Educação financeira: a febre dos álbuns de figurinhas
Essa é uma ótima oportunidade para ensinar o seu filho a lidar com dinheiro
O intervalo nos colégios se tornou a hora oficial da troca de figurinhas. O álbum de figurinhas da Copa do Mundo é a nova febre das crianças a partir de 5 anos (e de muitos adultos também). Quantas figurinhas seu filho já comprou? Além de comemorar a Copa, essa é a uma boa oportunidade para ensiná-lo a lidar com o dinheiro - mas sem neuras, afinal, é preciso admitir que fazer um álbum de figurinhas é uma delícia mesmo.
O importante é conversar com a criança. Primeiro, combine a frequência para a compra de novos pacotes. Depois, que o dinheiro usado vai ser o dela, da "semanada"' ou da mesada. Ela precisa entender que se gastar tudo com os pacotes, não vai sobrar dinheiro para comprar outras. “Mas você deve saber que é bem provável que isso aconteça, afinal, quando se tem 7 ou 8 anos, poucos investimentos são tão interessantes quanto um pacote de figurinhas”, diz Cássia D'Aquino, especialista em educação financeira e colunista da CRESCER.
Se isso acontecer, a especialista alerta para você se manter firme (resista o quanto puder) e não dar mais dinheiro a ele. Também não é legal ligar para a editora que publica o álbum e pedir todas as figurinhas. “Além de perder toda a graça da brincadeira, a criança perde a chance de aprender a lidar com a frustração”, diz. A melhor saída é incentivar a troca de figurinhas - quem sabe seu filho não consiga trocar com algum amigo seu também?
Creme dental infantil não é eficiente contra cáries
Novo estudo da Unicamp mostra que o creme dental para crianças, com baixa concentração de flúor, não previne cáries nem a fluorose. Veja o que você deve fazer
Pode ser de tutti-fruti, de cereja ou de uva. As opções de pastas de dentes para crianças são muitas e a grande vantagem do creme dental infantil, segundo especialistas, é a baixa concentração de flúor. Até os 3 anos, a criança não sabe cuspir ou bochechar e acaba engolindo mais flúor do que o recomendado. Em excesso, essa substância causa fluorose, problema que afeta o esmalte e produz manchas nos dentes. Em casos mais graves, os dentes ficam porosos e amarronzados.
Mas um novo estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) coloca em xeque a eficácia do creme dental para crianças. Ele revela que a baixa concentração de flúor não é tão eficiente contra as cáries. Pior: também podem não evitar a fluorose. Segundo Altair Cury, professor da Universidade de Odontologia de Piracicaba e um dos orientadores do estudo, a fluorose não é causada pela concentração do flúor no creme dental, mas pela ingestão de uma grande quantidade do produto. Para diminuir o risco de fluorose e evitar cáries, diz o estudo, as crianças deveria usar o creme dental convencional em pouca quantidade – semelhante a um grão de arroz. Seria essa a medida mais segura, mesmo? Para a odontopediatra Carmem Silvia, da clínica Amai (SP), não. Ela afirma que existem outras formas de evitar cáries e, por isso, crianças menores de 3 anos devem permanecer usando pastas sem flúor. Embora ele seja o principal vilão para o surgimento da fluorose, não é o único produto que traz flúor em sua composição. A água e alguns alimentos também podem conter a substância. “Por isso, se os pais puderem evitar o produto, melhor”, completa Carmem. Na dúvida, converse com o odontopediatra do seu filho e veja o que é melhor para a criança.
Prevenção de cáries
Para prevenir o aparecimento de cáries nos dentes de seu filho, comece com os cuidados logo após o nascimento. Nos recém-nascidos, o ideal é passar uma gaze ou fralda umedecida com água filtrada por toda a boca, limpando gengiva, bochechas e língua para remover os resíduos do leite. A partir do 6º mês, quando costumam aparecer os primeiros dentes, você pode começar a usar uma dedeira. A escovação começa a partir do primeiro ano com uma escova macia. Evite a mamadeira noturna e controle a alimentação do seu filho. Balas, doces, iogurtes e refrigerantes são inimigos da boa higiene bucal. Incentive a limpeza após cada refeição.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Saiba o que é Asperger, transtorno que se manifesta mais nos meninos
Identificado em 1944, Asperger se encontra no espectro dos transtornos autistas. É mais frequente em meninos. Caracteriza-se o transtorno quando a pessoa apresenta dificuldade de comunicação, dificuldade de socialização e interesses restritos. Está entre os transtornos de menor gravidade e pode manifestar-se já nos primeiros anos de vida. Por isso mesmo os pais precisam estar atentos.
A síndrome ou transtorno de Asperger foi identificada pelo pediatra austríaco Hans Asperger (1906-1980) em 1944. É um dos transtornos do espectro do autismo. Está entre os menos graves, em que o quadro tem bom prognóstico, pelo fato de o portador ser dotado de boa capacidade de articulação verbal e ter um quociente de inteligência (QI) no mínimo normal.
Caracteriza-se a síndrome quando a pessoa apresenta estes problemas:
* Dificuldade de comunicação. Quem sofre de Asperger aprende e fala normalmente, mas sua linguagem é rebuscada e correta demais e tem dificuldade para entender metáforas, sentido figurado e mensagens subliminares.
Ele leva tudo ao pé da letra. Como tem dificuldade para entender o que falamos, precisamos ser bastante
claros e concretos com ele.
* Dificuldade de socialização. O portador de Asperger tem dificuldades de relacionamento em casa, na escola e no trabalho e para fazer amigos e conseguir namoradas. Em geral quem toma a iniciativa é a mulher - parte deles até se casa. Pela dificuldade de comunicação, o portador do transtorno não gosta de trabalhar com público. Gosta é de trabalhar sozinho em atividades que domina, como pesquisador e cientista.
* Interesses restritos. Quem sofre de Asperger tem mania de restringir seu interesse a um assunto, mas que pode mudar com o passar do tempo. Na infância, por exemplo, só se interessa por dinossauros; na adolescência, muda para química; e tempos depois, para matemática. Ao contrário das pessoas comuns, que têm uma gama de interesses, ele se interessa por uma coisa e se dedica só a ela.
Portadores de Asperger são muito racionais, metódicos, pouco criativos, obsessivos. São também ingênuos, desengonçados ao caminhar e não têm o que chamamos ginga; por isso, detestam atividades físicas. São ainda seletivos até na alimentação, às vezes consumindo apenas determinados alimentos por toda a vida.
A síndrome é mais frequente nos meninos. Em 70% dos casos, é genética, ou seja, o portador herdados pais e já nasce com ela. Nos casos restantes, resulta da danificação das células cerebrais do feto por doenças infecciosas que a mãe contrai na gestação, como herpes, toxoplasmose, rubéola e citomegalovirose.
As indicações aparecem já nos primeiros anos de vida, como atraso na aquisição de linguagem, dificuldade de socialização e interesses restritos. Às vezes as crianças estão brincando na área de lazer do prédio e os portadores preferem ficar sozinhos em casa. Hoje, com a televisão, os videogames e o DVD, é comum eles passarem o dia inteiro nessas atividades.
Os portadores têm consciência de suas limitações. Parte deles, porém, em especial os de maior QI, mergulha tão profundamente na atividade que elegeu que se sobressai socialmente. Mas os restantes em geral sofrem muito. Por isso tendem a viver sozinhos e isolados. Nas situações mais graves, se tornam presas fáceis de depressão. Também podem, por deficiência alimentar, apresentar infecções de repetição.
Pais que suspeitem que o filho autista possa ter Asperger devem levá-lo a um psiquiatra com especialização nos transtornos do espectro autista. A síndrome ainda não tem cura, mas, quanto mais cedo for diagnosticada e se iniciar o tratamento, maior a chance de controle, dando melhor qualidade vida ao portador.
A síndrome ou transtorno de Asperger foi identificada pelo pediatra austríaco Hans Asperger (1906-1980) em 1944. É um dos transtornos do espectro do autismo. Está entre os menos graves, em que o quadro tem bom prognóstico, pelo fato de o portador ser dotado de boa capacidade de articulação verbal e ter um quociente de inteligência (QI) no mínimo normal.
Caracteriza-se a síndrome quando a pessoa apresenta estes problemas:
* Dificuldade de comunicação. Quem sofre de Asperger aprende e fala normalmente, mas sua linguagem é rebuscada e correta demais e tem dificuldade para entender metáforas, sentido figurado e mensagens subliminares.
Ele leva tudo ao pé da letra. Como tem dificuldade para entender o que falamos, precisamos ser bastante
claros e concretos com ele.
* Dificuldade de socialização. O portador de Asperger tem dificuldades de relacionamento em casa, na escola e no trabalho e para fazer amigos e conseguir namoradas. Em geral quem toma a iniciativa é a mulher - parte deles até se casa. Pela dificuldade de comunicação, o portador do transtorno não gosta de trabalhar com público. Gosta é de trabalhar sozinho em atividades que domina, como pesquisador e cientista.
* Interesses restritos. Quem sofre de Asperger tem mania de restringir seu interesse a um assunto, mas que pode mudar com o passar do tempo. Na infância, por exemplo, só se interessa por dinossauros; na adolescência, muda para química; e tempos depois, para matemática. Ao contrário das pessoas comuns, que têm uma gama de interesses, ele se interessa por uma coisa e se dedica só a ela.
Portadores de Asperger são muito racionais, metódicos, pouco criativos, obsessivos. São também ingênuos, desengonçados ao caminhar e não têm o que chamamos ginga; por isso, detestam atividades físicas. São ainda seletivos até na alimentação, às vezes consumindo apenas determinados alimentos por toda a vida.
A síndrome é mais frequente nos meninos. Em 70% dos casos, é genética, ou seja, o portador herdados pais e já nasce com ela. Nos casos restantes, resulta da danificação das células cerebrais do feto por doenças infecciosas que a mãe contrai na gestação, como herpes, toxoplasmose, rubéola e citomegalovirose.
As indicações aparecem já nos primeiros anos de vida, como atraso na aquisição de linguagem, dificuldade de socialização e interesses restritos. Às vezes as crianças estão brincando na área de lazer do prédio e os portadores preferem ficar sozinhos em casa. Hoje, com a televisão, os videogames e o DVD, é comum eles passarem o dia inteiro nessas atividades.
Os portadores têm consciência de suas limitações. Parte deles, porém, em especial os de maior QI, mergulha tão profundamente na atividade que elegeu que se sobressai socialmente. Mas os restantes em geral sofrem muito. Por isso tendem a viver sozinhos e isolados. Nas situações mais graves, se tornam presas fáceis de depressão. Também podem, por deficiência alimentar, apresentar infecções de repetição.
Pais que suspeitem que o filho autista possa ter Asperger devem levá-lo a um psiquiatra com especialização nos transtornos do espectro autista. A síndrome ainda não tem cura, mas, quanto mais cedo for diagnosticada e se iniciar o tratamento, maior a chance de controle, dando melhor qualidade vida ao portador.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Pesquisa aponta que fumantes são menos inteligentes
20/04/2010 01h23 - Atualizado em 20/04/2010 02h22
Pesquisa aponta que fumantes são menos inteligentes
Foram entrevistados 20 mil soldados de Israel, com idade entre. 18 e 21 anos. Estudo publicado pela revista ‘Addiction’ sugere que fumante tem QI
Médicos acreditam que a decisão de fumar está ligada a uma menor capacidade intelectual. Pesquisa publicada na Grã-Bretanha sugere que fumantes têm QI mais baixo do que não-fumantes.
Os pesquisadores constataram que os QIS mais baixos eram daqueles que fumavam mais cigarros por dia. Além dos danos à saúde já conhecidos, fumar afeta também o desempenho intelectual.
Um artigo publicado na revista britânica “Addiction”, uma das mais prestigiadas sobre tabagismo, dá destaque a outro fator de risco: segundo a pesquisa, jovens menos inteligentes estão mais propensos a começar a fumar.
Foram pesquisados 20 mil recrutas das Forças Armadas de Israel, com idade entre 18 e 21 anos. O QI deles estava dentro da faixa considerada normal, mas, enquanto os não-fumantes tinham QI médio de 101, o dos que fumavam era de 94.
Os pesquisadores constataram que os QIS mais baixos eram daqueles que fumavam mais cigarros por dia. Uma conclusão polêmica.
“Eu estudo normalmente como sempre estudei, tiro minhas notas boas na faculdade como sempre, fumando ou não fumando”, diz um universitário. “Não é uma atitude inteligente, mas também eu não me considero um burro por fumar”, acrescenta outro estudante.
• Brasil tem quase 25 milhões de fumantes, diz IBGE
Gêmeos
Esse não é o primeiro estudo que relaciona o fumo ao QI mais baixo. A diferença é que entre os jovens pesquisados havia 140 gêmeos, irmãos com características genéticas semelhantes, que cresceram no mesmo ambiente, tiveram a mesma educação, mas fizeram escolhas diferentes em relação ao cigarro. Também entre os gêmeos quem fumava tinha o QI menor.
A explicação é simples, diz a psiquiatra Célia Lídia da Costa: “elas têm uma dificuldade maior de compreensão do que está sendo veiculado a respeito do cigarro”.
Mas qual a razão de muita gente fumar mesmo sabendo dos riscos? “Eu sei que causa câncer. Em homem, impotência”.
O médico Sérgio Ricardo dos Santos lembra que ter pais ou amigos que fumam pode ser mais determinante do que a inteligência para o hábito de fumar. Lembra que gênios da música, como Vinícius e Mozart, eram fumantes. Mas faz um alerta: o QI de quem fuma pode diminuir com o tempo.
“Não é possível afirmar que o tabagismo traga burrice às pessoas. A única coisa que ele faz é expor as pessoas a ter uma perda de memória e dificuldade de aprendizado, de compreensão durante a vida”.
Pesquisa aponta que fumantes são menos inteligentes
Foram entrevistados 20 mil soldados de Israel, com idade entre. 18 e 21 anos. Estudo publicado pela revista ‘Addiction’ sugere que fumante tem QI
Médicos acreditam que a decisão de fumar está ligada a uma menor capacidade intelectual. Pesquisa publicada na Grã-Bretanha sugere que fumantes têm QI mais baixo do que não-fumantes.
Os pesquisadores constataram que os QIS mais baixos eram daqueles que fumavam mais cigarros por dia. Além dos danos à saúde já conhecidos, fumar afeta também o desempenho intelectual.
Um artigo publicado na revista britânica “Addiction”, uma das mais prestigiadas sobre tabagismo, dá destaque a outro fator de risco: segundo a pesquisa, jovens menos inteligentes estão mais propensos a começar a fumar.
Foram pesquisados 20 mil recrutas das Forças Armadas de Israel, com idade entre 18 e 21 anos. O QI deles estava dentro da faixa considerada normal, mas, enquanto os não-fumantes tinham QI médio de 101, o dos que fumavam era de 94.
Os pesquisadores constataram que os QIS mais baixos eram daqueles que fumavam mais cigarros por dia. Uma conclusão polêmica.
“Eu estudo normalmente como sempre estudei, tiro minhas notas boas na faculdade como sempre, fumando ou não fumando”, diz um universitário. “Não é uma atitude inteligente, mas também eu não me considero um burro por fumar”, acrescenta outro estudante.
• Brasil tem quase 25 milhões de fumantes, diz IBGE
Gêmeos
Esse não é o primeiro estudo que relaciona o fumo ao QI mais baixo. A diferença é que entre os jovens pesquisados havia 140 gêmeos, irmãos com características genéticas semelhantes, que cresceram no mesmo ambiente, tiveram a mesma educação, mas fizeram escolhas diferentes em relação ao cigarro. Também entre os gêmeos quem fumava tinha o QI menor.
A explicação é simples, diz a psiquiatra Célia Lídia da Costa: “elas têm uma dificuldade maior de compreensão do que está sendo veiculado a respeito do cigarro”.
Mas qual a razão de muita gente fumar mesmo sabendo dos riscos? “Eu sei que causa câncer. Em homem, impotência”.
O médico Sérgio Ricardo dos Santos lembra que ter pais ou amigos que fumam pode ser mais determinante do que a inteligência para o hábito de fumar. Lembra que gênios da música, como Vinícius e Mozart, eram fumantes. Mas faz um alerta: o QI de quem fuma pode diminuir com o tempo.
“Não é possível afirmar que o tabagismo traga burrice às pessoas. A única coisa que ele faz é expor as pessoas a ter uma perda de memória e dificuldade de aprendizado, de compreensão durante a vida”.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Vínculo afetivo entre pais e filhos se consolida quando não é uma obrigação.
Vínculo afetivo entre pais e filhos se consolida quando não é uma obrigação.
Projeto de lei propõe que pais que faltarem com as obrigações emocionais podem ser presos
Há que diga que o amor entre pais e filhos é incondicional, porém, muitas crianças e adolescentes sofrem, desde cedo, com a ausência ou maltratos característicos da violência doméstica. De acordo com o Ministério da Saúde e dados do Unicef, só em 2008, foram mais de 18.000 crianças e jovens agredidos no Brasil.
A cada uma hora, uma entre quatro crianças, sofre agressões físicas e psicológicas causadas pelos pais. Visando a redução destes números alarmantes, dois projetos de lei, que tramitam na Câmara dos Deputados, se propõem a interferir na relação entre pais e filhos, prevendo punição legal, incluindo indenização por danos morais e detenção, para os pais que não cumprirem suas obrigações materiais, morais e, agora, afetivas com os filhos.
Segundo os dois projetos de lei, os pais devem aos filhos, amor, educação e atenção, cuidados indispensáveis para que eles se desenvolvam livres de carências e feridas que causem cicatrizes e traumas (físicos ou emocionais). Por outro lado, os filhos devem aos pais idosos os mesmos cuidados. Mas até que ponto é possível medir o afeto? Ou ainda, como a falta dele pode ser prejudicial em algum momento da vida? ]
"É importante uma lei que regulamente e assegure aos desamparados afeto e atenção, porém, deve-se pesar na balança até que ponto estes cuidados, colocados como obrigação, são bem-vindos e sadios para crianças e jovens. Pode ser que a solução traga mais inquietações do que benefícios", explica a psicóloga Patrícia Spada.
Incondicional ou construído?
Para Patrícia, o amor entre pais e filhos depende muito do ambiente e das circunstâncias em que se desenvolve. "O amor e os laços de afeto são inatos entre mães e filhos e construídos entre pais e filhos, porém, nada disso faz muita diferença se o ambiente em que a família vive for repleto de dores e culpas", explica a psicóloga. "O ideal é manter o respeito e o amor, pois assim os laços se estreitam e a relação fica mais gostosa e cheia de cumplicidade", continua ela.
"Processar ou prender os pais resolve o problema material, mas não alivia a dor".
Falta de afeto x mimo
Mesmo recebendo todo o carinho e atenção necessários, crianças e jovens, em algum momento da vida, vão se sentir desprezados. Mais do que simples manha, este sintoma caracteriza uma fase natural da infância e juventude, portanto merece atenção.
Entretanto, Patrícia alerta para os perigos da aprovação do projeto de lei em relação a esta característica dos filhos: "Não tem como medir até que ponto é birra ou se é maltrato. As crianças não têm autonomia para lidar com esta responsabilidade e não sabem a dimensão de uma punição legal, mas ouvi-las é uma iniciativa importante na hora de tomar decisões relativas ao seu desenvolvimento", explica.
Ruim sem amor, pior com punição
"Não dá para obrigar alguém a amar. O amor se constrói em cima de bases sólidas, não de obrigações, senão deixa de ser amor", diz Patrícia.
A psicóloga explica ainda, que existem alguns fatores de risco para um bom vínculo afetivo entre pais e filhos e que a punição e a interferência judicial podem não ser as melhores maneiras de superá-las. "Se já está difícil formar laços com a convivência, é quase impossível resolver o problema com a polícia intermediando a relação. É traumático para quem denúncia e para quem é acusado", afirma a psicóloga.
Fatores de risco para o bom vínculo afetivo entre pais e filhos
Para Patrícia, os principais aspectos que influenciam na relação entre pais e filhos são:
1) Gravidez indesejada
2) Conflitos no matrimônio
3) Problemas no trabalho
4) Falta de referências positivas de família e amor em decorrência da ausência dos pais
5) Infância traumática
Traumas para os pais
-Se os pais não agem intencionalmente e são movidos por algum dos fatores de risco, tendem a enfrentar problemas ainda mais sérios de depressão e angústia. "Nestes casos, os pais não fazem por mal, e daí vão se sentir cada vez mais culpados. É preciso procurar ajuda psicológica", explica Patrícia.
Os filhos são os que mais sofrem
"Além de já se sentirem rejeitados, os filhos ficam expostos a todos os traumas decorrentes não só do abandono, mas também da culpa pela punição que os pais recebem", explica Patrícia. Outros fatores bastante importantes nesta questão são os efeitos contrários desta punição.
Diante do "poder" de deter as principais autoridades da sua vida, os filhos podem desenvolver comportamento agressivo e egoísta, quando adultos, por crescerem acreditando que são capazes de vencer qualquer obstáculo, já que venceram até seus próprios pais. "Processar ou prender os pais resolve o problema material, mas não alivia a dor, ao contrário, a intensifica, pois, se antes os pais eram ausentes, agora, toda uma série de referências familiares se desfaz, e a criança se perde em meio a violência psicológica a qual é submetida".
Projeto de lei propõe que pais que faltarem com as obrigações emocionais podem ser presos
Há que diga que o amor entre pais e filhos é incondicional, porém, muitas crianças e adolescentes sofrem, desde cedo, com a ausência ou maltratos característicos da violência doméstica. De acordo com o Ministério da Saúde e dados do Unicef, só em 2008, foram mais de 18.000 crianças e jovens agredidos no Brasil.
A cada uma hora, uma entre quatro crianças, sofre agressões físicas e psicológicas causadas pelos pais. Visando a redução destes números alarmantes, dois projetos de lei, que tramitam na Câmara dos Deputados, se propõem a interferir na relação entre pais e filhos, prevendo punição legal, incluindo indenização por danos morais e detenção, para os pais que não cumprirem suas obrigações materiais, morais e, agora, afetivas com os filhos.
Segundo os dois projetos de lei, os pais devem aos filhos, amor, educação e atenção, cuidados indispensáveis para que eles se desenvolvam livres de carências e feridas que causem cicatrizes e traumas (físicos ou emocionais). Por outro lado, os filhos devem aos pais idosos os mesmos cuidados. Mas até que ponto é possível medir o afeto? Ou ainda, como a falta dele pode ser prejudicial em algum momento da vida? ]
"É importante uma lei que regulamente e assegure aos desamparados afeto e atenção, porém, deve-se pesar na balança até que ponto estes cuidados, colocados como obrigação, são bem-vindos e sadios para crianças e jovens. Pode ser que a solução traga mais inquietações do que benefícios", explica a psicóloga Patrícia Spada.
Incondicional ou construído?
Para Patrícia, o amor entre pais e filhos depende muito do ambiente e das circunstâncias em que se desenvolve. "O amor e os laços de afeto são inatos entre mães e filhos e construídos entre pais e filhos, porém, nada disso faz muita diferença se o ambiente em que a família vive for repleto de dores e culpas", explica a psicóloga. "O ideal é manter o respeito e o amor, pois assim os laços se estreitam e a relação fica mais gostosa e cheia de cumplicidade", continua ela.
"Processar ou prender os pais resolve o problema material, mas não alivia a dor".
Falta de afeto x mimo
Mesmo recebendo todo o carinho e atenção necessários, crianças e jovens, em algum momento da vida, vão se sentir desprezados. Mais do que simples manha, este sintoma caracteriza uma fase natural da infância e juventude, portanto merece atenção.
Entretanto, Patrícia alerta para os perigos da aprovação do projeto de lei em relação a esta característica dos filhos: "Não tem como medir até que ponto é birra ou se é maltrato. As crianças não têm autonomia para lidar com esta responsabilidade e não sabem a dimensão de uma punição legal, mas ouvi-las é uma iniciativa importante na hora de tomar decisões relativas ao seu desenvolvimento", explica.
Ruim sem amor, pior com punição
"Não dá para obrigar alguém a amar. O amor se constrói em cima de bases sólidas, não de obrigações, senão deixa de ser amor", diz Patrícia.
A psicóloga explica ainda, que existem alguns fatores de risco para um bom vínculo afetivo entre pais e filhos e que a punição e a interferência judicial podem não ser as melhores maneiras de superá-las. "Se já está difícil formar laços com a convivência, é quase impossível resolver o problema com a polícia intermediando a relação. É traumático para quem denúncia e para quem é acusado", afirma a psicóloga.
Fatores de risco para o bom vínculo afetivo entre pais e filhos
Para Patrícia, os principais aspectos que influenciam na relação entre pais e filhos são:
1) Gravidez indesejada
2) Conflitos no matrimônio
3) Problemas no trabalho
4) Falta de referências positivas de família e amor em decorrência da ausência dos pais
5) Infância traumática
Traumas para os pais
-Se os pais não agem intencionalmente e são movidos por algum dos fatores de risco, tendem a enfrentar problemas ainda mais sérios de depressão e angústia. "Nestes casos, os pais não fazem por mal, e daí vão se sentir cada vez mais culpados. É preciso procurar ajuda psicológica", explica Patrícia.
Os filhos são os que mais sofrem
"Além de já se sentirem rejeitados, os filhos ficam expostos a todos os traumas decorrentes não só do abandono, mas também da culpa pela punição que os pais recebem", explica Patrícia. Outros fatores bastante importantes nesta questão são os efeitos contrários desta punição.
Diante do "poder" de deter as principais autoridades da sua vida, os filhos podem desenvolver comportamento agressivo e egoísta, quando adultos, por crescerem acreditando que são capazes de vencer qualquer obstáculo, já que venceram até seus próprios pais. "Processar ou prender os pais resolve o problema material, mas não alivia a dor, ao contrário, a intensifica, pois, se antes os pais eram ausentes, agora, toda uma série de referências familiares se desfaz, e a criança se perde em meio a violência psicológica a qual é submetida".
Ausência dos pais pode comprometer saúde emocional dos filhos
Ausência dos pais pode comprometer saúde emocional dos filhos
Dificuldade de expressar sentimentos é um dos problemas enfrentados pelos pimpolhos
Não basta ser pai, tem que participar. O termo é bastante conhecido, e as dificuldades para fazê-lo se tornar realidade também. A rotina diária ou a forma como a estrutura familiar está organizada exige que os pais encarem como desafio o que deveria ser uma obrigação: tornar-se presente na vida dos filhos. A ausência se transforma em culpa, para os pais que não conseguem dar atenção à prole, e em traumas para os filhos, que se sentem sozinhos e até rejeitados pelos pais.
A psicóloga Patrícia Spada, que faz parte de uma das equipes da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, além de ser coordenadora do curso que ministra na UNIFESP - "A Psicologia nos Distúrbios Alimentares...", da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, explica que a ausência dos pais pode interferir de maneira diferente no desenvolvimento da criança e do adolescente. Para ela, a ausência traz danos em quaisquer circunstâncias, mas a idade e o motivo da ausência são elementos chave nesta questão, "Criança ou adulto, filhos precisam das referências dos pais, sem elas tendem a enxergar os relacionamentos humanos com certo despreparo e como algo negativo", explica ela.
De 0 a 3 anos de idade
Nesta fase, a formação da personalidade da criança ainda não está definida e a referência dos pais é fundamental para que isso aconteça sem prejuízos emocionais e psicológicos. "Se os pais faltam nesta fase, a criança se sente desprotegida e não tem parâmetros para diferenciar o que é certo do que é errado. Doenças cognitivas, obesidade, desnutrição e problemas afetivos são alguns dos traumas carregados pela ausência dos pais", conta Patrícia. "A presença dos pais é primordial neste período, pois, os traumas sofridos nela se estendem pela vida adulta e vão desde dificuldades de aprendizagem até a falta de apetite ou a comilança excessiva", continua ela.
Na adolescência
Já na adolescência, os efeitos são mais de ordem comportamental e podem se refletir tanto na vida amorosa e familiar como no convívio em sociedade. "O adolescente tende a buscar referências fora de casa, quando não as encontra nos pais. Portanto, a chance de manifestar um comportamento agressivo e buscar as referências ausentes em estranhos são grandes", explica Patrícia.
Excesso de trabalho
Nestes casos, os filhos se sentem trocados e traídos pelos pais, é como se não fossem importantes. A psicóloga explica que sinais como tiques nervosos, tristeza e apatia ou agressividade são bastante comuns quando o motivo da ausência é esse, e que os pais devem prestar atenção no comportamento dos filhos para não achar que esses sintomas são frescura ou decorrentes de outros motivos.
Desestrutura familiar
A psicóloga explica que, quando a ausência se dá pela separação dos pais, é possível evitar traumas estabelecendo regras e mantendo uma rotina parecida com a que os filhos levavam antes do divórcio, porém, segundo Patrícia, quando a ausência se dá pelo fato do filho não conhecer o pai ou a mãe, os traumas são bem maiores. "Não sabemos oferecer aos outros aquilo que não recebemos. Quando não conhecemos nossas origens, não desenvolvemos o sentimento de pertencimento que faz com que nos sintamos filhos de alguém, não temos laços afetivos importantes com as outras pessoas", explica Patrícia.
Falecimento dos pais
A ausência neste caso pode ser a mais dolorosa. Pai e mãe são sempre insubstituíveis na vida dos filhos, e tentar suprir o carinho que vai faltar é uma situação delicada. Patrícia explica que a melhor maneira de os familiares lidar com isso é dar amor sem tentar uma substituição de valores. "Avós são avós e pais são pais, não dá para querer mudar essa realidade, o que se pode e deve fazer é tentar reforçar ainda mais os laços naturais que unem esta família", explica ela.
Dicas para amenizar os traumas causados pela ausência dos pais
-Melhore a qualidade do tempo que passa com seus filhos. Se tiver duas horas por dia para ficar com eles, dedique-se apenas a isso neste período
-Tente se fazer presente emocionalmente, quando a presença física é impossível: Telefonar, deixar bilhetes e fazer surpresas pode ser uma boa saída
-Justifique a ausência com uma conversa franca, quando os filhos são mais velhos
-Quando pequenos, não delegue funções de pai e mãe a estranhos; tente mostrar que você faz parte da vida da criança, mesmo sem tanto tempo para isso.
Dificuldade de expressar sentimentos é um dos problemas enfrentados pelos pimpolhos
Não basta ser pai, tem que participar. O termo é bastante conhecido, e as dificuldades para fazê-lo se tornar realidade também. A rotina diária ou a forma como a estrutura familiar está organizada exige que os pais encarem como desafio o que deveria ser uma obrigação: tornar-se presente na vida dos filhos. A ausência se transforma em culpa, para os pais que não conseguem dar atenção à prole, e em traumas para os filhos, que se sentem sozinhos e até rejeitados pelos pais.
A psicóloga Patrícia Spada, que faz parte de uma das equipes da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, além de ser coordenadora do curso que ministra na UNIFESP - "A Psicologia nos Distúrbios Alimentares...", da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, explica que a ausência dos pais pode interferir de maneira diferente no desenvolvimento da criança e do adolescente. Para ela, a ausência traz danos em quaisquer circunstâncias, mas a idade e o motivo da ausência são elementos chave nesta questão, "Criança ou adulto, filhos precisam das referências dos pais, sem elas tendem a enxergar os relacionamentos humanos com certo despreparo e como algo negativo", explica ela.
De 0 a 3 anos de idade
Nesta fase, a formação da personalidade da criança ainda não está definida e a referência dos pais é fundamental para que isso aconteça sem prejuízos emocionais e psicológicos. "Se os pais faltam nesta fase, a criança se sente desprotegida e não tem parâmetros para diferenciar o que é certo do que é errado. Doenças cognitivas, obesidade, desnutrição e problemas afetivos são alguns dos traumas carregados pela ausência dos pais", conta Patrícia. "A presença dos pais é primordial neste período, pois, os traumas sofridos nela se estendem pela vida adulta e vão desde dificuldades de aprendizagem até a falta de apetite ou a comilança excessiva", continua ela.
Na adolescência
Já na adolescência, os efeitos são mais de ordem comportamental e podem se refletir tanto na vida amorosa e familiar como no convívio em sociedade. "O adolescente tende a buscar referências fora de casa, quando não as encontra nos pais. Portanto, a chance de manifestar um comportamento agressivo e buscar as referências ausentes em estranhos são grandes", explica Patrícia.
Excesso de trabalho
Nestes casos, os filhos se sentem trocados e traídos pelos pais, é como se não fossem importantes. A psicóloga explica que sinais como tiques nervosos, tristeza e apatia ou agressividade são bastante comuns quando o motivo da ausência é esse, e que os pais devem prestar atenção no comportamento dos filhos para não achar que esses sintomas são frescura ou decorrentes de outros motivos.
Desestrutura familiar
A psicóloga explica que, quando a ausência se dá pela separação dos pais, é possível evitar traumas estabelecendo regras e mantendo uma rotina parecida com a que os filhos levavam antes do divórcio, porém, segundo Patrícia, quando a ausência se dá pelo fato do filho não conhecer o pai ou a mãe, os traumas são bem maiores. "Não sabemos oferecer aos outros aquilo que não recebemos. Quando não conhecemos nossas origens, não desenvolvemos o sentimento de pertencimento que faz com que nos sintamos filhos de alguém, não temos laços afetivos importantes com as outras pessoas", explica Patrícia.
Falecimento dos pais
A ausência neste caso pode ser a mais dolorosa. Pai e mãe são sempre insubstituíveis na vida dos filhos, e tentar suprir o carinho que vai faltar é uma situação delicada. Patrícia explica que a melhor maneira de os familiares lidar com isso é dar amor sem tentar uma substituição de valores. "Avós são avós e pais são pais, não dá para querer mudar essa realidade, o que se pode e deve fazer é tentar reforçar ainda mais os laços naturais que unem esta família", explica ela.
Dicas para amenizar os traumas causados pela ausência dos pais
-Melhore a qualidade do tempo que passa com seus filhos. Se tiver duas horas por dia para ficar com eles, dedique-se apenas a isso neste período
-Tente se fazer presente emocionalmente, quando a presença física é impossível: Telefonar, deixar bilhetes e fazer surpresas pode ser uma boa saída
-Justifique a ausência com uma conversa franca, quando os filhos são mais velhos
-Quando pequenos, não delegue funções de pai e mãe a estranhos; tente mostrar que você faz parte da vida da criança, mesmo sem tanto tempo para isso.
Pais omissos geram crescimento da obesidade infantil
Pais omissos geram crescimento da obesidade infantil
Pesquisa mostra que os adultos sentem culpa na hora de proibir os maus hábitos
Falta pulso firme aos pais na hora de controlar a dieta dos filhos. A conclusão é de um estudo, realizado na Escola de Medicina de Harvard (EUA) , a respeito do crescimento dos casos de obesidade infantil. Após acompanhar a rotina de 440 pais de crianças com sobrepeso ,os médicos descobriram que o problema, na maioria das vezes, não está na falta de informação: os adultos sabem o que prejudica a saúde dos filhos, mas sentem-se inseguros em proibir os maus hábitos.
Os pais foram estimulados a vetar a televisão na hora das refeições, reduzir o consumo de fast food, cortar os refrigerantes, obrigar a prática de exercícios físicos e aumentar o número de refeições feitas. Mas nem sempre as mudanças aconteceram: muitos adultos sentiam-se castigando as crianças ao assumir algumas das medidas as limitações quanto ao uso da televisão e as refeições em família foram as regras mais desrespeitadas. O grupo incluía pais de crianças com idades entre dois e doze anos.
"As crianças aprendem muito com os exemplos. Se os pais proíbem as refeições em frente da televisão, mas fazem lanches na cama, perdem a autoridade", afirma a nutricionista do Minha Vida, Roberta Stella. "Para manter a saúde e o peso ideal, a rotina de toda a família precisa ser saudável. Sem diferenças, fica mais fácil manter a linha: se ninguém em casa toma refrigerante, por exemplo, a tentação some da geladeira"
O estudo também identificou que os adultos que se mantinham no peso ideal mostraram-se mais à vontade para impor as proibições às crianças ao contrário dos pais obesos, mais relutantes em manter as restrições. A autoconfiança também se apresentou diretamente proporcional ao nível de estudo dos pais: aqueles com graduação superior mantiveram-se mais firmes.
Pesquisa mostra que os adultos sentem culpa na hora de proibir os maus hábitos
Falta pulso firme aos pais na hora de controlar a dieta dos filhos. A conclusão é de um estudo, realizado na Escola de Medicina de Harvard (EUA) , a respeito do crescimento dos casos de obesidade infantil. Após acompanhar a rotina de 440 pais de crianças com sobrepeso ,os médicos descobriram que o problema, na maioria das vezes, não está na falta de informação: os adultos sabem o que prejudica a saúde dos filhos, mas sentem-se inseguros em proibir os maus hábitos.
Os pais foram estimulados a vetar a televisão na hora das refeições, reduzir o consumo de fast food, cortar os refrigerantes, obrigar a prática de exercícios físicos e aumentar o número de refeições feitas. Mas nem sempre as mudanças aconteceram: muitos adultos sentiam-se castigando as crianças ao assumir algumas das medidas as limitações quanto ao uso da televisão e as refeições em família foram as regras mais desrespeitadas. O grupo incluía pais de crianças com idades entre dois e doze anos.
"As crianças aprendem muito com os exemplos. Se os pais proíbem as refeições em frente da televisão, mas fazem lanches na cama, perdem a autoridade", afirma a nutricionista do Minha Vida, Roberta Stella. "Para manter a saúde e o peso ideal, a rotina de toda a família precisa ser saudável. Sem diferenças, fica mais fácil manter a linha: se ninguém em casa toma refrigerante, por exemplo, a tentação some da geladeira"
O estudo também identificou que os adultos que se mantinham no peso ideal mostraram-se mais à vontade para impor as proibições às crianças ao contrário dos pais obesos, mais relutantes em manter as restrições. A autoconfiança também se apresentou diretamente proporcional ao nível de estudo dos pais: aqueles com graduação superior mantiveram-se mais firmes.
Apego exagerado ao filho pode desencadear síndrome do ninho vazio
Apego exagerado ao filho pode desencadear síndrome do ninho vazio
A saudade pode virar depressão, mas dá para contornar a fase com medidas simples
Faz parte do processo natural da vida em família os filhos saírem de casa em determinado momento, seja porque vão casar, ou porque vão cursar a universidade em outra cidade, ou ainda na busca por mais independência. Em geral, isso é motivo de festa para os pais, pois começam a enxergar seus filhos como pessoas responsáveis e capazes de tocar suas próprias vidas.
Mas, às vezes, o que deveria ser motivo de alegria pode se transformar em pesadelo para os adultos. É a chamada síndrome do ninho vazio, causada quando a pessoa, em geral a mãe, vê seus filhos ganhando autonomia e saindo de casa. Por não conseguir lidar com isso, o sentimento de saudade acaba ganhando proporções prejudiciais à vida de quem fica.
As causas
A síndrome do ninho vazio acontece com pessoas que se vinculam muito aos filhos e criam, praticamente, uma rotina voltada para atender as necessidades deles. Quase como uma troca, a mãe faz tudo para e pelo filho, que retribui com companheirismo. "Em geral, essa síndrome costuma acontecer com mulheres, porque elas estão mais tempo em casa e, por isso, tem um vínculo mais estreito com os filhos", explica o psicólogo Sandro Caramaschi, da Unifesp. Além disso, as mulheres são três vezes mais propensas à depressão. Assim, um sentimento como a saudade pode desencadear sofrimentos mais intensos.
Para conter a tristeza
A síndrome do ninho vazio é considerada, pelos profissionais da área, como uma crise existencial passageira. Dependendo de alguns fatores, como o número de filhos e a personalidade da mulher, tudo pode ser apenas questão de se acostumar à nova rotina. "No entanto, pode haver exacerbação nos sintomas de tristeza e, nesses casos, é aconselhável tratamento psicológico", diz Sandro Caramaschi.
A dona de casa Selma do Vale de Guarulhos (SP) conta que ficou deprimida durante dois meses, tempo em que a filha caçula saiu de casa para estudar. "Ela me fazia companhia durante o dia. Quando ela se mudou para outra cidade, veio a tristeza. Eu sentia um vazio e chorava muito. Saber que ela estava longe e não ia voltar para casa todo fim de semana foi muito difícil", relembra Selma. "Foi maravilhoso para mim quando ela conseguiu a transferência na faculdade para estudar aqui na nossa cidade. Ela voltou pra casa". Mas nem sempre é assim, na grande maioria das vezes o filho toca a vida e não volta a dividir o teto com a família. Cortar o cordão umbilical imaginário que perdura entre mãe e filho pode ser doloroso no início, mas é a solução para a saúde emocional da mãe.
Para que as mães não sofram com a saída dos filhos da casa, é importante que haja a preparação para a chegada da nova realidade. É importante que a mulher separe a vida dela da vida dos filhos, o máximo possível. "Faz parte disso ampliar a rede social, passear, ter atividade remuneradas ou não, mas que sejam feitas fora de casa e que ajudam a mulher a ter outro papel que não seja o da mãe clássica", explica o especialista da Unifesp.
Se você está passando por essa crise ou poderá passar em breve, a recomendação é para que se relacione com diferentes pessoas, procure o apoio de quem já passou pela mesma situação ou matricule-se em cursos ou academias. Com isso, a mulher pode reorganizar seus projetos de vida, tirando de foco a ausência do filho.
A saudade pode virar depressão, mas dá para contornar a fase com medidas simples
Faz parte do processo natural da vida em família os filhos saírem de casa em determinado momento, seja porque vão casar, ou porque vão cursar a universidade em outra cidade, ou ainda na busca por mais independência. Em geral, isso é motivo de festa para os pais, pois começam a enxergar seus filhos como pessoas responsáveis e capazes de tocar suas próprias vidas.
Mas, às vezes, o que deveria ser motivo de alegria pode se transformar em pesadelo para os adultos. É a chamada síndrome do ninho vazio, causada quando a pessoa, em geral a mãe, vê seus filhos ganhando autonomia e saindo de casa. Por não conseguir lidar com isso, o sentimento de saudade acaba ganhando proporções prejudiciais à vida de quem fica.
As causas
A síndrome do ninho vazio acontece com pessoas que se vinculam muito aos filhos e criam, praticamente, uma rotina voltada para atender as necessidades deles. Quase como uma troca, a mãe faz tudo para e pelo filho, que retribui com companheirismo. "Em geral, essa síndrome costuma acontecer com mulheres, porque elas estão mais tempo em casa e, por isso, tem um vínculo mais estreito com os filhos", explica o psicólogo Sandro Caramaschi, da Unifesp. Além disso, as mulheres são três vezes mais propensas à depressão. Assim, um sentimento como a saudade pode desencadear sofrimentos mais intensos.
Para conter a tristeza
A síndrome do ninho vazio é considerada, pelos profissionais da área, como uma crise existencial passageira. Dependendo de alguns fatores, como o número de filhos e a personalidade da mulher, tudo pode ser apenas questão de se acostumar à nova rotina. "No entanto, pode haver exacerbação nos sintomas de tristeza e, nesses casos, é aconselhável tratamento psicológico", diz Sandro Caramaschi.
A dona de casa Selma do Vale de Guarulhos (SP) conta que ficou deprimida durante dois meses, tempo em que a filha caçula saiu de casa para estudar. "Ela me fazia companhia durante o dia. Quando ela se mudou para outra cidade, veio a tristeza. Eu sentia um vazio e chorava muito. Saber que ela estava longe e não ia voltar para casa todo fim de semana foi muito difícil", relembra Selma. "Foi maravilhoso para mim quando ela conseguiu a transferência na faculdade para estudar aqui na nossa cidade. Ela voltou pra casa". Mas nem sempre é assim, na grande maioria das vezes o filho toca a vida e não volta a dividir o teto com a família. Cortar o cordão umbilical imaginário que perdura entre mãe e filho pode ser doloroso no início, mas é a solução para a saúde emocional da mãe.
Para que as mães não sofram com a saída dos filhos da casa, é importante que haja a preparação para a chegada da nova realidade. É importante que a mulher separe a vida dela da vida dos filhos, o máximo possível. "Faz parte disso ampliar a rede social, passear, ter atividade remuneradas ou não, mas que sejam feitas fora de casa e que ajudam a mulher a ter outro papel que não seja o da mãe clássica", explica o especialista da Unifesp.
Se você está passando por essa crise ou poderá passar em breve, a recomendação é para que se relacione com diferentes pessoas, procure o apoio de quem já passou pela mesma situação ou matricule-se em cursos ou academias. Com isso, a mulher pode reorganizar seus projetos de vida, tirando de foco a ausência do filho.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
MÚLTIPLAS LINGUAGENS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
MÚLTIPLAS LINGUAGENS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: A CRIANÇA SOB NOVA ÓTICA, NOVA ÉTICA E NOVA ESTÉTICA
Palavras- chave: educação infantil- práticas sociais - produção cultural
Este propõe-se a analisar questões ligadas à Educação Infantil, enfatizando, para tanto, a relação existente entre a produção cultural contemporânea e a formação da criança de zero a cinco anos de idade. Entendida neste texto como uma relação marcada pelas práticas sociais, busca refletir sobre a formação da criança, a função da escola e o papel do professor dessa etapa de ensino em tal processo.
Falar de diferentes linguagens, na educação infantil, significa, num primeiro momento, falar de aspectos que traduzem as características da linguagem própria da criança: imaginação, ludicidade, simbolismo, representação. Para ela, a linguagem reveste-se de um caráter comunicativo que, ao mesmo tempo em que comunica algo, permite dizer alguma coisa também. Daí se dizer que toda e qualquer forma de linguagem representa uma riqueza de possibilidades, desde que, faz-se necessário lembrar, a criança tenha acesso às especificidades de cada uma delas, para que, desse modo, possa desfrutar de todas, apropriando-se de cada uma de maneira particular, o que significa, no ensino formal, reconhecer nelas particularidades que não as colocam em ordem hierárquica de importância, mas em situação de igualdade face ao que cada uma representa. Por isso se justifica dar tanto valor às variadas experiências humanas que, no conjunto, formam o acervo de manifestações de que se vale o homem para se comunicar.
A partir desse entendimento, insere-se a criança no panorama cultural construído pelo homem ao longo da história, o que pressupõe familiarizá-la com os mais variados tipos de linguagem, desde os representados pelo brinquedo até os representados pela literatura, passando pela linguagem do teatro, do cinema, da mídia (televisão, rádio, jornal), da nova mídia (computador, jogos eletrônicos,...), das histórias em quadrinhos, dos álbuns de figurinha, da poesia, da ilustração. Embora se saiba que o ser humano não se define por apenas uma forma de expressão, destaca-se aqui que muitas dessas linguagens ficam secundarizadas na escola, em função de razões históricas que explicam a supremacia da linguagem escrita em detrimento de outras formas de linguagem, a partir da crença de que somente a palavra escrita é importante e fundamental para o que se considera como “estudar a sério”.
Dessa forma, existe uma tendência, quando o assunto é linguagem, a se relacionar essa habilidade apenas à oralidade e à escrita, dado que estas duas manifestações linguísticas são, via de regra, as mais enfatizadas nos contextos escolares. Não se trata aqui de discutir o papel de uma ou outra nem tampouco atribuir lugares de destaque a alguma delas, mas de discutir as características culturais que cada uma apresenta/representa, assim como analisar as possíveis contribuições dessas diferentes formas de expressão para a Educação Infantil.
Nesse sentido, cabe destacar que cada linguagem traduz intenções, pretensões, alusões ao tipo de mensagem que se propõe a comunicar, e que isso tem relação direta com o tipo de homem, de mundo e de sociedade que cada uma veicula. A intenção deste ensaio, muito menos que buscar respostas, propõe-se a incitar perguntas, que pretendem, no mais das vezes, estabelecer um diálogo entre educadores sobre as questões que cercam o desenvolvimento infantil, mais especificamente, no que se refere às múltiplas linguagens de que nos valemos (ou não...) em busca de comunicação. E aí se torna inevitável que se fale dos conceitos de criança, de infância e, sobretudo, de que tipo de criança se deseja formar e, ainda, das relações existentes entre ser criança e ter (ou não...) infância.
Assim, se o que se pretende é formar a criança na sua totalidade, para que possa efetivamente viver a infância de maneira plena e significativa, faz-se necessário que nos debrucemos, primeiramente, sobre o impacto que a produção cultural provoca nas crianças e o papel da escola frente aos inúmeros apelos trazidos por essa mesma produção, que, em geral, é comunicada pelas próprias crianças através das preferências por determinados programas de televisão, filmes, desenhos animados, álbuns de figurinhas, jogos e brincadeiras, que, não raras vezes, causam espanto e preocupação em professores e especialistas da área da educação. Dizer que as novas tecnologias (representadas por toda sorte de jogos e brinquedos eletro-eletrônicos) e mídia (representada especialmente pela televisão em razão de ser o meio de maior acesso ao universo infantil) representam uma ameaça ao desenvolvimento da criança, não resolve os conflitos advindos dessa nova realidade cultural, que, queiramos ou não, concorre (e ganha...) com/da a escola em termos de preferência e de apelo, pois que faz parte e se encontra totalmente incorporada ao cotidiano infantil atual.
Trata-se, pois, de entender e de ressignificar essas linguagens para que, num movimento ininterrupto de questionamento e de leitura critica, se possa ensinar na escola como “ler” os diferentes “textos” latentes em cada forma de expressão. Assim, ilustra-se a presente questão com uma das formas de comunicação mais característica da criança, qual seja, o brincar. O brinquedo se insere no contexto escolar como uma das formas de que se vale a criança para representar o mundo adulto e o próprio universo infantil, com todas as subjetividades que isso representa para a criança e para o adulto que a acompanha e orienta.
A linguagem do brinquedo é espontânea, anárquica e plena de significados, pois traduz, através da movimentação, das escolhas por determinadas brincadeiras, da preferência por determinados pares, não só o entendimento que o sujeito tem do mundo, mas também a forma como se organiza individual e coletivamente dentro dele. Claro está que a brincadeira se reveste não só de um caráter instintivo, pois que inato em todas as crianças, mas também de um caráter fortemente marcado pela cultura em que as mesmas se inserem. Nossas formas de brincar, os brinquedos que utilizamos/preferimos são determinados por fatores que extrapolam a escolha autônoma, já que imbuídos de apelos mercadológicos oferecidos por uma sociedade de consumo, que descobriu na criança um consumidor potencial de produtos e serviços, fenômeno que acaba por incitar necessidades de brincar com aquela boneca específica, com aquele carrinho específico ou ainda com aquele software específico.
Nessa lógica, não se trata tão somente de brincar, mas de brincar com determinados objetos mercantilizados, que logo se tornarão obsoletos, pois que substituídos por outros mais modernos, mais rápidos, mais “eficientes”, o que faz do brinquedo manufaturado algo totalmente impensado nesse universo de consumidores precoces. De que forma lidar com isso dentro da escola? De que maneira tratar a frustração de quem, no dia estabelecido para trazer brinquedos de casa, não tem algo interessante para apresentar aos colegas? De que forma o professor poderá seduzir os alunos com o material didático-pedagógico existente em sala de aula, quando o que parece mobilizar as crianças é justamente aquele eletro eletrônico colorido que faz sons, emite cores e não exige mais que um toque de dedos para se pôr em funcionamento?
A indústria do brinquedo cria “necessidades” de consumo compatíveis com as exigências da sociedade atual, o que implica ter precisão, rapidez e produtividade, características necessárias à formação ininterrupta de novas “necessidades”. Talvez esse apelo mercantil, tão presente na produção cultural contemporânea, explique o fato de que outras linguagens, de caráter, aparentemente, menos utilitário do que a oralidade e escrita, sejam frequentemente secundarizadas na Escola Infantil, pois que o investimento pedagógico, desde cedo, prioriza aquilo que servirá de “ingresso” na cultura ocidental letrada, aquela que exige produção, que produz “necessidades”, que formata sujeitos e desconsidera potencialidades individuais, caso não estejam estas a serviço das exigências de mercado, o que faz com que incorporemos a idéia de que aprendemos para ter e não para ser.
Cabe aqui retomar a importância do papel que o professor desempenha nesse contexto, pois somente contando com uma formação sólida e consistente do ponto de vista sócio-histórico-cultural-antroplógico-pedagógico será possível neutralizar o impacto que essas demandas, representadas por esse tipo de produção cultural, costumam projetar sobre as crianças. Se considerarmos que o aprendizado infantil se dará, também, a partir das experiências a que ela tiver acesso, associadas às características biopsicogenéticas, é de se esperar que todas as linguagens – desenho, pintura, literatura, jogo, brinquedo, imagem, silêncio, dança, teatro, música, prosa, poesia, mímica, mídia, e, também, oralidade e escrita – estejam igualmente presentes na vivência infantil escolar, pois a reflexão sobre a produção cultural subjacente às inúmeras formas de linguagem contribui para a criação de uma cultura de pesquisa na escola. No entendimento de Oswald (1996), o caráter de produtividade de que a leitura e a escrita se revestem na sala de aula é incoerente com a concepção de criança como social imerso na cultura que desponta como eixo fundamental de uma linha de investigação que vem permitindo ao campo da educação entender a infância como protagonista viva da história, da sociedade e da cultura.
A propósito disso, num trabalho proposto pelos professores da Escola Anna Frank- Reggio Emilia- Itália- foi realizada uma investigação a partir da linguagem verbal e da linguagem pictórica, junto a alunos de quatro anos de idade sobre a temática escolhida para estudo pelas crianças no início do ano letivo: os dinossauros. A discussão em grupo e uma série de questões de final aberto encorajaram o debate entre as crianças. Através da oralidade, os alunos respondiam o debate perguntas como: Onde os dinossauros viviam? O que eles comiam? Como cuidavam de seus filhotes? Como os filhotes nasciam? Os dinossauros ainda vivem? Quais são as diferenças entre machos e fêmeas? A partir daí, foi proposto que os alunos desenhassem dinossauros, da maneira como eles os imaginavam.
Na análise feita pelos professores, ficou evidenciado que os desenhos apresentaram diferenças entre as formas de pensar de meninos e meninas. Meninos indicaram os dinossauros fêmeas desenhando filhotes na barriga da mãe. Meninas representaram as fêmeas usando adornos, cabelos longos e filhotes próximos à mãe, numa clara demonstração de que nossas linguagens são marcadas pela forma como a produção cultural se projeta sobre nós e se desvela nas nossas variadas formas de expressão. Numa abordagem superficial, talvez se ficasse limitado às características físicas do dinossauro, alimentação e habitat. Entretanto, quando o que se espera é que os alunos pensem sobre o que está sendo proposto, a discussão deve ser estimulada tanto quanto as diferentes formas de que dispomos para realizar concretamente nossas idéias.
Portanto, possibilitar à criança a discussão e análise dos próprios trabalhos, mas também a análise do trabalho do outro, favorece o conflito cognitivo entre os pares, exercício intelectual que leva à organização mental, à criatividade, à busca de respostas e soluções para os embates/impasses surgidos em sala de aula. Assim, se percebe que, embora numa proposta de atividade, aparentemente, simples, muitas são as questões que se podem abordar e inúmeros os tipos de linguagem que se podem desenvolver. Basta, para tanto, que haja intencionalidade pedagógica e consistência teórica por parte dos professores, que, através de propostas previamente planejadas junto aos alunos, podem se servir desse rico banquete de subjetividades oferecido pelos alunos e devolvê-lo em forma de projetos desafiadores, instigantes e ricos em recursos expressivos.
Temos então que é fundamental que o professor medeie a relação da criança com os diferentes tipos de linguagem, entendendo que cada tipo oferece características específicas. Daí a importância de o professor disponiblizar recursos para que a criança se familiarize com os variados tipos de linguagem de que dispomos, pois somente tendo acesso e familiaridade ela poderá deles dispor para fazer valer suas próprias ideias e sentimentos, já que a linguagem humana não responde apenas a necessidades práticas e utilitárias. Responde a necessidades de comunicação afetiva. (Morin, 1998) .
Estimular o desenvolvimento das múltiplas linguagens na Educação Infantil significa, dentre outros aspectos, desenvolver uma leitura reflexiva e crítica de mundo, catapultando de uma visão de senso comum para um entendimento mais aprofundado da realidade que nos cerca e que causa tanta perplexidade no universo infantil. Recorrer à linguagem artística, corporal, musical, oral, escrita, pictórica, dramática, como forma de estabelecer comunicação com o mundo é um direito que a criança tem e que a escola deve assegurar. Nesse aspecto, Zabalza (1998) reforça que embora o crescimento infantil seja um processo global e interligado, não se produz nem de maneira homogênea nem automática. Cada área do desenvolvimento exige intervenções que o reforcem e vão estabelecendo as bases de um progresso equilibrado do conjunto. (Zabalza, 1998, p. 52.)
Possivelmente, o conhecimento/utilização de variadas formas de expressão ofereça lugar a que distintas maneiras de comunicação se desvelem em sala de aula, o que significa dizer que cada um, a seu modo, pode/deve se manifestar sem que, para tanto, existam protocolos e modelos a serem seguidos. Trata-se, portanto, de oferecer aos alunos diferentes recursos de expressão, explorando cada um deles a partir das especificidades que deles decorrem. Quem sabe, dessa forma, a produção das crianças possa se agregar à produção cultural já existente, iniciando-se, assim, uma interlocução significativa entre o que já existe e o que podemos criar/ressignificar. Nas palavras de Zabalza (1998), a dimensão estética é diferente da psicomotora, embora estejam relacionadas. O desenvolvimento da linguagem avança por caminhos diferentes dos da sensibilidade musical. A aprendizagem de normas requer processos diferentes dos necessários para a aprendizagem de movimentos psicomotores finos. Sem dúvida, todas essas capacidades estão vinculadas (neurológica, intelectual, emocionalmente), mas pertencem a âmbitos diferentes e requerem, portanto, processos (atividades, materiais, orientações) bem diferenciados de ação didática. (Zabalza, 1998, p. 52) .
Dessa maneira, o que se pretende é que o desenvolvimento de múltiplas linguagens na Educação Infantil esteja a serviço de um desenvolvimento mais abrangente, que ultrapasse as habilidades de se expressar de múltiplas formas, e se configure como uma possibilidade de leitura significativa de mundo, o que implica identificar fenômenos, estabelecer relações, elaborar inferências a partir do que se vive e observa, sistematizar informações, enfim, produzir conhecimento. Claro está que esse tipo de entendimento sobre as múltiplas linguagens representa uma tomada de decisão no que se refere ao cotidiano escolar e às exigências nele presentes, pois propor um trabalho que anuncia apenas o ponto de partida, mas não o de chegada, significa priorizar a qualidade dos trabalhos e não a quantidade. Afinal, de nada servem as pastas abarrotadas de folhas, demonstrando a mesma técnica de desenho ou pintura, se, junto a esse acervo, não houver uma criança que saiba interpretar essas produções. De pouco vale a satisfação da escola e dos pais, se, junto a esse sentimento, não houver uma criança que se desenvolve e cresce nos aspectos cognitivos, psicomotor e socioafetivo. De nada adianta satisfazer a lógica do adulto, se a lógica infantil estiver sendo desprezada. Cabe lembrar que o desenvolvimento das diferentes linguagens requer tempo, recorrência, exercício, anarquia, escolha, discussão, análise, reflexão, sistematização, investimento intelectual da maior importância e relevância, ainda que nem sempre passível de ser guardado na pasta do aluno, o que reforça a ideia de que a quantidade de trabalhos não representa um balisador seguro quando se trata de falar em qualidade em Educação Infantil.
Noutras palavras, o trabalho na escola deve se pautar pelo sólido conhecimento técnico, pela intencionalidade pedagógica, pela partilha solidária dos saberes (Moraes, 2008), pela participação da comunidade escolar e da comunidade familiar, elementos necessários para uma educação qualificada. Disso se depreende que não há hierarquias pre-estabelecidas, tampouco temáticas obrigatórias, pois todos os elementos envolvidos no processo de educar são partícipes e atuantes, todos têm vez e voz, o que equivale a dizer que, cada um, do lugar de onde fala, terá ricas contribuições a oferecer. Quem sabe, assim, se converte a cultura da cobrança na cultura da colaboração, a cultura do poder na cultura da socialização, a cultura do projeto pessoal na cultura do projetivo coletivo, a cultura da escrita na cultura das múltiplas linguagens, dilemas esses ainda tão presentes no cotidiano da Educação Infantil.
Destaca-se, ainda, que numa sociedade como a brasileira, marcada pela desigualdade social, trata-se de manter a discussão, lembrando que, embora nem todas as crianças tenham acesso a todos os produtos culturais e às linguagens deles advindos, ainda assim a temática merece um tratamento aprofundado e reflexivo.
Talvez, a partir da compreensão do que cada segmento da sociedade entende como importante e/ou necessário, possamos pensar que cada elemento desse conjunto social assume uma tarefa: a indústria quer vender, portanto, deve seduzir pais e filhos. Estes, para exigir a compra, aqueles para comprar. Nós, professores, assumimos o compromisso de educar, portanto lidamos com processos, e não com produtos. E, ainda, implícitas nesse desafio de educar deverão estar as concepções de que tipo de homem, de mundo e de sociedade esperamos formar. A partir daí impõe-se a urgência de se discutir papéis e funções dos educadores frente ao desenvolvimento das múltiplas linguagens e à produção cultural subjacente a elas, sob pena de sermos canibalizados por essa produção.
Palavras- chave: educação infantil- práticas sociais - produção cultural
Este propõe-se a analisar questões ligadas à Educação Infantil, enfatizando, para tanto, a relação existente entre a produção cultural contemporânea e a formação da criança de zero a cinco anos de idade. Entendida neste texto como uma relação marcada pelas práticas sociais, busca refletir sobre a formação da criança, a função da escola e o papel do professor dessa etapa de ensino em tal processo.
Falar de diferentes linguagens, na educação infantil, significa, num primeiro momento, falar de aspectos que traduzem as características da linguagem própria da criança: imaginação, ludicidade, simbolismo, representação. Para ela, a linguagem reveste-se de um caráter comunicativo que, ao mesmo tempo em que comunica algo, permite dizer alguma coisa também. Daí se dizer que toda e qualquer forma de linguagem representa uma riqueza de possibilidades, desde que, faz-se necessário lembrar, a criança tenha acesso às especificidades de cada uma delas, para que, desse modo, possa desfrutar de todas, apropriando-se de cada uma de maneira particular, o que significa, no ensino formal, reconhecer nelas particularidades que não as colocam em ordem hierárquica de importância, mas em situação de igualdade face ao que cada uma representa. Por isso se justifica dar tanto valor às variadas experiências humanas que, no conjunto, formam o acervo de manifestações de que se vale o homem para se comunicar.
A partir desse entendimento, insere-se a criança no panorama cultural construído pelo homem ao longo da história, o que pressupõe familiarizá-la com os mais variados tipos de linguagem, desde os representados pelo brinquedo até os representados pela literatura, passando pela linguagem do teatro, do cinema, da mídia (televisão, rádio, jornal), da nova mídia (computador, jogos eletrônicos,...), das histórias em quadrinhos, dos álbuns de figurinha, da poesia, da ilustração. Embora se saiba que o ser humano não se define por apenas uma forma de expressão, destaca-se aqui que muitas dessas linguagens ficam secundarizadas na escola, em função de razões históricas que explicam a supremacia da linguagem escrita em detrimento de outras formas de linguagem, a partir da crença de que somente a palavra escrita é importante e fundamental para o que se considera como “estudar a sério”.
Dessa forma, existe uma tendência, quando o assunto é linguagem, a se relacionar essa habilidade apenas à oralidade e à escrita, dado que estas duas manifestações linguísticas são, via de regra, as mais enfatizadas nos contextos escolares. Não se trata aqui de discutir o papel de uma ou outra nem tampouco atribuir lugares de destaque a alguma delas, mas de discutir as características culturais que cada uma apresenta/representa, assim como analisar as possíveis contribuições dessas diferentes formas de expressão para a Educação Infantil.
Nesse sentido, cabe destacar que cada linguagem traduz intenções, pretensões, alusões ao tipo de mensagem que se propõe a comunicar, e que isso tem relação direta com o tipo de homem, de mundo e de sociedade que cada uma veicula. A intenção deste ensaio, muito menos que buscar respostas, propõe-se a incitar perguntas, que pretendem, no mais das vezes, estabelecer um diálogo entre educadores sobre as questões que cercam o desenvolvimento infantil, mais especificamente, no que se refere às múltiplas linguagens de que nos valemos (ou não...) em busca de comunicação. E aí se torna inevitável que se fale dos conceitos de criança, de infância e, sobretudo, de que tipo de criança se deseja formar e, ainda, das relações existentes entre ser criança e ter (ou não...) infância.
Assim, se o que se pretende é formar a criança na sua totalidade, para que possa efetivamente viver a infância de maneira plena e significativa, faz-se necessário que nos debrucemos, primeiramente, sobre o impacto que a produção cultural provoca nas crianças e o papel da escola frente aos inúmeros apelos trazidos por essa mesma produção, que, em geral, é comunicada pelas próprias crianças através das preferências por determinados programas de televisão, filmes, desenhos animados, álbuns de figurinhas, jogos e brincadeiras, que, não raras vezes, causam espanto e preocupação em professores e especialistas da área da educação. Dizer que as novas tecnologias (representadas por toda sorte de jogos e brinquedos eletro-eletrônicos) e mídia (representada especialmente pela televisão em razão de ser o meio de maior acesso ao universo infantil) representam uma ameaça ao desenvolvimento da criança, não resolve os conflitos advindos dessa nova realidade cultural, que, queiramos ou não, concorre (e ganha...) com/da a escola em termos de preferência e de apelo, pois que faz parte e se encontra totalmente incorporada ao cotidiano infantil atual.
Trata-se, pois, de entender e de ressignificar essas linguagens para que, num movimento ininterrupto de questionamento e de leitura critica, se possa ensinar na escola como “ler” os diferentes “textos” latentes em cada forma de expressão. Assim, ilustra-se a presente questão com uma das formas de comunicação mais característica da criança, qual seja, o brincar. O brinquedo se insere no contexto escolar como uma das formas de que se vale a criança para representar o mundo adulto e o próprio universo infantil, com todas as subjetividades que isso representa para a criança e para o adulto que a acompanha e orienta.
A linguagem do brinquedo é espontânea, anárquica e plena de significados, pois traduz, através da movimentação, das escolhas por determinadas brincadeiras, da preferência por determinados pares, não só o entendimento que o sujeito tem do mundo, mas também a forma como se organiza individual e coletivamente dentro dele. Claro está que a brincadeira se reveste não só de um caráter instintivo, pois que inato em todas as crianças, mas também de um caráter fortemente marcado pela cultura em que as mesmas se inserem. Nossas formas de brincar, os brinquedos que utilizamos/preferimos são determinados por fatores que extrapolam a escolha autônoma, já que imbuídos de apelos mercadológicos oferecidos por uma sociedade de consumo, que descobriu na criança um consumidor potencial de produtos e serviços, fenômeno que acaba por incitar necessidades de brincar com aquela boneca específica, com aquele carrinho específico ou ainda com aquele software específico.
Nessa lógica, não se trata tão somente de brincar, mas de brincar com determinados objetos mercantilizados, que logo se tornarão obsoletos, pois que substituídos por outros mais modernos, mais rápidos, mais “eficientes”, o que faz do brinquedo manufaturado algo totalmente impensado nesse universo de consumidores precoces. De que forma lidar com isso dentro da escola? De que maneira tratar a frustração de quem, no dia estabelecido para trazer brinquedos de casa, não tem algo interessante para apresentar aos colegas? De que forma o professor poderá seduzir os alunos com o material didático-pedagógico existente em sala de aula, quando o que parece mobilizar as crianças é justamente aquele eletro eletrônico colorido que faz sons, emite cores e não exige mais que um toque de dedos para se pôr em funcionamento?
A indústria do brinquedo cria “necessidades” de consumo compatíveis com as exigências da sociedade atual, o que implica ter precisão, rapidez e produtividade, características necessárias à formação ininterrupta de novas “necessidades”. Talvez esse apelo mercantil, tão presente na produção cultural contemporânea, explique o fato de que outras linguagens, de caráter, aparentemente, menos utilitário do que a oralidade e escrita, sejam frequentemente secundarizadas na Escola Infantil, pois que o investimento pedagógico, desde cedo, prioriza aquilo que servirá de “ingresso” na cultura ocidental letrada, aquela que exige produção, que produz “necessidades”, que formata sujeitos e desconsidera potencialidades individuais, caso não estejam estas a serviço das exigências de mercado, o que faz com que incorporemos a idéia de que aprendemos para ter e não para ser.
Cabe aqui retomar a importância do papel que o professor desempenha nesse contexto, pois somente contando com uma formação sólida e consistente do ponto de vista sócio-histórico-cultural-antroplógico-pedagógico será possível neutralizar o impacto que essas demandas, representadas por esse tipo de produção cultural, costumam projetar sobre as crianças. Se considerarmos que o aprendizado infantil se dará, também, a partir das experiências a que ela tiver acesso, associadas às características biopsicogenéticas, é de se esperar que todas as linguagens – desenho, pintura, literatura, jogo, brinquedo, imagem, silêncio, dança, teatro, música, prosa, poesia, mímica, mídia, e, também, oralidade e escrita – estejam igualmente presentes na vivência infantil escolar, pois a reflexão sobre a produção cultural subjacente às inúmeras formas de linguagem contribui para a criação de uma cultura de pesquisa na escola. No entendimento de Oswald (1996), o caráter de produtividade de que a leitura e a escrita se revestem na sala de aula é incoerente com a concepção de criança como social imerso na cultura que desponta como eixo fundamental de uma linha de investigação que vem permitindo ao campo da educação entender a infância como protagonista viva da história, da sociedade e da cultura.
A propósito disso, num trabalho proposto pelos professores da Escola Anna Frank- Reggio Emilia- Itália- foi realizada uma investigação a partir da linguagem verbal e da linguagem pictórica, junto a alunos de quatro anos de idade sobre a temática escolhida para estudo pelas crianças no início do ano letivo: os dinossauros. A discussão em grupo e uma série de questões de final aberto encorajaram o debate entre as crianças. Através da oralidade, os alunos respondiam o debate perguntas como: Onde os dinossauros viviam? O que eles comiam? Como cuidavam de seus filhotes? Como os filhotes nasciam? Os dinossauros ainda vivem? Quais são as diferenças entre machos e fêmeas? A partir daí, foi proposto que os alunos desenhassem dinossauros, da maneira como eles os imaginavam.
Na análise feita pelos professores, ficou evidenciado que os desenhos apresentaram diferenças entre as formas de pensar de meninos e meninas. Meninos indicaram os dinossauros fêmeas desenhando filhotes na barriga da mãe. Meninas representaram as fêmeas usando adornos, cabelos longos e filhotes próximos à mãe, numa clara demonstração de que nossas linguagens são marcadas pela forma como a produção cultural se projeta sobre nós e se desvela nas nossas variadas formas de expressão. Numa abordagem superficial, talvez se ficasse limitado às características físicas do dinossauro, alimentação e habitat. Entretanto, quando o que se espera é que os alunos pensem sobre o que está sendo proposto, a discussão deve ser estimulada tanto quanto as diferentes formas de que dispomos para realizar concretamente nossas idéias.
Portanto, possibilitar à criança a discussão e análise dos próprios trabalhos, mas também a análise do trabalho do outro, favorece o conflito cognitivo entre os pares, exercício intelectual que leva à organização mental, à criatividade, à busca de respostas e soluções para os embates/impasses surgidos em sala de aula. Assim, se percebe que, embora numa proposta de atividade, aparentemente, simples, muitas são as questões que se podem abordar e inúmeros os tipos de linguagem que se podem desenvolver. Basta, para tanto, que haja intencionalidade pedagógica e consistência teórica por parte dos professores, que, através de propostas previamente planejadas junto aos alunos, podem se servir desse rico banquete de subjetividades oferecido pelos alunos e devolvê-lo em forma de projetos desafiadores, instigantes e ricos em recursos expressivos.
Temos então que é fundamental que o professor medeie a relação da criança com os diferentes tipos de linguagem, entendendo que cada tipo oferece características específicas. Daí a importância de o professor disponiblizar recursos para que a criança se familiarize com os variados tipos de linguagem de que dispomos, pois somente tendo acesso e familiaridade ela poderá deles dispor para fazer valer suas próprias ideias e sentimentos, já que a linguagem humana não responde apenas a necessidades práticas e utilitárias. Responde a necessidades de comunicação afetiva. (Morin, 1998) .
Estimular o desenvolvimento das múltiplas linguagens na Educação Infantil significa, dentre outros aspectos, desenvolver uma leitura reflexiva e crítica de mundo, catapultando de uma visão de senso comum para um entendimento mais aprofundado da realidade que nos cerca e que causa tanta perplexidade no universo infantil. Recorrer à linguagem artística, corporal, musical, oral, escrita, pictórica, dramática, como forma de estabelecer comunicação com o mundo é um direito que a criança tem e que a escola deve assegurar. Nesse aspecto, Zabalza (1998) reforça que embora o crescimento infantil seja um processo global e interligado, não se produz nem de maneira homogênea nem automática. Cada área do desenvolvimento exige intervenções que o reforcem e vão estabelecendo as bases de um progresso equilibrado do conjunto. (Zabalza, 1998, p. 52.)
Possivelmente, o conhecimento/utilização de variadas formas de expressão ofereça lugar a que distintas maneiras de comunicação se desvelem em sala de aula, o que significa dizer que cada um, a seu modo, pode/deve se manifestar sem que, para tanto, existam protocolos e modelos a serem seguidos. Trata-se, portanto, de oferecer aos alunos diferentes recursos de expressão, explorando cada um deles a partir das especificidades que deles decorrem. Quem sabe, dessa forma, a produção das crianças possa se agregar à produção cultural já existente, iniciando-se, assim, uma interlocução significativa entre o que já existe e o que podemos criar/ressignificar. Nas palavras de Zabalza (1998), a dimensão estética é diferente da psicomotora, embora estejam relacionadas. O desenvolvimento da linguagem avança por caminhos diferentes dos da sensibilidade musical. A aprendizagem de normas requer processos diferentes dos necessários para a aprendizagem de movimentos psicomotores finos. Sem dúvida, todas essas capacidades estão vinculadas (neurológica, intelectual, emocionalmente), mas pertencem a âmbitos diferentes e requerem, portanto, processos (atividades, materiais, orientações) bem diferenciados de ação didática. (Zabalza, 1998, p. 52) .
Dessa maneira, o que se pretende é que o desenvolvimento de múltiplas linguagens na Educação Infantil esteja a serviço de um desenvolvimento mais abrangente, que ultrapasse as habilidades de se expressar de múltiplas formas, e se configure como uma possibilidade de leitura significativa de mundo, o que implica identificar fenômenos, estabelecer relações, elaborar inferências a partir do que se vive e observa, sistematizar informações, enfim, produzir conhecimento. Claro está que esse tipo de entendimento sobre as múltiplas linguagens representa uma tomada de decisão no que se refere ao cotidiano escolar e às exigências nele presentes, pois propor um trabalho que anuncia apenas o ponto de partida, mas não o de chegada, significa priorizar a qualidade dos trabalhos e não a quantidade. Afinal, de nada servem as pastas abarrotadas de folhas, demonstrando a mesma técnica de desenho ou pintura, se, junto a esse acervo, não houver uma criança que saiba interpretar essas produções. De pouco vale a satisfação da escola e dos pais, se, junto a esse sentimento, não houver uma criança que se desenvolve e cresce nos aspectos cognitivos, psicomotor e socioafetivo. De nada adianta satisfazer a lógica do adulto, se a lógica infantil estiver sendo desprezada. Cabe lembrar que o desenvolvimento das diferentes linguagens requer tempo, recorrência, exercício, anarquia, escolha, discussão, análise, reflexão, sistematização, investimento intelectual da maior importância e relevância, ainda que nem sempre passível de ser guardado na pasta do aluno, o que reforça a ideia de que a quantidade de trabalhos não representa um balisador seguro quando se trata de falar em qualidade em Educação Infantil.
Noutras palavras, o trabalho na escola deve se pautar pelo sólido conhecimento técnico, pela intencionalidade pedagógica, pela partilha solidária dos saberes (Moraes, 2008), pela participação da comunidade escolar e da comunidade familiar, elementos necessários para uma educação qualificada. Disso se depreende que não há hierarquias pre-estabelecidas, tampouco temáticas obrigatórias, pois todos os elementos envolvidos no processo de educar são partícipes e atuantes, todos têm vez e voz, o que equivale a dizer que, cada um, do lugar de onde fala, terá ricas contribuições a oferecer. Quem sabe, assim, se converte a cultura da cobrança na cultura da colaboração, a cultura do poder na cultura da socialização, a cultura do projeto pessoal na cultura do projetivo coletivo, a cultura da escrita na cultura das múltiplas linguagens, dilemas esses ainda tão presentes no cotidiano da Educação Infantil.
Destaca-se, ainda, que numa sociedade como a brasileira, marcada pela desigualdade social, trata-se de manter a discussão, lembrando que, embora nem todas as crianças tenham acesso a todos os produtos culturais e às linguagens deles advindos, ainda assim a temática merece um tratamento aprofundado e reflexivo.
Talvez, a partir da compreensão do que cada segmento da sociedade entende como importante e/ou necessário, possamos pensar que cada elemento desse conjunto social assume uma tarefa: a indústria quer vender, portanto, deve seduzir pais e filhos. Estes, para exigir a compra, aqueles para comprar. Nós, professores, assumimos o compromisso de educar, portanto lidamos com processos, e não com produtos. E, ainda, implícitas nesse desafio de educar deverão estar as concepções de que tipo de homem, de mundo e de sociedade esperamos formar. A partir daí impõe-se a urgência de se discutir papéis e funções dos educadores frente ao desenvolvimento das múltiplas linguagens e à produção cultural subjacente a elas, sob pena de sermos canibalizados por essa produção.
AS FASES DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ESCRITA
AS FASES DO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ESCRITA
A linguagem das crianças intriga lingüistas e estudiosos do assunto.Sendo assim crianças do século XII, por exemplo, apesar de crianças como as de hoje não brincavam com os mesmos brinquedos, nem sentiam, nem pensavam, nem se vestiam como as crianças de hoje. E, certamente as crianças deste século terão características muito diferentes das de hoje. É interessante que assim surge um questionamento: se as crianças de antigamente eram diferentes das de hoje certamente as de amanhã também serão. Por que é então interessante estudar a infância se esta muda?
Na tentativa de responder a essa questão surgiram muitas teorias. Segundo Maingueneau “a aquisição da linguagem tenta explicar entre outras coisas o fato de as crianças, por volta dos 3 anos, serem capazes de fazer o uso produtivo - de suas línguas”. Com base nisso tentarei aqui expor alguns pontos importantes de aquisição da linguagem pela criança.
Desde pequenos já existe a comunicação, mas esta não é feita por meio oral. A linguagem é um sistema de símbolos culturais internalizados, e é utilizada com o fim último de comunicação social. Assim como no caso da inteligência e do pensamento, o seu desenvolvimento passa também por períodos até que a criança chegue a utilização de frases e múltiplas palavras.
Ao nascer, a criança não entende o que lhe é dito. Somente aos poucos começa a atribuir um sentido ao que escuta. Do mesmo modo acontece com a produção da linguagem falada. O entendimento e a produção da linguagem falada evoluem.
Janieri de Sousa Oliveira, Maria de Lourdes da Rocha e Conceição Elane fazem parte do Grupo de Estudos Lingüísticos e Sociais(GELSO), coordenado pelo professor Vicente Martins, da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Ceará.
Existem diferentes tipos de linguagem: a corporal, a falada, a escrita e a gráfica. Para se comunicar a criança utiliza, tanto a linguagem corporal ( mímica, gestos, etc.) como a linguagem falada. Lógico que ela ainda não fala, mas já produz linguagem. Vamos ver como! O desenvolvimento da linguagem se divide em dois estádios: pré – lingüístico, quando o bebê usa de modo comunicativo os sons, sem palavras ou gramática; e o lingüístico, quando usa palavras. No estádio pré – lingüístico a criança, de princípio, usa o choro para se comunicar, podendo ser rica em expressão emocional. Logo ao nascer este choro ainda é indiferenciado, porque nem a mãe sabe o que ele significa, mas aos poucos começa a ficar cheio de significados e é possível, pelo menos para a mãe, saber se o bebê está chorando de fome, de cólica, por estar se sentindo desconfortável, por querer colo etc. è importante ressaltar que é a relação do bebê com sua mãe, ou com a pessoa que cuida dele, que lhe dá elementos para compreender seu choro. Além do choro, a criança começa a produzir o arrulho, que é a emissão de um som gutural, que sai da garganta, que se assemelha ao arrulho dos pombos. O balbucio ocorre de repente, por volta dos 6-10 meses, e caracteriza – se pela produção e repetição de sons de consoantes e vogais como “ma – ma – ma – ma”, que muitas vezes é confundido com a primeira palavra do bebê.
No desenvolvimento da linguagem, os bebês começam imitando casualmente os sons que ouvem, através da ecolalia. Por exemplo: os bebês repetem repetidas vezes os sons como o “da – da – da”, ou “ma – ma – ma – ma”. Por isso as crianças que tem problema de audição, não evoluem para além do balbucio, já que não são capazes de escutar.
Por volta dos 10 meses, os bebês imitam deliberadamente os sons que ouvem, deixando clara a importância da estimulação externa para o desenvolvimento da linguagem. Ao final do primeiro ano, o bebê já tem certa noção de comunicação, uma idéia de referência e um conjunto de sinais para se comunicar com aqueles que cuidam dele. O estádio lingüístico está pronto para se estabelecer. Sendo assim, contando com a maturação do aparelho fonador da criança e da sua aprendizagem anterior, ela começa a dizer suas primeiras palavras.
A fala lingüística se inicia geralmente no final do segundo ano, quando a criança pronuncia a mesma combinação de sons para se referir a uma pessoa, um objeto, um animal ou um acontecimento. Por exemplo, se a criança disser apo quando vir a água na mamadeira, no copo, na torneira, no banheiro etc., podemos afirmar que ela já esta falando por meio de palavras. Espera – se que aos 18 meses a criança já tenha um vocabulário de aproximadamente 50 palavras, no entanto ainda apresenta características da fala pré – lingüística e não revela frustração se não for compreendida.
Na fase inicial da fala lingüística a criança costuma dizer uma única palavra, atribuindo a ela no entanto o valor de frase. Por exemplo, diz ua, apontando para porta de casa, expressando um pensamento completo; eu quero ir pra rua. Essas palavras com valor de frases são chamadas holófrases. A partir daqui acontece uma “explosão de nomes”, e o vocabulário cresce muito. Aos 2 anos espera – se que as crianças sejam capazes de utilizar um vocabulário de mais de cem palavras. Entre os 2 e 3 anos as crianças começam a adquirir os primeiros fundamentos de sintaxe, começando assim a se preocupar com as regras gramaticais. Usam, para tanto, o que chamamos de super – regularização, que é uma aplicação das regras gramaticais a todos os casos, sem considerar as exceções. É por isso que a criança quer comprar “pães”, traze – los nas “mães”. Aos 6 anos a criança fala utilizando frases longas, tentando utilizar corretamente as normas gramaticais. Chomsky defende a idéia de que a estrutura da linguagem é, em grande parte, especificada biologicamente (nativista). Skinner afirma que a linguagem é aprendida inteiramente por meio de experiência (empirista). Piaget consegue chegar mais perto de uma compreensão do desenvolvimento da linguagem que atenda melhor a realidade observada. Segundo ele tanto o biológico quanto as interações com o mundo social são importantes para o desenvolvimento da linguagem (interacionista). Dentro da óptica interacionista, da qual Piaget é adepto, o aparecimento da linguagem seria decorrência de algumas das aquisições do período sensório – motor, já que ela adquiriu a capacidade de simbolizar ao final daquele estádio de desenvolvimento da inteligência. Soma – se a isso a capacidade imitativa da criança. As primeiras palavras são intimamente relacionadas com os desejos me ações da criança.
O egocentrismo da criança pré – operatório também se faz presente na linguagem que ela exibi. Desse modo, ela usa frequentemente a fala egocêntrica, ou privada, na qual fala sem nenhuma intenção muita clara de realmente se comunicar com o outro, centrada em sua própria atividade. É como se a criança falasse em voz alta para si mesma. Contudo ela também usa a linguagem socializada, que tem como objetivo se fazer entendida pelo interlocutor. Já de acordo com Vygostisky “não basta apenas que a criança esteja ‘exposta’ à interação social, ela deve estar ‘pronta’, no que se refere à maturação, desenvolver o (s) estágio (s) para compreender o que a sociedade tem para lhe transmitir:
• sensório – motor: de 0 a 18/24 meses, que precede a linguagem;
• pré – operatório: de 1;6/2 anos a 7/8 anos, fase das representações, dos símbolos;
• operatório – concreto: de 7/8 a 11/12 anos, estágio da construção da lógica;
• operatório – forma: de 11/12 anos em diante, fase em que a criança raciocina, deduz, etc.
Para fazer uma síntese do que torna fácil ou difícil de aprender para a criança, apresentamos o quadro abaixo:
A LÍNGUA É FÁCIL QUANDO
É real e natura
É integral
Faz sentido
É interessante
Faz parte de um acontecimento social
Tem utilidade social
Tem propósito para a criança
A criança a utiliza por opção
A LÍNGUA É DIFÍCIL QUANDO
É artificial
É dividida em pedaços
Não faz sentido
É chata e desinteressante
Esta fora de um contexto
Não possui valor social
Não tem finalidade para a criança
É imposta por outra pessoa
Após essas considerações esperamos ter ajudado a compreender
um pouco mais da complexidade que é o mundo da fala infantil.
A linguagem das crianças intriga lingüistas e estudiosos do assunto.Sendo assim crianças do século XII, por exemplo, apesar de crianças como as de hoje não brincavam com os mesmos brinquedos, nem sentiam, nem pensavam, nem se vestiam como as crianças de hoje. E, certamente as crianças deste século terão características muito diferentes das de hoje. É interessante que assim surge um questionamento: se as crianças de antigamente eram diferentes das de hoje certamente as de amanhã também serão. Por que é então interessante estudar a infância se esta muda?
Na tentativa de responder a essa questão surgiram muitas teorias. Segundo Maingueneau “a aquisição da linguagem tenta explicar entre outras coisas o fato de as crianças, por volta dos 3 anos, serem capazes de fazer o uso produtivo - de suas línguas”. Com base nisso tentarei aqui expor alguns pontos importantes de aquisição da linguagem pela criança.
Desde pequenos já existe a comunicação, mas esta não é feita por meio oral. A linguagem é um sistema de símbolos culturais internalizados, e é utilizada com o fim último de comunicação social. Assim como no caso da inteligência e do pensamento, o seu desenvolvimento passa também por períodos até que a criança chegue a utilização de frases e múltiplas palavras.
Ao nascer, a criança não entende o que lhe é dito. Somente aos poucos começa a atribuir um sentido ao que escuta. Do mesmo modo acontece com a produção da linguagem falada. O entendimento e a produção da linguagem falada evoluem.
Janieri de Sousa Oliveira, Maria de Lourdes da Rocha e Conceição Elane fazem parte do Grupo de Estudos Lingüísticos e Sociais(GELSO), coordenado pelo professor Vicente Martins, da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Ceará.
Existem diferentes tipos de linguagem: a corporal, a falada, a escrita e a gráfica. Para se comunicar a criança utiliza, tanto a linguagem corporal ( mímica, gestos, etc.) como a linguagem falada. Lógico que ela ainda não fala, mas já produz linguagem. Vamos ver como! O desenvolvimento da linguagem se divide em dois estádios: pré – lingüístico, quando o bebê usa de modo comunicativo os sons, sem palavras ou gramática; e o lingüístico, quando usa palavras. No estádio pré – lingüístico a criança, de princípio, usa o choro para se comunicar, podendo ser rica em expressão emocional. Logo ao nascer este choro ainda é indiferenciado, porque nem a mãe sabe o que ele significa, mas aos poucos começa a ficar cheio de significados e é possível, pelo menos para a mãe, saber se o bebê está chorando de fome, de cólica, por estar se sentindo desconfortável, por querer colo etc. è importante ressaltar que é a relação do bebê com sua mãe, ou com a pessoa que cuida dele, que lhe dá elementos para compreender seu choro. Além do choro, a criança começa a produzir o arrulho, que é a emissão de um som gutural, que sai da garganta, que se assemelha ao arrulho dos pombos. O balbucio ocorre de repente, por volta dos 6-10 meses, e caracteriza – se pela produção e repetição de sons de consoantes e vogais como “ma – ma – ma – ma”, que muitas vezes é confundido com a primeira palavra do bebê.
No desenvolvimento da linguagem, os bebês começam imitando casualmente os sons que ouvem, através da ecolalia. Por exemplo: os bebês repetem repetidas vezes os sons como o “da – da – da”, ou “ma – ma – ma – ma”. Por isso as crianças que tem problema de audição, não evoluem para além do balbucio, já que não são capazes de escutar.
Por volta dos 10 meses, os bebês imitam deliberadamente os sons que ouvem, deixando clara a importância da estimulação externa para o desenvolvimento da linguagem. Ao final do primeiro ano, o bebê já tem certa noção de comunicação, uma idéia de referência e um conjunto de sinais para se comunicar com aqueles que cuidam dele. O estádio lingüístico está pronto para se estabelecer. Sendo assim, contando com a maturação do aparelho fonador da criança e da sua aprendizagem anterior, ela começa a dizer suas primeiras palavras.
A fala lingüística se inicia geralmente no final do segundo ano, quando a criança pronuncia a mesma combinação de sons para se referir a uma pessoa, um objeto, um animal ou um acontecimento. Por exemplo, se a criança disser apo quando vir a água na mamadeira, no copo, na torneira, no banheiro etc., podemos afirmar que ela já esta falando por meio de palavras. Espera – se que aos 18 meses a criança já tenha um vocabulário de aproximadamente 50 palavras, no entanto ainda apresenta características da fala pré – lingüística e não revela frustração se não for compreendida.
Na fase inicial da fala lingüística a criança costuma dizer uma única palavra, atribuindo a ela no entanto o valor de frase. Por exemplo, diz ua, apontando para porta de casa, expressando um pensamento completo; eu quero ir pra rua. Essas palavras com valor de frases são chamadas holófrases. A partir daqui acontece uma “explosão de nomes”, e o vocabulário cresce muito. Aos 2 anos espera – se que as crianças sejam capazes de utilizar um vocabulário de mais de cem palavras. Entre os 2 e 3 anos as crianças começam a adquirir os primeiros fundamentos de sintaxe, começando assim a se preocupar com as regras gramaticais. Usam, para tanto, o que chamamos de super – regularização, que é uma aplicação das regras gramaticais a todos os casos, sem considerar as exceções. É por isso que a criança quer comprar “pães”, traze – los nas “mães”. Aos 6 anos a criança fala utilizando frases longas, tentando utilizar corretamente as normas gramaticais. Chomsky defende a idéia de que a estrutura da linguagem é, em grande parte, especificada biologicamente (nativista). Skinner afirma que a linguagem é aprendida inteiramente por meio de experiência (empirista). Piaget consegue chegar mais perto de uma compreensão do desenvolvimento da linguagem que atenda melhor a realidade observada. Segundo ele tanto o biológico quanto as interações com o mundo social são importantes para o desenvolvimento da linguagem (interacionista). Dentro da óptica interacionista, da qual Piaget é adepto, o aparecimento da linguagem seria decorrência de algumas das aquisições do período sensório – motor, já que ela adquiriu a capacidade de simbolizar ao final daquele estádio de desenvolvimento da inteligência. Soma – se a isso a capacidade imitativa da criança. As primeiras palavras são intimamente relacionadas com os desejos me ações da criança.
O egocentrismo da criança pré – operatório também se faz presente na linguagem que ela exibi. Desse modo, ela usa frequentemente a fala egocêntrica, ou privada, na qual fala sem nenhuma intenção muita clara de realmente se comunicar com o outro, centrada em sua própria atividade. É como se a criança falasse em voz alta para si mesma. Contudo ela também usa a linguagem socializada, que tem como objetivo se fazer entendida pelo interlocutor. Já de acordo com Vygostisky “não basta apenas que a criança esteja ‘exposta’ à interação social, ela deve estar ‘pronta’, no que se refere à maturação, desenvolver o (s) estágio (s) para compreender o que a sociedade tem para lhe transmitir:
• sensório – motor: de 0 a 18/24 meses, que precede a linguagem;
• pré – operatório: de 1;6/2 anos a 7/8 anos, fase das representações, dos símbolos;
• operatório – concreto: de 7/8 a 11/12 anos, estágio da construção da lógica;
• operatório – forma: de 11/12 anos em diante, fase em que a criança raciocina, deduz, etc.
Para fazer uma síntese do que torna fácil ou difícil de aprender para a criança, apresentamos o quadro abaixo:
A LÍNGUA É FÁCIL QUANDO
É real e natura
É integral
Faz sentido
É interessante
Faz parte de um acontecimento social
Tem utilidade social
Tem propósito para a criança
A criança a utiliza por opção
A LÍNGUA É DIFÍCIL QUANDO
É artificial
É dividida em pedaços
Não faz sentido
É chata e desinteressante
Esta fora de um contexto
Não possui valor social
Não tem finalidade para a criança
É imposta por outra pessoa
Após essas considerações esperamos ter ajudado a compreender
um pouco mais da complexidade que é o mundo da fala infantil.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Deixe seu filho se sujar
Deixe seu filho se sujar
Entrar em contato com ambientes não assépticos favorece não só a saúde da criança, mas também seu desenvolvimento psicológico
Crianças devem mexer na lama, brincar com tintas e andar descalças
Se você é daquelas mães que têm arrepios ao ver uma criança toda lambuzada de chocolate ou que corre atrás do seu filho com um par de chinelos mal ele tira o sapato, pense melhor. Permitir que a criança se suje não só faz bem a ela, como é essencial para seu desenvolvimento.
"Os pais não podem criar os filhos dentro de uma redoma de vidro", diz o pediatra e neonatologista Jorge Huberman. Ele explica que cada indivíduo precisa desenvolver sua imunidade. A criança nasce apenas com a imunidade recebida da mãe durante a gestação, e começa a desenvolver seu próprio sistema a partir dos seis meses.
Por isso, é importante que os pequenos entrem em contato com o que muitos pais consideram como "sujeira": mexer na grama, rolar na terra e colocar alguns objetos na boca, desde que sempre sob supervisão de um adulto, são atitudes recomendáveis. Assim, eles podem criar anticorpos e construir um sistema de defesa natural do corpo, o que se torna impossível se as crianças são sempre mantidas em ambientes assépticos.
Depois da exploração de um ambiente menos higienizado - como um parque ou um quintal - basta dar banho na criança. Mas atenção: o excesso de banhos também é contraindicado pelo pediatra. "No verão, claro que a criança vai entrar mais vezes no chuveiro, até para se refrescar. Mas basta um banho com sabonete - os outros podem ser apenas com água", recomenda.
Estímulos
Ter contato com sujeira não só é importante para a saúde infantil, mas também para o desenvolvimento psicológico. Segundo a psicóloga antroposófica Sandra Stirbulov, todas as crianças precisam estimular os sentidos do tato, do movimento, do equilíbrio e da vitalidade para garantir um crescimento saudável. "O que não passa pelo sentido físico pode não ser decodificado mais tarde, atrapalhando o desenvolvimento da criança rumo à capacidade de abstração", diz ela.
E essa estimulação passa, naturalmente, pelo contato mais amplo possível com texturas, cores e cheiros - sempre submetido ao bom senso dos pais. Uma criança que está aprendendo a comer precisa entender que a comida é dada na colher, mas necessita igualmente tocar na comida para senti-la. Não tem mal algum deixá-la brincar com um pouco do alimento do prato.
"Os pais devem estar sempre atentos a proporcionar às crianças diferentes percepções sensoriais", defende Sandra, o que é impossível se você não deixa seu filho caminhar descalço na terra ou pintar desenhos com tinta a dedo.
Crianças que são privadas desta experimentação por pais excessivamente zelosos, que morrem de medo da criança apanhar uma pneumonia porque andou pela casa descalça ou não permitem que ela role na grama porque vai se sujar de terra, podem criar problemas para os filhos mais tarde. "Elas ficam indispostas a experimentar novas comidas, por exemplo. Antes mesmo de colocarem na boca, rejeitam um alimento novo", explica Sandra.
A dificuldade também pode se estender para a aprendizagem. "A criança que não entrou em contato com lama, terra, argila e outras materiais pode deixar de desenvolver, por exemplo, a motricidade fina - e ter problemas para segurar o lápis e escrever quando chega a fase da alfabetização", completa Cássia Franco, psicóloga especializada em terapia de casal e família.
Dicas para deixar seu filho se sujar
- Deixe a criança brincar com tinta e pegar um pouco da comida quando ela ainda está aprendendo a comer
- Promova uma sessão de pintura ou escultura em casa, em família. Se suje junto com seus filhos: pintem um painel coletivo ou mexam com argila
- Permita que seu filho mexa na grama, na areia e caminhe descalço sobre superfícies de texturas e temperaturas diferentes
- Dê a ele brinquedos de materiais diferentes, com diferentes texturas. Evite que a criança tenha só brinquedos de plástico, que tem sempre a mesma textura
- Apresente a seu filho sons diferentes, colocando-o em contato com brinquedos que façam barulho - não os eletrônicos, mas a partir da intervenção da criança
- Estimule seu filho a experimentar cheiros diversos: ofereça uma florzinha ou explore com ele os temperos da cozinha
Entrar em contato com ambientes não assépticos favorece não só a saúde da criança, mas também seu desenvolvimento psicológico
Crianças devem mexer na lama, brincar com tintas e andar descalças
Se você é daquelas mães que têm arrepios ao ver uma criança toda lambuzada de chocolate ou que corre atrás do seu filho com um par de chinelos mal ele tira o sapato, pense melhor. Permitir que a criança se suje não só faz bem a ela, como é essencial para seu desenvolvimento.
"Os pais não podem criar os filhos dentro de uma redoma de vidro", diz o pediatra e neonatologista Jorge Huberman. Ele explica que cada indivíduo precisa desenvolver sua imunidade. A criança nasce apenas com a imunidade recebida da mãe durante a gestação, e começa a desenvolver seu próprio sistema a partir dos seis meses.
Por isso, é importante que os pequenos entrem em contato com o que muitos pais consideram como "sujeira": mexer na grama, rolar na terra e colocar alguns objetos na boca, desde que sempre sob supervisão de um adulto, são atitudes recomendáveis. Assim, eles podem criar anticorpos e construir um sistema de defesa natural do corpo, o que se torna impossível se as crianças são sempre mantidas em ambientes assépticos.
Depois da exploração de um ambiente menos higienizado - como um parque ou um quintal - basta dar banho na criança. Mas atenção: o excesso de banhos também é contraindicado pelo pediatra. "No verão, claro que a criança vai entrar mais vezes no chuveiro, até para se refrescar. Mas basta um banho com sabonete - os outros podem ser apenas com água", recomenda.
Estímulos
Ter contato com sujeira não só é importante para a saúde infantil, mas também para o desenvolvimento psicológico. Segundo a psicóloga antroposófica Sandra Stirbulov, todas as crianças precisam estimular os sentidos do tato, do movimento, do equilíbrio e da vitalidade para garantir um crescimento saudável. "O que não passa pelo sentido físico pode não ser decodificado mais tarde, atrapalhando o desenvolvimento da criança rumo à capacidade de abstração", diz ela.
E essa estimulação passa, naturalmente, pelo contato mais amplo possível com texturas, cores e cheiros - sempre submetido ao bom senso dos pais. Uma criança que está aprendendo a comer precisa entender que a comida é dada na colher, mas necessita igualmente tocar na comida para senti-la. Não tem mal algum deixá-la brincar com um pouco do alimento do prato.
"Os pais devem estar sempre atentos a proporcionar às crianças diferentes percepções sensoriais", defende Sandra, o que é impossível se você não deixa seu filho caminhar descalço na terra ou pintar desenhos com tinta a dedo.
Crianças que são privadas desta experimentação por pais excessivamente zelosos, que morrem de medo da criança apanhar uma pneumonia porque andou pela casa descalça ou não permitem que ela role na grama porque vai se sujar de terra, podem criar problemas para os filhos mais tarde. "Elas ficam indispostas a experimentar novas comidas, por exemplo. Antes mesmo de colocarem na boca, rejeitam um alimento novo", explica Sandra.
A dificuldade também pode se estender para a aprendizagem. "A criança que não entrou em contato com lama, terra, argila e outras materiais pode deixar de desenvolver, por exemplo, a motricidade fina - e ter problemas para segurar o lápis e escrever quando chega a fase da alfabetização", completa Cássia Franco, psicóloga especializada em terapia de casal e família.
Dicas para deixar seu filho se sujar
- Deixe a criança brincar com tinta e pegar um pouco da comida quando ela ainda está aprendendo a comer
- Promova uma sessão de pintura ou escultura em casa, em família. Se suje junto com seus filhos: pintem um painel coletivo ou mexam com argila
- Permita que seu filho mexa na grama, na areia e caminhe descalço sobre superfícies de texturas e temperaturas diferentes
- Dê a ele brinquedos de materiais diferentes, com diferentes texturas. Evite que a criança tenha só brinquedos de plástico, que tem sempre a mesma textura
- Apresente a seu filho sons diferentes, colocando-o em contato com brinquedos que façam barulho - não os eletrônicos, mas a partir da intervenção da criança
- Estimule seu filho a experimentar cheiros diversos: ofereça uma florzinha ou explore com ele os temperos da cozinha
quinta-feira, 8 de abril de 2010
A VERDADE SOBRE O DIA DA MENTIRA - 1º DE ABRIL
A VERDADE SOBRE O DIA DA MENTIRA - 1º DE ABRIL
01/04/2010
Tudo começou quando o rei da França, Carlos IX, após a implantação do calendário gregoriano, instituiu o dia primeiro de janeiro para ser o início do ano. Naquela época, as notícias demoravam muito para chegar às pessoas, fato que atrapalhou a adoção da mudança da data por todos.
Antes dessa mudança, a festa de ano novo era comemorada no dia 25 de março e terminava após uma semana de duração, ou seja, no dia primeiro de abril. Algumas pessoas, as mais tradicionais e menos flexíveis, não gostaram da mudança no calendário e continuaram fazer tal comemoração na data antiga (01/04). Isso virou motivo de chacota e gozação, por parte das pessoas que concordaram com a adoção da nova data (01/01), e passaram a fazer brincadeiras com os radicais, enviando-lhes presentes estranhos ou convites de festas que não existiam.Tais brincadeiras causaram dúvidas sobre a veracidade da data, confundindo as pessoas, daí o surgimento do dia 1º de abril como dia da mentira.
Aproximadamente duzentos anos mais tarde essas brincadeiras se espalharam por toda a Inglaterra e, consequentemente, para todo o mundo, ficando mais conhecida como o dia da mentira. Na França seu nome é “Poisson d’avril” e na Itália esse dia é conhecido como “pesce d’aprile”, ambos significando peixe de abril. No Brasil, o primeiro Estado a adotar a brincadeira foi Pernambuco, onde uma informação mentirosa foi transmitida e desmentida no dia seguinte. “A Mentira”, em 1º de abril de 1848, apresentou como notícia o falecimento de D. Pedro, fato que não havia acontecido.
Walt Disney criou uma versão para o clássico infantil Pinóquio, dando ênfase à brincadeira, mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas. Ziraldo, um escritor brasileiro da literatura infanto-juvenil, também conta histórias sobre as mentiras, através do tão famoso personagem, o Menino Maluquinho. Em "O Ilusionista", Maluquinho descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.
Pregar mentiras nesse dia é uma brincadeira saudável, porém o respeito e o cuidado devem ser lembrados, para que ninguém saia prejudicado, afinal, a honestidade é a base para qualquer relacionamento humano.
Alguns independencianos mais “inspirados,” prolongam essa data por todo ano.
Pesquisa e colaboração: Artagnan Torres - veio ao mundo neste dia. A parteira não acreditou e por pouco não deixou minha mãe em apuros.
Fonte: Escola Brasil
01/04/2010
Tudo começou quando o rei da França, Carlos IX, após a implantação do calendário gregoriano, instituiu o dia primeiro de janeiro para ser o início do ano. Naquela época, as notícias demoravam muito para chegar às pessoas, fato que atrapalhou a adoção da mudança da data por todos.
Antes dessa mudança, a festa de ano novo era comemorada no dia 25 de março e terminava após uma semana de duração, ou seja, no dia primeiro de abril. Algumas pessoas, as mais tradicionais e menos flexíveis, não gostaram da mudança no calendário e continuaram fazer tal comemoração na data antiga (01/04). Isso virou motivo de chacota e gozação, por parte das pessoas que concordaram com a adoção da nova data (01/01), e passaram a fazer brincadeiras com os radicais, enviando-lhes presentes estranhos ou convites de festas que não existiam.Tais brincadeiras causaram dúvidas sobre a veracidade da data, confundindo as pessoas, daí o surgimento do dia 1º de abril como dia da mentira.
Aproximadamente duzentos anos mais tarde essas brincadeiras se espalharam por toda a Inglaterra e, consequentemente, para todo o mundo, ficando mais conhecida como o dia da mentira. Na França seu nome é “Poisson d’avril” e na Itália esse dia é conhecido como “pesce d’aprile”, ambos significando peixe de abril. No Brasil, o primeiro Estado a adotar a brincadeira foi Pernambuco, onde uma informação mentirosa foi transmitida e desmentida no dia seguinte. “A Mentira”, em 1º de abril de 1848, apresentou como notícia o falecimento de D. Pedro, fato que não havia acontecido.
Walt Disney criou uma versão para o clássico infantil Pinóquio, dando ênfase à brincadeira, mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas. Ziraldo, um escritor brasileiro da literatura infanto-juvenil, também conta histórias sobre as mentiras, através do tão famoso personagem, o Menino Maluquinho. Em "O Ilusionista", Maluquinho descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.
Pregar mentiras nesse dia é uma brincadeira saudável, porém o respeito e o cuidado devem ser lembrados, para que ninguém saia prejudicado, afinal, a honestidade é a base para qualquer relacionamento humano.
Alguns independencianos mais “inspirados,” prolongam essa data por todo ano.
Pesquisa e colaboração: Artagnan Torres - veio ao mundo neste dia. A parteira não acreditou e por pouco não deixou minha mãe em apuros.
Fonte: Escola Brasil
A infância sob fogo cruzado - Flávio Paiva
A infância sob fogo cruzado - Flávio Paiva
Por: FLÁVIO PAIVA - COLUNA DN
A plateia ouviu espantada o caso da expulsão, pela universidade de Harvard, da campanha em favor de crianças livres de comerciais (...) Pesquisa encomendada ao Datafolha, pelo Instituto Alana, revela que 73% dos pais não querem propaganda dirigida a seus filhos.
Depois do suicídio do mito do neoliberalismo em 2008, fenômeno que ficou conhecido como crise econômica mundial, as corporações intensificaram a instrumentalização do assédio às crianças na guerra pela sobrevivência do consumismo. A sociedade ora aceita e ora rejeita a intrusão, numa incômoda dificuldade de encontrar vínculos entre a cultura da infância e o cotidiano. Nesse contexto, a articulação de temáticas em torno da necessidade de "honrar a infância" tornou extremamente oportuna a realização do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo, promovido pelo Instituto Alana, no Itaú Cultural, em São Paulo, nos dias 16, 17 e 18 passados.
Além do debate sobre a infância e as mediações mercadológicas que determinam a vida social, foram registradas várias notícias boas e ruins ocorridas recentemente nesse processo. A mais inquietante de todas foi relatada por Susan Linn, diretora da Campaign Commercial-Free Childhood (CCFC). A plateia ouviu espantada o caso da expulsão, pela universidade de Harvard, do núcleo dessa campanha em favor de crianças livres de comerciais, que funcionava há dez anos no Centro Infantil Judge Baker (JBCC), dedicado a assuntos relativos à saúde mental das crianças. O motivo? No ano passado a CCFC mobilizou as famílias e a mídia para que a Disney reembolsasse os pais que haviam adquirido o DVD Baby Einstein, enganados com a propaganda de que esse vídeo acelera a inteligência dos bebês.
A Disney foi obrigada a pagar cerca de dez milhões de dólares em devoluções aos consumidores e deu o troco "convencendo" à famosa Harvard a se livrar do "incômodo" grupo de defesa da infância que usava suas instalações e com o qual mantinha vínculo institucional. O lado bom desse caso é constatar que enquanto um muro separa, uma ponte une, pois o CCFC conseguiu acolhimento em uma instituição da sociedade civil que promove a democracia e a justiça social na Nova Inglaterra, região marcada por movimentos em favor dos direitos e liberdades civis, inclusive pela independência dos Estados Unidos.
No Brasil, dois fatos novos retratam a intervenção de espectros semelhantes ao que ajoelhou Harvard: 1) a inesperada mudança na relatoria do PL 5921/2001, que trata da regulamentação da publicidade dirigida à criança, no momento em que a matéria está sendo examinada pela Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados; e 2) o inexplicável recuo do compromisso da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) com relação à questão da publicidade de bebidas e alimentos não saudáveis para crianças. Não é a toa que muitos dos suspeitos do que tenho chamado de "pedofilia de mercado" engajaram-se em uma campanha tosca, intitulada "A publicidade da publicidade", com a qual tentam confundir a população de que regulamentar a propaganda fere o direito de expressão.
A ofensiva é pesada e em alguns casos trabalhada com muita ardileza. Benjamin Barber que o diga. O autor do livro "Consumido" (Record, 2009), que participou do 3º Fórum Internacional, é um capitalista convicto. Em sua fala, o ex-assessor do presidente estadunidense Bill Clinton, que governou o país de 1993 a 2001, auge do neoliberalismo, defendeu que é preciso ter fé no capitalismo como o sistema triunfante. A criança entra no discurso de Barber pela porta do preconceito, quando ele diz que um dos excessos causados pelo mercado sem fronteiras foi a "infantilização" dos adultos. O termo, que também tem sido utilizado por alguns autores distraídos, é tão pejorativo para a infância quanto o uso da palavra "africanizar" para designar empobrecimento radical.
O sofisma de Benjamin Barber aborda, entretanto, pontos essenciais ao debate a respeito do consumismo. Ele já não se mostra a favor do "totalitarismo comercial" e admite que regulamentar é uma boa solução. Discorre com persuasão íntima sobre as consequências públicas de uma sociedade que aprendeu a se limitar às escolhas privadas. Mostra-se convencido de que ao abraçar igrejas, escolas e esferas públicas, o neoliberalismo deixou pais e mães sem aliados institucionais. Essa situação de isolamento familiar foi tratada por Frei Betto pelo viés da carência de espiritualidade na construção de uma subjetividade feliz. A fim de que não criem filhos desajustados pais e mães necessitam, segundo ele, estabelecer controles e referências para a criança, educando-a para que não ceda às pressões do consumismo.
Quanto à questão do capitalismo como sistema vencedor e único, Frei Betto coloca habilmente a tese de Benjamin Barber em dificuldades, ao dizer que esse sistema só conseguiu ser ótimo para um terço da humanidade, enquanto vitimou os dois terços restantes. Isso, óbvio, sem contar com a degradação ambiental que o consumismo provocou e vem provocando em todo o planeta. Betto previne a plateia para que fique atenta ao jogo de pontos de vista e lê as divertidas "notícias da Chapeuzinho Vermelho" que circulam na praça virtual da internet, numa alusão às diferentes formas como a mídia ressignifica um mesmo fato.
O ânimo dos presentes ganhou brilho de olho quando o Instituto Alana divulgou o resultado de uma pesquisa encomendada ao Datafolha, feita no mês de fevereiro passado, em São Paulo, que revela um significativo percentual de 73% de pais e mães entrevistados que não querem propaganda dirigida a seus filhos. "São 73% das pessoas que não vão gostar de ver uma marca se apresentando para seu filho para ser comprada por ele", proclama Ana Lúcia Villela, presidente do Alana.
A própria realização do 3º Fórum é uma conquista relevante. A continuidade desse tipo de ação reforça as expectativas das pessoas que lutam por uma infância ativa na cena da produção simbólica e da dinâmica relacional. "O melhor que podemos fazer para ajudar nessa causa é não comprar, e falar para amigos e parentes não comprarem produtos que anunciam para nossas crianças", desafia Ana Lúcia, em suas palavras de abertura. Este insight da educadora me faz lembrar a saudosa médica Zilda Arns (1934 - 2010) e a descoberta do soro caseiro e da importância da amamentação, como plataforma da Pastoral da Criança.
O Projeto Criança e Consumo, um dos quatro eixos de atuação do Instituto Alana, embora seja o mais conhecido, ainda está timidamente preso a uma redoma acadêmica, mas tem um potencial enorme de chegar a níveis de mobilização bem próximos àqueles alcançados pela Pastoral da Criança. Para isso, conta com uma base sólida de experienciação que vem desde 1994, com a criação do Espaço Alana e do Centro de Formação Alana, ambos de educação e cultura, no Jardim Pantanal, periferia de São Paulo, onde a informação publicitária não interfere nas brincadeiras e trocas criativas.
E o Alana acaba de abrir uma nova frente animadora, que é o apoio financeiro e de gestão ao Instituto Brincante, na Vila Madalena. O Brincante é um equipamento cultural de exercício da brasilidade "na prática, na teoria e na brincadeira", criado em 1992 por Antônio Nóbrega e Rosane Almeida. Da sua diretoria participam pessoas de reconhecido trabalho pelo enriquecimento da condição humana, como a educadora Peo (Maria Amélia Pereira). Peo fez a exposição mais plena do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo. Para uma plateia atenta, ela mostrou imagens e contou da sua experiência na Casa Redonda, em Carapicuíba, onde crianças praticam a iniciação do processo criador e do viver, na relação com a natureza e no livre exercício da linguagem do brincar. Ah, como é confortante saber do muito de bom que está sendo realizado, a despeito da perversão dos lobbies de atração comercial por crianças.
fonte: DN
Por: FLÁVIO PAIVA - COLUNA DN
A plateia ouviu espantada o caso da expulsão, pela universidade de Harvard, da campanha em favor de crianças livres de comerciais (...) Pesquisa encomendada ao Datafolha, pelo Instituto Alana, revela que 73% dos pais não querem propaganda dirigida a seus filhos.
Depois do suicídio do mito do neoliberalismo em 2008, fenômeno que ficou conhecido como crise econômica mundial, as corporações intensificaram a instrumentalização do assédio às crianças na guerra pela sobrevivência do consumismo. A sociedade ora aceita e ora rejeita a intrusão, numa incômoda dificuldade de encontrar vínculos entre a cultura da infância e o cotidiano. Nesse contexto, a articulação de temáticas em torno da necessidade de "honrar a infância" tornou extremamente oportuna a realização do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo, promovido pelo Instituto Alana, no Itaú Cultural, em São Paulo, nos dias 16, 17 e 18 passados.
Além do debate sobre a infância e as mediações mercadológicas que determinam a vida social, foram registradas várias notícias boas e ruins ocorridas recentemente nesse processo. A mais inquietante de todas foi relatada por Susan Linn, diretora da Campaign Commercial-Free Childhood (CCFC). A plateia ouviu espantada o caso da expulsão, pela universidade de Harvard, do núcleo dessa campanha em favor de crianças livres de comerciais, que funcionava há dez anos no Centro Infantil Judge Baker (JBCC), dedicado a assuntos relativos à saúde mental das crianças. O motivo? No ano passado a CCFC mobilizou as famílias e a mídia para que a Disney reembolsasse os pais que haviam adquirido o DVD Baby Einstein, enganados com a propaganda de que esse vídeo acelera a inteligência dos bebês.
A Disney foi obrigada a pagar cerca de dez milhões de dólares em devoluções aos consumidores e deu o troco "convencendo" à famosa Harvard a se livrar do "incômodo" grupo de defesa da infância que usava suas instalações e com o qual mantinha vínculo institucional. O lado bom desse caso é constatar que enquanto um muro separa, uma ponte une, pois o CCFC conseguiu acolhimento em uma instituição da sociedade civil que promove a democracia e a justiça social na Nova Inglaterra, região marcada por movimentos em favor dos direitos e liberdades civis, inclusive pela independência dos Estados Unidos.
No Brasil, dois fatos novos retratam a intervenção de espectros semelhantes ao que ajoelhou Harvard: 1) a inesperada mudança na relatoria do PL 5921/2001, que trata da regulamentação da publicidade dirigida à criança, no momento em que a matéria está sendo examinada pela Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados; e 2) o inexplicável recuo do compromisso da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) com relação à questão da publicidade de bebidas e alimentos não saudáveis para crianças. Não é a toa que muitos dos suspeitos do que tenho chamado de "pedofilia de mercado" engajaram-se em uma campanha tosca, intitulada "A publicidade da publicidade", com a qual tentam confundir a população de que regulamentar a propaganda fere o direito de expressão.
A ofensiva é pesada e em alguns casos trabalhada com muita ardileza. Benjamin Barber que o diga. O autor do livro "Consumido" (Record, 2009), que participou do 3º Fórum Internacional, é um capitalista convicto. Em sua fala, o ex-assessor do presidente estadunidense Bill Clinton, que governou o país de 1993 a 2001, auge do neoliberalismo, defendeu que é preciso ter fé no capitalismo como o sistema triunfante. A criança entra no discurso de Barber pela porta do preconceito, quando ele diz que um dos excessos causados pelo mercado sem fronteiras foi a "infantilização" dos adultos. O termo, que também tem sido utilizado por alguns autores distraídos, é tão pejorativo para a infância quanto o uso da palavra "africanizar" para designar empobrecimento radical.
O sofisma de Benjamin Barber aborda, entretanto, pontos essenciais ao debate a respeito do consumismo. Ele já não se mostra a favor do "totalitarismo comercial" e admite que regulamentar é uma boa solução. Discorre com persuasão íntima sobre as consequências públicas de uma sociedade que aprendeu a se limitar às escolhas privadas. Mostra-se convencido de que ao abraçar igrejas, escolas e esferas públicas, o neoliberalismo deixou pais e mães sem aliados institucionais. Essa situação de isolamento familiar foi tratada por Frei Betto pelo viés da carência de espiritualidade na construção de uma subjetividade feliz. A fim de que não criem filhos desajustados pais e mães necessitam, segundo ele, estabelecer controles e referências para a criança, educando-a para que não ceda às pressões do consumismo.
Quanto à questão do capitalismo como sistema vencedor e único, Frei Betto coloca habilmente a tese de Benjamin Barber em dificuldades, ao dizer que esse sistema só conseguiu ser ótimo para um terço da humanidade, enquanto vitimou os dois terços restantes. Isso, óbvio, sem contar com a degradação ambiental que o consumismo provocou e vem provocando em todo o planeta. Betto previne a plateia para que fique atenta ao jogo de pontos de vista e lê as divertidas "notícias da Chapeuzinho Vermelho" que circulam na praça virtual da internet, numa alusão às diferentes formas como a mídia ressignifica um mesmo fato.
O ânimo dos presentes ganhou brilho de olho quando o Instituto Alana divulgou o resultado de uma pesquisa encomendada ao Datafolha, feita no mês de fevereiro passado, em São Paulo, que revela um significativo percentual de 73% de pais e mães entrevistados que não querem propaganda dirigida a seus filhos. "São 73% das pessoas que não vão gostar de ver uma marca se apresentando para seu filho para ser comprada por ele", proclama Ana Lúcia Villela, presidente do Alana.
A própria realização do 3º Fórum é uma conquista relevante. A continuidade desse tipo de ação reforça as expectativas das pessoas que lutam por uma infância ativa na cena da produção simbólica e da dinâmica relacional. "O melhor que podemos fazer para ajudar nessa causa é não comprar, e falar para amigos e parentes não comprarem produtos que anunciam para nossas crianças", desafia Ana Lúcia, em suas palavras de abertura. Este insight da educadora me faz lembrar a saudosa médica Zilda Arns (1934 - 2010) e a descoberta do soro caseiro e da importância da amamentação, como plataforma da Pastoral da Criança.
O Projeto Criança e Consumo, um dos quatro eixos de atuação do Instituto Alana, embora seja o mais conhecido, ainda está timidamente preso a uma redoma acadêmica, mas tem um potencial enorme de chegar a níveis de mobilização bem próximos àqueles alcançados pela Pastoral da Criança. Para isso, conta com uma base sólida de experienciação que vem desde 1994, com a criação do Espaço Alana e do Centro de Formação Alana, ambos de educação e cultura, no Jardim Pantanal, periferia de São Paulo, onde a informação publicitária não interfere nas brincadeiras e trocas criativas.
E o Alana acaba de abrir uma nova frente animadora, que é o apoio financeiro e de gestão ao Instituto Brincante, na Vila Madalena. O Brincante é um equipamento cultural de exercício da brasilidade "na prática, na teoria e na brincadeira", criado em 1992 por Antônio Nóbrega e Rosane Almeida. Da sua diretoria participam pessoas de reconhecido trabalho pelo enriquecimento da condição humana, como a educadora Peo (Maria Amélia Pereira). Peo fez a exposição mais plena do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo. Para uma plateia atenta, ela mostrou imagens e contou da sua experiência na Casa Redonda, em Carapicuíba, onde crianças praticam a iniciação do processo criador e do viver, na relação com a natureza e no livre exercício da linguagem do brincar. Ah, como é confortante saber do muito de bom que está sendo realizado, a despeito da perversão dos lobbies de atração comercial por crianças.
fonte: DN
segunda-feira, 5 de abril de 2010
7 motivos para ir ao fonoaudiólogo
7 motivos para ir ao fonoaudiólogo
Os exercícios melhoram a forma de mastigar, engolir e até a sua respiração
Trocar letras, língua presa e respiração oral: esses são os motivos que, geralmente, levam os pacientes ao fonoaudiólogo. Mas há outros motivos que justificam uma consulta. "No momento em que uma pessoa tem dificuldades de comunicação, ela apresenta problemas de convívio social", afirma a fonoaudióloga Thays Vaiano.
"A comunicação está associada diretamente com a qualidade de vida", afirma. Na infância, os pais obrigam as crianças a freqüentar sessões. Mais tarde, entretanto, esse tipo de consulta costuma fazer parte da rotina de poucas pessoas - em geral, aquelas que trabalham com a voz, como locutores, professores e atores.
Mas são muitas as situações em que esse tipo de trabalho pode ser útil: a seguir, a especialista lista 7 casos em que a consulta ao fonoaudiólogo é indicada.
Trocando as letras
A letra p pela letra b; a letra f pela letra s. Quando a criança troca as letras, é hora de consultar um fonoaudiólogo. "Geralmente, é a escola que encaminha a criança ao fono", explica a especialista. Durante as sessões, são feitos exercícios que auxiliam na reprodução da letra.
Quando há dificuldades com a letra l, por exemplo, os exercícios envolvem a ponta da língua, com a leitura de diversas palavras na frente do espelho. Entre essas palavras, há algumas com a letra l, incentivando a pronúncia correta.
"Porém, esses exercícios têm de ser divertidos, para estimular o envolvimento infantil", explica Thays. Um bom exemplo disso é o exercício que envolve a letra z: a fonoaudióloga sugere que a criança imite o zumbido da abelha. Na letra l, a brincadeira é estalar a língua no céu da boca, como o trotar de um cavalo. "A criança precisa se interessar pelo exercício", completa.
Padrão respiratório
A consulta também pode ajudar o paciente a estabelecer um padrão respiratório. Como lembra Thays Vaiano, é muito comum crianças e adultos respirarem pela boca, o que diminui a imunidade e atrapalha a dicção.
Língua presa
Motivo de piada na época de escola, a fonoaudióloga afirma que muita gente confunde o significado de língua presa. "Na verdade, a língua é solta, passando dos dentes, o que dificulta a pronúncia de algumas letras", explica.
Geralmente, a língua dessas pessoas é flácida e, segundo a especialista, exercícios para tonificar a língua melhoram a fala. "Quando há problemas com a pronúncia da letra t, por exemplo, o exercício indicado envolve a ponta da língua", explica.
Traumas na mandíbula
A fonoaudiologia ajuda também nos casos em que a mandíbula sofreu algum tipo de trauma e, por conta disso, surge dor na região, além de dificuldades na fala e problemas para articular a fala e a mastigação.
Segundo a especialista, a articulação da mandíbula fica travada após um trauma e exercícios de fortificação muscular auxiliam na recuperação, além de exercícios de alongamento da musculatura.
Trocar letras, língua presa e respiração oral: esses são os motivos que levam os pacientes ao fonoaudiólogo
Perda auditiva
Mesmo diante de uma perda grande da audição, a fonoaudiologia pode trabalhar a comunicação. Segundo Thays, há dois métodos utilizados com pessoas que perderam a audição:
- compreender a fala: a fonoaudióloga ensina como entender a fala de outras pessoas que não sabem a linguagem de sinais.
- reproduzir os sons: por método sensitivo, a pessoa com problemas auditivos coloca a mão na garganta da fonoaudióloga enquanto esta emite um som. "Diante da vibração que sente, a pessoa irá tentar reproduzir o som que a fonoaudióloga faz", explica a especialista.
Resistência da voz
Chegar ao fim do dia com a garganta doendo ou totalmente sem voz é sinal de alerta quando isso se torna uma rotina, fato muito comum em profissionais que usam muito a voz, como é o caso de professores que passam o dia alterando a voz por conta das aulas. A fonoaudiologia entra no cenário ajudando na resistência muscular da prega vocal, tratando ou melhorando a qualidade de voz.
Thays Vaiano salienta que a rotina pode levar ao aparecimento de calo ou nódulo. O conselho da fonoaudióloga é, assim que o problema aparecer, ir ao fonoaudiólogo para que ele avalie se não há uma patologia e iniciar o aumento da resistência muscular da prega vocal. "Da mesma forma que o atleta precisa se exercitar para competir, a voz também precisa de exercícios", completa.
Disfagia
Há um profissional que trabalha em hospitais exclusivamente com pessoas que apresentam dificuldades para se alimentar após cirurgias ou acidentes que envolvam o uso de sondas.
Deixar de usar a musculatura por um tempo pode fazer com que o alimento desça pela laringe, podendo provocar o engasgo e também pneumonia por aspiração. "Da mesma forma que a perna fica bamba quando o gesso acaba de ser tirado por um longo tempo, é preciso exercitar a musculatura da boca e da garganta novamente", afirma a especialista.
Os exercícios melhoram a forma de mastigar, engolir e até a sua respiração
Trocar letras, língua presa e respiração oral: esses são os motivos que, geralmente, levam os pacientes ao fonoaudiólogo. Mas há outros motivos que justificam uma consulta. "No momento em que uma pessoa tem dificuldades de comunicação, ela apresenta problemas de convívio social", afirma a fonoaudióloga Thays Vaiano.
"A comunicação está associada diretamente com a qualidade de vida", afirma. Na infância, os pais obrigam as crianças a freqüentar sessões. Mais tarde, entretanto, esse tipo de consulta costuma fazer parte da rotina de poucas pessoas - em geral, aquelas que trabalham com a voz, como locutores, professores e atores.
Mas são muitas as situações em que esse tipo de trabalho pode ser útil: a seguir, a especialista lista 7 casos em que a consulta ao fonoaudiólogo é indicada.
Trocando as letras
A letra p pela letra b; a letra f pela letra s. Quando a criança troca as letras, é hora de consultar um fonoaudiólogo. "Geralmente, é a escola que encaminha a criança ao fono", explica a especialista. Durante as sessões, são feitos exercícios que auxiliam na reprodução da letra.
Quando há dificuldades com a letra l, por exemplo, os exercícios envolvem a ponta da língua, com a leitura de diversas palavras na frente do espelho. Entre essas palavras, há algumas com a letra l, incentivando a pronúncia correta.
"Porém, esses exercícios têm de ser divertidos, para estimular o envolvimento infantil", explica Thays. Um bom exemplo disso é o exercício que envolve a letra z: a fonoaudióloga sugere que a criança imite o zumbido da abelha. Na letra l, a brincadeira é estalar a língua no céu da boca, como o trotar de um cavalo. "A criança precisa se interessar pelo exercício", completa.
Padrão respiratório
A consulta também pode ajudar o paciente a estabelecer um padrão respiratório. Como lembra Thays Vaiano, é muito comum crianças e adultos respirarem pela boca, o que diminui a imunidade e atrapalha a dicção.
Língua presa
Motivo de piada na época de escola, a fonoaudióloga afirma que muita gente confunde o significado de língua presa. "Na verdade, a língua é solta, passando dos dentes, o que dificulta a pronúncia de algumas letras", explica.
Geralmente, a língua dessas pessoas é flácida e, segundo a especialista, exercícios para tonificar a língua melhoram a fala. "Quando há problemas com a pronúncia da letra t, por exemplo, o exercício indicado envolve a ponta da língua", explica.
Traumas na mandíbula
A fonoaudiologia ajuda também nos casos em que a mandíbula sofreu algum tipo de trauma e, por conta disso, surge dor na região, além de dificuldades na fala e problemas para articular a fala e a mastigação.
Segundo a especialista, a articulação da mandíbula fica travada após um trauma e exercícios de fortificação muscular auxiliam na recuperação, além de exercícios de alongamento da musculatura.
Trocar letras, língua presa e respiração oral: esses são os motivos que levam os pacientes ao fonoaudiólogo
Perda auditiva
Mesmo diante de uma perda grande da audição, a fonoaudiologia pode trabalhar a comunicação. Segundo Thays, há dois métodos utilizados com pessoas que perderam a audição:
- compreender a fala: a fonoaudióloga ensina como entender a fala de outras pessoas que não sabem a linguagem de sinais.
- reproduzir os sons: por método sensitivo, a pessoa com problemas auditivos coloca a mão na garganta da fonoaudióloga enquanto esta emite um som. "Diante da vibração que sente, a pessoa irá tentar reproduzir o som que a fonoaudióloga faz", explica a especialista.
Resistência da voz
Chegar ao fim do dia com a garganta doendo ou totalmente sem voz é sinal de alerta quando isso se torna uma rotina, fato muito comum em profissionais que usam muito a voz, como é o caso de professores que passam o dia alterando a voz por conta das aulas. A fonoaudiologia entra no cenário ajudando na resistência muscular da prega vocal, tratando ou melhorando a qualidade de voz.
Thays Vaiano salienta que a rotina pode levar ao aparecimento de calo ou nódulo. O conselho da fonoaudióloga é, assim que o problema aparecer, ir ao fonoaudiólogo para que ele avalie se não há uma patologia e iniciar o aumento da resistência muscular da prega vocal. "Da mesma forma que o atleta precisa se exercitar para competir, a voz também precisa de exercícios", completa.
Disfagia
Há um profissional que trabalha em hospitais exclusivamente com pessoas que apresentam dificuldades para se alimentar após cirurgias ou acidentes que envolvam o uso de sondas.
Deixar de usar a musculatura por um tempo pode fazer com que o alimento desça pela laringe, podendo provocar o engasgo e também pneumonia por aspiração. "Da mesma forma que a perna fica bamba quando o gesso acaba de ser tirado por um longo tempo, é preciso exercitar a musculatura da boca e da garganta novamente", afirma a especialista.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Educação Especial
Educação Especial
A Educação Especial é o ramo da Educação, que ocupa-se do atendimento e da educação de pessoas com deficiência em instituições especializadas, tais como escola para surdos, escola para cegos ou escolas para atender pessoas com deficência mental. A educação especial realiza-se fora do sistema regular de ensino. Nesta abordagem, as demais necessidades educativas especiais que não se classificam como deficiência não estão incluídas.
A Educação Especial é uma educação organizada para atender especifica e exclusivamente alunos com determinadas necessidades especiais. Algumas escolas dedicam-se apenas a um tipo de necessidade, enquanto que outras se dedicam a vários. O ensino especial tem sido alvo de criticas, por não promover o convívio entre as crianças especiais e as demais crianças. Por outro lado, a escola direccionada para a educação especial conta com materiais, equipamentos e professores especializados. O sistema regular de ensino precisa ser adaptado e pedagogicamente transformado para atender de forma inclusiva.
A Educação Especial denomina tanto uma área de conhecimento quanto um campo de atuação profissional. De um modo geral, a Educação Especial lida com aqueles fenômenos de ensino e aprendizagem que não têm sido ocupação do sistema de educação regular, porém tem entrada na pauta nas últimas duas décadas, devido ao movimento de educação inclusiva. Historicamente a educação especial vem lidando com a educação e aperfeiçoamento de indivíduos que não se beneficiaram dos métodos e procedimentos usados pela educação regular. Dentro de tal conceituação, inclui-se em Educação Especial desde o ensino de pessoas com deficiências sensoriais, passando pelo ensino de jovens e adultos, até mesmo ensino de competências profissionais.
Dentre os profissionais que trabalham ou atuam em Educação Especial estão:Educador físico, Professor, Psicólogo, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo e Terapeuta ocupacional.
Sendo assim, é necessário antes de tudo, tornar real os requisitos para que a escola seja verdadeiramente inclusiva e não excludente.
•
Crianças com necessidades especiais
Crianças com necessidades especiais são aquelas que, por alguma espécie de limitação requerem certas modificações ou adaptações no programa educacional, para que possam atingir todo seu potencial. Essas limitações podem advir de problemas visuais, auditivos, mentais ou motores, bem como de condições ambientais desfavoráveis.
A educação da criança surda
A educação é crucial no crescimento da pessoa. A educação da criança surda é um direito, faz parte da sua condição como ser humano, e o dever de educar é uma exigência do ser humano adulto, do pai e do educador.
Para a criança surda, tal como para a criança ouvinte, o pleno desenvolvimento das suas capacidades linguísticas, emocionais e sociais é uma condição imprescindível para o seu desenvolvimento como pessoa.
[editar] Desenvolvimento social e emocional da criança surda
É por meio dos relacionamentos sociais que descobrimos o que é necessário para viver na nossa sociedade.
A família é o factor principal no que respeita à aprendizagem das questões sociais básicas. Á medida que cresce, a criança convive cada vez mais com pessoas fora do círculo familiar, pessoas essas que, por sua vez, passam a ter parte activa na socialização da criança. Também a escola é importante – quase tanto quanto a família – pois proporciona à criança a convivência num grupo mais amplo de indivíduos (os seus pares). Os media exercem um papel modelador nos comportamentos sociais da criança e a educação religiosa é também um meio de transmissão de valores.
Na primeira infância, as interacções ocorridas desempenham um papel determinante no desenvolvimento social da criança. Estudos recentes concluem que a voz dos pais pode ser compensada com outros estímulos, tais como: sorrisos, carícias, expressões, etc. O educador (quer progenitor, quer outro) surdo do bebé surdo estabelece a ligação com a criança por intermédio de gestos, estímulos visuais e tácteis, de forma natural.
Já na idade escolar, pais e educadores mostram, frequentemente, alguma preocupação relativamente ao isolamento social da criança e ao aparecimento de comportamentos anti-sociais, ou faltas de educação. Dentre os factores de insucesso entre as crianças surdas, um dos mais relevantes será a falta do desenvolvimento da linguagem, uma vez que competência social está muitas vezes ligada a competência comunicativa. É também de extrema importância que a criança surda seja estimulada a ter uma boa auto estima, a aceitar o seu modo único de ser e a aceitar a surdez.
Quanto ao comportamento desajustado de algumas crianças surdas, esse facto deve-se, em muitas das vezes, à incompreensão das regras da sociedade, pelo que as mesmas lhes devem ser transmitidas com clareza e concisamente (se for necessário, usando ajudas visuais, tais como desenhos ou fotografias). A surdez em si, não influencia o desenvolvimento sócio-emocional da criança.
Tecnologias especiais para crianças com necessidades especiais
A Educação Especial desenvolve-se em torno da igualdade de oportunidades, em que todos os indivíduos, independentemente das suas diferenças, deverão ter acesso a uma educação com qualidade, capaz de responder a todas as suas necessidades. Desta forma, a educação deve-se desenvolver 9çide forma especial, numa tentativa de atender às diferenças individuais de cada criança, através de uma adaptação do sistema educativo.
A evolução das tecnologias permite cada vez mais a integração de crianças com necessidades especiais nas nossas escolas, facilitando todo o seu processo educacional e visando a sua formação integral. No fundo, surge como uma resposta fundamental à inclusão de crianças com necessidades educativas especiais num ambiente educativo.
Como uma das respostas a estas necessidades surge a utilização da tecnologia, com o desenvolvimento da Informática veio a se abrir um novo mundo recheado de possibilidades comunicativas e de acesso à informação, manifestando-se como um auxílio a pessoas com necessidades educativas especiais.
Partindo do pressuposto que aprender é fazer, a tecnologia deve ser encarada como um elemento cognitivo capaz de facilitar a estruturação de um trabalho viabilizando a descoberta, garantindo condições propícias para a construção do conhecimento. Na verdade são inúmeras as vantagens que advêm do uso das tecnologias no campo do ensino – aprendizagem no que diz respeito a crianças especiais.
Assim, o uso da tecnologia pode despertar em crianças especiais um interesse e a motivação pela descoberta do conhecimento tendo em base as necessidades e interesses das crianças. A deficiência deve ser encarada não como uma impossibilidade mas como uma força, onde o uso das tecnologias desempenha um papel significativo.
Vantagens
O uso das tecnologias no campo do ensino-aprendizagem traz inúmeras vantagens no que respeita às crianças com necessidades especiais, permitindo:
• Alargar horizontes levando o mundo para dentro da sala de aula;
• Aprender fazendo;
• Melhorar capacidades intelectuais tais como a criatividade e a eficácia;
• Permitir que um professor ensine simultaneamente em mais de um local;
• Permitir vários ritmos de aprendizagem numa mesma turma;
• Motivar o aluno a aprender continuamente, pois utiliza um meio com que ele se identifica;
• Proporcionar ao aluno os conhecimentos tecnológicos necessários para ocupar o seu lugar no mundo do trabalho;
• Aliviar a carga administrativa do professor, deixando mais tempo livre para dedicar ao ensino e à ajuda a nível individual;
• Estabelecer a ponte entre a comunidade e a sala de aula.
A adaptação do sistema educativo
A adaptação do sistema educativo a crianças com necessidades especiais deve procurar:
• Incentivar e promover a aplicação das tecnologias da informação e comunicação ao sistema de ensino. Promover a utilização de computadores pelas crianças e jovens com necessidades especiais integrados no ensino regular, criar áreas curriculares específicas para crianças e jovens de fraca incidência e aplicar o tele-ensino dirigido a crianças e jovens impossibilitados de frequentar o ensino regular.
• Adaptar o ensino das novas tecnologias às crianças com necessidades especiais, preparando as escolas com os equipamentos necessários e promovendo a adaptação dos programas escolares às novas funcionalidades disponibilizadas por estes equipamentos.
• Promover a criação de um programa de formação sobre a utilização das tecnologias da informação no apoio às crianças com necessidades especiais, destinados a médicos, terapeutas, professores, auxiliares e outros agentes envolvidos na adequação da
Perspectivas históricas da Educação Especial
Estas perspectivas históricas levam em conta a evolução do pensamento acerca das necessidades educativas especiais ao longo dos últimos cinqüenta anos, no entanto, elas não se desenvolvem simultaneamente em todos os países, e conseqüentemente retrata uma visão histórica global que não corresponde ao mesmo estágio evolutivo de cada sociedade. Estas perspectivas são descritas por Peter Clough.[1]
1. O legado psico-médico: (predominou na década de 50) vê o indivíduo como tendo de algum modo um deficit e por sua vez defende a necessidade de uma educação especial para aqueles indivíduos.
2. A resposta sociológica: (predominou na década de 60) representa a crítica ao legado psico-médico, e defende uma construção social de necessidades educativas especiais.
3. Abordagens Curriculares: (predominou na década de 70) enfatiza o papel do currículo na solução - e, para alguns escritores, eficazmente criando - dificuldades de aprendizagem.
4. Estratégias de melhoria da escola: (predominou na década de 80) enfatiza a importância da organização sistêmica detalhada na busca de educar verdadeiramente.
5. Crítica aos estudos da deficiência: (predominou na década de 90) frequentemente elaborada por agentes externos à educação, elabora uma resposta política aos efeitos do modelo exclusionista do legado psico-médico.
Perspectiva atual
• Convenção da Deficiência
Um acordo foi celebrado em 25 de agosto de 2006 em Nova Iorque, por diversos Estados em uma convenção preliminar das Nações Unidas sobre os direitos da pessoa com deficiência, o qual realça, no artigo 24, a Educação inclusiva como um direito de todos. O artigo foi substancialmente revisado e fortalecido durante as negociações que começaram há cinco anos. Em estágio avançado das negociações, a opção de educação especial (segregada do ensino regular) foi removida da convenção, e entre 14 e 25 agosto de 2006, esforços perduraram até os últimos dias para remover um outro texto que poderia justificar o segregação de estudantes com deficiência. Após longas negociações, o objetivo da inclusão plena foi finalmente alcançado e a nova redação do parágrafo 2 do artigo 24 foi definida sem objeção. Cerca de sessenta delegações de Estado e a Liga Internacional da Deficiência (International Disability Caucus), que representa cerca de 70 organizações não governamentais (ONGs), apoiaram uma emenda proposta pelo Panamá que obriga os governos a assegurar que: as medidas efetivas de apoio individualizado sejam garantidas nos estabelecimentos que priorizam o desenvolvimento acadêmico e social, em sintonia com o objetivo da inclusão plena. A Convenção preliminar antecede a assembléia geral da ONU para sua adoção, que se realizará no final deste ano. A convenção estará então aberta para assinatura e ratificação por todos os países membros, necessitando de 20 ratificações para ser validada. A Convenção da Deficiência é o primeiro tratado dos direitos humanos do Século XXI e é amplamente reconhecida como tendo uma participação da sociedade civil sem precedentes na história, particularmente de organizações de pessoas com deficiência.
Elementos significativos do artigo 24 da instrução do esboço
• Nenhuma exclusão do sistema de ensino regular por motivo de deficiência
• Acesso para estudantes com deficiência à educação inclusiva em suas comunidades locais
• Acomodação razoável das exigências indivíduais
• O suporte necessário dentro do sistema de ensino regular para possibilitar a aprendizagem, inclusive medidas eficazes de apoio individualizado
Inclusão
Entendemos por Inclusão o acto ou efeito de incluir.
O conceito de educação inclusiva ganhou maior notoriedade a partir de 1994, com a Declaração de Salamanca. No que respeita às escolas, a ideia é de que as crianças com necessidades educativas especiais sejam incluídas em escolas de ensino regular e para isto todo o sistema regular de ensino precisa ser revisto, de modo a atender as demandas individuais de todos os estudantes. O objectivo da inclusão demonstra uma evolução da cultura ocidental, defendendo que nenhuma criança deve ser separada das outras por apresentar alguma diferença ou necessidade especial. Do ponto de vista pedagógico esta integração assume a vantagem de existir interacção entre crianças, procurando um desenvolvimento conjunto, com igualdade de oprtunidades para todos e respeito à diversidade humana e cultural. No entanto, a inclusão tem encontrado imensa dificuldade de avançar, especialmente devido a resistências por parte das escolas regulares, em se adaptarem de modo a conseguirem integrar as crianças com necessidades especiais, devido principalmente aos altos custos para se criar as condições adequadas. Além disto, alguns educadores resistem a este novo paradigma, que exige destes uma formação mais ampla e uma atuação profissional diferente da que têm experiência. Durante diversas etapas da história da educação, foram os educadores especiais que defenderam a integração de seus alunos em sistemas regulares, porém, omovimento ganhou corpo quando a educação regular passou a aceitar sua responsabilidade nesse processo, e iniciativas inclusivistas começaram a história da educação inclusiva ao redor do mundo.
Legislação que regulamenta a Educação Especial no Brasil
• Constituição Federal de 1988 - Educação Especial
• Lei nº 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBN - Educação Especial
• Lei nº 8069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente - Educação Especial
• Lei nº 8859/94 - Estágio
• Lei nº 10.098/94 - Acessibilidade
• Lei nº 10.436/02 - Libras
• Lei nº 7.853/89 - CORDE - Apoio às pessoas portadoras de deficiência
• Lei n.º 8.899, de 29 de junho de 1994 - Passe Livre
• Lei nº 9424 de 24 de dezembro de 1996 - FUNDEF
• Lei nº 10.845, de 5 de março de 2004 - Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência
• Lei nº 10.216 de 04 de junho de 2001 - Direitos e proteção às pessoas acometidas de transtorno mental
• Plano Nacional de Educação - Educação Especial
A Educação Especial é o ramo da Educação, que ocupa-se do atendimento e da educação de pessoas com deficiência em instituições especializadas, tais como escola para surdos, escola para cegos ou escolas para atender pessoas com deficência mental. A educação especial realiza-se fora do sistema regular de ensino. Nesta abordagem, as demais necessidades educativas especiais que não se classificam como deficiência não estão incluídas.
A Educação Especial é uma educação organizada para atender especifica e exclusivamente alunos com determinadas necessidades especiais. Algumas escolas dedicam-se apenas a um tipo de necessidade, enquanto que outras se dedicam a vários. O ensino especial tem sido alvo de criticas, por não promover o convívio entre as crianças especiais e as demais crianças. Por outro lado, a escola direccionada para a educação especial conta com materiais, equipamentos e professores especializados. O sistema regular de ensino precisa ser adaptado e pedagogicamente transformado para atender de forma inclusiva.
A Educação Especial denomina tanto uma área de conhecimento quanto um campo de atuação profissional. De um modo geral, a Educação Especial lida com aqueles fenômenos de ensino e aprendizagem que não têm sido ocupação do sistema de educação regular, porém tem entrada na pauta nas últimas duas décadas, devido ao movimento de educação inclusiva. Historicamente a educação especial vem lidando com a educação e aperfeiçoamento de indivíduos que não se beneficiaram dos métodos e procedimentos usados pela educação regular. Dentro de tal conceituação, inclui-se em Educação Especial desde o ensino de pessoas com deficiências sensoriais, passando pelo ensino de jovens e adultos, até mesmo ensino de competências profissionais.
Dentre os profissionais que trabalham ou atuam em Educação Especial estão:Educador físico, Professor, Psicólogo, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo e Terapeuta ocupacional.
Sendo assim, é necessário antes de tudo, tornar real os requisitos para que a escola seja verdadeiramente inclusiva e não excludente.
•
Crianças com necessidades especiais
Crianças com necessidades especiais são aquelas que, por alguma espécie de limitação requerem certas modificações ou adaptações no programa educacional, para que possam atingir todo seu potencial. Essas limitações podem advir de problemas visuais, auditivos, mentais ou motores, bem como de condições ambientais desfavoráveis.
A educação da criança surda
A educação é crucial no crescimento da pessoa. A educação da criança surda é um direito, faz parte da sua condição como ser humano, e o dever de educar é uma exigência do ser humano adulto, do pai e do educador.
Para a criança surda, tal como para a criança ouvinte, o pleno desenvolvimento das suas capacidades linguísticas, emocionais e sociais é uma condição imprescindível para o seu desenvolvimento como pessoa.
[editar] Desenvolvimento social e emocional da criança surda
É por meio dos relacionamentos sociais que descobrimos o que é necessário para viver na nossa sociedade.
A família é o factor principal no que respeita à aprendizagem das questões sociais básicas. Á medida que cresce, a criança convive cada vez mais com pessoas fora do círculo familiar, pessoas essas que, por sua vez, passam a ter parte activa na socialização da criança. Também a escola é importante – quase tanto quanto a família – pois proporciona à criança a convivência num grupo mais amplo de indivíduos (os seus pares). Os media exercem um papel modelador nos comportamentos sociais da criança e a educação religiosa é também um meio de transmissão de valores.
Na primeira infância, as interacções ocorridas desempenham um papel determinante no desenvolvimento social da criança. Estudos recentes concluem que a voz dos pais pode ser compensada com outros estímulos, tais como: sorrisos, carícias, expressões, etc. O educador (quer progenitor, quer outro) surdo do bebé surdo estabelece a ligação com a criança por intermédio de gestos, estímulos visuais e tácteis, de forma natural.
Já na idade escolar, pais e educadores mostram, frequentemente, alguma preocupação relativamente ao isolamento social da criança e ao aparecimento de comportamentos anti-sociais, ou faltas de educação. Dentre os factores de insucesso entre as crianças surdas, um dos mais relevantes será a falta do desenvolvimento da linguagem, uma vez que competência social está muitas vezes ligada a competência comunicativa. É também de extrema importância que a criança surda seja estimulada a ter uma boa auto estima, a aceitar o seu modo único de ser e a aceitar a surdez.
Quanto ao comportamento desajustado de algumas crianças surdas, esse facto deve-se, em muitas das vezes, à incompreensão das regras da sociedade, pelo que as mesmas lhes devem ser transmitidas com clareza e concisamente (se for necessário, usando ajudas visuais, tais como desenhos ou fotografias). A surdez em si, não influencia o desenvolvimento sócio-emocional da criança.
Tecnologias especiais para crianças com necessidades especiais
A Educação Especial desenvolve-se em torno da igualdade de oportunidades, em que todos os indivíduos, independentemente das suas diferenças, deverão ter acesso a uma educação com qualidade, capaz de responder a todas as suas necessidades. Desta forma, a educação deve-se desenvolver 9çide forma especial, numa tentativa de atender às diferenças individuais de cada criança, através de uma adaptação do sistema educativo.
A evolução das tecnologias permite cada vez mais a integração de crianças com necessidades especiais nas nossas escolas, facilitando todo o seu processo educacional e visando a sua formação integral. No fundo, surge como uma resposta fundamental à inclusão de crianças com necessidades educativas especiais num ambiente educativo.
Como uma das respostas a estas necessidades surge a utilização da tecnologia, com o desenvolvimento da Informática veio a se abrir um novo mundo recheado de possibilidades comunicativas e de acesso à informação, manifestando-se como um auxílio a pessoas com necessidades educativas especiais.
Partindo do pressuposto que aprender é fazer, a tecnologia deve ser encarada como um elemento cognitivo capaz de facilitar a estruturação de um trabalho viabilizando a descoberta, garantindo condições propícias para a construção do conhecimento. Na verdade são inúmeras as vantagens que advêm do uso das tecnologias no campo do ensino – aprendizagem no que diz respeito a crianças especiais.
Assim, o uso da tecnologia pode despertar em crianças especiais um interesse e a motivação pela descoberta do conhecimento tendo em base as necessidades e interesses das crianças. A deficiência deve ser encarada não como uma impossibilidade mas como uma força, onde o uso das tecnologias desempenha um papel significativo.
Vantagens
O uso das tecnologias no campo do ensino-aprendizagem traz inúmeras vantagens no que respeita às crianças com necessidades especiais, permitindo:
• Alargar horizontes levando o mundo para dentro da sala de aula;
• Aprender fazendo;
• Melhorar capacidades intelectuais tais como a criatividade e a eficácia;
• Permitir que um professor ensine simultaneamente em mais de um local;
• Permitir vários ritmos de aprendizagem numa mesma turma;
• Motivar o aluno a aprender continuamente, pois utiliza um meio com que ele se identifica;
• Proporcionar ao aluno os conhecimentos tecnológicos necessários para ocupar o seu lugar no mundo do trabalho;
• Aliviar a carga administrativa do professor, deixando mais tempo livre para dedicar ao ensino e à ajuda a nível individual;
• Estabelecer a ponte entre a comunidade e a sala de aula.
A adaptação do sistema educativo
A adaptação do sistema educativo a crianças com necessidades especiais deve procurar:
• Incentivar e promover a aplicação das tecnologias da informação e comunicação ao sistema de ensino. Promover a utilização de computadores pelas crianças e jovens com necessidades especiais integrados no ensino regular, criar áreas curriculares específicas para crianças e jovens de fraca incidência e aplicar o tele-ensino dirigido a crianças e jovens impossibilitados de frequentar o ensino regular.
• Adaptar o ensino das novas tecnologias às crianças com necessidades especiais, preparando as escolas com os equipamentos necessários e promovendo a adaptação dos programas escolares às novas funcionalidades disponibilizadas por estes equipamentos.
• Promover a criação de um programa de formação sobre a utilização das tecnologias da informação no apoio às crianças com necessidades especiais, destinados a médicos, terapeutas, professores, auxiliares e outros agentes envolvidos na adequação da
Perspectivas históricas da Educação Especial
Estas perspectivas históricas levam em conta a evolução do pensamento acerca das necessidades educativas especiais ao longo dos últimos cinqüenta anos, no entanto, elas não se desenvolvem simultaneamente em todos os países, e conseqüentemente retrata uma visão histórica global que não corresponde ao mesmo estágio evolutivo de cada sociedade. Estas perspectivas são descritas por Peter Clough.[1]
1. O legado psico-médico: (predominou na década de 50) vê o indivíduo como tendo de algum modo um deficit e por sua vez defende a necessidade de uma educação especial para aqueles indivíduos.
2. A resposta sociológica: (predominou na década de 60) representa a crítica ao legado psico-médico, e defende uma construção social de necessidades educativas especiais.
3. Abordagens Curriculares: (predominou na década de 70) enfatiza o papel do currículo na solução - e, para alguns escritores, eficazmente criando - dificuldades de aprendizagem.
4. Estratégias de melhoria da escola: (predominou na década de 80) enfatiza a importância da organização sistêmica detalhada na busca de educar verdadeiramente.
5. Crítica aos estudos da deficiência: (predominou na década de 90) frequentemente elaborada por agentes externos à educação, elabora uma resposta política aos efeitos do modelo exclusionista do legado psico-médico.
Perspectiva atual
• Convenção da Deficiência
Um acordo foi celebrado em 25 de agosto de 2006 em Nova Iorque, por diversos Estados em uma convenção preliminar das Nações Unidas sobre os direitos da pessoa com deficiência, o qual realça, no artigo 24, a Educação inclusiva como um direito de todos. O artigo foi substancialmente revisado e fortalecido durante as negociações que começaram há cinco anos. Em estágio avançado das negociações, a opção de educação especial (segregada do ensino regular) foi removida da convenção, e entre 14 e 25 agosto de 2006, esforços perduraram até os últimos dias para remover um outro texto que poderia justificar o segregação de estudantes com deficiência. Após longas negociações, o objetivo da inclusão plena foi finalmente alcançado e a nova redação do parágrafo 2 do artigo 24 foi definida sem objeção. Cerca de sessenta delegações de Estado e a Liga Internacional da Deficiência (International Disability Caucus), que representa cerca de 70 organizações não governamentais (ONGs), apoiaram uma emenda proposta pelo Panamá que obriga os governos a assegurar que: as medidas efetivas de apoio individualizado sejam garantidas nos estabelecimentos que priorizam o desenvolvimento acadêmico e social, em sintonia com o objetivo da inclusão plena. A Convenção preliminar antecede a assembléia geral da ONU para sua adoção, que se realizará no final deste ano. A convenção estará então aberta para assinatura e ratificação por todos os países membros, necessitando de 20 ratificações para ser validada. A Convenção da Deficiência é o primeiro tratado dos direitos humanos do Século XXI e é amplamente reconhecida como tendo uma participação da sociedade civil sem precedentes na história, particularmente de organizações de pessoas com deficiência.
Elementos significativos do artigo 24 da instrução do esboço
• Nenhuma exclusão do sistema de ensino regular por motivo de deficiência
• Acesso para estudantes com deficiência à educação inclusiva em suas comunidades locais
• Acomodação razoável das exigências indivíduais
• O suporte necessário dentro do sistema de ensino regular para possibilitar a aprendizagem, inclusive medidas eficazes de apoio individualizado
Inclusão
Entendemos por Inclusão o acto ou efeito de incluir.
O conceito de educação inclusiva ganhou maior notoriedade a partir de 1994, com a Declaração de Salamanca. No que respeita às escolas, a ideia é de que as crianças com necessidades educativas especiais sejam incluídas em escolas de ensino regular e para isto todo o sistema regular de ensino precisa ser revisto, de modo a atender as demandas individuais de todos os estudantes. O objectivo da inclusão demonstra uma evolução da cultura ocidental, defendendo que nenhuma criança deve ser separada das outras por apresentar alguma diferença ou necessidade especial. Do ponto de vista pedagógico esta integração assume a vantagem de existir interacção entre crianças, procurando um desenvolvimento conjunto, com igualdade de oprtunidades para todos e respeito à diversidade humana e cultural. No entanto, a inclusão tem encontrado imensa dificuldade de avançar, especialmente devido a resistências por parte das escolas regulares, em se adaptarem de modo a conseguirem integrar as crianças com necessidades especiais, devido principalmente aos altos custos para se criar as condições adequadas. Além disto, alguns educadores resistem a este novo paradigma, que exige destes uma formação mais ampla e uma atuação profissional diferente da que têm experiência. Durante diversas etapas da história da educação, foram os educadores especiais que defenderam a integração de seus alunos em sistemas regulares, porém, omovimento ganhou corpo quando a educação regular passou a aceitar sua responsabilidade nesse processo, e iniciativas inclusivistas começaram a história da educação inclusiva ao redor do mundo.
Legislação que regulamenta a Educação Especial no Brasil
• Constituição Federal de 1988 - Educação Especial
• Lei nº 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBN - Educação Especial
• Lei nº 8069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente - Educação Especial
• Lei nº 8859/94 - Estágio
• Lei nº 10.098/94 - Acessibilidade
• Lei nº 10.436/02 - Libras
• Lei nº 7.853/89 - CORDE - Apoio às pessoas portadoras de deficiência
• Lei n.º 8.899, de 29 de junho de 1994 - Passe Livre
• Lei nº 9424 de 24 de dezembro de 1996 - FUNDEF
• Lei nº 10.845, de 5 de março de 2004 - Programa de Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência
• Lei nº 10.216 de 04 de junho de 2001 - Direitos e proteção às pessoas acometidas de transtorno mental
• Plano Nacional de Educação - Educação Especial
“Líderes inseguros barram inovações"
“Líderes inseguros barram inovações", diz consultor
Praveen Gupta diz que muitas grandes companhias preferem funcionários que não pensam por temer mudanças
Carla Falcão, iG São Paulo | 31/03/2010 07:33
Autor dos livros “Inovação Empresarial no Século 21” e “The Innovation Solution” (sem tradução para o português), o indiano Praveen Gupta é reconhecido por prestar consultoria em inovação para grandes empresas e organizações de diversos países, como o Grupo Sonae e o Instituto de Tecnologia de Illinois, nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira, Gupta chegou à conclusão que, na maioria dos casos, o principal entrave à inovação dentro de uma companhia é a presença de um líder inseguro, relutante em assumir riscos, cujos funcionários não o desafiam.
“Este executivo, que ignora qualquer forma de inovação, sente-se desconfortável com mudanças e tem medo do que considera indisciplina por parte de seus subordinados. É justamente nessas empresas que os funcionários são desencorajados a pensar”, diz Gupta. Em sua opinião, apenas 20% dos presidentes de empresa estão comprometidos com a inovação.
Gupta, que também preside a consultoria Accelper, observa que pesa nas companhias a percepção de que é preciso gastar muito para criar produtos e serviços inovadores “Isso é mito”, afirma. Criamos soluções alternativas e mais eficientes quando surgem as necessidades”, afirma.
Leia a entrevista com Praveen Gupta.
iG: No livro “Inovação Empresarial no Século 21, o sr. afirma que a falta de tempo para pensar é um dos maiores obstáculos à inovação nas empresas. As grandes companhias preferem funcionários que não pensam?
Gupta: As pessoas estudam para ter maior qualificação e conseguir bons empregos, nos quais sua capacidade de pensar e resolver problemas seja reconhecida e remunerada. Mas, o que venho observando, é que quanto maior o nível de educação, menos as pessoas têm tempo para pensar. Isso acontece porque infelizmente há muitas empresas grandes que desencorajam seus funcionários a raciocinar. Muitas até preferem profissionais que não pensam, pois acreditam que isso possa levar à perda de produtividade ou gerar indisciplina em níveis hierárquicos inferiores.
O que essas corporações esquecem é que o propósito de qualquer empresa é gerar produtos e serviços pelos quais os consumidores desejam pagar. Para que isso aconteça, é fundamental contar com equipes motivadas. Minhas pesquisas demonstraram que funcionários com liberdade para pensar e se expressar costumam trazer à tona as melhores e mais criativas ideias para impulsionar o crescimento da companhia.
iG: Quais são as principais dificuldades para estimular a inovação identificadas nas empresas?
Gupta: A falta de compromisso da liderança da companhia com a inovação é, sem dúvida, um dos maiores obstáculos. Após anos de trabalhos como consultor em grandes empresas, pude identificar dois tipos de líderes. O primeiro é aquele que valoriza o conceito de inovar e está disposto a assumir riscos, investir, pensar e desafiar aos outros e a si mesmo. Já o segundo tipo, é aquele que ignora qualquer forma de inovação, sente-se desconfortável com mudanças e tem medo do que considera indisciplina de seus subordinados.
Ousaria dizer que a maior parte dos executivos é inovadora por natureza. Mas, diante do atual cenário econômico e da pressão pelo retorno dos investimentos no curto prazo, poucos se animam a apostar suas fichas em algo incerto. Acredito que apenas 20% dos presidentes das maiores companhias estejam de fato comprometidos com a inovação. Para reverter esse quadro, recomendo aos presidentes e diretores que, em primeiro lugar, assumam um compromisso com a construção do negócio em si e, depois, aprendam tudo que for possível sobre a ciência da inovação.
iG: Desde a crise econômica, inovar parece ser a solução para tudo. Da redução de custos à conquista de novos clientes, passando até mesmo pela melhoria de clima organizacional. Não há um certo exagero?
Gupta: Inovação é, certamente, a palavra da moda. Todo mundo fala em inovação para comprovar a exclusividade de seu produto, solução ou serviço. De fato, inovar não representa mais uma opção da qual a empresa possa abrir mão sem prejuízo para o negócio. Hoje, trata-se de uma escolha entre crescer e ficar estagnado, inovar ou morrer. Não são apenas as empresas que precisam ousar e criar novos produtos, mas também as pessoas. Para os indivíduos, inovar tornou-se uma habilidade mandatória no século 21 pela necessidade crescente de se adquirir e criar conhecimento rapidamente.
iG: Recente pesquisa divulgada no Brasil revelou que uma das profissões do futuro é a de Chief Innovation Officer, função voltada para pesquisa, planejamento e aplicação da inovação. As empresas estão preparadas para contratar este tipo de profissional?
Gupta: A inovação tornou-se um novo campo de trabalho, assim como vendas, marketing e design, exigindo uma estrutura definida. Pode ser que a empresa esteja preparada para ter um diretor de inovação ou simplesmente um analista. O que importa é que esta nova função tenha um foco previamente definido e que o profissional apresente uma visão estratégica de negócios, uma orientação para o aumento dos lucros e uma excelente capacidade de comunicação, além, é claro, de conhecimentos sobre a ciência de inovar.
iG: Após tantos recalls envolvendo a indústria automotiva, que conselhos o sr. daria às companhias que abriram mão do cuidado com a qualidade de produtos e serviços diante da pressão por rapidez no lançamento de novos produtos?
Gupta: Investir em inovação e abrir mão da excelência é uma equação que não fecha. Mesmo empresas que sempre prezaram pela qualidade, como a Toyota, pagam o preço por escolher caminhos mais curtos e ignorar seu próprio compromisso com a perfeição dos produtos. Inovações lançadas no mercado sem os devidos cuidados podem agradar momentaneamente a área de marketing, mas acabam tornando-se um grande problema para as equipes de vendas. O custo de uma falha no processo de criação de um novo produto ou serviço, lançado sem os devidos testes, pode tirar completamente o charme da inovação e se reverter em um grande prejuízo para a companhia. Por isso, é fundamental ter em mente que a qualidade vem em primeiro lugar.
Praveen Gupta diz que muitas grandes companhias preferem funcionários que não pensam por temer mudanças
Carla Falcão, iG São Paulo | 31/03/2010 07:33
Autor dos livros “Inovação Empresarial no Século 21” e “The Innovation Solution” (sem tradução para o português), o indiano Praveen Gupta é reconhecido por prestar consultoria em inovação para grandes empresas e organizações de diversos países, como o Grupo Sonae e o Instituto de Tecnologia de Illinois, nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira, Gupta chegou à conclusão que, na maioria dos casos, o principal entrave à inovação dentro de uma companhia é a presença de um líder inseguro, relutante em assumir riscos, cujos funcionários não o desafiam.
“Este executivo, que ignora qualquer forma de inovação, sente-se desconfortável com mudanças e tem medo do que considera indisciplina por parte de seus subordinados. É justamente nessas empresas que os funcionários são desencorajados a pensar”, diz Gupta. Em sua opinião, apenas 20% dos presidentes de empresa estão comprometidos com a inovação.
Gupta, que também preside a consultoria Accelper, observa que pesa nas companhias a percepção de que é preciso gastar muito para criar produtos e serviços inovadores “Isso é mito”, afirma. Criamos soluções alternativas e mais eficientes quando surgem as necessidades”, afirma.
Leia a entrevista com Praveen Gupta.
iG: No livro “Inovação Empresarial no Século 21, o sr. afirma que a falta de tempo para pensar é um dos maiores obstáculos à inovação nas empresas. As grandes companhias preferem funcionários que não pensam?
Gupta: As pessoas estudam para ter maior qualificação e conseguir bons empregos, nos quais sua capacidade de pensar e resolver problemas seja reconhecida e remunerada. Mas, o que venho observando, é que quanto maior o nível de educação, menos as pessoas têm tempo para pensar. Isso acontece porque infelizmente há muitas empresas grandes que desencorajam seus funcionários a raciocinar. Muitas até preferem profissionais que não pensam, pois acreditam que isso possa levar à perda de produtividade ou gerar indisciplina em níveis hierárquicos inferiores.
O que essas corporações esquecem é que o propósito de qualquer empresa é gerar produtos e serviços pelos quais os consumidores desejam pagar. Para que isso aconteça, é fundamental contar com equipes motivadas. Minhas pesquisas demonstraram que funcionários com liberdade para pensar e se expressar costumam trazer à tona as melhores e mais criativas ideias para impulsionar o crescimento da companhia.
iG: Quais são as principais dificuldades para estimular a inovação identificadas nas empresas?
Gupta: A falta de compromisso da liderança da companhia com a inovação é, sem dúvida, um dos maiores obstáculos. Após anos de trabalhos como consultor em grandes empresas, pude identificar dois tipos de líderes. O primeiro é aquele que valoriza o conceito de inovar e está disposto a assumir riscos, investir, pensar e desafiar aos outros e a si mesmo. Já o segundo tipo, é aquele que ignora qualquer forma de inovação, sente-se desconfortável com mudanças e tem medo do que considera indisciplina de seus subordinados.
Ousaria dizer que a maior parte dos executivos é inovadora por natureza. Mas, diante do atual cenário econômico e da pressão pelo retorno dos investimentos no curto prazo, poucos se animam a apostar suas fichas em algo incerto. Acredito que apenas 20% dos presidentes das maiores companhias estejam de fato comprometidos com a inovação. Para reverter esse quadro, recomendo aos presidentes e diretores que, em primeiro lugar, assumam um compromisso com a construção do negócio em si e, depois, aprendam tudo que for possível sobre a ciência da inovação.
iG: Desde a crise econômica, inovar parece ser a solução para tudo. Da redução de custos à conquista de novos clientes, passando até mesmo pela melhoria de clima organizacional. Não há um certo exagero?
Gupta: Inovação é, certamente, a palavra da moda. Todo mundo fala em inovação para comprovar a exclusividade de seu produto, solução ou serviço. De fato, inovar não representa mais uma opção da qual a empresa possa abrir mão sem prejuízo para o negócio. Hoje, trata-se de uma escolha entre crescer e ficar estagnado, inovar ou morrer. Não são apenas as empresas que precisam ousar e criar novos produtos, mas também as pessoas. Para os indivíduos, inovar tornou-se uma habilidade mandatória no século 21 pela necessidade crescente de se adquirir e criar conhecimento rapidamente.
iG: Recente pesquisa divulgada no Brasil revelou que uma das profissões do futuro é a de Chief Innovation Officer, função voltada para pesquisa, planejamento e aplicação da inovação. As empresas estão preparadas para contratar este tipo de profissional?
Gupta: A inovação tornou-se um novo campo de trabalho, assim como vendas, marketing e design, exigindo uma estrutura definida. Pode ser que a empresa esteja preparada para ter um diretor de inovação ou simplesmente um analista. O que importa é que esta nova função tenha um foco previamente definido e que o profissional apresente uma visão estratégica de negócios, uma orientação para o aumento dos lucros e uma excelente capacidade de comunicação, além, é claro, de conhecimentos sobre a ciência de inovar.
iG: Após tantos recalls envolvendo a indústria automotiva, que conselhos o sr. daria às companhias que abriram mão do cuidado com a qualidade de produtos e serviços diante da pressão por rapidez no lançamento de novos produtos?
Gupta: Investir em inovação e abrir mão da excelência é uma equação que não fecha. Mesmo empresas que sempre prezaram pela qualidade, como a Toyota, pagam o preço por escolher caminhos mais curtos e ignorar seu próprio compromisso com a perfeição dos produtos. Inovações lançadas no mercado sem os devidos cuidados podem agradar momentaneamente a área de marketing, mas acabam tornando-se um grande problema para as equipes de vendas. O custo de uma falha no processo de criação de um novo produto ou serviço, lançado sem os devidos testes, pode tirar completamente o charme da inovação e se reverter em um grande prejuízo para a companhia. Por isso, é fundamental ter em mente que a qualidade vem em primeiro lugar.
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