Em entrevista, a contadora de histórias Alessandra Giordano fala sobre os segredos e o poder das narrativas: “A história é a coisa mais barata do mundo e é amor puro e verbalizado”
Contar histórias fortalece o vínculo entre pais e filhos e é uma forma eficaz de transmitir ensinamentos
Fadas, bruxas e monstros encantam crianças, adolescentes e até mesmo adultos. E a contadora de histórias Alessandra Giordano vem despertando a atenção de ouvintes há mais de 20 anos. Ela acredita que histórias podem colaborar para um ambiente familiar mais harmonioso e que, juntos, pais e filhos podem trabalhar a criatividade.
Para a autora do livro “Contar Histórias, Um Recurso Arteterapêutico de Transformação e Cura” (Artes Médicas), a história tem o poder de fortalecer e ajudar a criança a querer ser melhor. “E não custa nada, é a coisa mais barata do mundo e é amor, amor puro, amor verbalizado”, define.
Alessandra ainda afirma que, no momento de contar e ouvir um conto, os pais se fortalecem no filho – que, por sua vez, encontra força nos pais. “Nunca nos esquecemos das histórias que nossos pais nos contaram ou ainda contam. E os pais jamais se esquecem do olhar atento de um filho”, diz. “E só assim – olhando no olho, falando, abraçando e contando histórias sobre coisas boas – é que a gente se fortalece”
Um ambiente intimista, personagens e histórias adequadas desenvolvem um elo de afeto e respeito. Para a contadora de histórias, isso “é de uma grandeza que a gente não tem noção do sentido que faz na vida de uma pessoa”.
Veja abaixo a conversa que o iG Delas teve com a contadora de histórias Alessandra Giordano
iG: No seu livro Contar Histórias, a senhora esclarece que a origem dos contos orais está nas cantigas de ninar. Qual a importância de se contar histórias para bebês?
Alessandra Giordano: As informações que temos sobre a origem dos contos de tradição oral explicam que, na realidade, eles são as primeiras histórias que povoaram a mente do ser humano, ou seja, eles vêm das cantigas de ninar. Isso mostra a importância de se contar histórias para bebês., pois além do contato físico entre o contador e o ouvinte, a história contada cria um elo de afeto, fundamental para o desenvolvimento da criança.
iG: Quais são as características de um conto oral e o que ele tem de diferente de uma história escrita?
Alessandra: Os contos de tradição oral são os que não têm autores. Nasceram de crenças em comunidades tradicionalmente orais e existem desde antes da palavra escrita. Normalmente tratam do passado, não têm idade ou país de origem. São documentos históricos de uma comunidade, retratando o percurso de evolução de um povo, e colaboram também com as transformações necessárias nas relações humanas. Já os atuais têm autores que considero verdadeiros artistas da palavra.
iG: Com uma carreira como contadora de histórias, como a senhora define sua experiência?
Alessandra: Estou estudando a importância de se contar histórias na atualidade, a necessidade que o homem moderno tem de ouvir contos. Sou a quarta geração de contadora de histórias da minha família, vivo de narrar boas histórias. No meu consultório, utilizo esse recurso para auxiliar no desenvolvimento da criatividade. Já tive ouvintes em asilos e praças. Participei de um projeto que levava contos de fadas para meninos de rua. Para que eles pudessem ter acesso ao sonho, à fantasia, acreditarem que são capazes de construir a própria felicidade. É uma caminhada de muita satisfação. O conto adequado, na hora certa, despertando o interesse no ouvinte, é muito eficaz. Tenho percebido isso atuando no consultório. A melhor forma de ilustrar conhecimentos para as crianças também é contando histórias. É através de metáforas que elas compreendem melhor questões do dia a dia.
iG: Que função têm os contadores de histórias atualmente?
Alessandra: O mundo atual está muito frenético, o computador te coloca em contato com qualquer outro canto do mundo em segundos e isso rouba a quietude das pessoas, deixando tudo acelerado. Hoje a função do contador de histórias é a de resgatar a paz interna. A roda de contação de histórias serve para resgatar valores, respeito e solidariedade. Ainda ajuda na construção da própria comunidade. A necessidade de histórias hoje é mais que urgente, é preciso entender o por quê de se contar histórias, sua importância na sociedade como troca mútua de conhecimentos.
iG: Os pais podem assumir essa função para seus filhos?
Alessandra: Temos que pensar em um princípio básico. O ser humano precisa , antes de mais nada, cuidar de si mesmo. Um pai ou uma mãe que tem sua criança interna bem cuidada vai realizar uma troca com seus filhos. Ultimamente estamos escravos do relógio. Precisamos nos permitir tirar uma tarde para sentar e ler um conto. Pais e mães são sempre nossos heróis, tudo que eles ensinam são de primeira grandeza. É atribuída a Einstein uma frase sobre isso: “Se quiser que seus filhos sejam brilhantes, leia contos de fadas para eles. Se quiser que seus filhos sejam mais brilhantes, leia ainda mais contos de fadas.”
iG: Onde, para quem, por que e qual história contar são alguns pontos esclarecidos no seu livro. Como as pessoas podem contar uma boa história?
Alessandra: Contar histórias é uma arte e, como toda arte, possui segredos e técnicas. Estudando o poder da linguagem, a gente sabe que existem técnicas que podem ser facilitadoras para uma boa narrativa. É preciso convidar o ouvinte para ouvir uma história. É preciso instigar a imaginação das crianças, tentando despertar o interesse dela pela trama da história. O narrador precisa conhecer o público que vai ouvir aquela história para oferecer uma mensagem que faça sentido para o ouvinte. Não é fácil, pois para ouvir uma boa história é preciso concentração e o narrador precisa ter propriedade do que está falando, conhecer as informações que estão nas entrelinhas do conto. A história deve fazer parte do narrador até o momento em que ele não conta mais a história, mas canta. A mensagem flui de uma forma cantada, harmonizada, tocando o coração da sua audiência. É nesse momento que percebemos a sabedoria do contador, ao definir qual a mensagem que ele deseja transmitir para um público específico, naquele momento da narração.
Júnior Milério | 12/09/2010 09:42
terça-feira, 14 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população
Entre os que têm mais de 15 anos, 14,1 milhões não sabem ler e escrever. Região Nordeste tem a taxa mais alta
O Brasil ainda tem 14,1 milhões de analfabetos entre a população com mais de 15 anos, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta quarta-feira, dia 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este total de pessoas representa 9,7% da população, 0,3 ponto percentual a menos que a taxa de 2008, que foi de 10% (14,247 milhões de pessoas). Desde 2004, quando o levantamento começou a ser realizado, a queda foi de 1,8 ponto percentual.
Considerada uma meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que deveria ter sido atingida até 2010, a erradicação do analfabetismo está ainda mais distante quando se observa os dados do Nordeste. Na região, embora a redução da taxa entre 2004 e 2009 tenha sido de 3,7 pontos percentuais, o índice é de 18,7%, maior que o percentual brasileiro há 18 anos, quando o IBGE calculou o dado em 17,2%. Nas regiões Sul e Sudeste, onde a taxa é mais baixa, 5,5% e 5,7% das pessoas com mais de 15 anos ainda não sabem ler ou escrever.
Foto: Arte/iG
Diferenças na taxa de analfabetismo entre Estados são grandes
A maior dificuldade para reduzir o número de analfabetos está em atacar o problema na população com mais de 25 anos: 92,6% deles estão nesta faixa etária, o que faz com que a taxa do grupo seja de 12%. Se a faixa de idade for ainda mais restrita, a taxa de analfabetismo atinge 21% das pessoas com mais de 50 anos.
Veja os destaques da Pnad:
• Em 2009, brasileiro ficou mais velho e vulnerável
• Há mais casados do que solteiros no Brasil
• População mais velha continua crescendo no Brasil
• Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população
• Escolaridade da população adulta aumentou
• 3 milhões de crianças e adolescentes fora da escola
• Mulheres estudam mais que homens, segundo IBGE
• Crise fez desemprego crescer 18,5% em 2009
• 483 mil empregos com carteira assinada em 2009
• Mulheres chefes de família cresce em 19 Estados
• Vagas cresce mais para trabalhadores domésticos
• Condições de habitação e a posse de bens duráveis
• 42,2% dos desempregados são jovens
• Trabalho infantil está em queda
• Uso de internet e celular sobe entre os mais velhos
• Estudo mostra situação jurídica das empresas
Escolarização
Os anos de estudo, outro dado apresentado pelo Pnad, ajudam a explicar esta diferença nas proporções. A população de 10 anos ou mais atingiu, em 2009, 7,2 anos de estudo em média, um crescimento de 0,6 ano em relação a 2004. No entanto, na observação apenas do grupo que tem entre 20 e 24 anos, a média sobe para 9,6 anos, e desce entre os que têm entre 50 e 59 (6,5 anos) e mais de 60 anos (4,2 anos).
No total, em 2009, 36,2 milhões (22,2%) de pessoas com mais de 10 anos estavam sem instrução ou tinham frequentado a escola por menos de quatro anos, contra 38,7 milhões (25,9%) em 2004. Este dado desencadeia outro, o do analfabetismo funcional, representado pela proporção de pessoas de 15 anos ou mais com menos de quatro anos de estudo. Apesar de o índice ainda ser de 20,3%, representa uma redução de 0,7 ponto percentual em relação a 2008 e 4,1 pontos percentuais sobre 2004. No período, todas as regiões tiveram queda na taxa, principalmente o Nordeste, onde a retração foi de 6,6 pontos e chegou a 30,8%.
Tatiana Klix, iG São Paulo | 08/09/2010 10:00
O Brasil ainda tem 14,1 milhões de analfabetos entre a população com mais de 15 anos, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta quarta-feira, dia 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este total de pessoas representa 9,7% da população, 0,3 ponto percentual a menos que a taxa de 2008, que foi de 10% (14,247 milhões de pessoas). Desde 2004, quando o levantamento começou a ser realizado, a queda foi de 1,8 ponto percentual.
Considerada uma meta do Plano Nacional de Educação (PNE) que deveria ter sido atingida até 2010, a erradicação do analfabetismo está ainda mais distante quando se observa os dados do Nordeste. Na região, embora a redução da taxa entre 2004 e 2009 tenha sido de 3,7 pontos percentuais, o índice é de 18,7%, maior que o percentual brasileiro há 18 anos, quando o IBGE calculou o dado em 17,2%. Nas regiões Sul e Sudeste, onde a taxa é mais baixa, 5,5% e 5,7% das pessoas com mais de 15 anos ainda não sabem ler ou escrever.
Foto: Arte/iG
Diferenças na taxa de analfabetismo entre Estados são grandes
A maior dificuldade para reduzir o número de analfabetos está em atacar o problema na população com mais de 25 anos: 92,6% deles estão nesta faixa etária, o que faz com que a taxa do grupo seja de 12%. Se a faixa de idade for ainda mais restrita, a taxa de analfabetismo atinge 21% das pessoas com mais de 50 anos.
Veja os destaques da Pnad:
• Em 2009, brasileiro ficou mais velho e vulnerável
• Há mais casados do que solteiros no Brasil
• População mais velha continua crescendo no Brasil
• Analfabetismo cai pouco e atinge 9,7% da população
• Escolaridade da população adulta aumentou
• 3 milhões de crianças e adolescentes fora da escola
• Mulheres estudam mais que homens, segundo IBGE
• Crise fez desemprego crescer 18,5% em 2009
• 483 mil empregos com carteira assinada em 2009
• Mulheres chefes de família cresce em 19 Estados
• Vagas cresce mais para trabalhadores domésticos
• Condições de habitação e a posse de bens duráveis
• 42,2% dos desempregados são jovens
• Trabalho infantil está em queda
• Uso de internet e celular sobe entre os mais velhos
• Estudo mostra situação jurídica das empresas
Escolarização
Os anos de estudo, outro dado apresentado pelo Pnad, ajudam a explicar esta diferença nas proporções. A população de 10 anos ou mais atingiu, em 2009, 7,2 anos de estudo em média, um crescimento de 0,6 ano em relação a 2004. No entanto, na observação apenas do grupo que tem entre 20 e 24 anos, a média sobe para 9,6 anos, e desce entre os que têm entre 50 e 59 (6,5 anos) e mais de 60 anos (4,2 anos).
No total, em 2009, 36,2 milhões (22,2%) de pessoas com mais de 10 anos estavam sem instrução ou tinham frequentado a escola por menos de quatro anos, contra 38,7 milhões (25,9%) em 2004. Este dado desencadeia outro, o do analfabetismo funcional, representado pela proporção de pessoas de 15 anos ou mais com menos de quatro anos de estudo. Apesar de o índice ainda ser de 20,3%, representa uma redução de 0,7 ponto percentual em relação a 2008 e 4,1 pontos percentuais sobre 2004. No período, todas as regiões tiveram queda na taxa, principalmente o Nordeste, onde a retração foi de 6,6 pontos e chegou a 30,8%.
Tatiana Klix, iG São Paulo | 08/09/2010 10:00
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