunicação pelo teclado.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O que estraga nossas crianças?
Seis especialistas opinam sobre os maiores problemas dos pais na educação dos filhos atualmente
Infância idealizada: pais erram ao tentar a todo custo poupar os filhos de frustrações
John Robbins é um autor norte-americano responsável por alguns best sellers - como "The New Good Life" e "Diet for a New America", ainda não publicados aqui - e colunista do Huffington Post. Ativista anticonsumo, ele publicou recentemente um artigo que toca em um ponto crucial da sociedade contemporânea: o que está estragando nossas crianças? Fomos ouvir vários especialistas, de diferentes áreas, para descobrir.
1. Excesso de consumo
Para o próprio John Robbins, de acordo com artigo publicado no Huffington Post, o problema passa longe do que alguns erroneamente classificam como "excesso de amor". Ele aponta a cultura de consumo como verdadeira responsável pelo problema. "O que estraga as crianças é o fato de que as ensinamos a preencher seu vazio a partir de fora, comprando coisas e fazendo atividades, em vez de aprender como se preencher por dentro, fazendo boas escolhas e desenvolvendo a criatividade", escreve.
2. Ausência forçada do pai
Segundo Mirian Goldenberg, antropóloga e autora de "Toda mulher é meio Leila Diniz" (Ed. BestBolso), a ausência da figura paterna é o maior problema para a geração atual de crianças. E essa ausência, muitas vezes, é causada pela própria mãe, ainda que ela seja casada com o pai. "Muitas mulheres vivem a maternidade como um poder que não querem compartilhar e percebem os homens como meros coadjuvantes — ou até mesmo figurantes — em um palco em que a principal estrela é a mãe", diz Mirian. "No entanto, não existe absolutamente nada na 'natureza' masculina que impeça um pai de cuidar, alimentar, acariciar, acalentar e proteger seu bebê, assim como não há uma 'natureza' feminina que dê à mãe a autoridade de se afirmar como a única capaz de cuidar do recém-nascido".
3. Competição entre os pais
A pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da Pontifícia Universidade de São Paulo, vê vários fatores que podem estragar as crianças, mas ressalta um deles: a mudança na estrutura familiar. Muitos pais que trabalham fora se eximem de suas responsabilidades como educadores e não têm nenhum controle sobre os filhos. "As crianças se aproveitam e os pais competem entre si, para ofertar coisas aos filhos", comenta.
4. Tentativas de compensação
A ausência dos pais por conta de trabalho não é necessariamente um problema em si. O erro, alerta o pediatra antroposófico e neonatologista Sergio Spalter, é tentar suprir essa ausência com concessões que visam evitar 100% a frustração da criança. A criança aprende, assim, que para conseguir qualquer coisa basta chorar. "O problema é que, na vida futura, muitas vezes não haverão concessões, e uma pequena frustração poderá significar um grande problema para aquele jovem, que passará a desistir dos desafios", diz Spalter.
5. Excesso de fast food
A nutricionista Daniela Murakami, da Nutrir e Brincar - Assessoria e Consultoria em Nutrição Infantil, destaca um lugar onde facilmente se pode estragar uma criança: a mesa. Pais que optam pela comida fácil, rápida e pouco nutritiva das redes de fast-food ou de congelados para agradar seus filhos (e ter menos trabalho) podem estar plantando uma semente perigosa. "Esses 'mimos' são um risco para a saúde das crianças, pois elas passam a ingerir alimentos muito calóricos, com alto teor de gordura, sódio e açúcar refinado e não aceitam alimentos importantes, como frutas, verduras e legumes", explica. "Sentar-se com maior frequência à mesa e ter suas refeições com os filhos, pedir a ajuda da criança para preparar algum alimento, fazer um piquenique saudável no parque são formas 'inteligentes' de mimar as crianças, sem, contudo, estragá-las", completa ela.
6. Insegurança dos pais
Cada geração tenta reparar os erros da geração anterior - e, assim, a geração atual de pais, criada ouvindo muito "não", tem uma dificuldade em impor limites aos filhos. Perdidos na idealização de uma infância plenamente feliz, eles querem conselhos e orientações de médicos e da escola para tomar qualquer atitude com a criança. "Que lugar sobrou para os pais? Eles são meros executores dos conselhos e recomendações da escola e do médico? Isso fala de uma falta de confiança na própria experiência, no saber adquirido justamente quando eles eram crianças", explica Adela Stoppel, professora do curso de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae. Para Adela, ser pai implica assumir certos riscos, se responsabilizar pelas decisões sobre a educação de filhos, colocar em prática convicções pessoais, ideais e crenças. "Nossos filhos esperam que nós lhes digamos o que achamos e o que não achamos bom com base em nossa própria experiência", conclui.
Clarissa Passos, iG São Paulo | 18/06/2010 08:43
Infância idealizada: pais erram ao tentar a todo custo poupar os filhos de frustrações
John Robbins é um autor norte-americano responsável por alguns best sellers - como "The New Good Life" e "Diet for a New America", ainda não publicados aqui - e colunista do Huffington Post. Ativista anticonsumo, ele publicou recentemente um artigo que toca em um ponto crucial da sociedade contemporânea: o que está estragando nossas crianças? Fomos ouvir vários especialistas, de diferentes áreas, para descobrir.
1. Excesso de consumo
Para o próprio John Robbins, de acordo com artigo publicado no Huffington Post, o problema passa longe do que alguns erroneamente classificam como "excesso de amor". Ele aponta a cultura de consumo como verdadeira responsável pelo problema. "O que estraga as crianças é o fato de que as ensinamos a preencher seu vazio a partir de fora, comprando coisas e fazendo atividades, em vez de aprender como se preencher por dentro, fazendo boas escolhas e desenvolvendo a criatividade", escreve.
2. Ausência forçada do pai
Segundo Mirian Goldenberg, antropóloga e autora de "Toda mulher é meio Leila Diniz" (Ed. BestBolso), a ausência da figura paterna é o maior problema para a geração atual de crianças. E essa ausência, muitas vezes, é causada pela própria mãe, ainda que ela seja casada com o pai. "Muitas mulheres vivem a maternidade como um poder que não querem compartilhar e percebem os homens como meros coadjuvantes — ou até mesmo figurantes — em um palco em que a principal estrela é a mãe", diz Mirian. "No entanto, não existe absolutamente nada na 'natureza' masculina que impeça um pai de cuidar, alimentar, acariciar, acalentar e proteger seu bebê, assim como não há uma 'natureza' feminina que dê à mãe a autoridade de se afirmar como a única capaz de cuidar do recém-nascido".
3. Competição entre os pais
A pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da Pontifícia Universidade de São Paulo, vê vários fatores que podem estragar as crianças, mas ressalta um deles: a mudança na estrutura familiar. Muitos pais que trabalham fora se eximem de suas responsabilidades como educadores e não têm nenhum controle sobre os filhos. "As crianças se aproveitam e os pais competem entre si, para ofertar coisas aos filhos", comenta.
4. Tentativas de compensação
A ausência dos pais por conta de trabalho não é necessariamente um problema em si. O erro, alerta o pediatra antroposófico e neonatologista Sergio Spalter, é tentar suprir essa ausência com concessões que visam evitar 100% a frustração da criança. A criança aprende, assim, que para conseguir qualquer coisa basta chorar. "O problema é que, na vida futura, muitas vezes não haverão concessões, e uma pequena frustração poderá significar um grande problema para aquele jovem, que passará a desistir dos desafios", diz Spalter.
5. Excesso de fast food
A nutricionista Daniela Murakami, da Nutrir e Brincar - Assessoria e Consultoria em Nutrição Infantil, destaca um lugar onde facilmente se pode estragar uma criança: a mesa. Pais que optam pela comida fácil, rápida e pouco nutritiva das redes de fast-food ou de congelados para agradar seus filhos (e ter menos trabalho) podem estar plantando uma semente perigosa. "Esses 'mimos' são um risco para a saúde das crianças, pois elas passam a ingerir alimentos muito calóricos, com alto teor de gordura, sódio e açúcar refinado e não aceitam alimentos importantes, como frutas, verduras e legumes", explica. "Sentar-se com maior frequência à mesa e ter suas refeições com os filhos, pedir a ajuda da criança para preparar algum alimento, fazer um piquenique saudável no parque são formas 'inteligentes' de mimar as crianças, sem, contudo, estragá-las", completa ela.
6. Insegurança dos pais
Cada geração tenta reparar os erros da geração anterior - e, assim, a geração atual de pais, criada ouvindo muito "não", tem uma dificuldade em impor limites aos filhos. Perdidos na idealização de uma infância plenamente feliz, eles querem conselhos e orientações de médicos e da escola para tomar qualquer atitude com a criança. "Que lugar sobrou para os pais? Eles são meros executores dos conselhos e recomendações da escola e do médico? Isso fala de uma falta de confiança na própria experiência, no saber adquirido justamente quando eles eram crianças", explica Adela Stoppel, professora do curso de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae. Para Adela, ser pai implica assumir certos riscos, se responsabilizar pelas decisões sobre a educação de filhos, colocar em prática convicções pessoais, ideais e crenças. "Nossos filhos esperam que nós lhes digamos o que achamos e o que não achamos bom com base em nossa própria experiência", conclui.
Clarissa Passos, iG São Paulo | 18/06/2010 08:43
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Existe filho favorito?
Segundo psicóloga norte americana, existe. Mas os pais não precisam sentir culpa por causa disso
Não tem problema ter um filho favorito, desde que ele não seja sempre o mesmo
A maioria das mães que tem vários filhos já ouviu a perguntinha: “qual é o seu filho favorito?” Algumas desconversam, outras respondem escandalizadas que “não têm um filho favorito, que amam todos do mesmo jeito”. Segundo a psicóloga norteamericana Ellen Libby, que recentemente lançou o livro “The Favorite Child” (A Criança Favorita), e fez diversas pesquisas sobre o assunto, é exatamente esse tipo de reação que dificulta e confunde a compreensão do tema. “Ter um filho favorito não é uma violação de um código moral. Um pai não é igual a uma mãe, assim um filho não é igual ao outro”, disse Libby em entrevista ao Delas.
A especialista explica que muitos pais têm medo de admitir a preferência por um dos filhos, que pode surgir por afinidade, semelhança com algum parente querido ou até ordem de nascimento, pois confundem favoritismo com amor. De acordo com a psicóloga, as pessoas têm receio de conhecer seus próprios gostos. “Elas preferem acreditar que há uma objetividade nos sentimentos, o que não é verdade”.
Sílvia Miani, de 39 anos, mãe de três filhos, consegue perceber bem a diferença entre amor e preferência. “A afinidade com cada um muda bastante, depende do momento. Em algumas épocas, prefiro estar mais com um, em outras, com o outro. Ainda assim, não amo menos, amo diferente”, afirma. Ellen Libby explica que essa é a chave: quando a preferência é rotativa, como no caso de Sílvia, o favoritismo faz bem para os filhos porque preserva a identidade de cada um – e todos, de alguma forma, terão certeza do amor dos pais.
Libby diz que o grande silêncio que costuma ocorrer em torno do assunto tem a ver com culpa que os pais sentem em preferir este ou aquele filho. Segundo a psicóloga, a primeira coisa que se deve fazer é admitir que existe filho favorito. “Todo mundo tem preferências, e a maioria delas são curtas e temporárias, você pode preferir um filho por um dia, uma semana ou até por meses”, explica a psicóloga. Isso não significa que não ama os demais. A segunda coisa, e mais importante, é existir uma conversa franca entre os pais. “Quando são menos defensivos, eles conseguem conhecer quais são seus próprios omportamentos e gostos e, consequentemente, lidar melhor com eles”, completa.
O outro lado da moeda
Apesar de apontar muitas vantagens que filhos favoritos tendem a desenvolver, como otimismo e sociabilidade, Ellen Libby bate na tecla dos impactos negativos que a preferência pode criar quando é direcionada a apenas uma criança por tempo indeterminado. “Filhos que são eternos favoritos tendem a ser mais facilmente manipulados, têm mais dificuldade em criar uma identidade e podem achar que estão acima de qualquer lei”, diz Libby.
Além disso, há impactos para o resto da família. A psicóloga Ida Bechelli, que é do Setor de Saúde Mental do Departamento de Pediatria da Unifesp, explica sobre o que pode acontecer com os outros filhos ao perceberem que nunca são os favoritos. “Ou a criança se intimida ou passa a tentar imitar o outro, ou seja, ela acaba deixando de ser ela mesma”.
Camila de Lira, iG São Paulo | 17/06/2010 10:34
Não tem problema ter um filho favorito, desde que ele não seja sempre o mesmo
A maioria das mães que tem vários filhos já ouviu a perguntinha: “qual é o seu filho favorito?” Algumas desconversam, outras respondem escandalizadas que “não têm um filho favorito, que amam todos do mesmo jeito”. Segundo a psicóloga norteamericana Ellen Libby, que recentemente lançou o livro “The Favorite Child” (A Criança Favorita), e fez diversas pesquisas sobre o assunto, é exatamente esse tipo de reação que dificulta e confunde a compreensão do tema. “Ter um filho favorito não é uma violação de um código moral. Um pai não é igual a uma mãe, assim um filho não é igual ao outro”, disse Libby em entrevista ao Delas.
A especialista explica que muitos pais têm medo de admitir a preferência por um dos filhos, que pode surgir por afinidade, semelhança com algum parente querido ou até ordem de nascimento, pois confundem favoritismo com amor. De acordo com a psicóloga, as pessoas têm receio de conhecer seus próprios gostos. “Elas preferem acreditar que há uma objetividade nos sentimentos, o que não é verdade”.
Sílvia Miani, de 39 anos, mãe de três filhos, consegue perceber bem a diferença entre amor e preferência. “A afinidade com cada um muda bastante, depende do momento. Em algumas épocas, prefiro estar mais com um, em outras, com o outro. Ainda assim, não amo menos, amo diferente”, afirma. Ellen Libby explica que essa é a chave: quando a preferência é rotativa, como no caso de Sílvia, o favoritismo faz bem para os filhos porque preserva a identidade de cada um – e todos, de alguma forma, terão certeza do amor dos pais.
Libby diz que o grande silêncio que costuma ocorrer em torno do assunto tem a ver com culpa que os pais sentem em preferir este ou aquele filho. Segundo a psicóloga, a primeira coisa que se deve fazer é admitir que existe filho favorito. “Todo mundo tem preferências, e a maioria delas são curtas e temporárias, você pode preferir um filho por um dia, uma semana ou até por meses”, explica a psicóloga. Isso não significa que não ama os demais. A segunda coisa, e mais importante, é existir uma conversa franca entre os pais. “Quando são menos defensivos, eles conseguem conhecer quais são seus próprios omportamentos e gostos e, consequentemente, lidar melhor com eles”, completa.
O outro lado da moeda
Apesar de apontar muitas vantagens que filhos favoritos tendem a desenvolver, como otimismo e sociabilidade, Ellen Libby bate na tecla dos impactos negativos que a preferência pode criar quando é direcionada a apenas uma criança por tempo indeterminado. “Filhos que são eternos favoritos tendem a ser mais facilmente manipulados, têm mais dificuldade em criar uma identidade e podem achar que estão acima de qualquer lei”, diz Libby.
Além disso, há impactos para o resto da família. A psicóloga Ida Bechelli, que é do Setor de Saúde Mental do Departamento de Pediatria da Unifesp, explica sobre o que pode acontecer com os outros filhos ao perceberem que nunca são os favoritos. “Ou a criança se intimida ou passa a tentar imitar o outro, ou seja, ela acaba deixando de ser ela mesma”.
Camila de Lira, iG São Paulo | 17/06/2010 10:34
terça-feira, 8 de junho de 2010
CNE vai votar fim da repetência durante alfabetização
Conselheiro que elaborou novas diretrizes para o ensino fundamental apresenta nesta terça proposta final aos colegas para votação
O Conselho Nacional de Educação (CNE) pode votar na tarde desta terça-feira uma das mais aguardadas propostas para a educação básica: as novas diretrizes para o ensino fundamental. O documento contém orientações importantes para gestores estaduais e municipais e diretores de escolas de todo o País porque esclarecem como os projetos pedagógicos e os sistemas de ensino têm de se adequar ao ensino fundamental de nove anos.
Sancionada em 6 de fevereiro de 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei nº 11.274 – que tornou obrigatória a ampliação do ensino fundamental – ainda gera dúvidas entre dirigentes no que diz respeito à adaptação dos sistemas e ao que se espera de cada série. As orientações do CNE pretendem mostrar que ampliar essa etapa da educação básica não significa apenas oferecer mais um ano de atividades aos alunos.
A mais importante recomendação, segundo o presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, César Callegari, diz respeito à repetência escolar. Callegari, encarregado de elaborar o documento, garante que o prejuízo causado por uma reprovação aos seis anos de idade, no primeiro ano de alfabetização, como tem ocorrido, pode ser irreversível. “Há uma estatítisca estarrecedora de que 80 mil crianças com seis anos de idade foram reprovadas em 2009. É uma atrocidade que pode marcar a vida escolar da criança para sempre”, afirma.
O artigo 26 das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental afirma que, nos três primeiros anos do ensino fundamental, deve ser “assegurado” a todas as crianças “o princípio da continuidade da aprendizagem” nesse período. Isso significa que as escolas municipais e estaduais responsáveis pelo ensino fundamental não devem reprovar os alunos do 1º e do 2º anos dessa etapa. Mesmo que o sistema seja seriado, as escolas devem encarar essa fase como um "bloco pedagógico".
“É importante deixar bastante claro que os estudantes precisam ter o direito de aprendizagem assegurado. Não queremos que eles sejam aprovados automaticamente, sem que tenham aprendido. Mas as diretrizes apontam que os diretores e os professores terão de criar projetos para que os alunos em dificuldade recuperem o conteúdo ao longo do ano”, explica Callegari.
Para o conselheiro, a decisão de reprovar uma criança deve ser ponderada em todo o ensino fundamental, na verdade. Ele explica que a repetência pode trazer prejuízos emocionais, que prejudicam a aprendizagem em qualquer etapa. “Temos de cuidar para que os estudantes não sejam vítimas de um fracasso que não é deles. Todos têm de tomar providências para eles aprendam, a escola, a família e a sociedade”, diz.
Conteúdos
O documento determina também que a carga horária mínima para o ensino fundamental seja de 800 horas, distribuídas em 200 dias letivos. Recomenda que, progressivamente, todas as escolas ofereçam essa etapa em tempo integral (pelo menos, sete horas diárias de aulas). Os currículos têm de ser formados por uma base nacional comum e uma parte diversificada, em que entrariam temas e assuntos relacionados à realidade local das escolas.
Entre os conteúdos que devem constar no currículo, pelo menos um chama a atenção: ensino religioso. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, conteúdos religiosos têm de ser oferecidos obrigatoriamente pelas escolas. “Não podemos fugir ao que está na lei. Infelizmente, isso ainda não foi mudado”, lamenta Callegari. Nas diretrizes, os conselheiros colocaram a oferta como obrigatória, mas a freqüência do aluno a essas aulas é facultativa.
Está definido também que, a partir do 6º ano do ensino fundamental, as escolas têm de oferecer pelo menos uma língua estrangeira aos alunos. Não há determinação sobre qual seria essa língua. As escolas podem escolher de acordo com a própria realidade.
O documento ressalta que só podem ser matriculados no 1º ano do ensino fundamental crianças com 6 anos completos ou a completar até 31 de março do ano da matrícula. Crianças mais novas devem ser redirecionadas para a educação infantil.
Callegari afirma que os sistemas de ensino ainda enfrentam dificuldades para conceber a ampliação do ensino fundamental. “Muitos não entenderam que essa nova configuração exige mais do que meras adaptações. É preciso elaborar novos projetos político-pedagógicos, que estabeleçam objetivos claros de aprendizagem em cada série”, opina.
Depois de aprovadas e homologadas pelo Ministério da Educação, as diretrizes ganharão complementos. O MEC colocará em consulta pública propostas específicas sobre o que deve ser aprendido pelos alunos em cada série e área do conhecimento. Até o final do ano, eles esperam ter todas as orientações concluídas.
Vale lembrar que o CNE realizou três audiências públicas nacionais, além de reuniões com secretários de educação, para chegar à elaboração final do documento. Callegari espera que as propostas sejam um consenso entre todos.
Priscilla Borges, iG Brasília | 08/06/2010 12:25
O Conselho Nacional de Educação (CNE) pode votar na tarde desta terça-feira uma das mais aguardadas propostas para a educação básica: as novas diretrizes para o ensino fundamental. O documento contém orientações importantes para gestores estaduais e municipais e diretores de escolas de todo o País porque esclarecem como os projetos pedagógicos e os sistemas de ensino têm de se adequar ao ensino fundamental de nove anos.
Sancionada em 6 de fevereiro de 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei nº 11.274 – que tornou obrigatória a ampliação do ensino fundamental – ainda gera dúvidas entre dirigentes no que diz respeito à adaptação dos sistemas e ao que se espera de cada série. As orientações do CNE pretendem mostrar que ampliar essa etapa da educação básica não significa apenas oferecer mais um ano de atividades aos alunos.
A mais importante recomendação, segundo o presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, César Callegari, diz respeito à repetência escolar. Callegari, encarregado de elaborar o documento, garante que o prejuízo causado por uma reprovação aos seis anos de idade, no primeiro ano de alfabetização, como tem ocorrido, pode ser irreversível. “Há uma estatítisca estarrecedora de que 80 mil crianças com seis anos de idade foram reprovadas em 2009. É uma atrocidade que pode marcar a vida escolar da criança para sempre”, afirma.
O artigo 26 das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental afirma que, nos três primeiros anos do ensino fundamental, deve ser “assegurado” a todas as crianças “o princípio da continuidade da aprendizagem” nesse período. Isso significa que as escolas municipais e estaduais responsáveis pelo ensino fundamental não devem reprovar os alunos do 1º e do 2º anos dessa etapa. Mesmo que o sistema seja seriado, as escolas devem encarar essa fase como um "bloco pedagógico".
“É importante deixar bastante claro que os estudantes precisam ter o direito de aprendizagem assegurado. Não queremos que eles sejam aprovados automaticamente, sem que tenham aprendido. Mas as diretrizes apontam que os diretores e os professores terão de criar projetos para que os alunos em dificuldade recuperem o conteúdo ao longo do ano”, explica Callegari.
Para o conselheiro, a decisão de reprovar uma criança deve ser ponderada em todo o ensino fundamental, na verdade. Ele explica que a repetência pode trazer prejuízos emocionais, que prejudicam a aprendizagem em qualquer etapa. “Temos de cuidar para que os estudantes não sejam vítimas de um fracasso que não é deles. Todos têm de tomar providências para eles aprendam, a escola, a família e a sociedade”, diz.
Conteúdos
O documento determina também que a carga horária mínima para o ensino fundamental seja de 800 horas, distribuídas em 200 dias letivos. Recomenda que, progressivamente, todas as escolas ofereçam essa etapa em tempo integral (pelo menos, sete horas diárias de aulas). Os currículos têm de ser formados por uma base nacional comum e uma parte diversificada, em que entrariam temas e assuntos relacionados à realidade local das escolas.
Entre os conteúdos que devem constar no currículo, pelo menos um chama a atenção: ensino religioso. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, conteúdos religiosos têm de ser oferecidos obrigatoriamente pelas escolas. “Não podemos fugir ao que está na lei. Infelizmente, isso ainda não foi mudado”, lamenta Callegari. Nas diretrizes, os conselheiros colocaram a oferta como obrigatória, mas a freqüência do aluno a essas aulas é facultativa.
Está definido também que, a partir do 6º ano do ensino fundamental, as escolas têm de oferecer pelo menos uma língua estrangeira aos alunos. Não há determinação sobre qual seria essa língua. As escolas podem escolher de acordo com a própria realidade.
O documento ressalta que só podem ser matriculados no 1º ano do ensino fundamental crianças com 6 anos completos ou a completar até 31 de março do ano da matrícula. Crianças mais novas devem ser redirecionadas para a educação infantil.
Callegari afirma que os sistemas de ensino ainda enfrentam dificuldades para conceber a ampliação do ensino fundamental. “Muitos não entenderam que essa nova configuração exige mais do que meras adaptações. É preciso elaborar novos projetos político-pedagógicos, que estabeleçam objetivos claros de aprendizagem em cada série”, opina.
Depois de aprovadas e homologadas pelo Ministério da Educação, as diretrizes ganharão complementos. O MEC colocará em consulta pública propostas específicas sobre o que deve ser aprendido pelos alunos em cada série e área do conhecimento. Até o final do ano, eles esperam ter todas as orientações concluídas.
Vale lembrar que o CNE realizou três audiências públicas nacionais, além de reuniões com secretários de educação, para chegar à elaboração final do documento. Callegari espera que as propostas sejam um consenso entre todos.
Priscilla Borges, iG Brasília | 08/06/2010 12:25
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Ter livros em casa aumenta o grau de educação
Pesquisadores descobriram que ter livros em casa pode ser mais benéfico aos filhos do que o grau de educação dos pais
Ter livros em casa tem mais influência sobre as crianças do que o grau de educação dos pais.
Por muito tempo se acreditou que o grau de estudos dos pais era um fator importante e determinante para a formação acadêmica dos filhos, mas, segundo uma pesquisa da Universidade de Nevada, a questão foi posta em dúvida. Segundo os pesquisadores, ter livros em casa é crucial para o aumento do grau de escolaridade dos filhos – e é mais importante do que o nível educacional dos pais.
Durante 20 anos, os pesquisadores analisaram hábitos de pais e crianças, assim como seus currículos, e chegaram à conclusão que as crianças que tiveram livros em casa avançaram pelo menos 3 anos no grau de escolaridade em comparação ao dos pais. De acordo com a psicopedagoga Maria Cristina Natel, a existência de livros é altamente benéfica para as crianças. “Nesta atmosfera, a criança tem uma imersão no ambiente da cultura e das letras, e isso faz com que ela se habitue ao universo da leitura, até mesmo antes de entrar na escola”, explica.
A pedagoga Célia Abicalil, coordenadora do Grupo de Pesquisa do Letramento Literário da Faculdade de Educação da UFMG, diz que a leitura forma o sujeito para a sociedade, porque faz com que ele tenha uma visão mais ampla de tudo que o cerca. “Uma criança que lê se torna um adulto mais inteiro no seu modo de olhar para o mundo”, diz.
Abicalil completa que o primeiro passo para incentivar a leitura é proporcionar o acesso aos livros, mas também aponta a importância de criar o hábito nos filhos. “Isso é fundamental para que eles se acostumem com o trabalho da leitura”, diz. Natel explica que os pais têm um papel importante nesta formação. “Não basta ter o livro em casa, o adulto precisa mediar o objeto de conhecimento”, diz.
Veja algumas dicas das especialistas que podem ser benéficos para estimular seu filho a ler
- Ler para a criança e contar histórias para ela é o primeiro passo. Tal hábito, segundo as pedagogas, pode começar desde a gravidez
- Ler em casa. O hábito de leitura dos pais influencia os pequenos a procurarem também os livros
- Criar um ambiente para a criança ler: um local com prateleiras baixas e com espaço para ela sentar
- Levar a criança em bibliotecas e livrarias
- Quando mais velhas, apresentar livros de assuntos que despertem o interesse e conversar com elas sobre os enredos dos livros
• Camila de Lira, iG São Paulo | 01/06/2010 10:57
Ter livros em casa tem mais influência sobre as crianças do que o grau de educação dos pais.
Por muito tempo se acreditou que o grau de estudos dos pais era um fator importante e determinante para a formação acadêmica dos filhos, mas, segundo uma pesquisa da Universidade de Nevada, a questão foi posta em dúvida. Segundo os pesquisadores, ter livros em casa é crucial para o aumento do grau de escolaridade dos filhos – e é mais importante do que o nível educacional dos pais.
Durante 20 anos, os pesquisadores analisaram hábitos de pais e crianças, assim como seus currículos, e chegaram à conclusão que as crianças que tiveram livros em casa avançaram pelo menos 3 anos no grau de escolaridade em comparação ao dos pais. De acordo com a psicopedagoga Maria Cristina Natel, a existência de livros é altamente benéfica para as crianças. “Nesta atmosfera, a criança tem uma imersão no ambiente da cultura e das letras, e isso faz com que ela se habitue ao universo da leitura, até mesmo antes de entrar na escola”, explica.
A pedagoga Célia Abicalil, coordenadora do Grupo de Pesquisa do Letramento Literário da Faculdade de Educação da UFMG, diz que a leitura forma o sujeito para a sociedade, porque faz com que ele tenha uma visão mais ampla de tudo que o cerca. “Uma criança que lê se torna um adulto mais inteiro no seu modo de olhar para o mundo”, diz.
Abicalil completa que o primeiro passo para incentivar a leitura é proporcionar o acesso aos livros, mas também aponta a importância de criar o hábito nos filhos. “Isso é fundamental para que eles se acostumem com o trabalho da leitura”, diz. Natel explica que os pais têm um papel importante nesta formação. “Não basta ter o livro em casa, o adulto precisa mediar o objeto de conhecimento”, diz.
Veja algumas dicas das especialistas que podem ser benéficos para estimular seu filho a ler
- Ler para a criança e contar histórias para ela é o primeiro passo. Tal hábito, segundo as pedagogas, pode começar desde a gravidez
- Ler em casa. O hábito de leitura dos pais influencia os pequenos a procurarem também os livros
- Criar um ambiente para a criança ler: um local com prateleiras baixas e com espaço para ela sentar
- Levar a criança em bibliotecas e livrarias
- Quando mais velhas, apresentar livros de assuntos que despertem o interesse e conversar com elas sobre os enredos dos livros
• Camila de Lira, iG São Paulo | 01/06/2010 10:57
terça-feira, 1 de junho de 2010
IDENTIFICADA FRASE MAIS USADA PELOS PAIS
'Maybe later' é expressão mais usada por pais e mães britânicos que trabalham fora
Clarissa Passos, iG São Paulo | 27/05/2010 15:33
Especialistas recomendam encontrar tempo na agenda para estar com seus filhos: convivência faz com que a criança se sinta importante
Uma pesquisa feita com 3 mil pais e mães que trabalham fora revelou que "maybe later" (em tradução literal, 'talvez mais tarde', algo como o 'vamos ver' usado por aqui) é a expressão mais usada por eles para responder aos apelos das crianças por mais atenção. Encomendada por uma empresa de seguros britânica, a pesquisa levantou outros dados interessantes: 70% dos pais e mães admitem que passam a maioria de seu tempo livre cozinhando e limpando, em vez de brincar com seus filhos; pelo menos 4 vezes por semana, pais se conectam para checar seus emails assim que chegam em casa e 50% dos pais perdem o jantar em família ao menos duas vezes por semana, porque estão trabalhando até mais tarde.
Mas o fato mais curioso apontado pela pesquisa é que 92% destes pais dizem considerar seus filhos a grande prioridade de suas vidas - mas, mesmo assim, 62% deles admitem usar a expressão "maybe later" com frequência. 6 a cada 10 crianças gostariam que seus pais trabalhassem menos, e 9 a cada 10 pais declaram trabalhar para dar a seus filhos uma vida confortável. Como equilibrar esta equação?
Se a prioridade é seu filho, preste atenção: será que seu discurso está alinhado com suas ações? "É preciso cavar tempo com a família", diz o consultor empresarial Stephen Kanitz, autor de "Família Acima de Tudo" (editora Thomas Nelson), que também tem versão em blog. O tempo já é naturalmente curto nas famílias modernas, então crie compromissos com seus filhos e os reserve na agenda como reservaria para uma reunião de trabalho.
Stephen recomenda também "transformar quantidade em qualidade". Como não dá para se dedicar sete dias por semana exclusivamente a seu filho, dedique-se o quanto puder - mas com presença e atenção verdadeiras. Saia com ele uma vez por semana, conte uma história nas noites em que chega mais cedo, leve-o ao supermercado aos sábados para fazer compras com você.
Problema generalizado
Cris Poli, educadora há mais de 40 anos, vê a crônica falta de atenção dos pais com suas crianças como um problema mundial. "As crianças se sentem deixadas de lado e consideradas pouco importantes. Usar expressões como 'quem sabe mais tarde' ou 'talvez depois' é o mesmo que dizer a ela 'não quero fazer isso, pois tenho coisas mais importantes para fazer do que brincar com você, ou ajudá-lo na lição de casa'", define.
Não que os pais não considerem seus filhos importantes, mas talvez eles estejam perdendo um ponto crucial: para a criança, sentir-se importante passa necessariamente pela presença do pai e da mãe. "Pela minha experiência, esse cenário é igualzinho aqui no Brasil. A grande carência das crianças é a da presença dos pais - não somente física, mas na forma de interação", diz ela.
Para Cris, os grandes problemas da educação dos filhos são a dificuldade dos pais em assumir sua autoridade, exercendo a função de educadores, e a hesitação em estabelecer limites para as crianças. Independentemente do tempo de presença reduzido, cabe ao pai e à mãe usar este tempo de forma proveitosa, conhecendo seu filho através da convivência e ensinando-o a conviver com outros, por meio do estabelecimento de regras e limites. "É preciso demonstrar com atitudes que você ama seu filho e se preocupa com ele", finaliza.
Clarissa Passos, iG São Paulo | 27/05/2010 15:33
Especialistas recomendam encontrar tempo na agenda para estar com seus filhos: convivência faz com que a criança se sinta importante
Uma pesquisa feita com 3 mil pais e mães que trabalham fora revelou que "maybe later" (em tradução literal, 'talvez mais tarde', algo como o 'vamos ver' usado por aqui) é a expressão mais usada por eles para responder aos apelos das crianças por mais atenção. Encomendada por uma empresa de seguros britânica, a pesquisa levantou outros dados interessantes: 70% dos pais e mães admitem que passam a maioria de seu tempo livre cozinhando e limpando, em vez de brincar com seus filhos; pelo menos 4 vezes por semana, pais se conectam para checar seus emails assim que chegam em casa e 50% dos pais perdem o jantar em família ao menos duas vezes por semana, porque estão trabalhando até mais tarde.
Mas o fato mais curioso apontado pela pesquisa é que 92% destes pais dizem considerar seus filhos a grande prioridade de suas vidas - mas, mesmo assim, 62% deles admitem usar a expressão "maybe later" com frequência. 6 a cada 10 crianças gostariam que seus pais trabalhassem menos, e 9 a cada 10 pais declaram trabalhar para dar a seus filhos uma vida confortável. Como equilibrar esta equação?
Se a prioridade é seu filho, preste atenção: será que seu discurso está alinhado com suas ações? "É preciso cavar tempo com a família", diz o consultor empresarial Stephen Kanitz, autor de "Família Acima de Tudo" (editora Thomas Nelson), que também tem versão em blog. O tempo já é naturalmente curto nas famílias modernas, então crie compromissos com seus filhos e os reserve na agenda como reservaria para uma reunião de trabalho.
Stephen recomenda também "transformar quantidade em qualidade". Como não dá para se dedicar sete dias por semana exclusivamente a seu filho, dedique-se o quanto puder - mas com presença e atenção verdadeiras. Saia com ele uma vez por semana, conte uma história nas noites em que chega mais cedo, leve-o ao supermercado aos sábados para fazer compras com você.
Problema generalizado
Cris Poli, educadora há mais de 40 anos, vê a crônica falta de atenção dos pais com suas crianças como um problema mundial. "As crianças se sentem deixadas de lado e consideradas pouco importantes. Usar expressões como 'quem sabe mais tarde' ou 'talvez depois' é o mesmo que dizer a ela 'não quero fazer isso, pois tenho coisas mais importantes para fazer do que brincar com você, ou ajudá-lo na lição de casa'", define.
Não que os pais não considerem seus filhos importantes, mas talvez eles estejam perdendo um ponto crucial: para a criança, sentir-se importante passa necessariamente pela presença do pai e da mãe. "Pela minha experiência, esse cenário é igualzinho aqui no Brasil. A grande carência das crianças é a da presença dos pais - não somente física, mas na forma de interação", diz ela.
Para Cris, os grandes problemas da educação dos filhos são a dificuldade dos pais em assumir sua autoridade, exercendo a função de educadores, e a hesitação em estabelecer limites para as crianças. Independentemente do tempo de presença reduzido, cabe ao pai e à mãe usar este tempo de forma proveitosa, conhecendo seu filho através da convivência e ensinando-o a conviver com outros, por meio do estabelecimento de regras e limites. "É preciso demonstrar com atitudes que você ama seu filho e se preocupa com ele", finaliza.
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